Hoje acontece, às 19h, na Casa de Cultura de Campo, o lançamento gratuito do documentário “CenAlternativa 2”, produção do duo Vozmecê que aborda nesta obra de aproximadamente 30 minutos a criação, a profissionalização e os desafios da cena independente local, com destaque especial para as obras autorais femininas sul-mato-grossenses.
Tratando-se da primeira parte, o documentário que tem assinatura do duo formado por Namaria Schneider e Pedro Fattori, e também por Manu Komiyama, da KPROD Produções, conta com cerca de meia hora de registros das experiências, trajetórias e reflexões de mulheres que contribuem para movimentar a produção musical sul-mato-grossense.
Com o comando da direção de Namaria e Fattori, a produção audiovisual dá sequência ao projeto “CenAlternativa – MS Geração 20”, ampliando o registro da nova música produzida em Mato Grosso do Sul.
Sob o olhar das lentes da dupla, o destaque da vez vem para evidenciar as mulheres que edificam a cena cultural local.
Para além de saber das criações e influências, o documentário “CenAlternativa 2” traz o enfoque sobre os “corres” e caminhos percorridos para desenvolvimento e sustentação das carreiras femininas na arte sul-mato-grossense.
Cabe frisar que esse projeto só pôde ser realizado por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (Pnab), por meio da Fundação Municipal de Cultura (Fundac), da Prefeitura de Campo Grande, do Ministério da Cultura e do governo federal.
PRODUÇÃO ACESSÍVEL
Importante reforçar que esse documentário tem interpretação na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) e legendas, além de haver uma versão com audiodescrição, o que, por sua vez, amplia as possibilidades de acesso ao conteúdo pelo público campo-grandense.
Essa exibição de lançamento será gratuita e aberta ao público, na Casa de Cultura de Campo Grande. A proposta é convidar a comunidade a conhecer as histórias dessas artistas e a reconhecer a diversidade e a importância da música independente produzida em Mato Grosso do Sul.
Com história local, a sonoridade do Vozmecê é marcada por uma combinação pouco convencional de estilos, que inclui polca paraguaia, psicodelia, baião, rock, axé e elementos da música experimental. Essa mistura nasceu tanto da convivência com artistas locais quanto das experiências vividas durante viagens pelo País.
Segundo o casal, a identidade musical do projeto foi moldada pelas influências culturais de Mato Grosso do Sul, estado marcado pela proximidade com países vizinhos e por uma diversidade de tradições.
“Tem uma influência muito forte dessa região de fronteira, com ritmos como a polca paraguaia, o chamamé e a guarânia”, explica Namaria. “Mas também fomos encontrando referências nas viagens pelo Brasil, como o baião no Nordeste e algumas vertentes do samba e da música experimental”, destaca.
Uma das experiências mais marcantes da trajetória do duo foi o período em que viveram de forma itinerante dentro de uma van, percorrendo 17 estados e realizando apresentações de arte de rua. Segundo os artistas, essa fase ajudou a consolidar sua visão artística.
Formado pelo casal Namaria Schneider e Pedro Fattori, o Vozmecê construiu uma trajetória marcada pela mistura de referências sonoras e por uma atuação independente que ajudou a fortalecer a música alternativa no Estado.
O duo começou a trajetória ainda jovem, tocando nas ruas e construindo sua carreira de forma independente.
Ao longo dos anos, acumulou apresentações em diferentes cidades brasileiras, viagens e projetos autorais que ajudaram a consolidar seu nome na cena alternativa regional.
“A rua acabou sendo uma espécie de escola, porque você aprende a lidar diretamente com as pessoas, com o improviso e com a realidade do cotidiano. Durante as entrevistas, uma coisa que chamou atenção foi a diversidade de caminhos que os artistas estão trilhando. São estéticas e formas de produção muito diferentes, mas existe algo em comum: a vontade de continuar criando mesmo diante de muitas limitações estruturais”, relembra Fattori
INDEPENDÊNCIA DELAS
Essas conversas registradas em “CenAlternativa 2” foram conduzidas por Namaria, reunindo falas de nomes que há tempos percorrem os caminhos da música local, como: Mel Dias, Ariadne, Erica Espíndola, Paula Fregatto, Leca Harper, Serena MC, Bell Éter, Bianca Bacha e Ana Ferreira, da banda Urbem, e Nana Coloral.
Neste grupo aparecem diferentes gerações, estilos e experiências, com as participantes compartilhando suas perspectivas sobre composição, processos criativos, como funciona a parte da circulação artística, bem como a profissionalização, a autogestão e as redes de apoio.
Mel Dias lança novo single amanhã e compõe documentário - Foto: Reprodução/Redes SociaisConforme os organizadores, para além de ser um mero compilado que reúne depoimentos, a produção documenta os desafios enfrentados e as possibilidades existentes para quem produz música autoral em Mato Grosso do Sul, sendo uma forma de contribuir também para manter viva toda a memória de uma cena cultural em constante transformação.
“Registrar essas trajetórias é uma maneira de reconhecer a força e a diversidade das mulheres que fazem a música autoral de Mato Grosso do Sul. Queremos que o documentário seja um espaço para que elas compartilhem suas experiências, seus processos criativos e também os desafios que encontram para desenvolver seus trabalhos. É um registro da cena que temos hoje e da contribuição dessas artistas para a nossa cultura”, afirma Namaria.
Com essa sequência da primeira homônima, o novo filme “CenAlternativa” reforça a proposta de documentar artistas e suas respectivas experiências nos movimentos que contribuem para a construção da identidade musical produzida em Mato Grosso do Sul.
Além disso, os responsáveis indicam que essa iniciativa também contribui para ampliar a visibilidade de trabalhos independentes e aproximar o público de diferentes expressões da produção musical contemporânea.
“O audiovisual permite registrar não apenas a música, mas também as histórias, os contextos e as pessoas que fazem essa cena acontecer. Com o ‘CenAlternativa 2’, damos continuidade a esse trabalho de documentação, valorizando a diversidade da produção autoral do Estado e criando um material que também possa servir de memória para as próximas gerações”, diz Fattori.
Como bem acompanhado pelo Correio do Estado, ainda em março deste ano, “CenAlternativa – MS Geração 20”, aparece como uma produção um pouco mais extensa, com 45 minutos, e que investiga a cena alternativa contemporânea de Mato Grosso do Sul.
Essa primeira obra reúne depoimentos de mais de 20 artistas e trabalhadores da cultura, além de mais de 60 horas de entrevistas realizadas ao longo da produção.
Entre os participantes estão nomes como Beca Rodrigues, Silveira, Karla Coronel, Dovalle e SoulRa.
Segundo Fattori, o objetivo foi registrar um momento específico da produção musical local, especialmente a geração de artistas que começou a lançar seus trabalhos entre 2020 e 2025.
“Durante as entrevistas, uma coisa que chamou atenção foi a diversidade de caminhos que os artistas estão trilhando. São estéticas e formas de produção muito diferentes, mas existe algo em comum: a vontade de continuar criando mesmo diante de muitas limitações estruturais”, relatou à época.
Entre os nomes presentes está também Mel Dias, que lança novo single amanhã. Ela começou a traçar sua história na arte ainda em 2014, nas batalhas de rima locais e movida principalmente pela necessidade de expressão e pela afirmação de sua própria voz. Em 2017, lançou sua primeira música, ainda na alcunha de Dandara Zumbi como nome artístico.
“Não sou apenas uma artista: sou uma filosofia viva. Minha arte carrega a força, a alegria e a determinação da mulher preta e periférica que escolhe escrever, com autonomia, a sua própria narrativa. Em 2021, após um período em São Paulo, retornei à minha cidade natal, onde sigo desenvolvendo minha trajetória musical e fortalecendo meu papel como referência e representatividade no território”, conclui Mel Dias.
Documentário estreia hoje, às 19h, na Casa de Cultura>> SERVIÇO
Lançamento do documentário “CenAlternativa 2: Mulheres da Nova Música do MS – Parte 1”
- Data: hoje.
- Horário: às 19h.
- Local: Casa de Cultura de Campo Grande.
- Entrada: gratuita e aberta ao público.
- Duração: aproximadamente 30 minutos.
- Instagram: @cenalternativa.ms.
Ficha técnica:
- Direção: Namaria Schneider e Pedro Fattori.
- Produção executiva, roteiro e pesquisa: Namaria Schneider.
- Direção de produção, fotografia, edição e colorização: Manu Komiyama.
- Direção de som: Pedro Fattori.
- Operação e assistência de câmera: Pedro Fattori, Namaria Schneider e Manu Komiyama.
- Acessibilidade: Jessé Macedo.

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