Correio B

Correio B

Livro lido por Harry Potter vai virar filme

Livro lido por Harry Potter vai virar filme

diariodecuiaba

16/09/2013 - 06h00
Continue lendo...

Os estúdios da Warner Bros e a best-seller J. K. Rowling anunciaram que uma nova série de filmes inspirados no universo de Harry Potter estão sendo desenvolvidos. O projeto é “adaptar” o livro “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, escrito por J.K. Rowling sob o pseudônimo Newt Scamande.

O livro surgiu no próprio universo de Harry Potter, como objeto de estudo em Hogwarts, mas ganhou as prateleiras do mundo real como forma de agradar os fãs e expandir o mundo fantasioso dos bruxinhos. A autora escreveu outros dois livros: “Quadribol Através do Séculos” e “Os Contos de Beedle, o Bardo”.

“Animais Fantásticos” seria apenas a primeira parte de uma nova franquia. Embora seus livros tenham rendido oito filmes, se tornando uma das sagas mais rentáveis do cinema, “Animais Fantásticos e Onde Habitam” será a estreia de J.K. Rowling como roteirista.

Novos filmes de J.K. Rowling sobre bruxos virarão games. A escritora, no entanto, deixa claro que o filme não será uma continuação dos primeiros filmes sobre os bruxos. Ela explica que a história de “Animais Fantásticos” se passa 70 anos antes de Harry Potter começar o curso em Hogwarts.

“As leis e os costumes da sociedade da magia oculta será familiar a qualquer um que tenha lido os livros de Harry Potter ou visto os filmes, mas a história de Newt começará em Nova York, 70 anos antes de Harry Potter”, disse Rowling em comunicado em seu site.

“Embora ele seja definido na comunidade mundial de bruxos e bruxas, onde eu fui muito feliz por 17 anos, ‘Animais Fantásticos e Onde Habitam’ não é uma sequência e nem uma prévia da série Harry Potter, mas uma extensão do mundo bruxo. Eu sempre disse que eu só iria revisitar o mundo dos bruxos, se eu tivesse uma ideia que me deixasse realmente animada. E é isso”, declarou.

As oito partes de “Harry Potter” - lançados entre 2001 e 2011 - arrecadaram mais de US$ 7 bilhões no mundo todo.

Não se sabe os detalhes e cifrões, mas há um “pacto” milionário entre a Warner e escritora britânica J. K. Rowling. A criadora de Harry Potter conta, em nota, que a ideia do filme partiu dos estúdios, mas que ela mesma respondeu com um projeto mais autoral - não a toa, ela ficará responsável pelo roteiro do filme.

Segundo a escritora, ela tem uma ligação afetiva com Newt Scamander, pseudônimo criado nos livros de Harry Potter, o que dificultaria vê-lo ser adaptado por um outro escritor. “Tendo vivido por tanto tempo em meu universo ficcional, me sinto muito protetora, já sei muitas coisas sobre Newt”, contou J.K.

A relação entre os dois lados inclui esforços além do novo projeto, como a ampliação das atividades do parque temático de Harry Potter e a distribuição da adaptação de “Morte Súbita”, livro “adulto” de J.K., para a BBC em 2014.

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 03 e 09 de agosto. Direcione a sua energia.

Como arcano regente da semana, a Força lembra que o verdadeiro poder nasce de dentro: cultive sua coragem, confie em si mesmo e direcione sua energia para aquilo que realmente faz sentido.

02/08/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 03 e 09 de agosto. Direcione a sua energia.

A energia do Tarô da semana entre 03 e 09 de agosto. Direcione a sua energia. Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Força, Vênus em Libra e Mercúrio em Leão

É a primeira semana completa da temporada de Leão, e seguimos em frente com Mercúrio finalmente livre dos efeitos da retrogradação. Agora, a energia vibrante dessa fase pode ser vivida em todo o seu potencial.

A carta que se revelou como regente da semana foi a Força e dificilmente haveria um arcano mais apropriado para este momento. Afinal, a Força é a carta tradicionalmente associada ao signo de Leão e traduz com perfeição os temas que permeiam o cenário astrológico atual: coragem, autoconfiança, vitalidade, generosidade e a capacidade de liderar a própria vida com equilíbrio e serenidade.

A entrada de Vênus em Libra, no dia 6, favorece relações mais harmoniosas, acordos e reconciliações. Assim como a mulher da carta doma o leão com serenidade, este trânsito mostra que o verdadeiro poder está na diplomacia, na escuta e na capacidade de construir pontes sem abrir mão dos próprios limites. A Força ensina que harmonia não significa evitar conflitos, mas enfrentá-los com maturidade e respeito.

Já Mercúrio em Leão, a partir de 9 de agosto, amplia a criatividade, a confiança e a expressão das ideias. O momento favorece apresentações, negociações e projetos autorais, incentivando cada pessoa a dar voz ao próprio talento. A lição da Força, porém, é lembrar que a autoconfiança se torna ainda mais poderosa quando caminha ao lado da humildade e da sabedoria para ouvir diferentes perspectivas.

A Força: o verdadeiro poder nasce de dentro

À primeira vista, a mensagem da Força parece bastante evidente: ela fala sobre força. Mas não da força física ou da necessidade de dominar pela imposição. Seu verdadeiro significado está no poder que nasce do coração, da mente e do espírito.

A imagem clássica do arcano mostra uma mulher conduzindo um leão apenas com a delicadeza de suas mãos e a coragem de sua presença. Não há correntes, armas ou qualquer demonstração de violência — apenas serenidade, confiança e domínio emocional diante de um desafio que poderia parecer intimidador.

Acima de sua cabeça, o símbolo do infinito representa a fonte inesgotável de força interior que todos carregamos. Mesmo quando acreditamos ter chegado ao limite, A Força nos lembra que sempre existe uma reserva de coragem, resiliência e sabedoria capaz de nos ajudar a seguir em frente.

Este arcano também nos lembra que a maior vitória não acontece sobre o mundo, mas sobre nós mesmos. Ele simboliza a coragem silenciosa, a confiança interior e a capacidade de enfrentar os desafios da vida sem perder a delicadeza.

A verdadeira força não se impõe pela agressividade ou pelo controle, mas pela serenidade de quem conhece o próprio coração.

Fortaleza interior é algo que se constrói todos os dias. Assim como os músculos precisam ser exercitados para permanecer fortes, nossa coragem também precisa ser cultivada continuamente. Cada vez que escolhemos agir em nosso favor, mesmo diante do medo, da insegurança ou dos velhos padrões, fortalecemos quem realmente somos.

Pense por um instante: em que momento da sua vida você se sentiu mais forte? Talvez tenha sido quando precisou recomeçar, superar uma perda, enfrentar uma mudança ou acreditar em si mesmo quando ninguém mais acreditava. Essa pessoa continua existindo dentro de você. Às vezes apenas esquecemos disso.

Todos os dias somos convidados a olhar para nossas sombras, reconhecer nossas fragilidades e escolher, mais uma vez, agir de acordo com nossa essência. A força é uma prática diária, não um destino.

Também é importante compreender que a verdadeira transformação não nasce da culpa ou da vergonha. Mudanças duradouras acontecem quando escolhemos cuidar de nós mesmos com compaixão. Corrigir um comportamento porque nos amamos é muito mais poderoso do que fazê-lo apenas por medo ou autocensura.

Muitas vezes acreditamos que somos definidos pelos nossos erros, pelos nossos medos ou pelos hábitos que repetimos há anos. A Força nos lembra que isso não é verdade. Nenhum comportamento limita quem você realmente é.

Todos os dias existe uma nova oportunidade para fazer escolhas diferentes e conduzir sua vida com mais consciência.

Talvez o primeiro passo pareça difícil. Domar o “leão interior” exige persistência, paciência e confiança. Mas, com o tempo, aquilo que parecia impossível se transforma em uma nova forma de viver. A coragem deixa de ser um esforço e passa a fazer parte da sua natureza.

Nesta semana, escolha três atitudes que reforcem a sua força interior. Pode ser dizer “não” ao que já não faz sentido, confiar mais em si mesmo, abandonar um hábito que o enfraquece ou dar um passo em direção a um sonho adiado. Pequenas decisões, repetidas diariamente, constroem uma vida extraordinária.

A verdadeira força não está em dominar o mundo. Está em conduzir, com amor e consciência, o leão que habita dentro de nós.

A energia da Força nas áreas da vida

Amor

Nos relacionamentos, a carta da Força convida a substituir reações impulsivas por diálogo, empatia e maturidade emocional. Ela mostra que o amor verdadeiro não nasce da necessidade de controlar o outro, mas da capacidade de acolher, compreender e respeitar as diferenças.

Para quem está solteiro, o arcano sugere fortalecer o amor-próprio antes de buscar uma nova relação. Quanto mais você reconhece o seu valor, mais atrai conexões saudáveis e recíprocas.

A entrada de Vênus em Libra favorece a harmonia, o romance e a aproximação. Seu charme e magnetismo estarão em evidência, facilitando novas conexões e fortalecendo os laços existentes. Aproveite essa fase para viver o amor com mais leveza e equilíbrio.

Trabalho e Carreira

No campo profissional, a carta da Força favorece a perseverança, o equilíbrio e a liderança, mostrando que as maiores conquistas serão alcançadas por quem agir com inteligência emocional, estratégia e diplomacia.

Ao longo da semana, situações desafiadoras, mudanças inesperadas ou conversas delicadas poderão testar sua serenidade, mas manter a calma e confiar na própria capacidade fará toda a diferença.

Mais do que as palavras, será sua postura diante das adversidades que transmitirá segurança, fortalecerá sua credibilidade e abrirá caminho para novas oportunidades.

Dinheiro

Nas finanças, A Força fala sobre autocontrole e disciplina. É um excelente período para rever hábitos de consumo, organizar o orçamento e fazer escolhas conscientes pensando no futuro.

A prosperidade não surge apenas por grandes oportunidades, mas principalmente pela capacidade de administrar recursos com responsabilidade. Dominar os impulsos hoje é abrir espaço para uma estabilidade maior amanhã.

A mensagem da Força

A Força nos lembra que o maior poder não está em vencer batalhas externas, mas em conquistar a nós mesmos. Quando aprendemos a conduzir nossos medos, impulsos e inseguranças com serenidade, descobrimos uma coragem que ninguém pode tirar.

Afinal, como dizia Lao Tsé: "Quem vence os outros é forte; quem vence a si mesmo é invencível."

Todos os dias temos a oportunidade de escolher entre alimentar nossos limites ou fortalecer nosso potencial. Cada decisão tomada com consciência aproxima você da sua melhor versão.

Sob a energia da Força, pergunte a si mesmo: o que você precisa domar dentro de si para crescer, qual medo já não merece conduzir suas escolhas e que atitude pode tomar hoje para fortalecer sua vida, seus relacionamentos, sua carreira e sua prosperidade?

A verdadeira força não faz barulho. Ela se revela nas pequenas escolhas diárias, na persistência, na compaixão e na coragem de continuar caminhando, mesmo quando o caminho parece desafiador. É assim que, pouco a pouco, o leão interior deixa de ser um adversário e se torna um grande aliado.

Seja qual for a situação que esta semana traga, ela será um convite para reconhecer a sua própria força. Isso significa acreditar em si mesmo e confiar que você possui coragem, sabedoria e recursos para enfrentar até os maiores desafios.

Se a vida parecer colocar sua resistência à prova, encare esse momento como uma oportunidade de permanecer firme, preservar seu equilíbrio e não desistir diante das dificuldades. Em vez de “matar um leão por dia”, aprenda a amar o seu. Acontecimentos positivos também podem surgir para lembrar o quanto você cresceu e se tornou mais forte ao longo da sua jornada.

Em qualquer cenário, mantenha a confiança, enfrente seus medos com serenidade e siga em frente com dignidade e determinação. Nem sempre será possível controlar as circunstâncias ou as atitudes das outras pessoas, mas você sempre poderá confiar na sua capacidade de responder a cada desafio com coragem, equilíbrio e fidelidade a si mesmo.

Como diria Obi-Wan Kenobi, em Star Wars: "Que a Força esteja com você." Neste mês, essa mensagem ganha um significado especial: que a Força do Tarô inspire a força que existe dentro de você.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

Capa da semana Correio B+ - Especial

Entrevista exclusiva com o diretor de cinema Nilson Rodrigues

Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento local

02/08/2026 11h00

Nilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento local

Nilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento local Foto: Divulgação

Continue Lendo...

Quantos filmes equatorianos você conhece? Quantos venezuelanos já assistiu? E quantas produções do Paraguai, país que divide fronteira com Mato Grosso do Sul, chegaram às salas de cinema ou às plataformas brasileiras?

As perguntas lançadas por Nilson Rodrigues, idealizador e diretor do Bonito CineSur, parecem simples, mas revelam um dos grandes paradoxos culturais do continente: a América do Sul produz filmes reconhecidos nos principais festivais do mundo, mas seus países ainda conhecem muito pouco o cinema realizado pelos próprios vizinhos.

“Quantos filmes equatorianos você conhece? Quantos filmes venezuelanos já viu? Quantos colombianos ou chilenos? A gente vê muito pouco”, provoca Nilson em uma conversa exclusiva para o Caderno B+ diretamente de Bonito.

“Não é que não exista uma produção relevante. O Paraguai foi premiado em Berlim, o Chile vai ao Oscar, a Colômbia vai ao Oscar. Existe uma produção argentina incrível, uma produção brasileira muito forte. O que existe é uma enorme barreira de circulação.”

Foi para começar a romper essa barreira que o Bonito CineSur nasceu, em 2023. Em apenas quatro edições, o Festival de Cinema Sul-Americano transformou Bonito, já conhecida mundialmente por suas belezas naturais, em um território de encontro entre realizadores, produtores, atores, distribuidores, críticos e públicos de diferentes países.

Na edição de 2026, realizada entre 24 de julho e 1º de agosto, o festival recebeu o recorde de 905 filmes inscritos. Na primeira edição, foram 657, o que representa crescimento de 37%. O público também mais do que dobrou: passou de 4.200 pessoas, em 2023, para 9 mil em 2025, alta de 114%.

Antes mesmo de contabilizar os resultados deste ano, mais de 18.200 pessoas já haviam participado das atividades do CineSur.

A quarta edição selecionou 32 produções competitivas de dez países da América do Sul, distribuídas entre longas e curtas sul-americanos, cinema ambiental e filmes de Mato Grosso do Sul.

A produção regional conquistou um espaço ainda maior: oito obras sul-mato-grossenses entraram na competição, duas a mais do que no ano anterior. Mas, para Nilson, os números são apenas uma parte da história.

“A gente partiu de uma tese: reunir a produção sul-americana recente e criar um ambiente de encontro entre produtores, atores, atrizes e realizadores. Um lugar onde também fosse possível discutir projetos e estimular coproduções”, explica. “Existe uma barreira muito grande entre os países. O festival nasce para criar condições de aproximação.”

Nilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento localNilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento local - Fotografando Bonito - Divulgação

Uma vida dedicada ao cinema

O CineSur também é resultado de uma trajetória de mais de quatro décadas. Produtor, exibidor e gestor cultural, Nilson Rodrigues começou a trabalhar com festivais ainda nos anos 1980.

Foi coordenador e diretor de diferentes edições do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, idealizou o Festival de Inverno de Bonito e o Festcine Pantanal, em Campo Grande, além de ter integrado a Diretoria Colegiada da Agência Nacional do Cinema, a Ancine, entre 2005 e 2009.

Como exibidor, fundou o Cine Cultura de Campo Grande e, posteriormente, o Cine Cultura Liberty Mall, em Brasília, voltado especialmente ao cinema brasileiro e à produção independente mundial. Como produtor, participou de títulos como Tainá 3 – A origem, O outro lado do paraíso e O pastor e o guerrilheiro.

Agora, vive um momento especialmente movimentado com dois novos filmes. Nilson é produtor de Honestino, dirigido por Aurélio Michiles e protagonizado por Bruno Gagliasso nas sequências dramatizadas, e de Justino – Nos Bastidores do Reino, novo longa de José Eduardo Belmonte.

Na entrevista, ele brincou com a coincidência entre os nomes: “Honestino e Justino. Honesto e justo”. “Estou muito animado. Um dos filmes entra nas salas de cinema e o outro inicia sua carreira nos festivais”, conta.

Esse trânsito entre festivais, salas de exibição, produção e políticas públicas deu a Nilson uma visão ampla das dificuldades enfrentadas pelo audiovisual.

“O mercado é ocupado pelo cinema hegemônico dos Estados Unidos, e nem pelo cinema norte-americano em toda a sua diversidade. O cinema independente dos Estados Unidos também é muito potente.

O que recebemos aqui é aquilo que vem da grande indústria”, observa. “E, da mesma forma que essa indústria ocupa o mercado brasileiro, ocupa também a Argentina, o Paraguai, a Bolívia e o Chile.”

O CineSur não pretende resolver sozinho um problema que envolve legislação, distribuição, investimento, regulação das plataformas e políticas públicas. Nilson é o primeiro a reconhecer os limites de um festival.

“O festival não resolve os problemas do mercado, da circulação ou da regulação. Mas conecta as pessoas. Estimula a produção e também a aquisição dos filmes”, afirma.

Um exemplo concreto aconteceu após a edição anterior, quando um filme chileno premiado em Bonito despertou o interesse de uma distribuidora brasileira. Para um longa que talvez não encontrasse espaço no Brasil, o encontro representou uma possibilidade real de chegar a um novo público.

“Isso tem importância. Precisamos trazer mais distribuidores para ver esses filmes, além de mais produtores. Mas isso também depende das condições econômicas do festival, da ampliação dos apoios e dos patrocínios”, diz Nilson.

Estrelas do continente em Bonito

A força de um festival também se mede por sua capacidade de reunir os grandes nomes do cinema sem afastá-los do público. Em 2026, Bonito recebeu artistas conhecidos nacional e internacionalmente, mas manteve sessões, debates e encontros com acesso gratuito.

A abertura foi apresentada por Reynaldo Gianecchini e pela atriz e coordenadora geral Andrea Freire. O primeiro fim de semana teve ainda a presença de Bruno Gagliasso e do diretor Aurélio Michiles, que apresentaram a pré-estreia nacional de Honestino, filme sobre o líder estudantil Honestino Guimarães, sequestrado e desaparecido durante a ditadura militar.

João Moreira Salles participou de uma aula magna sobre o documentário e apresentou Minha terra estrangeira, codirigido por Louise Botkay. A programação também reuniu o documentarista Vincent Carelli, criador do projeto Vídeo nas Aldeias; o cineasta Luiz Carlos Lacerda, o Bigode; além de produtores, curadores, críticos e realizadores de vários países.

Até o encerramento, o festival ainda recebe Paulo Betti, responsável por uma conversa sobre interpretação para cinema e televisão, e Valentina Herszage, atriz de Ainda Estou Aqui, que apresenta com ele a cerimônia de premiação.

A grande homenageada da edição foi a chilena Paulina García, vencedora do Urso de Prata de melhor atriz no Festival de Berlim por Gloria. Atriz, diretora teatral e dramaturga, ela recebeu o Troféu Pantanal na abertura, que exibiu Querido Trópico, coprodução de Panamá e Colômbia na qual interpreta uma mulher que enfrenta o avanço da demência.

“Paulina é uma atriz incrível, maravilhosa, um orgulho para a América Latina e para a América do Sul”, afirma Nilson. “Esses momentos são especiais porque nos colocam diante daqueles que fizeram e continuam fazendo a história do nosso cinema. São artistas que revelam a grandeza da nossa produção.”

O festival também celebrou o cineasta argentino Luis Puenzo com uma sessão de A História Oficial, primeiro filme latino-americano a vencer o Oscar de melhor produção internacional. Lançada em 1985, a obra expôs o sequestro de crianças durante a ditadura argentina e ajudou o país a enfrentar uma memória que ainda estava aberta.

“O impacto desse filme na Argentina foi enorme”, ressalta Nilson. “Quando A História Oficial revelou o sequestro das crianças e a brutalidade dos militares, contribuiu para que o país olhasse para aquilo que havia acontecido.”

Nilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento localNilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento local - Fotografando Bonito

Cinema que chega à comunidade

Embora as estrelas ajudem a projetar o evento nacionalmente, uma das iniciativas mais importantes do CineSur acontece longe dos tapetes vermelhos.

O Bonito CineSur Educa oferece gratuitamente oficinas, palestras, debates e sessões dirigidas especialmente a estudantes, crianças, jovens, profissionais do audiovisual e moradores da cidade.

Nesta edição, a programação formativa incluiu oficinas de realização de documentário, roteiro, desenvolvimento de projetos audiovisuais e mercado. As chamadas “charlas cinematográficas” discutiram temas como protagonismo feminino, aquisição e licenciamento de conteúdo, crítica de cinema, memória, interpretação e os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias.

Uma oficina de cinema de animação foi levada ao Projeto Garoto Cidadão, iniciativa que atende no contraturno escolar crianças e adolescentes da rede pública e em situação de vulnerabilidade social. Durante cinco manhãs, os participantes tiveram contato com técnicas de criação e produção de animações.

Os trabalhos desenvolvidos pelas crianças serão apresentados ao público na Mostra Comunidade, ao lado dos documentários realizados por moradores durante o festival.

A iniciativa muda a relação da população com o evento. Em vez de apenas receber artistas e filmes vindos de fora, Bonito também passa a produzir suas próprias imagens, registrar suas histórias e formar novos realizadores.

O festival promoveu ainda sessões infantojuvenis gratuitas, com filmes como Colegas e o herdeiro, Eu e meu avô Nihonjin e Dentro da caixinha – Mundo de Papel. Ao abrir espaço para crianças que muitas vezes não têm acesso regular a uma sala de cinema, o CineSur transforma a experiência cultural em uma ação de inclusão.

“Precisamos produzir cinema, produzir séries e nos ver”, resume Nilson. “É muito estranho viver em um país e ficar experimentando apenas aquilo que supostamente acontece nos Estados Unidos. Precisamos das nossas imagens e das nossas histórias.”

Meio ambiente, identidade e território

Realizar um festival em Bonito também significa assumir uma responsabilidade ambiental. Por isso, o CineSur criou uma mostra competitiva dedicada ao tema, reunindo filmes que discutem mudanças climáticas, contaminação das águas, exploração de recursos naturais, preservação dos territórios e resistência dos povos originários.

“A gente não poderia fazer um festival de cinema em Bonito sem criar uma mostra ambiental”, diz Nilson. “O cinema é uma grande ferramenta de debate e reflexão sobre a necessidade de preservação do planeta e sobre as responsabilidades ambientais que temos.”

O diretor destaca que as urgências não são iguais em todos os países. O Chile enfrenta determinadas questões, enquanto a Amazônia brasileira, colombiana e equatoriana apresenta outras. Bolívia, Argentina e Paraguai também chegam ao festival com seus próprios conflitos ambientais.

“Nos filmes, você vê cada país trazendo suas urgências. O cinema participa desse debate e permite que a gente conheça realidades diferentes das nossas”, afirma.

Nilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento localNilson Rodrigues: Bonito CineSur faz de MS o coração do cinema sul-americano. Em sua quarta edição, festival cresce, atrai estrelas e transforma cinema em formação, encontro, memória e desenvolvimento local - Divulgação

Impacto além das telas

O CineSur também movimenta hotéis, restaurantes, transporte, serviços técnicos e profissionais da economia criativa. Em 2025, a programação reuniu 63 filmes de dez países, somou 120 horas de atividades gratuitas e envolveu 60 instituições públicas e privadas.

Foram contratados 250 serviços profissionais ligados à produção, equipamentos, hospedagem, alimentação e deslocamento. O evento alcançou 9 mil pessoas presencialmente e mais de 619 mil nas redes sociais.

Os resultados ajudam a demonstrar que cultura e turismo não são forças concorrentes. Ao contrário: um festival amplia o calendário da cidade, atrai visitantes, gera renda, cria empregos temporários e oferece novas experiências a quem chega a Bonito.

A logística, porém, é um desafio. Passagens aéreas caras, distâncias e a necessidade de transformar espaços em salas com padrão de exibição cinematográfica aumentam os custos.

“É claro que fica mais caro. Trazer as pessoas para cá é desafiante. Mas Bonito está no coração da América do Sul”, defende Nilson. “Mato Grosso do Sul faz fronteira com dois países. O festival tinha que ser feito aqui. Estamos construindo, aos poucos, um território de encontro dessas cinematografias sul-americanas. Nunca tive dúvida disso.”

As próximas pontes

Para a quinta edição, Nilson quer ampliar a presença de distribuidores, instituições de fomento e autoridades responsáveis pelas políticas cinematográficas dos países. O objetivo é avançar não apenas nas coproduções, mas também na codistribuição.

“A coprodução é fundamental porque, quando um filme é realizado entre dois países, ele passa a ter duas nacionalidades e pode ser tratado como produto nacional nos dois lugares”, explica. “Ainda fazemos poucas coproduções entre os países sul-americanos.”

O próximo passo seria criar mecanismos para que os filmes também fossem distribuídos em conjunto.

“Já temos alguns programas e editais de coprodução entre Brasil, Argentina e Uruguai, mas precisamos avançar. Está faltando pensar a codistribuição: criar estímulos para que o filme seja distribuído lá e aqui. Assim ampliamos as possibilidades de conhecer aquilo que produzimos.”

Nilson lembra uma frase de Luiz Carlos Barreto, homenageado na abertura do festival poucos dias depois de sua morte: um país que não produz seu próprio cinema é como uma casa sem espelhos, na qual as pessoas não conseguem se ver.

O Bonito CineSur amplia essa imagem. Um continente que não assiste ao próprio cinema também perde a capacidade de se reconhecer.

Em quatro anos, o festival ainda não derrubou todas as barreiras de circulação, e jamais prometeu fazer isso sozinho. Mas já mostrou que, entre as fronteiras de Mato Grosso do Sul, é possível criar um espaço no qual a América do Sul finalmente começa a olhar para si mesma.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).