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GASTRONOMIA

Pão de queijo surgiu da criatividade e se transformou em um dos maiores símbolos da culinária

Criado a partir da baixa oferta de trigo no Brasil colonial, o pão de queijo surgiu da criatividade ao utilizar o polvilho da mandioca e se transformou em um dos maiores símbolos da culinária brasileira

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Poucos alimentos representam tão bem a cultura brasileira quanto o pão de queijo. Crocante por fora, macio por dentro e com sabor marcante, ele ultrapassou as fronteiras de Minas Gerais e conquistou o País inteiro.

Mas sua origem está longe de ser apenas gastronômica, ela é profundamente ligada a um contexto histórico de escassez, adaptação e criatividade no Brasil colonial.

A história do pão de queijo começa ainda no período do Brasil Colônia, entre os séculos 17 e 18, especialmente nas regiões mineradoras de Minas Gerais. Na época, o acesso a ingredientes básicos da culinária europeia, como a farinha de trigo, era extremamente limitado.

Isso acontecia por diversos fatores: o trigo não se adaptava bem ao clima brasileiro, e sua importação de Portugal era cara e irregular, dificultada pela logística precária e pelas restrições comerciais impostas pela Coroa portuguesa.

Diante desse cenário, as populações locais precisaram reinventar suas práticas alimentares. Foi nesse contexto que a mandioca, planta nativa amplamente cultivada pelos povos indígenas, ganhou protagonismo.

A partir dela, produzia-se o polvilho, que se tornaria a base de diversas receitas, incluindo o futuro pão de queijo.

Inicialmente, o que se tinha era uma espécie de pão de goma, feito apenas com polvilho e água, moldado e assado. Era um alimento simples, funcional e sem grandes pretensões de sabor.

No entanto, com o passar do tempo e o desenvolvimento da pecuária leiteira em Minas Gerais, novos ingredientes começaram a ser incorporados.

O queijo, especialmente o queijo minas artesanal, passou a ser adicionado à massa, transformando completamente o resultado final. A gordura (muitas vezes na forma de banha de porco) também era utilizada para dar mais maciez e sabor.

Assim, nascia o pão de queijo como o conhecemos hoje, resultado direto da mistura entre ingredientes disponíveis e a criatividade culinária das cozinheiras da época, muitas delas mulheres negras escravizadas, responsáveis pela alimentação nas casas e nas fazendas.

Esse aspecto é fundamental para entender a história do pão de queijo. Ele não é apenas um produto da culinária mineira, mas também um símbolo da resistência cultural e da capacidade de adaptação de diferentes povos (indígenas, africanos e europeus) que contribuíram para a formação da identidade brasileira.

Ao longo dos séculos 19 e 20, o pão de queijo se consolidou como um alimento típico de Minas Gerais, presente no café da manhã, no lanche da tarde e em reuniões familiares.

Sua popularização em escala nacional ocorreu principalmente a partir da segunda metade do século 20, com a industrialização e a criação de versões congeladas, que facilitaram o preparo e a distribuição pelo País.

Hoje, o pão de queijo é um dos alimentos brasileiros mais conhecidos internacionalmente. Ele aparece em cafeterias, padarias e até em redes de fast-food, sendo frequentemente associado à ideia de conforto, tradição e sabor caseiro.

Apesar disso, sua essência continua ligada à simplicidade e à história de escassez que marcou sua origem.

Pão de queijo tradicional mineiro

Patrimônio cultural e gastronômico de Minas Gerais, o pão de queijo surgiu das dificuldades do período colonialPão de queijo tradicional mineiro - Fotos: Freepik 

Ingredientes:

  • 500 g de polvilho azedo;
  • 250 ml de leite;
  • 100 ml de óleo;
  • 1 colher (chá) de sal;
  • 2 ovos;
  • 200 g de queijo minas meia-cura ralado.

Modo de preparo:

> Aqueça o leite com o óleo e o sal até começar a ferver;

> Despeje a mistura sobre o polvilho e mexa bem para escaldar;

> Espere amornar e adicione os ovos, misturando até formar uma massa homogênea;

> Acrescente o queijo ralado e misture novamente;

> Modele bolinhas e coloque em uma assadeira untada;

> Asse em forno preaquecido a 180°C por cerca de 25 a 30 minutos, até dourar.

Pão de queijo com polvilho doce (mais macio)

Ingredientes:

  • 500 g de polvilho doce;
  • 250 ml de leite;
  • 100 ml de óleo;
  • 1 colher (chá) de sal;
  • 2 ovos;
  • 200 g de queijo mussarela ralado.

Modo de preparo:

> Ferva o leite com o óleo e o sal;

> Misture ao polvilho e mexa bem;

> Após esfriar um pouco, adicione os ovos e misture;

> Incorpore o queijo;

> Modele bolinhas e leve ao forno a 180°C por cerca de 30 minutos;

> Essa versão fica mais leve e com textura mais macia.

Pão de queijo de liquidificador (prático)

Ingredientes:

  • 1 xícara (chá) de leite;
  • 1/2 xícara (chá) de óleo;
  • 2 ovos;
  • 1 colher (chá) de sal;
  • 2 xícaras (chá) de polvilho doce;
  • 1 xícara (chá) de queijo parmesão ralado.

Modo de preparo:

> Bata todos os ingredientes no liquidificador até obter uma massa líquida homogênea;

> Despeje em forminhas (de empada) untadas;

> Leve ao forno preaquecido a 180°C por cerca de 20 a 25 minutos.

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Histórico

Apesar do caos, saldo do show de Guns N' Roses foi positivo para os fãs

Atrasos, congestionamentos e dificuldades no acesso marcaram a noite, mas não apagaram a emoção dos fãs no evento histórico em Campo Grande

10/04/2026 17h30

Segundo o público, destaque da noite foi clássico solo de guitarra do Slash na música November Rain

Segundo o público, destaque da noite foi clássico solo de guitarra do Slash na música November Rain Divulgação

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A passagem do Guns N’ Roses por Campo Grande, na noite de 9 de abril, marcou um capítulo histórico para a cidade. Com público estimado em 35 mil pessoas no Autódromo Internacional, o evento consolidou a capital sul-mato-grossense no circuito de grandes turnês internacionais ao mesmo tempo que escancarou o abandono do poder público.

Para quem chegou cedo, a experiência foi completa. A fisioterapeuta Jéssica Schettini, de 36 anos, garantiu lugar próximo ao palco e acompanhou toda a programação. “Foi surreal. Fiquei a 10 metros deles. Raimundos e Guns são bandas da minha infância, não tem nem palavras”, contou. Ela chegou por volta das 17h30, após um trajeto de cerca de uma hora, antes do agravamento do trânsito.

Já para outros fãs, o caminho até o show foi o maior desafio. A médica Gabriela Yamaguchi Pereira, de 29 anos, saiu de casa às 18h30 e só conseguiu entrar no evento por volta das 22h. “A gente perdeu o show do Raimundos e chegou quando o Guns já tinha começado. Foi muita gente, um congestionamento enorme”, relatou.

Apesar do atraso de cerca de uma hora e meia para o início da apresentação principal, Gabriela vê a mudança com bons olhos. “Se eles não tivessem atrasado, eu não teria conseguido assistir. Ia prejudicar muita gente que estava presa no trânsito”, disse.

Vindo de Sidrolândia, o técnico de segurança do trabalho Vytor Hugor de Andrade Noss, de 23 anos, também enfrentou dificuldades, especialmente na saída. “Na volta foi caótico. Não tinha Uber, a gente ficou procurando até conseguir um carro”, contou. Ele também criticou a organização na coleta de alimentos não perecíveis. “Ficava tudo jogado de lado”, afirmou. Ainda assim, resumiu a experiência de forma positiva, destacando “November Rain” como o momento mais marcante.

A música, aliás, foi unanimidade entre os fãs ouvidos pela reportagem. Tanto Gabriela quanto Jéssica também citaram o clássico como o ponto alto da noite.

Em nota oficial, a organização destacou que o evento foi planejado por cerca de três meses, com participação de órgãos como Polícia Rodoviária Federal, Detran e Agetran. Segundo o comunicado, todas as exigências operacionais foram cumpridas e o funcionamento interno ocorreu dentro da normalidade.

O principal problema, segundo a produção, esteve no acesso ao local. A BR-262, via de pista simples, concentrou o fluxo de milhares de veículos simultaneamente, o que gerou congestionamentos. A decisão de atrasar o show, conforme a nota, foi tomada para permitir que mais pessoas conseguissem chegar a tempo.

Apesar dos entraves, o impacto econômico foi expressivo. A estimativa é de que o evento tenha movimentado mais de R$ 33 milhões, com alta ocupação hoteleira e geração de cerca de 1.500 empregos temporários. Aproximadamente 30% do público veio de fora do estado.

Para Jéssica, o saldo é positivo e pode abrir portas para o futuro. “Espero que venham mais shows assim. Que o Guns seja a porta de entrada para outras bandas”, afirmou.
 

OPORTUNIDADE

Prêmio Academia Assaí abre inscrições gratuitas para empreendedores

Com mais de R$ 1 milhão em premiações e foco em educação financeira, iniciativa do Assaí Atacadista oferece capacitação gratuita e incentivos financeiros para micro e pequenos empreendedores do setor alimentício em todo o Brasil

10/04/2026 10h43

Vencedores de 2025 da etapa nacional

Vencedores de 2025 da etapa nacional Divulgação/Assaí

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A 9ª edição do Prêmio Academia Assaí já está com inscrições abertas. Promovida pelo Instituto Assaí, a iniciativa, já consolidada no País, busca apoiar micro e pequenos empreendedores, formais ou informais, oferecendo não apenas premiações em dinheiro, mas também capacitação e ferramentas essenciais para o crescimento sustentável dos negócios.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 10 de maio, por meio do site oficial da premiação. O programa é voltado para maiores de 18 anos que atuam no setor alimentício e têm faturamento anual de até R$ 360 mil, abrangendo desde vendedores ambulantes até pequenos estabelecimentos.

Ao longo das oito edições anteriores, o Prêmio Academia Assaí já impactou cerca de 9.500 empreendedores em todo o País e distribuiu mais de R$ 6,5 milhões em prêmios.

O projeto tem se destacado por proporcionar uma jornada de aprendizado que contribui diretamente para a profissionalização de negócios muitas vezes marcados pela informalidade.

Um exemplo desse impacto vem do Centro-Oeste. Em 2025, Mato Grosso do Sul esteve entre os estados representados na fase regional, com destaque para o empreendedor Dirlei Oliveira, cocriador da Cuscuz Mandacaru, de Campo Grande.

Vencedores de 2025 da etapa nacionalMatheus Freitas Sobrinho, à esquerda, e Dirlei Oliveira, à direita, sócios-proprietários da Cuscuz Mandacaru - Foto: Arquivo/Cuscuz Mandacaru

A marca, conhecida por levar o tradicional cuscuz nordestino a feiras populares, como Bosque da Paz, Borogodó e Ziriguidum, conquistou o público com um cardápio diversificado que inclui mais de 15 combinações de recheios.

Em 2024, o Estado também chegou à etapa nacional, representado por Flaviany Fleita Leite, proprietária da Mercearia Portuguesa, que concorreu na categoria “ambulante”.

Neste ano, Mato Grosso do Sul tem a chance de, pela terceira vez consecutiva, ter um empreendedor com destaque regional e/ou nacional.

EIXO CENTRAL

Um dos principais diferenciais do prêmio é a oferta de cursos gratuitos ao longo de toda a jornada. Já na inscrição os participantes passam a ter acesso ao curso de Educação Financeira para Empreendedores, disponibilizado na plataforma Academia Assaí.

Neste ano, o tema central será justamente “finanças”, para reforçar a importância do planejamento e da organização para o sucesso dos pequenos negócios.

Segundo Fabio Lavezo, gerente de Sustentabilidade e Investimento Social do Assaí, a proposta vai além da premiação.

“As capacitações são uma parte essencial do Prêmio Academia Assaí. Ao trazer a temática finanças como tema central desta edição, buscamos apoiar os empreendedores para que seus negócios possam ser lucrativos e crescer de forma saudável”, afirma.

A escolha do tema dialoga diretamente com uma das principais dificuldades enfrentadas por pequenos empreendedores no Brasil, que é a gestão financeira. Falta de controle de caixa, dificuldade em precificar produtos e ausência de planejamento são desafios comuns que podem comprometer a sobrevivência dos negócios.

PRÊMIOS

Nesta edição, o programa vai distribuir mais de R$ 1 milhão em premiações, que incluem dinheiro em cartão pré-pago, créditos no aplicativo Meu Assaí, smartphones e consultorias especializadas. Ao longo das etapas, os participantes poderão acumular benefícios que chegam a até R$ 30 mil por empreendedor.

O processo de seleção é dividido em quatro fases, combinando capacitação e incentivos financeiros.

Na primeira etapa, todos os inscritos participam de uma semana de curso on-line focado em finanças, com conteúdos voltados à organização e gestão do negócio.

Vencedores de 2025 da etapa nacionalFoto: Arquivo/Cuscuz Mandacaru

consultoria personalizada para o desenvolvimento do negócio.

DISTRIBUIÇÃO REGIONAL

Um dos pilares do Prêmio Academia Assaí é a democratização do acesso. Para isso, a seleção dos participantes leva em consideração critérios regionais, buscando contemplar diferentes realidades do País.

A distribuição dos 2.250 empreendedores selecionados na segunda etapa será feita de forma proporcional entre as regiões brasileiras. O Sudeste contará com 900 participantes, seguido pelo Nordeste, com 750. O Norte terá 300 representantes, o Centro-Oeste, 200, e o Sul, 100.

Essa divisão considera fatores como densidade populacional, níveis de informalidade no setor alimentício e a presença de lojas do Assaí em cada região, garantindo maior equidade no acesso às oportunidades.

>> Serviço

Prêmio Academia Assaí 2026

Período: até 10 de maio.
Inscrições: www.academiaassai.com.br/premio.
Critérios: maiores de 18 anos, atuação no setor alimentício (formal ou informal) e faturamento de até R$ 360 mil por ano.

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