Considerada uma das principais causas de doenças dermatológicas em cães e gatos, a dermatite alérgica à picada de pulgas (Dapp) é uma reação de hipersensibilidade à saliva da pulga, capaz de desencadear coceira intensa, inflamação da pele, feridas e infecções secundárias, mesmo quando animais previamente sensibilizados são expostos a uma única picada.
A Dapp não deve ser vista como uma reação simples ou passageira. “É uma condição alérgica séria, que compromete a qualidade de vida do pet. A coceira constante causa lesões dolorosas, favorece infecções por fungos e bactérias, interfere no sono, no apetite e até no comportamento do animal, além de agravar quadros pré-existentes, como dermatites atópicas”, explica a médica-veterinária Farah de Andrade.
Prurido intenso, vermelhidão, crostas, feridas, lambedura excessiva, inclusive nas patas, e queda de pelos, especialmente na região lombar, base da cauda, abdômen e parte interna das coxas são os principais sinais clínicos da doença em cães e muitas vezes são confundidos com outras doenças dermatológicas.
Sinais em felinos: falhas no pelo e lesões no pescoço, cabeça e região dorsal - Foto: Divulgação / Vitor ZanfagniniGatos, embora menos diagnosticados por apresentarem sinais clínicos mais discretos, também são bastante afetados. Lesões em pescoço, cabeça e região dorsal, além de falhas no pelo, são indícios importantes para investigação.
CONTROLE AMBIENTAL
Para entender a gravidade da Dapp, é preciso compreender o ciclo das pulgas. Estima-se que cerca de 5% da população de pulgas esteja no animal adulto, enquanto a maior parte (95%) encontra-se no ambiente na forma de ovos, larvas e pupas.
Isso significa que, mesmo tratando o pet, ele pode ser reinfestado, caso o ambiente não seja controlado.
As pulgas adultas iniciam a postura dos ovos poucas horas após se alimentar do sangue do hospedeiro. Um único parasita pode produzir até 50 ovos por dia, e esses ovos se espalham por toda a casa, principalmente em locais como tapetes, sofás, camas e frestas do piso.
As larvas se desenvolvem no ambiente e posteriormente se transformam em pupas, que ficam protegidas por casulos resistentes, em que podem permanecer por semanas ou meses, até encontrarem condições ideais para eclodir.
“É por isso que tratar só o animal não resolve. É indispensável o controle ambiental com produtos adequados, aspiração frequente e lavagem de tecidos. Do contrário, o ciclo se reinicia e o quadro alérgico persiste”, orienta a veterinária.
TRATAMENTO
Dapp é uma das principais causas de doenças dermatológicas em cães e gatos - Foto: Divulgação / Priscilla FiedlerO tratamento da Dapp vai além do controle dos parasitas. Embora a eliminação das pulgas seja o primeiro passo fundamental, o plano terapêutico costuma incluir o uso de anti-inflamatórios e antipruriginosos para aliviar o desconforto, como prednisolona, dexametasona, oclacitinib e ciclosporina.
Antibióticos e antifúngicos são indicados quando confirmadas infecções secundárias.
Para fortalecer a barreira cutânea e promover a recuperação da pele, entram em cena os suplementos e nutracêuticos, como os ácidos graxos essenciais, ômega 3 e 6, zinco e biotina, além de antialérgicos e imunomoduladores.
Fitoterápicos e compostos naturais também podem ser utilizados como terapia adjuvante, especialmente em apresentações tópicas com ação cicatrizante e calmante, como os que contêm óleo de neem, aloe vera, própolis ou calêndula.
A manipulação veterinária oferece uma vantagem importante ao permitir a personalização do tratamento de acordo com as necessidades do paciente.
Medicamentos podem ser formulados com a dose exata para o peso do animal, associados em uma única preparação e oferecidos em formas farmacêuticas mais atrativas, como biscoitos saborizados, molhos, xaropes e pastas orais.
Para evitar efeitos colaterais gastrointestinais, géis de aplicação transdérmica e cápsulas gastrorresistentes são algumas opções.
Outras formas de apoio incluem loções e sprays com ação dermatológica específica e o uso de reguladores de crescimento de insetos (IGRs) combinados a antipulgas, em apresentações tópicas, que ajudam a impedir a proliferação das formas imaturas das pulgas no ambiente.
“A manipulação veterinária permite associar ativos em uma mesma formulação, com dosagens ajustadas ao peso, à espécie e ao grau do quadro clínico. Além disso, podemos facilitar a administração com formas palatáveis e agradáveis ao pet, o que melhora a adesão ao tratamento”, destaca Farah.
A manipulação veterinária permite a personalização dos tratamentos de acordo com o paciente - Foto: Divulgação / Gustavo AraújoPREVENÇÃO
Como a Dapp tem caráter recorrente, a prevenção é o caminho mais eficaz para manter a saúde da pele dos pets. A aplicação regular de antipulgas e repelentes, o controle ambiental contínuo e as visitas periódicas ao médico-veterinário são medidas essenciais.
A veterinária reforça ainda a importância da observação cotidiana. “Coçar é comum, mas coceira constante é sinal de alerta. O responsável deve estar atento às mudanças de comportamento, à qualidade da pelagem e ao surgimento de lesões. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a resposta ao tratamento”, afirma a médica.

Gaby Alves e Tommy Menegazo. Foto: Arquivo Pessoal
Dudu Bertholini e Andrea Pinheiro. Foto: Denise Andrade

