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CULTURA

Mestre da viola de cocho, seu Agripino morre aos 101 anos

Músico ajudou a tornar o instrumento Patrimônio Imaterial reconhecido pelo Iphan
26/04/2020 11:55 - Naiane Mesquita


 

Mestre da viola de cocho, um apaixonado pelo siriri e cururu, seu Agripino Soares de Magalhães faleceu hoje, em Corumbá, aos 101 anos de idade. Um dos ícones da música pantaneira, que ajudou a tornar o instrumento singular em Patrimônio Imaterial do país, Agripino foi premiado, participou de documentários nacionais e disseminou para milhares de crianças a tradição de construir e tocar a viola de cocho. 

“Ele estava se despedindo”, acredita a diretora do Instituto Moinho Cultural, Márcia Rolon. Foi no instituto que Agripino ensinou crianças e adolescentes a construir o instrumento típico de Mato Grosso do Sul, além de auxiliar no registro que culminou na consolidação da viola de cocho como Patrimônio Cultural reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional (Iphan). 

Márcia relembra que visitou Agripino há cerca de 10 dias e apesar da saúde frágil, o músico ainda mantinha a alegria. “Ele estava deitadinho, às vezes usava a cadeira de rodas, mas estava com a saúde frágil”, explica. 

Por conta das medidas de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19), o velório será curto, das 13h às 15h30, na Capela Cristo Rei, em Corumbá. O enterro está agendado para às 16 horas. “Neste momento, o importante é reconhecer o trabalho maravilhoso que seu Agripino fez com a viola de cocho e na região como um todo. Minha mãe, Sônia Rolon, foi uma grande batalhadora da cultura e foi ela que convidou o seu Agripino a ir até a academia de dança, ele saiu do espaço comum e ajudou a disseminar a cultura da região, por meio da comunhão com a dança. Mesmo com a idade avançada, ele continuou indo até o Moinho ensinar as crianças, a dar aulas. Foi um grande mestre do saber”, ressalta Márcia. 

 

Legado

Segundo dados do Iphan, a viola de cocho é um instrumento musical singular quanto à forma e sonoridade. O instrumento é produzido exclusivamente de forma artesanal, com matérias-primas existentes na Região Centro-Oeste. 

São os mestres cururueiros os responsáveis por produzir as violas, tanto para uso próprio como para atender à demanda do mercado local, constituída por cururueiros e mestres da dança do siriri. O Modo de Fazer a Viola de Cocho foi registrado no Livro dos Saberes do Brasil, em 2005.

Apesar de permanecer na frente do ensino da produção da viola de cocho, seu Agripino não ensinava qualquer aluno a afinar o instrumento. “Era o segredo do mestre”, ri Márcia. 

Na lista dos que receberam a benção de seu Agripino está Maycon Vianna Silveira, 27 anos, atualmente professor de música, mas no passado, aluno exemplar. “Ele me ensinou a afinar, a tocar, me ensinou muita coisa e tudo sobre a viola de cocho. Gosto muito da viola, do que eu aprendi e sempre vou valorizá-lo pelos ensinamentos que ele me passou, por tudo”, explica o professor. 

Maycon recebeu os ensinamentos de Agripino de 2005 a 2010, enquanto aluno do Moinho Cultural. Posteriormente, se tornou professor de viola de cocho e violão no instituto. Ainda seguiu a carreira musical, com formação superior em Música, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). “No ano passado eu o revi durante a gravação de um documentário de uma televisão fechada sobre a viola de cocho. Tocamos juntos”, relembra. 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.