Correio B

LUTO

Morre Rita Lee, maior estrela do rock brasileiro e ícone dos Mutantes, aos 75 anos

Cantora recebeu um diagnóstico de câncer de pulmão em 2021 e, após tratamentos, em abril de 2022, a doença teria entrado em remissão

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Morreu nesta segunda-feira, dia 8, a cantora Rita Lee, rainha do rock brasileiro e nome que despontou durante o tropicalismo com a banda Os Mutantes, na década de 1960. Ela estava em sua casa, na capital paulista, com a família.

Reclusa nos últimos anos, a cantora recebeu um diagnóstico de câncer de pulmão em 2021. Após tratamentos, em abril de 2022, a doença teria entrado em remissão.

Rita Lee escreveu sobre sua morte bem ao seu estilo: "Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá. Fãs, esses sinceros, empunharão meus discos e entoarão ‘Ovelha Negra’, as TVs já devem ter na manga um resumo da minha trajetória. Nas redes virtuais, alguns dirão: ‘Ué, pensei que a véia já tivesse morrido, kkk’."

O trecho está em sua autobiografia, na qual relata no mesmo tom, sempre direto e reto, tanto passagens divertidas, a exemplo das travessuras na infância e na adolescência, quanto trágicas, como o abuso de álcool e drogas e o estupro que sofreu aos seis anos, por um técnico que foi a sua casa consertar uma máquina.
Sem autopiedade, se refere a si própria com bom humor e sarcasmo, assim como aos outros —um forte traço da construção de sua imagem como a maior roqueira do Brasil.

A experiência artística não começou muito bem. Quando Rita tinha entre seis e sete anos, a conceituada pianista Magdalena Tagliaferro lhe deu aulas de piano em troca de um tratamento que fez com seu pai, Charles, dentista de origem americana.

Em uma audição, a menina ficou tão nervosa que fez xixi no banquinho do piano. A professora a aconselhou a não seguir adiante na música porque ela tinha medo de palco.

Acontece que Rita, nascida em São Paulo em 31 de dezembro de 1947, morava na Vila Mariana, e o pacato bairro da zona sul, entre os anos 1950 e 1960, era terapia contra essa fobia. Na região, colégios tradicionais como o Marista Arquidiocesano, Cristo Rei, Bandeirantes e o Liceu Pasteur, onde Rita estudou, realizavam festas juninas, da primavera, pró-formaturas e outras, com palcos para apresentações em que os alunos experimentavam uma liberdade que contrastava com o autoritarismo da época.

Rita não seguiu o conselho da professora de piano e, na adolescência, participou de diferentes conjuntos, cantando e tentando tocar instrumentos, até chegar ao quarteto de meninas Teenage Singers.

A brincadeira ficou mais séria quando elas conheceram, em um festival no teatro João Caetano, em 1964, os meninos do Wooden Faces, do qual fazia parte Arnaldo Batista, que já se destacava no baixo. Aproximaram-se, Rita e Arnaldo, com 16 anos, iniciaram um namoro e, com o tempo, as bandas se uniram.

Do entra e sai de integrantes, ficaram seis, entre eles os namorados e Sérgio, irmão caçula de Arnaldo, guitarrista, que aos 13 anos largou a escola para se dedicar à música. Tornaram-se o Six Sided Rockers, que, além dos shows escolares, tocaram em programas da TV Record.

Em 1966, gravaram um compacto, com novo nome, O’Seis. Brigas e rearranjos depois, viraram três, com Rita Lee (principal vocalista e percussão) e os irmãos Arnaldo Batista (vocal, teclado e baixo) e Sérgio Dias (vocal e guitarra).

Passaram a ser Os Bruxos e foram convidados a se tornar banda fixa no programa "O Pequeno Mundo de Ronnie Von", da Record. O apresentador, fã do livro "O Império dos Mutantes", sugeriu que se tornassem Os Mutantes. Em 15 de outubro de 1966, estrearam no programa, com ousadia e originalidade, tocando, com guitarras, a Marcha Turca, de Mozart.

Deram a primeira entrevista, à Folha, e a cantora assim definiu o grupo: "Ele vem de outro planeta para tomar conta do mundo. É moço, inteligente e vai longe, porque encontrou o mundo cheio de mediocridade". Esse moço adorava guitarra, o que não era visto com bons olhos por gente influente da MPB.

Em julho de 1967, Elis Regina organizou a Marcha Contra a Guitarra Elétrica, passeata com artistas contra a "americanização" da música brasileira. Entre os presentes estava Gilberto Gil, que, curiosamente, três meses depois protagonizaria o que ficou conhecido como resposta àquela manifestação. Ele convidou Os Mutantes para acompanhá-lo na música "Domingo no Parque", no 3º Festival de Música Popular Brasileira da Record.

Com arranjos do maestro Rogério Duprat, a apresentação marcou a introdução da guitarra na MPB. As vaias efusivas e a conquista do segundo lugar no festival atestaram que aquilo vinha mesmo de outro planeta e que ainda ia longe.

Além de um rock sem a ingenuidade do iê-iê-iê da Jovem Guarda, o grupo chamou a atenção pelos figurinos e pela performance no palco, e nisso a liderança era de Rita. Depois de um vestido curto e de um coração vermelho desenhado com batom na bochecha, no festival de 1967, ela subiu o tom em 1968.

No 3º Festival Internacional da Canção, o FIC, em que Os Mutantes acompanharam Caetano Veloso em "É Proibido Proibir", Rita se apresentou com um vestido de noiva emprestado da atriz Leila Diniz, que havia usado o figurino em uma novela.

O evento ficou marcado pelo discurso de Caetano contra a reação da plateia, que vaiava e arremessava ovos, tomates, latas e garrafas nos artistas. "Vocês não estão entendendo nada. Se vocês forem em política forem como são em estética, estamos feitos", esbravejou.

Rita adorou, não tinha paciência com jovens de esquerda que só aplaudiam músicas de protesto, com letras e arranjos mais óbvios, e não entendiam quão transgressor podia ser a mistura da canção popular brasileira com o pop internacional em meio a experimentações sonoras.

Essa foi a base da tropicália, movimento artístico liderado por Gil e Caetano, do qual Os Mutantes fizeram parte. No LP "Tropicália", de 1968, a banda participou de três faixas, entre elas "Panis Et Circensis", com o provocativo refrão "Essas pessoas na sala de jantar/ Estão ocupadas em nascer e morrer".

Rita e os irmãos Batista investiram em composições próprias e lançaram em 1968 o primeiro LP. Até 1972, quando Rita sairia do grupo, seriam mais quatro, um por ano, emplacando hits como "Top Top", "Balado do Louco", "Vida de Cachorro" e "Ando Meio Desligado".

Fizeram de tudo nesse tempo, programas de TV, shows, entrevistas, musical no teatro, campanhas publicitárias e até participação em longa-metragem —"As Amorosas", de Walter Hugo Khouri. Além de um som de vanguarda e de qualidade, os três encantavam com a mistura de carinha angelical a atitudes endiabradas.

Em tempos extremamente machistas, causava ainda mais impacto a irreverência de Rita, que só crescia. Em 1969, ela voltou a usar, no 4º FIC, o vestido de noiva, mas com um novidade —colocou um enchimento na barriga para se fazer de grávida.

A performance se deu na apresentação de "Ando Meio Desligado", na qual os Mutantes partem do efeito da maconha para algo romântico ("Ando meio desligado/ Eu nem sinto meus pés no chão/ Olho e não vejo nada/ Eu só penso se você me quer"). Na foto da contracapa do LP, Rita está na cama com os irmãos Batista, todos nus.

Foi demais para o conservador Flávio Cavalcanti, um dos mais populares apresentadores de TV do país, que quebrou o disco no ar. Mais sinal de sucesso, impossível. Do Brasil, a repercussão passou a ser internacional, com a presença nos palcos do Midem, tradicional evento do mercado fonográfico em Cannes, em 1969, e do Olympia, em Paris, em 1970. Na turnê francesa, o LSD se tornaria parte da banda.

Substâncias alucinógenas passaram a fazer parte do café da manhã, almoço e jantar de uma espécie de comunidade hippie que os Mutantes formaram na Serra da Cantareira, a Mutantolândia.

Mais do que farra, para o trio, assim como para muitos músicos naquela época, as drogas eram um caminho artístico, de expansão mental. O descontrole, contudo, logo apresentaria a conta para os jovens. Ao longo da vida, a cantora iria enfrentar um entra e sai de internações por abuso de álcool e drogas.

Casamento e banda viveram idas e vindas, até que ambos acabaram para Rita quando ela foi expulsa dos Mutantes em 1972, episódio do qual guardou muita mágoa. Da raiva e da depressão, emergiu a ânsia de provar que, apesar de "o clube do Bolinha dizer que, para fazer rock, era preciso ter colhão, também dava para fazer com útero, ovários e sem sotaque feminista clichê".

Compôs "Mamãe Natureza", que falava das incertezas pós-Mutantes: "Não sei se eu estou pirando/ Ou se as coisas estão melhorando/ Não sei se vou ter algum dinheiro/ Ou se eu só vou cantar no chuveiro". A música lhe deu a certeza de que conseguia compor, fazer arranjos, cantar e tocar sozinha. Ela não estava pirando em seguir carreira solo e logo ia ter "algum dinheiro".

Quem acreditou na força de Rita sem os Mutantes foi André Midani, presidente da gravadora Philips, poderoso do mercado fonográfico. Mesmo antes da expulsão, por insistência dele, a cantora havia feito dois discos solo.

Rita formou, pós-Mutantes, a banda Tutti Frutti e alugou uma casa na represa Guarapiranga para a sua comunidade sexo, drogas e rock’n’roll. Em 1975, o disco "Fruto Proibido" marcou a nova fase da cantora e uma ruptura na música brasileira. Com capa cor-de-rosa e canções com temática feminina, como "Luz Del Fuego", "Ovelha Negra" e "Agora Só Falta Você", mostrou que era, sim, coisa de mulher "Esse Tal de Roquenrou", outro sucesso do LP.

Em 1976, ela foi presa por porte de drogas, em um raro momento que estava limpa. "Se tivessem vindo uns dois meses atrás, iam achar muita coisa, mas agora estou grávida e não tem nem bituca aqui", disse aos policiais que entraram no seu apartamento. Rita estava no terceiro mês de gravidez de um namorado recente, Roberto de Carvalho, baterista da banda de Ney Matogrosso.

Apesar de não se envolver diretamente com política, a cantora não era flor que se cheirasse para a ditadura. Inimiga da "moral e dos bons costumes", amiga de Gil e Caetano, havia testemunhado contra um policial acusado de matar um rapaz em um de seus shows.

Solo fértil para a polícia "plantar" maconha. Foi grande a repercussão da prisão. Quando ela teve um sangramento, Elis Regina foi à delegacia e não saiu de lá até que um médico fosse chamado, em um episódio que deu início a uma forte amizade entre as duas e selou definitivamente a paz entre a MPB e a guitarra elétrica.

A quebra de fronteiras entre ritmos e influências, com a qual Rita já flertava antes mesmo da tropicália, tornou-se central na consolidação de sua carreira a partir do encontro com Roberto de Carvalho.

Com ele, como escreveu na autobiografia, seu "rockinho radical virou rockarnaval, tango, bossa, pop, bolero e tal". Roberto foi morar com Rita, e vivenciaria ao seu lado a gravidez e o nascimento do primeiro filho sob prisão domiciliar. Era só a primeira barra de muitas que enfrentaria ao lado da cantora.

Após o nascimento do primeiro dos três filhos do casal, Rita deixou os Tutti Frutti e iniciou com o marido a terceira fase de sua carreira, que seria a definitiva e a mais bem-sucedida. Entre o final dos anos 1970 e início dos 1980, explodiu com uma trilha sonora autobiográfica do casal apaixonado, em que uma mulher pela primeira vez cantava sem pudor sobre desejos sexuais.

Em uma sequência de hits que fariam dela um fenômeno do mercado fonográfico, convidava o parceiro para relaxar na banheira, sem culpa nenhuma, em plena vagabundagem, em "Banho de Espuma", vestir fantasias e tirar a roupa, molhada de suor de tanto se beijar, em "Mania de Você", ficar de quatro no ato e exigir "Vê se me dá o prazer te ter prazer contigo", em "Lança Perfume" —esse sucesso, aliás, ganhou versões em várias línguas, hebraico inclusive.

A cantora se tornou a cara de um feminismo menos sisudo. Foi convidada pela Globo para o especial "Mulher 80" e para criar a música de abertura do TV Mulher, que virou hino feminista, com versos assim: "Sexo frágil/ Não foge à luta/ E nem só de cama/ Vive a Mulher/ Por isso não provoque/ É cor-de-rosa choque".

Ela só não fazia sucesso com censores. Em 1981, por exemplo, das 30 músicas que submeteu à Censura, só nove foram liberadas para a gravação do LP "Saúde". Quase todas explodiram nas rádios. No ano seguinte, o LP "Flagra" vendeu dois milhões de cópias.

Multi-instrumentista, era versátil não só no palco. A personalidade transparente, o ar despudorado e o raciocínio rápido tornaram-na figura constante na mídia. Comandou o "Radioamador", na 89 FM, o "TVLeezão", na MTV, o "Madame Lee", no GNT, e integrou, no mesmo canal, o primeiro time de apresentadoras do "Saia Justa".

Em 1991, lançou o LP "Bossa’n’roll", seu projeto financeiramente mais bem-sucedido. Mas chegou ao fundo do poço. Diante do ultimado de Roberto em relação a álcool e drogas, foi morar sozinha. Em seu sítio, trocava legumes por receitas de tarja preta.

Certo dia, de tão chapada, despencou da varanda, teve o maxilar esfacelado e perdeu 40% da audição do ouvido direito. Roberto cuidou de sua recuperação, e quando ela tirou os pontos e conseguiu cantar "Mania de Você", a pediu em casamento. Na saúde e na doença, ainda enfrentariam muitas recaídas de Rita, até que ela tomasse uma decisão mais firme de ficar "careta" a partir do nascimento da primeira neta, em 2005.

Foi o que deu tranquilidade à "vovó do rock" nos últimos anos. Após a aposentadoria dos palcos, em 2013, viveu com Roberto em uma casa de campo onde pintava, cozinhava, escrevia e cuidava dos bichos de estimação, esses, aliás, companhias da vida toda. Ativista da causa animal, teve de tudo, de cães e gatos a jiboia e jaguatirica.

A ideia de se aposentar veio na turnê dos 45 anos de carreira, em 2012, que se encerraria em Aracaju. A despedida foi a sua cara. Ao ver policiais abordando pessoas da plateia que fumavam maconha, interrompeu o show: "Me dá esse baseadinho que eu vou fumar aqui e agora. Seus cafajestes, filhos da puta". Foi detida.
Com o incidente, uma nova despedida foi marcada para 2013, no Anhangabaú, em 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. Nada mais justo que tenha sido na cidade que nasceu e da qual, como cantou Caetano, Rita foi a mais completa tradução.

Na autobiografia, escreveu que seu maior gol foi ter feito um monte de gente feliz e que, quando morresse, cantaria para Deus: "Obrigada, finalmente sedada". E, seu epitáfio, definiu, deve ser o seguinte: "Ela não foi um bom exemplo, mas era gente boa".
 

Negócios

Chef de cozinha e esposa transformam história familiar em steakhouse em Ponta Porã

Prime Steak House nasce da união da experiência gastronômica do chef Luiz Fernando Rodrigues com a formação em hotelaria de Maira Ribeiro, com proposta que valoriza carnes, fogo, hospitalidade e sabores de Mato Grosso do Sul

10/08/2026 08h15

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak House

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak House Roberlânia Gonçalves

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Para chegar à mesa, uma boa carne precisa de muito mais do que fogo e tempero. Antes de virar um corte servido ao cliente, existe uma cadeia de escolhas, técnicas, histórias e experiências que ajuda a definir o sabor.

É justamente a partir dessa ideia que o casal Maira Ribeiro e Luiz Fernando Rodrigues construiu a proposta da Prime Steak House, restaurante inaugurado no sábado, em Ponta Porã, que aposta na parrilla, em cortes selecionados e em uma experiência que pretende ir além da comida.

A abertura da casa, porém, não nasceu de um plano traçado durante anos, pelo contrário, a história da Prime começou de maneira quase inesperada, a partir de uma oportunidade que surgiu justamente quando os dois imaginavam que o próximo passo seria outro.

Maira e Luiz se conheceram em Piracicaba, no interior de São Paulo, por meio de amigos em comum. Os dois estudaram no Senac Águas de São Pedro, instituição que tinha apenas dois cursos na época: Hotelaria e Gastronomia. Maira cursou Hotelaria entre 2015 e 2016, enquanto Luiz fez Gastronomia entre 2012 e 2013.

Embora tenham passado pela mesma instituição em períodos diferentes, a formação acabou se tornando um dos primeiros pontos de ligação entre os dois.

A gastronomia, no entanto, já fazia parte da história de Luiz antes mesmo da formação profissional. O chef é a sexta geração de uma família ligada ao setor e cresceu em meio à rotina de restaurantes.

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak HouseFoto: Roberlânia Gonçalves

Depois da faculdade, ele trabalhou no grupo de resorts Club Med, experiência que permitiu contato com diferentes cozinhas, técnicas e culturas gastronômicas.

Foi justamente a partir dessa trajetória que surgiu a mudança que levaria o casal para Ponta Porã. Depois de quatro anos morando em Piracicaba, Luiz recebeu a proposta para retornar à cidade natal e ajudar a mãe e a avó, que mantêm um restaurante familiar há 33 anos. Maira decidiu acompanhá-lo na aventura.

“De certa forma, a gastronomia e a hospitalidade sempre fizeram parte da nossa história”, conta Maira.

Os quatro anos seguintes foram vividos em Ponta Porã, até que surgiu a possibilidade de abrir um negócio próprio. Ainda assim, o projeto não estava desenhado.

Até o dia 20 de julho, o casal acreditava que o caminho seria continuar ligado ao restaurante da família, o Verde Vida. Naquela data, porém, receberam uma proposta de conhecidos da cidade que haviam fechado um estabelecimento e pensaram nos dois como possíveis responsáveis pelo novo negócio.

A conversa evoluiu rapidamente. Eles analisaram a proposta, avaliaram as possibilidades e decidiram assumir o desafio.

“Não foi nada planejado, realmente caiu na nossa mão e nós decidimos abraçar isso tudo”, resume Maira.

A decisão significou transformar, em poucas semanas, uma oportunidade em um restaurante.

Entre assumir o espaço e colocar a Prime Steak House em funcionamento, vieram obras, definição de identidade visual, contratação e treinamento da equipe, escolha de fornecedores, aquisição de equipamentos, criação do cardápio e uma série de testes.

Para o casal, a Prime representa justamente a decisão de parar de esperar pelo momento ideal e assumir a oportunidade que apareceu.

“Poderíamos continuar esperando pelo cenário perfeito ou assumir o desafio. Escolhemos assumir o desafio”, diz Maira.

O processo exigiu uma rotina intensa. Ao mesmo tempo, permitiu que os dois colocassem em prática experiências acumuladas em diferentes momentos da vida profissional.

Para Maira, a hotelaria passou a ser uma espécie de guia para pensar o atendimento. “Na hotelaria, aprendemos que atendimento não é apenas servir bem, mas perceber detalhes, antecipar necessidades e fazer com que cada pessoa se sinta realmente bem recebida”, explica.

É essa visão que ela pretende levar para a Prime. A ideia é construir um atendimento profissional, mas sem transformar a experiência em algo excessivamente formal.

O conceito de luxo, para ela, também passa longe da ostentação. Está relacionado ao cuidado com o cliente, ao ambiente preparado, à atenção aos detalhes e à sensação de acolhimento.

“Luxo não significa necessariamente formalidade ou algo inacessível. Para mim, luxo está muito ligado ao cuidado”, afirma.

FOGO COMO PROTAGONISTA

Na cozinha, Luiz traz a experiência acumulada em resorts e diferentes cozinhas para uma proposta centrada na carne e no fogo. A parrilla é um dos elementos principais do restaurante, mas o objetivo não é simplesmente reproduzir o modelo tradicional de uma steakhouse.

A Prime trabalha com cortes clássicos, como picanha angus, ancho, chorizo, T-bone e prime rib. A casa também aposta em preparos que procuram aproximar a alta gastronomia dos ingredientes e dos sabores conhecidos pelo público da região.

Maira Ribeiro e Luiz Fernando colocam a boa gastronomia e a hospitalidade como eixos centrais da Prime Steak HouseRestaurante une a carne na brasa às referências da fronteira - Foto: Roberlânia Gonçalves

Um dos exemplos é o steak pantaneiro, que combina cupim, mandioca cremosa e farofa de banana. Outro destaque é a costela preparada durante 12 horas, em um processo de cocção prolongada que busca preservar a suculência e desenvolver sabor.

A intenção, segundo Luiz, é respeitar a matéria-prima e utilizar a técnica para valorizá-la, sem transformar a comida em algo excessivamente complicado.

“Quero que o cliente perceba o cuidado em cada detalhe e saia daqui lembrando não só do prato, mas da experiência como um todo”, explica o chef.

A formação e a experiência profissional também aparecem na elaboração do cardápio. Luiz explica que as referências internacionais adquiridas durante a carreira serviram como base para desenvolver pratos próprios, mas não como receitas a serem simplesmente reproduzidas.

A cozinha da Prime deve trabalhar com cocções precisas, grelhados e preparos na brasa, molhos e fundos elaborados, além de técnicas variadas para entradas e acompanhamentos.

O cardápio, entretanto, foi pensado para não ser excessivamente extenso. O casal preferiu uma seleção mais enxuta, com pratos que tenham uma razão para estar ali e possam ser executados com qualidade.

“Não quero simplesmente reproduzir receitas que aprendi ao longo da carreira. Quero usar esse conhecimento como base para criar uma identidade própria para a Prime”, afirma Luiz.

FRONTEIRA NO PRATO

A localização de Ponta Porã, cidade sul-mato-grossense que faz fronteira com o Paraguai, é um dos elementos que ajudam a explicar algumas das escolhas do cardápio.

A fronteira reúne diferentes culturas, hábitos e influências gastronômicas. Para o casal, seria incoerente ignorar esse contexto ao criar um novo restaurante na cidade.

A Prime, portanto, não se apresenta como uma casa de culinária regional, mas incorpora referências locais de maneira pontual. A sopa paraguaia, por exemplo, aparece no cardápio como acompanhamento, com uma interpretação própria preparada na parrilla.

O steak pantaneiro segue a mesma lógica. O cupim, a mandioca cremosa e a farofa de banana são ingredientes e sabores que dialogam diretamente com o imaginário gastronômico de Mato Grosso do Sul, mas aparecem dentro de uma proposta contemporânea de steakhouse.

A intenção é de que a identidade regional não seja uma decoração, mas parte natural da experiência.

“Não queríamos simplesmente reproduzir um modelo de steakhouse que poderia estar em qualquer cidade”, explica o casal. “Estamos em Mato Grosso do Sul e em uma região de fronteira com o Paraguai, então achamos importante que isso aparecesse de alguma maneira na experiência”, destacam.

ALÉM DA CARNE

Embora o produto central seja a carne, a proposta é não limitar a casa aos apaixonados por cortes bovinos. O cardápio também conta com opções de frango e peixe, além de alternativas vegetarianas, entradas e acompanhamentos.

A estratégia é permitir que grupos com diferentes preferências consigam compartilhar a experiência.

A boutique de carnes é outro braço do projeto. Além de consumir os cortes preparados pela equipe da Prime, o cliente poderá escolher carnes selecionadas para levar para casa.

Mas, para Maira, a principal preocupação continua sendo a hospitalidade.

“Hospitalidade, para mim, é fazer alguém se sentir bem-vindo. É receber como gostaríamos de ser recebidos”, define.

Ela acredita que um cliente pode até esquecer detalhes de um prato, mas dificilmente esquece como foi tratado em determinado lugar. Por isso, o atendimento ocupa posição tão importante quanto a cozinha na concepção da Prime.

“Queremos que a pessoa se lembre da carne, dos acompanhamentos e dos drinks, mas queremos principalmente que ela se lembre de como se sentiu aqui”, afirma.

diálogo

A corrida eleitoral finalmente entrou na pista. Tem candidato acelerando... Leia na coluna de hoje

Leia a Coluna Diálogo desta segunda-feira, 10 de agosto de 2026

10/08/2026 00h01

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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George Shaw - escritor irlandês

A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente"

Felpuda

A corrida eleitoral finalmente entrou na pista. Tem candidato acelerando em carrão de luxo, cercado de estrutura e apoiadores, enquanto outros aparecem empurrando o velho carrinho de rolimã, apostando mais  na criatividade do que no motor. A bandeirada já foi dada  e ninguém quer perder pista logo na primeira curva. Mas, em eleição, potência nem sempre garante vitória. O que decide a prova é a resistência, a estratégia e, claro, o voto do eleitor. Afinal, muita gente larga na pole e acaba vendo o adversário cruzar a linha de chegada primeiro. Portanto... 

Diálogo

Briga de cerca

Quando o assunto é terra, o plenário da Assembleia de MS às vezes parece mais uma divisa de fazenda. José Teixeira e Zeca do PT voltaram a medir forças e hectares em mais um duelo verbal. Sobrou até proposta para dividir propriedades com indígenas.

Mais

Mais um desafio que ficou só no discurso. Entre 400 hectares de um lado e 200 hectares do outro, a plateia assistiu à troca de farpas. No fim, teve mais barulho de porteira do que mudança de cerca. Como disse um parlamentar, irônico que só: "Churumelas, churumelas..."

DiálogoMaria Helena Pimentel e tatiana santos Pereira Jucá - arquivo pessoal
DiálogoDra. Lívia Miranda - arquivo pessoa

Esquindô lê-lê!

Nos bastidores, começa a ganhar força o chamado "bloco dos comissionados", formado por servidores que poderão ser convocados para atuarem na campanha eleitoral. A expectativa é de que muitos deixem os gabinetes nas horas de folga para ajudar candidatos nas ruas. A questão delicada é separar trabalho público de atividade político-eleitoral, porque a fronteira não pode ser ignorada. Servidor comissionado tem função administrativa, não obrigação de virar cabo eleitoral. A conferir.

Buraqueira

Com média de 675 buracos tapados por dia em julho, a prefeitura comemora um salto que chegou a impressionantes 1.200 remendos em apenas 24 horas. Fazendo as contas, isso significa cerca  
de 50 buracos recuperados por hora, ou praticamente um tapa-buraco a cada 1 minuto e 12 segundos, sem pausa para o cafezinho. O reforço das equipes elevou a produção. Agora, promessa é ampliar as frentes de trabalho.

Fiscal

A partir deste domingo, a Justiça Eleitoral colocará em campo, o aplicativo Pardal Móvel para receber denúncias de propaganda irregular. A ferramenta permitirá que qualquer eleitor encaminhe fotos, vídeos, áudios e outras provas diretamente aos TREs, com identidade protegida por sigilo. A intenção é acelerar a fiscalização durante a campanha. Em ano eleitoral, além de pedir voto, candidatos terão de tomar cuidado com quem está do outro lado da tela. Afinal, o celular também virou fiscal das urnas.

Aniversariantes

  • Mayra nemir neves, 
  • Maren Jessica Costa Jeha,
  • Antônio Picchioni Pereira,
  • Regina nunes saad,
  • Eline toniasso, 
  • Nazira furquim, 
  • Adriano Magalhães,
  • Algemiro Claro alvares,
  • Dair Jair savaris,
  • Dalci Moreira Lorentz,
  • Edileusa Lino de oliveira,
  • Wilson Yukishigue nakase,
  • José antonio gaitan guzman,
  • Nei Lourenço de freitas Costa,
  • Analice de toledo Barros Buainain,
  • Ademir Ximenes Machado,
  • Diego Luiz sorgatto,
  • Lourenço Pereira de souza,
  • José ferreira filho,
  • Rafaela terencio, 
  • Fábio Luiz Bertoni,
  • Roseli da Cruz Loubet, 
  • Tereza Cristina Pinto teixeira,
  • Mariza olegário Caminha,  
  • Fauze Bomussa,
  • Angelo Baldassini neto,
  • Humberto oliveira Bueno,
  • Ludmila Lopes Belline Monteiro,
  • Josiane arce Vieira,
  • Maria rizete ferreira Costa Bezerra, 
  • Jaciro alkiris,
  • Mariana Medeiros Mendes,
  • Aluízio Borges,
  • Alessandro de almeida silva,
  • Lourenço filisbino Paula,
  • Maria aparecida da silva rodrigues,
  • Afonso Leite figueiredo,
  • Adelurde nogueira,
  • Osvaldo Pegaz,
  • Lourenço antunes Maciel,
  • Cristiane de souza,
  • João Batista rodrigues,
  • Amanda almeida farias,
  • Fábio Henrique da silva,
  • Jacy da Costa nantes,
  • Sérgio Luiz Collebri,
  • Heloisa Helena Wanderley Maciel, 
  • Wilian Zavala Bastos,
  • Gesiane de Cássia damasceno Pereira,
  • Luana Pinelli almeida,
  • José Maria franco tôrres,
  • Dmitri erik Palermo,
  • Ana Cristina neves,
  • Orialis sanches de albuquerque,
  • Teresa Cardoso da silva,
  • Jaciara Jacob,
  • Affonso sette Lima,
  • Maria Helena almeida,
  • Lourdes Maria fernandes,
  • Mário sérgio Lopes,
  • Fernanda teixeira,
  • Lúcia Helena nunes,
  • Maria Cláudia oliveira,
  • José Henrique Mendes,
  • Carolina farias,
  • Maria Henriqueta Lima,
  • Cleonice flôres,
  • Alex de oliveira Camargo,
  • Dr.Marcelo dos santos souza, 
  • Laurita anache,  
  • Katleen de oliveira Camargo,
  • Dair Barbosa,
  • Vilmar José de Lima acosta,
  • Roberto Carlos de Jesus,
  • Florentina duarte Correa,
  • Eurico souza Lopes,
  • Pedro Paulo antunes,
  • Hidina Vitor nascimento silva,
  • Marcos antônio davi dos santos,
  • Suzi da Cunha Honório,
  • Paulo roberto da Costa nogueira filho,
  • Katia rubia tinoco,
  • Willian Castelo Branco,
  • Germano Zampieri neto,
  • Fermino otta,
  • Simara rosa de freitas,
  • José Mendes narchesi,
  • Hilda Carvalho,
  • Edson alves tenório,
  • Paulo antônio da silva,
  • Márcia Moreira dourado Pancini,
  • Valéria Pereira Martins de araújo Katayama, 
  • Andreia silva dos santos,
  • Eduardo Casali Moretto,
  • Elizabete eurico de sena,
  • José raimundo Pereira,
  • Waldir José amado,
  • Ana Maria fernandes,
  • Mário edson Monteiro damião,
  • André floriano de Queiroz,
  • Manoel Cação,
  • Andréia rodrigues dos santos,
  • Carlos nogarotto,
  • Ana Cristina Matsunaka dos santos, 
  • Fernando Martins Cavalcanti,
  • Humberto Kawahata Barreto,
  • Paulo roberto achucarro,
  • Nestor Catelan,
  • Aparecida tereza da silva Cândia

**Colaborou Tatyane Gameiro**

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