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Música

História do hip-hop de Mato Grosso do Sul passa pelo arquivo do Correio do Estado

Exposição no Museu da Imagem e do Som reúne jornais, discos e memórias do movimento, com curadoria do rapper Mano Cley e destaque para o papel da imprensa na preservação da história

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Organizada, documentada e aberta ao público. A exposição “Digitalizando a História: 40 anos da Cultura Hip-Hop em Campo Grande” transforma quatro décadas de resistência cultural em memória viva, reunindo recortes de jornais (em sua maioria do Correio do Estado), discos, fotografias e objetos que ajudam a contar como um movimento nascido nas ruas conquistou espaço, respeito e políticas públicas ao longo do tempo.

Instalada no Museu da Imagem e do Som (MIS) em Campo Grande, a mostra está aberta no terceiro andar do prédio, com visitação de segunda-feira a sexta-feira, das 7h30min às 17h30min. A entrada é gratuita.

À frente da curadoria está Mano Cley, rapper e um dos pioneiros do hip-hop em Mato Grosso do Sul. Com trajetória iniciada ainda nos anos 1980, ele assumiu a missão de selecionar os momentos mais marcantes dessa história – tarefa que, segundo ele, foi facilitada por ter vivido cada fase do movimento.

“Como sou um dos pioneiros aqui na Capital, ficou mais fácil para mim. Eu mesmo fiz a curadoria, selecionando os eventos mais importantes durante esses 40 anos do hip-hop campo-grandense”, explica.

MEMÓRIA IMPRESSA

Um dos aspectos mais simbólicos da exposição é a origem do acervo: grande parte do material foi construída a partir de reportagens publicadas em jornais locais ao longo das últimas quatro décadas. Entre eles, o destaque absoluto vai para o Correio do Estado, que, segundo Mano Cley, se tornou uma espécie de “bússola histórica” do movimento.

Ao todo, são 49 matérias do jornal presentes na exposição, abordando diferentes dimensões do hip-hop – da música à educação, passando por questões sociais, movimento negro, combate à violência e organização comunitária.

“A construção do acervo foi feita toda através dos jornais. Além de servir como prova da nossa existência, ficou registrado ao longo de 40 anos a nossa história. O Correio do Estado teve um papel fundamental nisso”, destaca o artista.

Outros veículos também contribuíram para a preservação dessa memória, como Diário da Serra, O Estado, Folha do Povo, A Crítica e O Progresso. 

Uma das curiosidades resgatadas pela mostra é o lançamento do disco da Falange da Rima no dia 11 de setembro de 2001 – a mesma data dos atentados às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos. O episódio está registrado nas páginas do jornal, assim como diversos outros momentos emblemáticos.

INÍCIO ÁRDUO

Quatro décadas de jornais impressos sobreviveram ao tempo dentro um baú guardado por Mano Cley - Foto: Mariana Piell

Se hoje o hip-hop ocupa palcos, editais e espaços institucionais, o começo foi marcado por escassez e improviso. Mano Cley relembra que, nos anos 1980, não havia estrutura, equipamentos ou reconhecimento.

“A cultura hip-hop teve início a ferro e fogo. Não tínhamos nada: nem equipamento, nem informação, nem respeito. A única coisa que a gente tinha era a rua”, afirma.

Sem espaços adequados, os primeiros encontros aconteciam onde era possível. Em 1989, a Praça Ary Coelho chegou a ser um ponto de encontro, mas o grupo foi retirado sob a justificativa de que não era um local apropriado para dançar, mesmo durante o dia.

A alternativa foi ocupar outros espaços urbanos – como a Avenida Afonso Pena, em frente ao Obelisco, que se tornou o primeiro grande “point” do hip-hop em Campo Grande.

Ali, grupos como Perfect Break, Street Break e Break Violento se reuniam para dançar, trocar experiências e construir identidade.

“Levávamos papelão para dançar no chão, rádio movido a pilha ou bateria de carro. Era tudo muito difícil, mas a gente fazia acontecer”, lembra.

A comunicação também era um desafio: sem celulares ou internet, os encontros eram combinados por meio de telefones públicos, com fichas e horários marcados com precisão.

CONQUISTA DE ESPAÇO

Com o tempo, o movimento se expandiu. Os encontros migraram para o Terminal Bandeirantes, onde novas gerações começaram a surgir e formar grupos. Ainda assim, o reconhecimento institucional demorou a chegar.

Segundo Mano Cley, uma das maiores transformações dos últimos 40 anos está nas políticas públicas voltadas à cultura.

“Hoje temos editais do governo federal, estadual e municipal. Isso ajuda muita gente a mostrar seu trabalho e faz com que a cultura chegue gratuitamente ao público. Esse é um dos grandes legados que conseguimos deixar”, avalia.

Ele ressalta que artistas do movimento participaram ativamente da inclusão do hip-hop em políticas de fomento cultural – algo impensável nas décadas iniciais.

Entre os inúmeros shows realizados ao longo da carreira, Mano Cley destaca um momento específico como divisor de águas: a apresentação no Festival de Inverno de Bonito, em 2023.

“Foi a primeira vez que o rap regional subiu ao palco principal. Fizemos um show com homenagem à música do Mato Grosso do Sul, e o público abraçou a ideia do início ao fim”, conta.

Transmitida ao vivo pela TVE e posteriormente exibida em programas culturais, a apresentação abriu novas portas para o grupo, incluindo premiações e convites para apresentações fora do Estado.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Mais do que música e dança, o hip-hop sempre teve um forte componente social. Mano Cley relembra ações realizadas desde os anos 1990, como palestras em escolas sobre violência e campanhas solidárias.

“A gente sempre fez trabalho social. Quando gravamos um clipe na antiga Cidade de Deus, por exemplo, fizemos arrecadação de alimentos e agasalhos para as famílias. Sempre tivemos esse compromisso”, afirma.

Segundo ele, essas iniciativas ajudaram a fortalecer o papel do hip-hop como ferramenta de transformação social.

PARTICIPAÇÃO FEMININA

A exposição também dá visibilidade à participação feminina no movimento, muitas vezes invisibilizada ao longo dos anos. Apesar de serem minoria, as mulheres sempre estiveram presentes – e respeitadas, segundo Mano Cley.

Entre os destaques estão as b-girls Edivania, Tata, Carolzinha e Agulhinha, além da rapper Nega Bill e do grupo TNT, que posteriormente se tornou “Aliadas Periféricas”.

O grupo feminino ganhou projeção nacional, realizando shows em estados como Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, consolidando seu espaço dentro da cultura hip-hop.

MEMÓRIA VIVA

A mostra também presta homenagem a nomes importantes do movimento que já faleceram, como Osney Damasceno, Marcelinho, MHO, Flynt – parceiro de Mano Cley por mais de 30 anos –, Bolinho e Ratinho.
“São pessoas que fazem muita falta pra gente. Essa homenagem é uma forma de manter viva a memória deles”, afirma.

ACERVO COLABORATIVO

Composto por camisetas, discos, recortes de jornais, equipamentos e outros itens, o acervo impressiona pela quantidade – ainda não totalmente contabilizada.

“Eu acredito que tenha mais de 100 discos, mas ainda não contei tudo. É muita coisa mesmo”, diz o curador.
Entre os objetos, há peças simbólicas, como uma camiseta que pertenceu ao cantor Chorão, utilizada em um show em Mato Grosso do Sul em 2012, pouco antes de sua morte.

Mais do que uma exposição estática, o projeto tem caráter colaborativo. O público é convidado a contribuir com itens que ajudem a contar a história do hip-hop no Estado, ampliando continuamente o acervo.

Após o fim da exposição, todo o material levantado, seja diretamente por Cley ou pela contribuição do público, será catalogado para preservar e manter viva a história do hip-hop em Mato Grosso do Sul.

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Expo 2026

Expogrande terá provas e julgamento de cavalos árabes

Provas de halter e performance movimentam criadores e animais de alta linhagem entre os dias 17 e 19 de abril

31/03/2026 15h00

Crédito: Acrissul e Expogrande

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Durante a Expogrande, entre os dias 17 e 19 de abril, acontece a 24ª Expogrande Arabian Show, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande.

O evento reúne criadores de todo o país, com equinos de alta qualidade, e é promovido pela Associação dos Criadores de Cavalo Árabe de Mato Grosso do Sul (ACCA-MS).

Somente Mato Grosso do Sul, segundo a revista Cavalos, possui um plantel de cerca de 2.000 cavalos puro-sangue árabe registrados.

No Estado, há aproximadamente 42 criadores associados, o que o coloca entre o 3º e o 4º lugar no ranking nacional em número de animais da raça, atrás principalmente de São Paulo e Minas Gerais.

A programação contará com provas de halter e de performance, com os juízes César Schmidt Oliveira, Francisco F. do Rego e Nelson Oliveira Moreira.

Leilões e agronegócio

Com o tema “O futuro do agro está aqui”, a proposta é unir tradição e inovação, com a participação de 40 startups de todo o país, que apresentarão soluções tecnológicas voltadas ao agronegócio.

Entre os eventos, estão previstos 24 leilões de corte e de elite. A previsão, segundo o presidente da Acrissul, Guilherme de Barros Bumlai, é superar os números da edição anterior, que movimentou R$ 641 milhões em negócios, com 250 expositores e mais de 125 mil visitantes.

“Para este ano, já crescemos pelo menos 20% no segmento dos leilões de animais, com previsão de superar os R$ 33 milhões do ano passado”, afirmou Bumlai.

A agenda de leilões começa no dia 28 de março, com o 6º Leilão Patrimônio Genético Sete Estrelas, a partir do meio-dia, no Tatersal de Elite 1 da Acrissul, com oferta de reprodutores e matrizes P.O., com alto padrão em fertilidade, carcaça e avaliação genética.

Às 14h, no Tatersal 2, ocorre o 19º Leilão QM LB e convidados, com a venda de equinos da raça quarto de milha.

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Expogrande 2026

Expogrande traz Luan Santana, Thiaguinho e grandes nomes; veja programação

Feira tem início em 9 de abril e abre programação com apresentação gratuita de Zezé Di Camargo

31/03/2026 13h44

Reprodução Redes Sociais

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A 86ª edição da Expogrande traz atrações musicais como Daniel, Thiaguinho, Zezé Di Camargo e o “gurizinho de casa” Luan Santana, entre os dias 9 e 19 de abril, no Parque de Exposições Laucídio Coelho, em Campo Grande.

O evento contará com a participação de cinco instituições financeiras, ciclo de palestras, expositores comerciais de animais, leilões, shows, praça de alimentação, pavilhão tecnológico, exposição e julgamentos técnicos.

Nesta edição, a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) espera bater o próprio recorde, consolidando a Expogrande entre as cinco maiores do gênero no país.

Pensando nisso, a cerimônia de abertura, que ocorre no dia 9 de abril, contará com apresentação do cantor sertanejo Zezé Di Camargo, em show gratuito que promete embalar os fãs com clássicos do artista.

Shows e atrações

As vendas de ingressos para os shows da Expogrande estão abertas. Neste ano, uma novidade será um show especial no dia 20, um dia após o encerramento da feira, na véspera do feriado, com o cantor Thiaguinho. Confira as atrações:

  • 09/04 — Zezé Di Camargo (entrada franca na Arena)
  • 10/04 — Gusttavo Lima
  • 11/04 — Daniel
  • 17/04 — Diego & Victor Hugo
  • 18/04 — Luan Santana
  • 20/04 — Thiaguinho (show especial após o encerramento da feira)

Baile do Grito

No dia 11 de abril, a Acrissul promove o Baile do Fazendeiro. Neste ano, já estão confirmadas as atrações do tradicional evento, também conhecido como Baile do Grito, no Tatersal 2 da Acrissul, a partir das 22h.

O evento de gala faz parte da programação da Expogrande 2026. Os grupos Canto da Terra e Trem Pantaneiro sobem ao palco com repertório de polca, chamamé, xote e vanerão. Para fechar a noite, a dupla Victor Gregório e Marco Aurélio traz o romantismo da música sertaneja.

O Baile do Fazendeiro foi, durante décadas, um dos eventos sociais mais importantes ligados à Expogrande, reunindo a elite da pecuária sul-mato-grossense em noites de prestígio e elegância.

Leilões e agronegócio

Com o tema “O futuro do agro está aqui”, a proposta é unir tradição e inovação, com a participação de 40 startups de todo o país, que apresentarão soluções tecnológicas voltadas ao agronegócio.

Entre os eventos, estão previstos 24 leilões de corte e de elite. A previsão, segundo o presidente da Acrissul, Guilherme de Barros Bumlai, é superar os números da edição anterior, que movimentou R$ 641 milhões em negócios, com 250 expositores e mais de 125 mil visitantes.

“Para este ano, já crescemos pelo menos 20% no segmento dos leilões de animais, com previsão de superar os R$ 33 milhões do ano passado”, afirmou Bumlai.

A agenda de leilões começa no dia 28 de março, com o 6º Leilão Patrimônio Genético Sete Estrelas, a partir do meio-dia, no Tatersal de Elite 1 da Acrissul, com oferta de reprodutores e matrizes P.O., com alto padrão em fertilidade, carcaça e avaliação genética.

Às 14h, no Tatersal 2, ocorre o 19º Leilão QM LB e convidados, com a venda de equinos da raça quarto de milha.

Onde comprar os ingressos

Pontos de venda online:

  • Blacktag
  • Ingresse
  • Q2 Ingressos (para o show de 18/04 – Luan Santana)

Pontos de venda físicos:

Barbearia A Banca – Santa Fé
John John Denim – Shopping Campo Grande

Mais informações:

www.expogrande.com.br
@acrissulms
@expogrande.oficial

Os leilões seguem até o dia 19 de abril.

Serviço

  • 86ª edição da Expogrande
  • Data: 9 de abril
  • Hora: 19h
  • Local: Tatersal de Elite 1, no Parque de Exposições Laucídio Coelho

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