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Marianna Alexandre: "Interpretar Celly Campello foi um grande desafio e uma grande responsabilidade"

Essa menina prodígio, é Capa do Correio B+ desta semana

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Marianna Alexandre tem apenas 21 anos de idade. No mês de junho estreou o filme “Um Broto Legal”, onde protagoniza a vida do fenômeno Celly Campello. Sucesso no TikTok, Marianna também teve sua estreia na TV recentemente, ela fez parte do elenco da novela "Gênesis" na Record TV.

Foi tocando o hit “Estúpido Cupido” ao piano e cantando com sua voz afinada que a atriz, cantora e dubladora carioca conquistou o protagonismo de “Um Broto Legal”, cinebiografia musical dirigida por Luiz Alberto Pereira, responsável também pelo roteiro junto de Dimas de Oliveira Jr., que conta a história da cantora Celly Campello (1942 - 2003), considerada a primeira popstar do rock nacional. Tony Campello, irmão mais velho de Celly, precisou conter a ansiedade até que o longa pudesse chegar às telas devido a pandemia.

Marianna, que apesar da pouca idade já era familiarizada com o repertório da cantora por influência dos pais, chegou a compor uma música especialmente para o filme – executada brevemente em uma cena – e não hesitou à proposta de aderir ao corte de cabelo pixie, característico do período, para uma maior conexão cênica. 

A atriz, acostumada a viver personagens de época em outros trabalhos, como na novela “Gênesis” e nos musicais “Se Meu Apartamento Falasse” e a segunda montagem de “A Noviça Rebelde”, abraçou prontamente os novos desafios.

Foi ainda criança, aos sete anos, que Marianna descobriu a música, em todas as suas formas. 

A carioca, que na época morava em Brasília, fez musicalização, participou de coral e aprendeu teclado, o que foi um curto passo para o contato com o piano erudito, que estudou por quatro anos na Escola de Música de Brasília (EMB), onde se formou no curso básico e onde também teve o primeiro contato com o lado atriz, ao ser selecionada para seu primeiro teste profissional e que lhe rendeu uma participação no filme ‘O Outro Lado do Paraíso’, de André Ristum, lançado em 2016 - uma porta de entrada para novas oportunidades na TV, no cinema, na dublagem, e também nos palcos.

Marianna se dedica ainda à carreira na música, iniciada durante a pandemia, com o lançamento do primeiro single autoral e clipe “Cor de Mel”, seguido do seu mais novo trabalho, “Timbre Imperfeito”, lançado no último dia 29, e disponível em todas as plataformas digitais.  

Essa menina prodígio, é Capa do Correio B+ desta semana. Ela conversou com exclusividade com o Caderno sobre escolhas, como foi fazer Celly, sua estreia na TV e teatro musical.

 

CE - Você estreou na TV em Genesis. Como tudo aconteceu?

MA - ‘Gênesis’ foi uma novela muito legal e essa oportunidade se deu através de um teste. 

A minha agente me chamou para um teste, que seria para uma das primeiras fases da novela, mas acabou não acontecendo, e depois de um tempo, mais para frente, já na fase de José do Egito, eles me chamaram para fazer. 

Posso dizer que foi a realização de um sonho, pois eu já tinha feito alguns cursos de televisão e já alimentava essa vontade de fazer TV. 

Se tornou uma experiência incrível e eu só tenho a agradecer.

CE - Sua personagem tinha algum ponto de semelhança com você?

MA - A minha personagem foi fictícia, ela fazia parte da novela bíblica, porém foi criada a partir da imaginação da autora, ela que criou o nosso núcleo e escreveu a nossa parte, mas de qualquer forma foi uma grande responsabilidade fazer parte dessa novela, sobre uma das histórias mais contadas, encenadas, no mundo. 

A minha personagem era hicsa (estrangeira) e morava no Egito porque o irmão tinha sido coroado Faraó, então claro que tudo é bem longe da minha realidade, mas acho que, ainda assim, posso achar semelhanças (risos) entre a Marianna atriz e a Marianna que estava interpretando a Amarilis. 

A maior creio que era o amor que ela tinha pelo irmão, eu tenho uma irmã mais nova, então compartilho dessa relação familiar especial e consegui trazer bastante disso na minha personagem. 

Também acho que compartilhamos de algumas outras características, como o fato dela ser bastante curiosa e doce, como eu.

CE - Como foi fazer uma novela bíblica?

MA - Fazer uma novela bíblica foi uma experiência muito legal, até porque, como eu falei anteriormente, acho que ‘Gênesis’ é uma das histórias mais contadas no mundo, todo mundo conhece, e poder fazer parte disso foi muito interessante para mim como atriz, porque eu consegui colocar em prática a experiência de atuar para a televisão, que eu nunca tinha feito e tinha muita vontade. 

É um universo muito diferente do teatro, onde tudo é encenado, temos que projetar a voz, falar mais alto, afinal, a gente brinca que até a senhorinha da última fileira tem que ouvir o que a gente está falando (risos). Na televisão não, a câmera está muito perto, o microfone está do lado da sua boca, então é um outro lugar. 

E foi muito legal fazer parte disso em uma novela bíblica porque ela me permitiu ter diversas ‘primeiras experiências’; a minha personagem foi um grande presente, tive que contracenar com animais, sendo que eu morro de medo de cachorro, gato, e tive que encerrar com um gatinho no meu colo uma cena inteira, então foi muito legal e desafiador, até também a parte que eu fui mumificada, pois minha personagem morria e passava pelo processo de mumificação. 

Eu passei por todas as etapas, fiz tudo até ser enfaixada – experiências que vão ficar guardadas para sempre na minha memória.

CE - O teatro musical te levou até outras mídias?  

MA - Na verdade, ele veio mais tarde. Meu primeiro trabalho foi no cinema, com o filme “O Outro Lado do Paraíso”. 

Eu estudava música, fiz musicalização infantil, coral e piano, - sou formada em piano erudito -, e aí eu fiz um teste para participar desse filme e acabei passando, então foi o primeiro trabalho da vida, e só depois veio o teatro, que eu comecei a estudar de forma mais dedicada. 

Até então eu não estudava nada de teatro, de atuação, e depois que eu gravei o filme, eu entendi que queria fazer isso para minha vida, então tinha que estudar. 

Aí eu comecei a fazer vários cursos, me mudei para o Rio de Janeiro - porque na época que rodei o filme eu morava em Brasília - e aqui no Rio tem muito mais oportunidades, muito mais opções de cursos, e foi aí que eu quis juntar todas as artes; já cantava, dançava - também fazia jazz, balé, - e então vi que o teatro musical era um lugar perfeito para isso. 

Desde então fiz musicais, teatros de prosa, dois anos de tablado, estudei na CAL, no CEFTEM, fiz um curso em Nova Iorque durante um mês. Estou sempre estudando e conciliando os cursos com meus trabalhos.

CE - E o convite para estrear no cinema?

MA - Quem me dera que fosse um convite (risos), mas não, eu fiz um teste. 

Eles estavam procurando atores e atrizes para interpretar os personagens e eu fiz o teste, como todas as outras meninas fizeram, e acabei graças a Deus, tendo a sorte de passar. 

Primeiro foi um teste online, onde tive que mandar o meu material e gravar um vídeo cantando e tocando uma música da Celly Campello, e depois fui chamada para um segundo teste, já presencial em São Paulo; nesse eu tive que interpretar uma cena, e na sala de ensaio tinha um piano, então toquei e cantei ao vivo. 

O Luiz Alberto, nosso diretor, sempre fala que esse foi o diferencial, que ele já tinha certeza de que seria eu desde aquele momento, mas eu não fazia ideia (risos). 

E depois eles me chamaram mais uma vez, falando que seria para um outro teste, só que na verdade era para falar que tínhamos passado, eu e os outros dois atores principais. 

A partir daí eu estudei muito, me dediquei, porque interpretar Celly foi um grande desafio e uma grande responsabilidade.

CE - Você escutava a Celly Campello?

MA - Sim, desde pequena meus pais colocavam as músicas dela pra toca, me lembro bem de dançar e cantar os hits ‘Estúpido Cupido’ e ‘Banho de Lua’, então, apesar de ser jovem, posso dizer que a música da Celly sempre esteve presente na minha vida, ainda mais hoje em dia (risos). 

Ela ainda é tocada em várias festinhas e recentemente teve até uma trend no TikTok com as músicas dela, então costumo dizer que Celly é imortal, ela vai ficar transcendendo as gerações por muito tempo.

CE - Como foi a sua preparação?

MA - Para mim a preparação começou desde o teste, no primeiro vídeo. 

Eu já queria muito fazer, então eu estudei, escutei bastante como ela cantava e tentei fazer o mais próximo possível, e depois que eu soube que ia interpretar mesmo, aí mergulhei fundo no material dela, só que não tem muito da época, da fase, não encontrei vídeos, o que me ajudou muito foram os relatos das pessoas que conviveram com ela e o próprio Tony Campello, que foi um dia na nossa preparação e contou como era a irmã dele, como era a relação dos dois, isso ajudou bastante; os vídeos que eu consegui ver eram mais dela já mais velha, de entrevistas, e um vídeo dela em preto e branco, tipo um videoclipe, mas foi um trabalho bem minucioso porque eu queria que as pessoas fossem no cinema, assistissem o filme e não pensassem que era uma atriz interpretando, que conseguissem assistir e realmente enxergar a Celly Campello; para isso eu tive que cortar meu cabelo, que estava grandão - inclusive tem um vídeo no meu Instagram da transformação -, topei adotar o corte da época, pixie, bem curtinho.

O sotaque também foi um cuidado especial, porque eu sou carioca e ela é de Taubaté, interior de São Paulo, então tive que trabalhar bastante isso para que ficasse verdadeiro, e como tenho certa facilidade com sotaques, porque eu já morei em vários lugares do Brasil e também por ser dubladora, eu já tenho esse trabalho de voz há um tempo.

 

CE - Gosta de saber mais sobre essa época?

MA - Sim, eu gosto bastante! E parece que os trabalhos de época vêm me cercando! Eu fiz no teatro, os musicais “Se Meu Apartamento Falasse” e “A Noviça Rebelde”, que são histórias de época, fiz a novela, “Gênesis”, então estou sempre estudando algo novo. 

E é bom que a gente sai da nossa zona de conforto e aprende mais sobre a história da nossa música brasileira, por exemplo, como no caso da cinebiografia da Celly, então a gente encontra várias preciosidades que tornam mais especial o trabalho de ator, dessa possibilidade de interpretar várias personagens diferentes e mudar tanto para o nosso trabalho, o que acaba envolvendo também nosso lado pessoal, já que acabo tendo muitos conhecimentos que, às vezes, no dia a dia, ou em outra profissão, eu não teria.

CE - Marianna, você sente muita responsabilidade com tão pouca idade interpretar uma personagem assim?

MA - Sim, com certeza, e eu acho que nem é pelo fato da pouca idade, até porque no filme ela era mais nova do que eu na época que eu gravei; eu estava com 18 anos e falando dela com uns 15 anos, então eu acho que é mais pelo fato de ser uma pessoa tão querida pelo Brasil, uma pessoa que fez muito sucesso, que era considerada ‘a namoradinha do Brasil’, então já é uma grande responsabilidade por ser a Celly, o fato de ser uma pessoa que mudou na história do rock no Brasil, ela e o Tony, então acho que é daí que vem toda a responsabilidade de fazer um ótimo trabalho, ainda mais para os fãs e para os familiares que ainda estão vivos, que assistiram, queria entregar um trabalho que fizesse eles lembrarem da época que viveram, dos momentos e dos entes que estamos homenageando.

 

CE - Suas estreias estão sendo de grande notoriedade, como é pra você?

MA - Eu fico muito feliz de ver o trabalho que a gente se dedica tanto, que a gente até trabalhou para isso, sendo reconhecido, através de cada feedback, cada mensagem que recebo. 

Fico muito feliz com essa notoriedade que venho ganhando porque é um trabalho árduo que a gente faz, seja por trás das câmeras ou por trás das cortinas do teatro, e é muito gostoso quando a gente recebe esse carinho, tanto do público quanto de profissionais, sejam eles criativos ou da imprensa. 

Quando eu fiz a novela, por exemplo, não imaginava que ganharia como Revelação da Televisão no Prêmio Contigo pela minha primeira personagem, então eu já fiquei muito feliz com isso, e com certeza acho que a emoção que mais define esse momento é a emoção de felicidade e gratidão, por tudo, de ver que o meu trabalho e o esforço que eu estou fazendo, seja com estudo, dedicando meu tempo, dedicando um cuidado com a minha assessoria e com cada veículo que me concede espaço para poder contar mais sobre mim e a minha história, enfim, tudo que a gente faz é pensado com carinho, e graças a Deus está tudo nos eixos e nos trilhos, está dando certo.

CE - Como é ser uma artista multifacetada?

MA - É muito bom poder trabalhar em diferentes áreas da Arte, pois isso abre muitos leques. Esse conjunto de habilidades me permite trabalhar com dublagem, com teatro, teatro musical, televisão, cinema, agora com o universo digital, através do TikTok, onde reúno mais de 6 milhões de seguidores, que acompanham minha produção de conteúdo, então acho que dessa forma eu consigo abranger muitas pessoas, conectar diferentes públicos e perfis para que elas vejam minha arte, e eu acho que isso é fundamental; eu faço o que eu gosto, então estou sempre me divertindo e trabalhando, e isso é o mais importante.

 

CE - E a dublagem, como iniciou?

MA - Eu conheci a dublagem quando me mudei para o Rio de Janeiro. 

Assim que terminei de gravar o filme meu pai acabou sendo transferido pra cá - eu sou carioca, mas por conta do trabalho dele eu já viajei é já morei em vários lugares -, então minha mãe perguntou se eu não gostaria de fazer um curso de dublagem, algo que na época nem passava pela minha cabeça, nem sabia da existência da dublagem, pois eu assistia aos filmes, mas não me ligava no trabalho que existia por trás das vozes dubladas deles. 

Acabei topando e fiz um curso de férias como a Mabel César, que é a voz da Luluzinha, da TV Globo, de muita coisa que ouvimos por aí, e ela foi uma professora maravilhosa, quem me ensinou todo o início da dublagem, então eu devo muito a ela, e claro, a minha mãe, que me colocou nesse universo. 

Depois eu emendei alguns outros cursos e não fui parando até começar a trabalhar profissionalmente, e nessa estou aqui até hoje, eu comecei com 14, 15 anos, hoje estou com 21, e se Deus quiser não vou parar não, vou dublar até ficar velhinha (risos).

CE - Você dublou filmes de terror Mari?

MA - Sim!!! Eu lembro que o primeiro filme, a primeira dublagem que eu fiz para cinema foi para um filme de terror, “Invocação do Mal 2”. 

Eu lembro de sair da escola e a galera comentar, “-caramba vai estrear um filme muito maneiro, Invocação do Mal”, e quando eu cheguei no estúdio para dublar era justamente ele. 

Eu fiquei chocada, porque eu morro de medo de filmes de terror, inclusive eu brinco que todos os gritos que minha personagem, a Margaret, dá no filme, são reais, porque eu me assustava de verdade (risos)! Mas foi uma experiência muito legal, além de ter sido a primeira vez que ouvi a minha voz no cinema - e eu adorei -, depois disso dublei “Annabelle 2”, “It – A Coisa” e vários outros.

 

CE - E a carreira de cantora? Você lançou seu 1 single na pandemia e agora outro? Conta um pouco...

MA - Digamos que eu nunca quis ser cantora, eu sempre fui uma atriz que cantava, mesmo tendo começado na música, cantando desde novinha. 

Mas eu sempre tive vontade de compor, de ter o meu próprio material, e acabou que durante a pandemia eu tive tempo para isso, tempo de sentar e escrever, de colocar essas ideias no papel, numa canção; então eu lancei “Cor de Mel” em 2020 e foi um lançamento super intimista, onde eu que fiz tudo, desde de correr atrás do e como se fazia, até distribuir a música. 

Eu tive ajuda do meu amigo Davi Pithon, ele compôs junto comigo, tocou violão, e junto dele, da minha família, do diretor de imagem, Fábio Costa, e uma amiga, fizemos acontecer e gravamos o clipe. Foi uma coisa muito familiar, muito especial. 

Depois disso eu segui com vontade de produzir mais, e só agora, em 2022, eu fechei com os produtores do estúdio Bazuca para fazer uma série de lançamentos. 

O primeiro desse meu novo momento foi “Timbre Perfeito”, lançado recentemente, já estou terminando o segundo e tenho mais alguns por vir, então estou animada para essa nova fase, para que as pessoas possam me ver como ‘Mariana cantora’ também e aproveitar e consumir um pouco dessa música que eu tenho para oferecer.

CE - Quando descobriu que ser artista era a sua vocação?

MA- Acho que eu já fazia arte desde quando estudava música, eu comecei com 6, 7 anos de idade, mas não tinha noção de que eu ia seguir por essa carreira. 

Eu sempre fui aquela criança que queria ser tudo, quis ser astronauta, modelo, e a última profissão que eu dizia que queria seguir era diplomata, isso até fazer o meu primeiro filme, foi com ele que eu mudei de ideia, mas realmente acho que artista eu sempre fui, porque eu sempre toquei piano, mas acabei estudando mesmo para me tornar uma, sendo essa a minha escolha de carreira, a partir dos 12 anos.

 

CE - Como foi passar pela pandemia e pela covid com sua família?

MA - A pandemia foi uma situação difícil pra todo mundo, no mundo todo né... Um dia a gente está vivendo tranquilamente e do nada temos que parar tudo e ficar em casa - porque é um assunto muito sério. 

Eu lembro que estava em São Paulo, ensaiando para um musical que acabou nem acontecendo, voltei para o Rio e a gente ficou em casa por muito, muito tempo se protegendo - e até hoje nos protegemos, nessa nova realidade que estamos vivendo -, mas passar a pandemia com a minha família foi muito tranquilo, a gente sempre foi muito unido, então a gente passava tardes e noites assistindo série, criando juntos; quando eu comecei a produzir conteúdo para a internet eles super me apoiavam, criavam conteúdo comigo - criam até hoje, a gente senta e escreve o roteiro junto -, então eu acho que serviu para a gente se aproximar ainda mais. 

Foi também uma época bem proveitosa para mim, como artista, em termos de criação, de aflorar ideias, mas também foi muito difícil ver a situação do mundo e não ter muita perspectiva sobre o que acontecer. Apesar dos pesares, graças a Deus atravessamos bem e eu fico muito feliz pela família que eu tenho, pelo suporte que nos demos.

CE - Algum momento muito marcante pra você até aqui?

MA - Eu acho que todos os momentos da minha carreira até aqui foram muito marcantes, cada um representa uma realização, algo que eu consegui, foi uma comemoração diferente, uma felicidade diferente, então eu acho que não tem como escolher uma coisa até agora que tenha um espaço muito mais importante na minha vida.

CE - Um personagem que adoraria fazer?

MA - Sempre uma pergunta muito difícil, porque cada vez que aparece um trabalho novo eu penso o quanto queria fazer aquela personagem, tenho sempre muita vontade, mas tendo que escolher um, diria Wandinha Addams, no teatro musical. 

Com essa nova montagem do espetáculo “A Família Addams”, em São Paulo, acabou que eu não passei na audição, mas tenho muita vontade de, quem sabe um dia, interpretar ela; é uma personagem que eu tenho um carinho grande desde muito jovem e adoro o perfil.

CE - Pensa em largar alguma das coisas que faz por apenas uma?

MA - Não, eu não penso em largar algo que eu faço, ou penso que quero fazer apenas uma coisa; eu acho que, se a vida for me encaminhando para isso, tipo, em um determinado momento fazer só televisão, ou só cinema, tudo bem, mas se puder conciliar tudo eu vou amar. 

Sempre conseguir fazer isso. Às vezes é difícil? É. Mas eu sempre batalho para que eu possa fazer todas as minhas coisas e não deixar nada, porque eu sou realmente muito feliz fazendo tudo.

CE - Novos projetos?

MA - Eu vou continuar com a dublagem, porque é uma coisa que não para, sempre está estreando uma coisa nova, então a dublagem é uma coisa que eu faço sem pausa, mas também outras coisas vão aparecendo. 

Eu acabei de encerrar a temporada carioca do musical “Brilha la Luna”, com as músicas da banda Rouge, estou emendando em um musical infantil, “ViraLatas, o musical animal”, que vai estrear no shopping da Gávea, também no Rio de Janeiro, e em paralelo estou nessa correria com o lançamento dos meus singles, com previsão de ter um novo já no próximo mês, e outros até o fim do ano, mas claro, estou sempre aberta a convites e testes. 

Minha vida é essa coisa intensa, que não para, onde as oportunidades vão aparecendo, eu vou agarrando.

História

Escritor prepara nova edição de livro nos 50 anos de Mato Grosso do Sul

O jornalista e fotógrafo Paulo Renato Coelho Netto busca financiamento para concretizar obra que reúne história, cultura, paisagens e o novo ciclo econômico de Mato Grosso do Sul

02/04/2026 09h00

Forte Coimbra (1999), no Pantanal, é uma das diversas paisagens fotografadas por Paulo Roberto ao longo da feitura do livro

Forte Coimbra (1999), no Pantanal, é uma das diversas paisagens fotografadas por Paulo Roberto ao longo da feitura do livro Fotos: Paulo Renato

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Às vésperas dos 50 anos de criação do Estado, a terceira edição do livro “Mato Grosso do Sul”, do jornalista e fotógrafo Paulo Renato Coelho Netto, surge como um marco editorial que busca organizar, interpretar e projetar a imagem de MS em múltiplas dimensões – histórica, cultural, geográfica e econômica.

A obra, iniciada em 1988, ganha agora uma edição comemorativa, aprovada pelo Ministério da Cultura e com apoio do governo do Estado. Prevista para ser lançada no segundo semestre de 2027, coincidindo com o cinquentenário da divisão do antigo Mato Grosso, a publicação revisita o passado e aponta o futuro de um território em constante transformação. No entanto, para o projeto ser realizado, falta apenas um detalhe: financiamento via Lei Rouanet.

ESTADO EM TRANSFORMAÇÃO

O projeto se propõe a ser um grande painel interpretativo de Mato Grosso do Sul. Desde suas primeiras edições, publicadas em 2000 e 2004, a obra já se destacava pelo caráter investigativo e a profundidade documental, reunindo informações sobre turismo, cultura, história, geografia e economia, sempre acompanhadas por registros fotográficos feitos pelo autor.

Enquanto as duas primeiras edições focaram a bovinocultura e as lavouras, a terceira edição amplia esse escopo, ao incorporar o que Paulo Renato define como a “terceira onda” do Estado: a industrialização e a consolidação da Rota Bioceânica.

“Além do momento histórico do cinquentenário, senti a necessidade de registrar esse novo ciclo. A Rota Bioceânica vai ligar o Atlântico ao Pacífico e abrir caminhos não só econômicos, mas também culturais para a América Latina”, afirma o autor.

ACESSIBILIDADE

Uma das principais novidades desta edição é o formato trilíngue, com o livro sendo publicado em português, inglês e espanhol, enquanto nas duas primeiras edições o livro foi publicado apenas em português e inglês. 

A versão impressa do livro será um sofisticado coffee table book, pensado como livro de arte. “Mato Grosso do Sul merece este formato de luxo no cinquentenário”, pontua Paulo Renato. 

Haverá também uma versão digital gratuita, com o mesmo conteúdo, além de audiolivro nos três idiomas. A proposta é democratizar o acesso ao conhecimento. “Qualquer pessoa, em Mato Grosso do Sul ou em qualquer lugar do mundo, poderá acessar gratuitamente o e-book. Isso resolve uma questão que sempre me marcou nas viagens: as pessoas queriam saber onde encontrar o livro”, explica.

Essa preocupação com a acessibilidade não é nova. Em 2014, a obra já havia sido adaptada para audiolivro pelo Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos (Ismac), com apoio da Petrobras, garantindo o acesso de pessoas com deficiência visual.

CAMINHO PERCORRIDO

A construção do livro é também uma jornada física. Para as duas primeiras edições, o autor percorreu mais de 12 mil quilômetros pelo Estado, entre viagens de carro e barco, incluindo uma expedição ao Forte Coimbra, no Pantanal. Para a nova edição, a expectativa é de somar mais 6 mil km.

As viagens não são apenas deslocamentos geográficos, mas mergulhos em histórias, culturas e paisagens. “O que mais me marcou foram as pessoas. Me impressionou o nível de curiosidade que existe sobre o próprio lugar onde nascemos ou escolhemos morar”, relata.

Entre os novos destinos da terceira edição estão a Serra do Amolar, cavernas da Serra da Bodoquena, o Morro do Paxixi e a região de Alcinópolis, conhecida por seus sítios arqueológicos com pinturas rupestres que remontam a milhares de anos. Também integra o roteiro a ponte em construção que ligará Porto Murtinho, no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, peça-chave da Rota Bioceânica.

Para o autor, o maior objetivo da obra é, desde a primeira edição, mostrar para o sul-mato-grossense um Estado que ele desconhece. “A fotografia que ilustra a capa das duas primeiras edições, por exemplo, foi feita em Costa Rica, que fica a 339 km a nordeste de Campo Grande.

É um lugar maravilhoso, com cânions, cachoeiras, corredeiras, grutas, orquidários naturais e chapadas desconhecidas. Estive lá há 28 anos e ainda pouco se fala sobre Costa Rica”, aponta o autor.

IDENTIDADE

Ao longo de quase quatro décadas acompanhando o desenvolvimento do Estado, Paulo Renato destaca um elemento central: a diversidade. Segundo ele, Mato Grosso do Sul é um mosaico cultural, formado por influências de diferentes regiões do Brasil e do mundo.

“Temos uma mistura única. Crianças crescem comendo comida japonesa enquanto japoneses fazem churrasco com mandioca. Tem gente do Brasil inteiro construindo Mato Grosso do Sul. Temos italianos, alemães, espanhóis, africanos, paraguaios, bolivianos, foragidos venezuelanos, haitianos, sírios e libaneses, além de uma diversidade interna riquíssima de povos nativos”, observa.

Essa pluralidade de povos indígenas e da herança de grupos pré-históricos é tema que será aprofundado na nova edição, com base em pesquisas acadêmicas e colaboração de especialistas. Nas edições anteriores, houve contribuições importantes, como do poeta Manoel de Barros, que foi entrevistado e homenageado na obra, e textos do ambientalista Frans Krajcberg, sobre preservação ambiental, e do historiador Henrique Spengler, sobre os povos originários da região.

“O historiador, pesquisador e artista plástico campo-grandense Henrique Spengler [1958-2003] escreveu e denominou esses povos nas primeiras edições. Seu texto, exclusivo para as duas primeiras edições, vai constar na terceira e em todas novas que eu fizer”, afirma Paulo Renato.

CONSTRUÇÃO TEXTUAL

Forte Coimbra (1999), no Pantanal, é uma das diversas paisagens fotografadas por Paulo Roberto ao longo da feitura do livroCapa das edições bilíngues de 2000 e 2004; fotografia foi feita em Costa Rica em 1999

Com formação em Jornalismo, o autor adota uma abordagem que combina apuração rigorosa com narrativa acessível. Ele define seu estilo como jornalismo literário, buscando traduzir informações complexas em textos compreensíveis para todos os públicos.

“Sempre que termino de escrever me pergunto se uma criança de oito anos de idade vai entender. Se sim, consegui meu objetivo. Se não, refaço até chegar neste nível de compreensão”, afirma.
Esse compromisso com a clareza contribuiu para que as primeiras edições do livro se tornassem referência bibliográfica oficial, sendo distribuído em escolas e incluído em guias de pesquisa histórica.

PARA SAIR DO PAPEL

Apesar da relevância cultural e histórica, a realização da terceira edição depende de captação de recursos via Lei Rouanet. O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura e busca patrocinadores que possam investir com dedução integral do Imposto de Renda.

Segundo Paulo Renato, o apoio vai além do incentivo financeiro. “Ao apoiar, a marca passa a integrar um projeto de alto valor de pertencimento para o sul-mato-grossense, associando-se diretamente ao marco histórico do cinquentenário. A empresa posiciona-se como agente ativo na preservação e difusão da memória e identidade de Mato Grosso do Sul, em um projeto consolidado, com validação técnica do Ministério da Cultura e apoio institucional do governo de Mato Grosso do Sul”, explica.

A proposta ainda inclui exclusividade por segmento de mercado.

Para o diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Eduardo Mendes, iniciativas como essa são fundamentais: “Trabalhos dessa natureza ajudam a organizar e difundir a imagem do Estado, ampliando o acesso da população e projetando Mato Grosso do Sul para além de suas fronteiras”.

E, ao que tudo indica, essa não será a última edição. “Não pretendo parar”, diz Paulo Renato. “Enquanto houver histórias para contar e caminhos para percorrer, esse projeto continua”, finaliza.

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Felpuda

Alguns assessores de agentes públicos estão adotando a prática de "se...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quinta-feira (2)

02/04/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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PAULO COELHO - ESCRITOR BRASILEIRO

"Sempre que possível, seja claro. Mas que sua clareza não seja o motivo para ferir os outros”.

 

FELPUDA

Alguns assessores de agentes públicos estão adotando a prática de “se fingir de morto” quando contatados para prestar qualquer tipo de informação. A tchurminha que se enquadra nesse perfil é aquela que para não encontrá-la basta ir ao local de trabalho, ao menos deixa transparecer que a situação é essa. Não se sabe se tem gente desconhecendo o significado de servidor público (barnabé, no popular) ou se está com o rei na barriga. Mas, não custa mais uma vez lembrar: essa tarefa tem prazo de validade e quem não é visto, por desejo ou circunstâncias, não é lembrado. Portanto...

Novo endereço

A partir do dia 6, a Justiça Eleitoral de Campo Grande passará a atender no Memorial da Cultura, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 559, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h.

Mais

A mudança visa facilitar o acesso da população aos serviços eleitorais, já que o local está situado na região central da cidade, bem como em razão da grande demanda de atendimentos.

Sistema alemão, conhecido como CloudFisher, foi instalado no Marrocos e transforma névoa em água potável ao capturar microgotículas do ar em montanhas próximas ao Saara, abastecendo vilarejos rurais com uma tecnologia baseada em vento, gravidade e captação atmosférica. De acordo com dados divulgados pela Wasserstiftung, organização alemã associada ao projeto, a instalação localizada no Monte Boutmezguida, reúne 31 coletores e cerca de 1.686 metros quadrados de área de malha. Quando não há neblina, a captação é reduzida ou inexistente, o que torna o armazenamento e a gestão local aspectos centrais do sistema. Em dias com neblina intensa, a produção pode alcançar cerca de 37 mil litros, enquanto médias de longo prazo são expressas em litros por metro quadrado de malha ao ano. O funcionamento depende de manutenção regular.

DiálogoUlysses Serra

 

DiálogoRoberta Maia Broder

Pode ser...

O governador Riedel não descarta a possibilidade de ter novamente o atual vice-governador Barbosinha como companheiro de chapa à reeleição. Assegurou, porém, que as convenções partidárias de julho é que oficializarão todas as pré-candidaturas. Vale lembrar que, nas eleições de 2024, Riedel foi anunciar o nome de Barbosinha como seu vice um dia antes da convenção. Nos meios políticos, dizem que a escolha foi acertada.

De Ferrari

Pelo altíssimo porcentual de diferença de preços dos produtos típicos da Páscoa em Campo Grande, há quem esteja dizendo que têm “coelhinhos querendo usar Ferrari para entregar ovos de chocolate”. O Procon MS fez pesquisa que identificou índice, mais de 118%, em 12 estabelecimentos. Foram os ovos de Páscoa infantis, de 80 gramas, que puxaram a maior variação de preços da pesquisa: 118,3%.

Variações

Pesquisadores do Procon MS também foram às peixarias e apuraram que o filé de salmão registrou a maior variação entre os produtos pesquisados (82%), com preço médio de R$ 111,72 o quilo. O bacalhau saithe, por sua vez, teve 43% de diferença no valor pago pelo consumidor final. As menores oscilações foram entre os peixes de água doce, sendo as maiores registradas no quilo do filé de pintado de cativeiro (33%) e na costelinha de pacu (31%). Os valores estão disponíveis no site www.procon.ms.gov.br/ noticias.

Aniversariantes

Dr. George Takimoto,
Dra. Maria Aparecida Albuquerque Arroyo,
Dr. Omar Francisco do Seixo Kadri,
Marijane Velasco de Souza,
Carlos Augusto Borges (Carlão),
Maysa Andrade Leite de Barros,
Raphael Maia Valente,
Falvio Missao Fujii,
Leda Mara Bertoloto Nunez,
Drª Keila Maria Lima Miguel Lorenzi,
Elias Guerra da Silva Junior,
Jorge de Abreu Rodrigues,
Marcelo Pereira da Silva,
Pedro de Toledo Filho,
Rose Mary Rocha Medina,
Sandro Alberto Ricci,
Viviane Martins Fernandes,
Adriana Arguello Coutinho,
Mauren Lilia Leite Furlanetto Rubio,
Josivam Martins da Silva,
Sizue Okimura de Faria,
Dr. Maurício Antônio Pompilio,
Ingrid Chappaz,
Arlindo Almeida de Rezende,
Adilson Bolonheis de Mello,
Lira Dequech,
Éder Flávio Benites Ramos,
Kelen Lopes Gomes,
Ana Paula Nunes da Cunha,
Lucas Costa da Rosa,
Daniela Mangieri Pithan,
Gisânia (Gisa) Marciano,
Auxiliadora Braga Moreno,
Adalgiza Kamiya,
Robson Dantas,
Marco Corrêa Neves,
Hilda Reis,
Adeilton Feliciano do Prado,
Dra. Eny Cleide de Mendonça Sartori Nogueira,
Luiz Antônio de Souza Ojeda,
Cícero Barbosa de Souza,
Ciro César Vilanova Maia,
Aloisio Ribeiro Souto,
Nilo Rodrigues de Oliveira,
Moacir Alves Fialho Júnior,
Haroldo Kawano,
Viviane Michel Ibrahim,
Walter Gomes,
Aroldo Ferreira Corrêa,
Théo de Freitas,
Jorge Almeida Jabrayan,
Adriana Ximenes,
Dr. Paulo Sérgio Monteiro,
Márcia Cristines Rocha,
Waldemar Gomes Santana,
Josefa Sanches Nakayama,
Deair Pereira Vargas,
Sandra Araújo de Oliveira,
Lídia Maria Albuquerque,
Edson Antônio de Freitas,
Cleide Milanesi,
Aluísio Alvarenga,
Seomar Kury Marques,
Carlos Alberto Rodrigues Morruda,
Carlos Albanesi,
Celso Pilegi,
Maria Neuza Pedra dos Santos,
Carolina Drago Fernandes,
Dr. Sergio Augusto Delgado Perdigão,
Celia Maria Zacharias,
Maria da Conceição Alves dos Santos,
Paulo Henrique da Cruz Lima,
Rômulo do Amaral,
Neide Leite da Silva,
Ronaldo Porto Alegre Tomasi,
Alysson Vasconcelos Leite,
Cézar José Cáceres,
Alcidio Duarte,
Pedro Antonio Felicio,
Espedito Soares de Souza,
Hélio Ferreira da Silva,
Rosely Teresinha Rodrigues Ramos,
Ana Claudia Mazzuquelle Marcon dos Santos,
Weimar Zoratte,
Rafael Midon Gimenes Vieira,
Gilton Bonfim Ferreira Jatobá,
Antonio Manoel Geronimo,
Cleir Edson Pereira de Deus,
Maria Santa Medina,
Ana Cristina Baruffi,
Oneide de Fátima Toniazzo,
Daniella Londero Silva,
Carla Maria Curi Vieira Delmas,
Maria Aparecida Santos,
Janaína Prescinato Miranda,
Nair Rosa dos Santos,
Aline Fernandes Antunes Soares,
Luisane Steffenon,
Sônia da Silva de Lima,
Kelly Cristina Duarte Cruz,
Cícero Vilela de Mello,
Edivalda da Silva Aguero,
Auzenira da Silva Milan,
Danyelle Bezerra Terhorst,
Odil Cleris Toledo Puques,
Raquel Otano de Andrade Portioli

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

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