Em meio aos desafios enfrentados pelos povos indígenas em Mato Grosso do Sul, o escritor, poeta e teatrólogo Américo Calheiros lança na próxima terça-feira (9) o livro “Suicígena”, obra que utiliza a poesia como instrumento de reflexão sobre o suicídio indígena e as condições sociais que afetam essas comunidades.
O evento será realizado às 19 horas, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande, com entrada gratuita.
A publicação nasceu a partir da inquietação do autor diante dos índices de suicídio entre indígenas registrados no Estado.
Dados do Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), apontam que Mato Grosso do Sul registrou, em 2022, uma média de 24 suicídios para cada 100 mil habitantes indígenas.
O índice é três vezes superior ao registrado na população brasileira em geral, que foi de oito casos por 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Foi diante desse cenário que Calheiros decidiu transformar a preocupação em literatura. O título da obra é um neologismo criado pelo próprio autor a partir da fusão das palavras “suicídio” e “indígena”.
Segundo ele, a proposta do livro vai além da abordagem do suicídio, alcançando também aspectos culturais, históricos e sociais relacionados aos povos originários.
“É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver dessas populações”, explica o escritor.
Foto: Divulgação
Poesia como instrumento de conscientização
Embora seja a primeira vez que Américo Calheiros se dedica diretamente à temática indígena em sua produção literária, o autor considera fundamental ampliar a discussão sobre o assunto nos espaços culturais, educacionais e políticos.
Para ele, os povos indígenas continuam enfrentando preconceitos, discriminação e dificuldades históricas que impactam diretamente sua qualidade de vida. A obra surge como uma tentativa de sensibilizar a sociedade para essa realidade.
“A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. As vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, ainda que minimamente, para essa causa, fico feliz”, afirma.
Obra busca provocar reflexão
A apresentação do livro foi escrita pela escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras. Para ela, a obra se destaca pela forma direta com que aborda uma questão social complexa.
A expectativa do autor é que a publicação contribua para manter o tema em evidência e incentive o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção, valorização e promoção da qualidade de vida dos povos originários.
Segundo Bernadelli, os poemas não procuram suavizar a dor retratada, mas provocar reflexão sobre os impactos da exclusão, da perda de território e das dificuldades enfrentadas pelas comunidades indígenas ao longo da história.
“A poesia contida na obra não busca o consolo fácil nem a metáfora ornamental. Ela é lâmina afiada, e brasa sobre a pele da indiferença. O poeta Américo Calheiros, ciente da responsabilidade de sua voz, transforma em palavra o luto e a dor dos indígenas que, despojados de suas terras, de seus deuses e de sua dignidade, veem na morte seu último refúgio”, define Ana Maria Bernadelli.
Lançamento
O lançamento de “Suicígena” acontece na próxima terça-feira, 9 de junho, a partir das 19 horas, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, localizada na Rua 14 de Julho, nº 4.653, Bairro Altos do São Francisco, em Campo Grande. O evento é aberto ao público e terá entrada gratuita.
Foto: Divulgação
Em sua 10ª edição, a competição reúne dançarinos nas categorias solo, duos, trios e conjuntos - Foto: Haroldo Xavier
Foto: Divulgação
Dra. Carolina Albuquerque Arroyo - Foto: Studio Vollkopf
Dra. Marina Duarte - Foto: Arquivo Pessoal

