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Diálogo

Em campanha política, vale quase tudo por um minuto de glória nas redes... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta sexta-feira (18)

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Victor Hugo - Escritor francês

"Seja como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-os ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas”.

FELPUDA

Em campanha política, vale quase tudo por um minuto de glória nas redes sociais, até mesmo transformar promessa de campanha em motivo de baixaria. Foi o que aconteceu entre duas candidatas. Uma delas tentou protagonizar troca de farpas em busca de holofotes e, claro, votos. A reação da outra foi responder calmamente, mantendo exemplar postura. Assim, quem provocou o embate acabou vendo o tiro sair pela culatra. A tão esperada repercussão não veio, resultando em muito barulho e pouco holofote. Aí nenhum eco foi notado e a barraqueira de plantão ficou frustrada que só.

Quem diria?

A ministra Cármen Lúcia (STF) pediu desculpas ao país por não ter conseguido ajudar a conter a crise institucional na Corte, marcada por denúncias públicas entre ministros, um dos momentos mais delicados da história recente do tribunal. Ela expressou constrangimento e tristeza.

Mais

Lamentou o fato de o país estar mais atento às disputas internas do STF do que às escolhas eleitorais. Segundo a ministra,o que gerou “intranquilidade” e “mal-estar cívico”.  Certamente não foi só ela que se sentiu assim, mas a maioria da população brasileira. Lamentável, mesmo!

 Marcos Henrique Derzi Wasilewski com a amiga Luciana Barros Marcos Henrique Derzi Wasilewski com a amiga Luciana Barros - Foto: Wagner Guimarães

 

Cris CarpenedoCris Carpenedo - Foto: Arquivo Pessoal

“Pobrinha”

Por todos os lugares, a reclamação geral é que a eleição de 2026 está sendo uma das mais “pobres” dos últimos anos. Dindin mesmo, só do fundo partidário, e ainda assim, ele está chegando, digamos, devidamente contado.  A campanha eleitoral magra tem deixado muita gente frustrada, e existem candidatos que estão economizando até a sola do sapato, andando muito pouco, sem pedir votos e só “cumprindo tabela”. É grave a crise!

Assim, ó...

Desde o início do ano, a prefeita Adriane Lopes (PP) e o seu marido deputado Lídio Lopes (Avante), tem fortalecido a aproximação com o deputado federal Vander Loubet (PT). Foi ele quem levou a prefeita ao ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e articulou o reconhecimento do pedido de emergência  para Campo Grande, devido ao temporal que destelhou casas, escolas, a Esplanada Ferroviária, e deixou famílias desabrigadas. 

Críticas

O Departamento de Estado dos EUA divulgou um relatório assinado pelo presidente Donald Trump avaliando o combate global a cartéis de drogas. O documento critica o governo brasileiro por não enfrentar o PCC e o Comando Vermelho, organizações que os EUA classificam como “terroristas estrangeiras”, acusando o Brasil de ter se tornado um centro do fluxo global de cocaína. Em contraste, o relatório elogia governos de direita  latino-americanos alinhados aos EUA, que estariam tomando medidas mais firmes contra o narcotráfico. Mal, mal...

ANIVERSARIANTES 

  • Maria Eduarda Pedrossian 
  • Faria Gatti, 
  • Dr. Fernando Mauro Moreira Marinho, 
  • Dra. Carolina Rebello Hilgert, 
  • Caio de Pádua Machado,
  • Norma Suely Freitas Barbosa,
  • Eduardo Elias Seba,  
  • Walter Ferreira Cruz,
  • Jeronymo Almeida Muniz, 
  • Josivan Lourenço Pereira,
  • Gutemberg (Guy) Judson Salgado Machado,
  • Maria Aparecida Vieira,
  • Karollyne Aparecida Castoldi Brotto,
  • José Soares Ribeiro,
  • Edson Luiz de David, 
  • Ivan Carlos do Prado Polidoro,
  • Veronica Daúde Monaco, 
  • Neyre Moraes Barbosa,
  • Regis Domingos Peruzzo,
  • Dulce Pandin,
  • Dr. Antônio Gentil Neto, 
  • Dr. Carlos Alberto Langassner, 
  • Alessandra Pereira Terra Costa, 
  • Maria Nilene Badeca da Costa,
  • Rodrigo Alejandro Serrada Benevides,
  • Laura Cristina Moura Savioli,
  • Dirce Estsuko Miyahara Lara,
  • Archimedes Francisco Delgado, 
  • Cleuza Pereira Duarte Bicglia,
  • Juarez Canhete Costa,
  • Kuniko Kamimura,
  • Taylise Romero Balbino,
  • Isabel Maria Munari,
  • Priscila Menezes Rodrigues Baziliche, 
  • Adela Garcia Rocha,
  • Carlos Roberto Takayassu,
  • Maria de Lourdes Lino Menezes,
  • Jeomeire da Silva Valdez,
  • Ciro de Melo Neto, 
  • Olga Luiza de Campos Soares,
  • Ana Maria Kemp Falcon, 
  • Eneida Cangussu Soares, 
  • Nelson Alves Filho,
  • Eronilde Nunes Rodrigues,
  • Fatima Maria Nunes Rosa,
  • Antonieta Ferreira,
  • Adelaide Pereira Andrade,
  • Dayla Granero,
  • Marlene Terezinha Mourão,
  • Leonete Espírito Santo,
  • Aikel Nakazato,
  • Leomir Albuquerque Cândia,
  • Vânia Maria de Souza Rosa,
  • Marizete Pereira de Souza,
  • Cleuza Flôres Taborda,
  • Marta Marques Petrônio,
  • Isis Pereira de Oliveira,
  • Joaquim Lopes de Oliveira,
  • Maria de Lourdes de Souza,
  • Neide Cristina Soares Lima,
  • Miguel Afonso de Almeida,
  • José Carlos Meneses Alves,
  • Humberto da Costa,
  • Uilson da Silva Torres,
  • Maria Cristina de Souza Desiderio, 
  • Carlos Wilson Tavares,
  • Aldeir Moreno Filho,
  • José Antônio Lopes,
  • Aparecido Vieira da Silva,
  • Eunice Silva Santos,
  • Fábio Moreira Carneiro,
  • José Cruz Solles Neto,
  • Milton Costa Farias,
  • Ramão Renato Garcia,
  • Iran Motti da Silva,
  • Marco Antonio Duarte Cazzolato,
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  • Ivone de Jesus Souza,
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  • Dr. Amauri Ferreira de Oliveira,
  • Elizete Cardoso,
  • Judiclei Lopes Alonso,
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  • Dr. Joel Miyahira, 
  • Álvaro Alves Lorentz,
  • Veraluce de Souza Pereira,
  • Luiz Quirino de Oliveira,
  • Maria Alves Siqueira Neves,
  • Adolfo Wagner Areco Gonzales,
  • Alexandre Duarte Esposito,        
  • Dr. Luiz Carlos Areco,
  • Heraldo Bojikian,   
  • Antonio Annibelli Neto,
  • Antonio Rosário Migliorini,
  • Fernando Henrique Luchetti Rodrigues,
  • Humberto Chelotti Gonçalves,
  • Laerte José Prietto,
  • Maria Cecília Ferreira Abdo,
  • Manuelle Senra Colla,
  • Rosa Nadime Saueia,
  • Marcelo Salles Munerato,
  • Ayres Cândido de Paula Neto.

Colaborou com Tatyane Gameiro

Moda Correio B+ - Entre Costuras & CuLtura

Entrevista exclusiva com a arquiteta Nauíra Cordeiro. A arte de viver com identidade e elegância

Ela compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer

01/11/2026 17h00

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegância

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegância Foto: Divulgação

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À frente da NG Home, a arquiteta e empreendedora Nauíra Cordeiro vem construindo uma trajetória marcada pela criatividade, pelo olhar apurado e pela valorização do design autoral brasileiro.

Com experiência no universo da arquitetura, do mobiliário de alto padrão e do design italiano, ela encontrou no desenvolvimento de produtos uma nova forma de expressar sua identidade criativa, unindo estética, funcionalidade e pesquisa de materiais.

Suas criações propõem um novo olhar sobre os objetos do cotidiano, transformando-os em peças que carregam personalidade e elegância.

Em novembro, Nauíra participa do evento Sobre a Mesa, idealizado por Silmara Kassab, nos dias 17 e 18, em São Paulo, encontro que celebra a conexão entre mesa posta, design e gastronomia.

A agenda também inclui uma produção especial de mesa posta para o almoço de amigo secreto de Carol Bassi, dando continuidade a uma parceria que valoriza encontros, experiências e composições cheias de estilo.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaEla compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como começou sua trajetória na arquitetura e em que momento surgiu a ideia de criar a NG Home? O que motivou essa transição para o universo do design e da decoração?
NC -
 Minha trajetória começou na arquitetura, mas sempre tive uma relação muito próxima com o design de produto. Em 2013, tive a oportunidade de trabalhar com importantes marcas italianas de mobiliário, experiência que ampliou meu olhar sobre o design autoral. A NG Home nasceu desse desejo de criar peças próprias, explorando a relação entre forma, matéria e função, com um olhar especial para a arte de receber.

CE -  A moda e a arquitetura têm algo em comum: ambas comunicam identidade. Como você enxerga essa relação entre a maneira como nos vestimos e os ambientes que escolhemos habitar?
NC -
 Acredito que tanto a moda quanto a arquitetura são extensões da nossa personalidade. A maneira como nos vestimos e os espaços que habitamos revelam nossas referências, escolhas e valores. Em ambos os universos, a verdadeira elegância está na autenticidade.

CE - O conceito de atemporalidade está cada vez mais presente na moda e no design. O que torna uma peça ou um ambiente verdadeiramente atemporal?
NC -
 Para mim, a atemporalidade está na capacidade de transcender tendências sem perder relevância. Uma peça atemporal tem identidade, qualidade e proporções bem resolvidas. É aquilo que continua fazendo sentido e despertando interesse independentemente da época.

CE - Você acredita que a elegância de uma casa está mais relacionada ao investimento financeiro ou à sensibilidade estética e ao repertório cultural de quem a habita?
NC - 
Sem dúvida, à sensibilidade e ao repertório. O investimento pode proporcionar acesso a materiais e peças excepcionais, mas não garante elegância. Uma casa verdadeiramente sofisticada é aquela que revela personalidade, histórias e escolhas feitas com intenção.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaTalento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

CE - Como a cultura brasileira influencia suas escolhas criativas? Existe alguma característica do nosso design que você considera especialmente valiosa?
NC -
 O design brasileiro tem uma riqueza extraordinária, especialmente na relação com os materiais, na expressividade das formas e na valorização do fazer artesanal. Admiro essa liberdade criativa e a capacidade de unir sofisticação e espontaneidade, características que considero muito próprias da nossa cultura.

CE - Em tempos de tendências rápidas e excesso de referências nas redes sociais, como encontrar uma identidade própria na decoração?
NC -
 Acredito que o primeiro passo seja desenvolver o próprio olhar. Buscar referências na arte, nas viagens, na literatura e nas experiências pessoais, e não apenas nas redes sociais. A identidade surge quando deixamos de reproduzir fórmulas e passamos a fazer escolhas que realmente nos representam.

CE - A arte de receber também comunica valores, cuidado e comportamento. Qual é o papel da mesa posta e dos pequenos rituais na construção de uma experiência elegante e acolhedora?
NC -
 Receber é, acima de tudo, um gesto de generosidade. A mesa posta e os pequenos rituais demonstram cuidado e atenção aos detalhes, transformando encontros cotidianos em momentos especiais. Acredito que a elegância está muito mais na intenção de acolher do que na formalidade.

CE - Que conselho você daria a alguém que deseja transformar sua casa em um espaço mais sofisticado, acolhedor e com personalidade, sem necessariamente realizar grandes investimentos?
NC -
 Começaria pelos detalhes. Flores frescas, uma iluminação acolhedora, livros, objetos afetivos e pequenas mudanças na composição dos ambientes podem transformar completamente a atmosfera de uma casa. Sofisticação não está necessariamente em ter mais, mas em saber escolher e valorizar aquilo que temos.

Coluna Entre Costuras & CuLtura: Arquitetura, identidade e a arte de viver com elegânciaEla compartilha de seu design autoral, e o talento de transformar o universo da arquitetura e designer - Divulgação

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreira

"O Marcelo foi ver a peça na estreia, e validou meu trabalho em público, disse que se sentiu à vontade com a forma como foi representado".

01/11/2026 16h00

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreira

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreira Foto: Divulgação

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O ano de 2026 tem sido especialmente significativo para Hugo Bonèmer. Entre os palcos, o streaming e novas experiências nos bastidores, o ator vive uma fase de reconhecimento e expansão profissional.

Atualmente, protagoniza o espetáculo Feliz Ano Velho, no qual interpreta Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que inspirou o filme "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional.

Em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca, em São Paulo, a montagem tem emocionado o público e provocado reflexões para além da história apresentada. Para Hugo, dar vida a uma personalidade tão conhecida exige, acima de tudo, verdade e sensibilidade, sem a preocupação de reproduzir fielmente seus gestos ou características.

Outra experiência marcante neste ano foi O Talentoso Ripley, projeto no qual Bonèmer ampliou sua atuação artística ao assumir também a produção e a direção, ao lado de Kamilla Rufino.

A montagem passou por diferentes temporadas no Rio de Janeiro e conquistou três indicações ao Prêmio Cenym, reconhecimento que celebra o trabalho desenvolvido em diferentes áreas do espetáculo.

Na televisão, o ator integra a segunda temporada de Amor da Minha Vida, disponível no Disney+, e também estará no telefilme Voltei na Foto, da TV Globo, contracenando em uma história que aborda memórias e conflitos do passado.

Com tantos projetos e novas possibilidades no horizonte, Hugo encerra o ano olhando para além da interpretação, interessado em desenvolver histórias que também permitam explorar seu talento como diretor e produtor.

Hugo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno ele fala sobre sua carreira e também sobre seu atual trabalho em cartaz.

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreiraO ator Hugo Bonèmer é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Santoian - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - O último musical que você havia protagonizado foi ‘Ayrton Senna, o musical’, em 2017, me fala qual o sentimento de voltar aos palcos como protagonista em um musical?
HB -
 Faz tempo mesmo, mas prefiro falar disso sem colocar peso demais na palavra protagonista. Minha carreira é de coadjuvante, protagonizar é coisa que acontece de vez em quando.

Foi até por acreditar nisso que criei o Coadjuvantes, no canal Like, pra valorizar os papéis secundários, que sustentam qualquer história tanto quanto o papel principal.

E esse elenco de "Feliz Ano Velho" prova bem esse ponto. O João Côrtes protagoniza o Eddy e está ali fazendo um coadjuvante maneiríssimo. O Matheus Ribeiro já foi Bob Esponja, Chaves, Peter Pan, levou praticamente todos os prêmios de teatro musical nos últimos anos, e faz o Divino, um enfermeiro engraçadíssimo.

A Sabrina Korgut é a voz de dublagens das mais icônicas que existem, já protagonizou musical, fez série na Globo, e está ali construindo uma personagem difícil, de dupla personalidade. Então meu sentimento de voltar é esse, de estar cercado de artistas que eu admiro.

Acreditar no rótulo de protagonista como uma verdade fixa da carreira é a maior furada que existe. É uma responsabilidade que acontece de vez em quando na vida da gente, uma função passageira, não uma qualidade permanente.

CE - Como é viver uma pessoa como Marcelo Rubens Paiva, que tem um reconhecimento nacional e internacional?
HB - 
Existe um peso extra em viver alguém real, vivo, com obra marcante e hoje ainda mais exposto por causa de "Ainda Estou Aqui".

Não é interpretar uma ideia de personagem, é interpretar uma pessoa que pode assistir, que tem família, que carrega uma história pública entrelaçada com a história política do Brasil. Isso me obriga a uma responsabilidade dupla, com a dramaturgia e com a pessoa real por trás dela.

O Marcelo foi ver a peça na estreia, e validou meu trabalho em público, disse que se sentiu à vontade com a forma como foi representado. Isso me tranquilizou bastante, porque quer a gente queira ou não, o público sai do teatro se perguntando "então o Marcelo é assim?".

Pra uma pessoa aprovar ser representada com todas as suas qualidades e defeitos é preciso uma generosidade enorme com o artista que se arrisca nisso, e o Marcelo foi generoso assim comigo.

CE - Quando você soube que iria fazer o papel, como você se sentiu?
HB -
 O convite veio do produtor Thiago Hofman e do diretor Gustavo Barchilon, com quem eu já cogitava trabalhar junto havia alguns anos.

Li o texto da Marília Toledo algumas vezes antes de responder, e fui me encantando com a história e com as possibilidades cênicas que ela abria. Foi um sim fácil de dizer.

CE - Qual a mensagem que vocês querem dar com o espetáculo?
HB -
 É sobre quando a vida puxa o tapete da gente e é preciso construir um plano do zero. E aí não tem mensagem motivacional, não é sobre resiliência, não é sobre algo que se resolve.

Também não é sobre superação, é sobre reconstrução. São palavras do próprio Marcelo, que diz que renegocia todo dia, de novo, consigo mesmo o fato de estar numa cadeira de rodas.

CE - Além disso, você está no ar na segunda temporada de ‘Amor da minha vida’, você já acompanhava a série?
HB -
 Já tinha visto a primeira temporada inteira e estava apaixonado por ela, então ser chamado teve aquele gosto de fã sendo notado pelos próprios ídolos. Meu único arrependimento foi não ter tirado uma foto com a Bruna Marquezine.

Quando a conheci, agi igual fã sem jeito, tinha assunto pra puxar e não veio nenhum, fiz uma piada sobre pão de queijo e saí do camarim correndo achando que a piada tinha sido péssima. A série tem uma doçura imensa, escrita pelo Matheus Souza, com quem eu já tinha trabalhado em "Confissões de Adolescente", e dirigida pela Tatiana Fragoso.

Entrevista exclusiva com o ator Hugo Bonèmer que celebra nova fase de conquistas em sua carreiraO ator Hugo Bonèmer é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Andy Santana - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Como foram as gravações?
HB -
 Além do texto do Matheus Souza na íntegra, a Tatiana Fragoso ampliou nossa participação com alguns improvisos que, pela reação da equipe no set, já imaginávamos que iam ficar no corte final. É muito gostoso, pra quem está num papel coadjuvante, quando isso acontece.

CE - Fala um pouco mais da construção do seu personagem?
HB -
 O Eduardo é paulistano da Faria Lima, formado em liberalismo econômico, do tipo que reproduz frases como "trabalhe enquanto eles descansam".

Ele chega na hamburgueria pra profissionalizar os processos, e ao comprar a maioria das cotas societárias passa a mandar em Victor, transformando o sonho de vida dele num pasteurizado de hamburgueria, só que em formato franqueável.

O Eduardo representa a vida adulta batendo à porta do Victor, lembrando como o capitalismo vai tirando a inocência da gente e trazendo competição e distanciamento no lugar dela.

Tem uma história de bastidor nesse papel que eu gosto de contar. A diretora de elenco, Bruna Bueno, já tinha me testado antes pra um papel maior na série, e quando esse não fechou, ela teve o cuidado de me sugerir o Eduardo, justamente pra eu me manter no elenco.

Fico feliz quando um diretor de elenco tem esse tipo de cuidado, de continuar apostando na gente dentro do mesmo projeto, mesmo quando o primeiro caminho não dá certo.

CE - Em 2026, você esteve não somente nos palcos, como nos bastidores, produzindo e codirigindo ‘O talentoso ripley’. Como foi essa experiência?
HB -
 Produzir, dirigir, atuar e cuidar das mídias sociais de "O Talentoso Ripley" virou até tema do meu TCC, porque em paralelo eu voltei às aulas na CAL pra completar o bacharelado em Teatro.

Uma coisa está ligada diretamente à outra: chamei pro elenco basicamente colegas da minha turma, seguindo um dos propósitos da própria faculdade, que é criar afinidade e colaboração entre artistas que já estão inseridos no mercado. Minha turma é voltada justamente pra isso, e faz essas trocas profissionais acontecerem de um jeito mais natural.

CE - A peça concorre a alguns prêmios, além de ter recebido ótimas críticas. Me fala mais desse momento?
HB -
 Crítica positiva é sempre bem-vinda, e "O Talentoso Ripley" teve cuidado especial na forma de apresentar a proposta ao público, simulando um programa de TV em que o próprio Ripley confessa as sombras e os mistérios da própria alma, em tom confessional, direto pra audiência.

As críticas negativas, muitas vezes, eram exatamente as mesmas coisas apontadas como positivas por outra pessoa, o que mostra que assumimos risco suficiente pra tornar a peça relevante. Dividir opinião, no teatro, costuma ser sinal de sucesso, não de fracasso.

CE - Qual o balanço que você faz desse ano?
HB -
 Foi um ano de simultaneidade, não de sequência. Em vez de um projeto atrás do outro, toquei vários ao mesmo tempo, em frentes diferentes.

Voltei pro teatro musical com "Feliz Ano Velho", voltei pra ficção seriada com "Amor da Minha Vida", e assinei um projeto inteiramente meu, "O Talentoso Ripley", acumulando atuação, produção, direção e as redes sociais da peça.

No meio disso tudo, voltei pra faculdade e fechei o bacharelado em Teatro. Se eu tivesse que resumir numa frase, diria que foi o ano em que parei de escolher entre ser ator ou ser autor do próprio trabalho, e descobri que dava pra ser as duas coisas ao mesmo tempo, sem que uma atrapalhasse a outra.

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