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SAÚDE

Pesquisa aponta que 12,3% da população feminina do Brasil pode ter doença "invisível"

Estudo revela que o lipedema, condição crônica e subdiagnosticada, tem prevalência de 12,3% na população feminina, afetando cerca de 8,8 milhões de mulheres no Brasil

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Uma pesquisa inédita no Brasil, publicada no periódico Jornal Vascular Brasileiro, trouxe à tona a prevalência de uma doença muitas vezes invisível: o lipedema.

O estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto Amato e do Valens Medical Center, aplicou um questionário de rastreamento online e validado em 253 mulheres representativas da população geral.

Os resultados, com um intervalo de confiança de 95%, apontaram que 12,3% das entrevistadas apresentaram sintomatologia compatível com alta probabilidade de diagnóstico de lipedema.

Extrapolando os dados para a projeção do censo de 2021, que estima em 71,7 milhões o número de mulheres entre 18 e 69 anos, os pesquisadores calculam que aproximadamente 8,8 milhões de brasileiras podem conviver com os sintomas desta condição.

O lipedema é uma doença vascular crônica, de origem genética e hormonal, caracterizada pelo depósito anormal e simétrico de gordura (tecido adiposo) em glúteos, quadris, coxas e pernas, podendo, em alguns casos, afetar também os braços.

Uma de suas características mais distintivas é a preservação dos pés e das mãos, criando uma desproporção evidente entre um tronco mais “fino” e os membros inferiores aumentados.

A doença é frequentemente confundida com condições mais comuns, como a obesidade, a lipodistrofia ginóide (celulite) e o linfedema – este caracterizado pelo acúmulo de líquido, e não de gordura, e que geralmente compromete o pé e pode ser unilateral.

O lipedema foi descrito pela primeira vez em 1940, mas permanece como uma condição pouco compreendida e frequentemente negligenciada.

“Ainda não faz parte do currículo médico acadêmico brasileiro, nem do currículo vascular especializado. Sendo assim, é ainda frequentemente confundido com outras condições mais frequentes. E raramente é diagnosticado na primeira consulta médica”, destaca o estudo coordenado pelo Dr. Alexandre Campos Moraes Amato.

Para o estudo, os pesquisadores utilizaram um questionário de autoaplicação, previamente validado, que soma pontos com base nos sintomas.

Para garantir um resultado mais conservador e específico, o ponto de corte escolhido foi 12, o que confere uma probabilidade individual de diagnóstico de 77,8%, com uma especificidade de 88% (baixo número de falsos positivos).

Isso significa que as mulheres identificadas têm uma alta probabilidade de realmente ter a doença. O Índice de Massa Corporal (IMC) médio das voluntárias com lipedema foi de 27 kg/m², mostrando que a condição não está restrita a pessoas com obesidade.

SINTOMAS

O impacto do lipedema vai muito além da questão estética. Os sintomas incluem dor, sensibilidade e sensação de peso nas pernas, edema (inchaço) ortostático (que piora ao ficar muito tempo em pé), facilidade para formar hematomas (roxos) e cansaço nos membros afetados.

A pesquisa brasileira, além de medir a prevalência, identificou fortes correlações entre o lipedema e outras comorbidades. No grupo de mulheres com alta probabilidade para a doença, foram encontrados índices significativamente maiores de: ansiedade (61,3%); depressão (38,7%); hipertensão arterial (41,9%); e anemia (41,9%).

“A queixa principal é, sem dúvida, o desconforto estético, que impede que a paciente use roupas que mostrem suas pernas. Também muito se fala sobre os transtornos psicológicos causados pelo lipedema, entretanto, as pesquisas sugerem que as alterações psicológicas precedem o evento e podem levar ao aumento de peso que, por sua vez, piora o lipedema”, afirma a Dra. Lidiane Rocha, especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular e membro do Departamento de Doenças Venosas e Linfáticas da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP).

As complicações também são físicas. “Pacientes com lipedema são mais suscetíveis a lesões das articulações. Em casos mais avançados, podem ter dificuldades na marcha e consequente atrofia muscular”, complementa o Dr. Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade, cirurgião vascular e membro da Comissão de Doenças Linfáticas da SBACV-SP. Ele ainda explica que a doença pode evoluir em estágios, iniciando pela região pélvica e progredindo, com possibilidade de, em fases mais tardias, acometer o sistema linfático, agravando o edema.

TRATAMENTO

Embora o lipedema não tenha cura, existe um arsenal de tratamentos capazes de aliviar significativamente os sintomas, controlar a progressão da doença e devolver a qualidade de vida às pacientes. A abordagem é fundamentalmente multidisciplinar e personalizada, exigindo um comprometimento de longo prazo.

O pilar central do manejo clínico envolve um rigoroso controle do peso, pois o ganho de massa corporal agrava diretamente o acúmulo de gordura patológica e a inflamação.

Para isso, uma correção alimentar é indispensável, baseada em uma dieta anti-inflamatória, com ênfase em fibras e proteínas, e na redução do consumo de laticínios e carboidratos refinados.

Paralelamente à nutrição, a atividade física constante é crucial. A prescrição inclui exercícios aeróbicos de baixo impacto, como natação e hidroginástica, que minimizam o estresse nas articulações já sobrecarregadas, combinados com musculação para fortalecer a massa muscular e melhorar o metabolismo.

Para o controle do edema e a sensação de peso e dor, a terapia de compressão é uma ferramenta essencial. Diferentemente das meias de compressão convencionais para doenças venosas, que são de malha circular, o lipedema responde melhor a meias elásticas de baixo estiramento, confeccionadas em malha plana.

Este material, menos elástico e mais robusto, oferece uma compressão mais firme e consistente, adaptando-se melhor ao formato do membro e combatendo o edema de forma mais eficaz.

O sucesso desse conjunto de medidas está intrinsecamente ligado ao suporte psicológico. O acompanhamento com um psicólogo não só auxilia na manutenção da motivação para a dieta e os exercícios, mas também é fundamental para trabalhar a aceitação da nova imagem corporal e lidar com a dor emocional de uma condição crônica e frequentemente estigmatizante.

Quando o tratamento clínico bem conduzido não é suficiente para conter o avanço da doença ou aliviar os sintomas de forma satisfatória, a intervenção cirúrgica entra em cena. A lipoaspiração especializada, realizada por cirurgiões experientes, é reservada para esses casos mais avançados.

Trata-se de um procedimento que visa reduzir o volume do tecido adiposo doente, aliviando a pressão mecânica e melhorando a mobilidade. 

Estudos demonstram que essa abordagem integrada, que combina estilo de vida, compressão, suporte emocional e, quando necessário, cirurgia, pode levar a uma melhora de 35% nos sintomas com o tratamento clínico, e de 58% quando a lipoaspiração é incorporada ao plano terapêutico.

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada...Leia a coluna de hoje

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25/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Millôr Fernandes - escritor brasileiro

"Ninguém sabe o que você ouve, mas todo mundo ouve muito bem o que você fala”.

 

FELPUDA

A vereadora Isa Jane Marcondes está andando em campo minado, pois a cada fiscalização que realiza e posta em suas redes sociais, torna-se alvo de saraivada de ataques, inclusive dos seus colegas da Câmara Municipal de Dourados. Persistente, ela anda se desviando das minas espalhadas em cada órgão público que visita para constatar se os serviços estão indo ao encontro do que a população quer. Ela verifica, inclusive, o que teria sido varrido para debaixo do tapete. A realidade, dizem, é que há aqueles que desejam tirá-la do páreo de voos mais altos. Vai saber...

Diálogo

Eclético

O deputado Paulo Duarte está buscando novo rumo e, assim, deve deixar o PSB para se filiar, ao que tudo indica, no PSDB. O parlamentar tem trajetória partidária um tanto quanto extensa em sua vida política. Ele foi filiado ao PT.

Mais

E, inclusive, integrou o “núcleo duro” da administração petista em MS. Saiu do PT em 2016 e migrou para o PDT. Mas não durou muito, pois logo mudou de sigla, filiando-se ao MDB. Posteriormente, buscou abrigo no PSB e agora consta que estaria indo para o PSDB. Ufa!

DiálogoDr. Afonso Simões Corrêa, que está participando do programa de residência médica em Oncologia Clínica na USP, em São Paulo

 

DiálogoFlávia Ceretta

Eu juro!

O governador Eduardo Riedel jurou por todos os santos e arcanjos que não conversou sobre política com Lula, quando ele esteve em Campo Grande. Disse que o diálogo entre eles foi sobre, em suas palavras, “investimentos no Estado; falei para ele a respeito da rota bioceânica, da necessidade de manter o aporte para o acesso; conversamos do êxito da concessão, que foi uma delegação de parte das rodovias federais, e também de projetos que estão na Casa Civil e devem ser enviados ao Senado para aprovação da CAE, aqueles 200 milhões de dólares, que temos 50 de contrapartida”. Então, tá...

Palanque

A ministra Simone Tebet bateu o martelo com Lula e trocará MDB, seu partido por três décadas, pelo PSB, cuja figura mais ilustre é o vice-presidente Alckmin. Ela disputará uma das vagas ao Senado, mas por São Paulo, estado com maior colégio eleitoral do País, para “fazer palanque” para o lulismo. Em sua trajetória política em Mato Grosso do Sul foi deputada estadual, prefeita, vice-governadora e senadora.

Recuo

Com a reta final da janela partidária e algumas definições para composição de chapas e, até mesmo, interesse de alçar outros voos, políticos decidiram fazer análise mais detidamente do cenário eleitoral. Assim, já se verifica certa disposição de algumas pré-candidaturas serem mantidas. Uma delas seria a da vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL). Ela teria cogitado até se filiar ao Novo para disputar o Senado. Porém...

Aniversariantes

Elaine Batista de Oliveira,
Alfredo Zamlutti Júnior,
Lauane Braz Andrekowiski Volpe Camargo,
Vilmar Vendramin,
Andréa Elizabeth Ojeda,
Clelia Casanobas Pereira,
Ilda Vilalba Lima,
Aline de Oliveira Silva,
Cicero Pucci,
Antônio Fernandes Teixeira,
Constantinos Mastroyannis,
Goro Shiota,
Izaura Saad do Amaral,
José Aparecido Miguel,
Luis Adolar Camargo Kieling,
Paulo Ricardo Sbardelote,
Darci Rocha Rodovalho,
Elcimar Serafim de Souza,
Marizeth de Faria Molina,
Eva Lefreve,
Miguel Cherbakian Primo,
Amaury D’Anunzio de Miranda Leal,
Eduardo Orsi Abdul Ahad,
Dra. Janete Lima Miguel,
Dr. Sidney Valieri,
Pércio de Andrade Filho,
Ana Carolina Correia,
Adelino Augusto Arakaki Martins,
Maria Neusa de Souza,
Thomaz Lipparelli,
Cristiane Iguma Câmara,
Bertildes Oliveira de Abreu,
Rose Mary Monteiro,
Joaquim Alcides Carrijo,
Luis Antonio de Oliveira,
Wagner Dagoberto Baptista,
Osmar Marques do Amaral,
Aparecido Camazano Alamino,
Alceu Roque Rech,
Zely Vieira Recalde,
Antônio Vladimir Furine,
Hélio Aldo dos Santos,
Magdalena Ferraz Baís,
Roseny Rodrigues Nogueira,
Maria Pereira Motta,
Leôncio de Souza Brito Filho,
Dr. Carlos Benigno Tokarski,
Nilza Maria Coutinho,
Maria Helena Pinheiro,
Zulmira de Freitas,
Nilton Nantes Coelho,
Arialú Paula Nogueira,
José Ernesto de Souza Faria,
Gabriel Meudau Lemos,
Marilda Coelho Lima,
Otávio Otaviano da Silva Pereira,
Maria Emília da Silva,
Pedro Paulo Gentil,
Dirceu Teixeira Nogueira,
Mirna Gonçalves,
Geraldo Carvalho Corrêa,
Nilson Arantes,
Altagno Sandin Bacarje,
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Maria Aparecida Barros de Moura,
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Wanir Maria Gasparetto da Silva,
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Ademir Gonçalves da Silva,
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Andreia Gomes Gusman,
Guilherme Coppi,
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Cenise Fatima do Vale Montini Jonson,
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Carlos Eduardo Tedesco Silva,
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Nelma Ortolan Franzim,
Sara Rosane Barcelos Moreira,
Luciane de Araújo Martins,
Everton Armôa Martos,
Humberto Dauber,
Carlos Henrique Suzuki,
Vicente Martins,
Quirino Areco

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

COMPORTAMENTO E SOCIEDADE

Sociedade Pesquisa mostra que 80% dos brasileiros se sentem felizes

Levantamento da Ipsos mostra crescimento nos níveis de bem-estar, com destaque para relações pessoais, saúde e espiritualidade como pilares da felicidade entre brasileiros

24/03/2026 08h00

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no Brasil Freepik

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Os brasileiros estão mais felizes atualmente do que estavam há um ano. É o que revela o Ipsos Happiness Report 2026, pesquisa global que mede a percepção de felicidade em 29 países e aponta um avanço significativo nos níveis de satisfação da população.

No Brasil, 80% dos entrevistados afirmam estar felizes ou muito felizes (um crescimento de dois pontos porcentuais em relação a 2025), colocando o País entre os mais satisfeitos do mundo, na sétima posição do ranking internacional.

O levantamento mostra que 28% dos brasileiros se consideram muito felizes e 52% felizes. Enquanto 15% dizem não estar muito felizes e apenas 5% afirmam não estar felizes de forma alguma. Os números brasileiros superam a média global, que registra 74% de pessoas felizes, sendo 18% muito felizes.

O cenário nacional acompanha uma tendência internacional: em 25 dos 29 países pesquisados, os níveis de felicidade aumentaram em comparação ao ano anterior.

Apenas três países registraram queda. O dado indica uma melhora generalizada na percepção de bem-estar, possivelmente influenciada por fatores como maior estabilidade econômica e recuperação social após períodos de crise.

Os dados do levantamento revelam uma compreensão mais ampla sobre o que significa ser feliz. No Brasil, essa percepção está fortemente associada a vínculos afetivos, saúde e propósito de vida – elementos que, mesmo diante de desafios econômicos, sustentam níveis elevados de satisfação.

Ao mesmo tempo, o estudo evidencia que a felicidade não é distribuída de forma uniforme e pode variar de acordo com fatores como idade, renda e contexto social.

MOTOR DA FELICIDADE

No Brasil, a felicidade tem raízes profundas nas relações humanas e no bem-estar emocional. O principal fator apontado pelos entrevistados é o sentimento de ser amado ou valorizado, citado por 34%. Em seguida, aparecem a saúde física e mental (31%) e o relacionamento com a família e os filhos (29%).

Esses resultados mostram que, mais do que condições materiais, são os vínculos afetivos e a qualidade de vida que sustentam a sensação de felicidade entre os brasileiros.

A tendência também se repete globalmente: sentir-se apreciado e ter boas relações familiares aparecem como os principais motores da felicidade em diversos países.

Outro ponto de destaque é o papel da espiritualidade. No Brasil, 22% dos entrevistados apontam a fé ou a vida espiritual como um fator relevante para a felicidade – mais que o dobro da média global, que é de 10%.

O dado reforça uma característica cultural marcante do País, onde a religiosidade segue sendo um elemento importante na construção do bem-estar.

Além disso, fatores como perceber que a vida tem sentido e ter controle sobre a própria trajetória também aparecem entre os elementos que contribuem para a felicidade, indicando uma combinação entre aspectos emocionais, sociais e subjetivos.

DIFERENÇAS ENTRE GÊNEROS

A pesquisa também revela nuances importantes quando se observa o recorte por gênero. Entre os brasileiros que se dizem muito felizes, os homens aparecem em maior proporção (29%) em comparação às mulheres (26%).

No entanto, quando se trata do grupo que se declara feliz, as mulheres lideram, com 54%, frente a 50% dos homens.

Os dados sugerem que, embora os níveis gerais de felicidade sejam semelhantes entre os gêneros, a intensidade dessa percepção pode variar. Ainda assim, a soma total de pessoas satisfeitas com a vida se mantém elevada em ambos os grupos.

Relações pessoais e o sentimento de ser amado ou valorizado estão entre as maiores causas de felicidade no BrasilEspiritualidade é duas vezes mais relevante para a felicidade dos brasileiros do que para a média global - Foto: Freepik

VARIAÇÃO AO LONGO DA VIDA

O estudo também analisa como a felicidade muda com a idade – e os resultados mostram um padrão curioso. A satisfação com a vida tende a ser alta na juventude, sofre uma queda por volta dos 50 anos e volta a crescer nas décadas seguintes, atingindo seu pico após os 70 anos.

Globalmente, pessoas com mais de 70 anos apresentam os maiores níveis de felicidade, enquanto aquelas na faixa dos 50 anos estão entre as menos satisfeitas.

No Brasil, a faixa etária entre 50 e 74 anos concentra o maior índice de felicidade, com 82% das pessoas se declarando felizes ou muito felizes. O dado indica que, apesar de desafios comuns à meia-idade, como questões profissionais ou financeiras, há uma retomada significativa do bem-estar com o avanço da idade.

Por outro lado, a geração Z – formada por jovens nascidos entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2010 – é a que apresenta o maior porcentual de pessoas que se dizem nada felizes, embora esse número ainda seja relativamente baixo, de 6%.

UM DOS MAIS FELIZES

No ranking global, o Brasil aparece entre os países com maior índice de felicidade. As primeiras posições são ocupadas por Indonésia (86%), Países Baixos (84%), México (83%) e Colômbia (83%). Com 80% da população feliz, o Brasil figura logo atrás, consolidando-se como um dos países mais satisfeitos entre os pesquisados.

A trajetória também é positiva no longo prazo. Desde 2011, o índice de felicidade no Brasil aumentou três pontos porcentuais, contrariando uma tendência de queda observada em alguns países ao longo dos anos.

Esse crescimento indica que, apesar de desafios econômicos e sociais, a percepção de bem-estar no País tem se mantido resiliente, sustentada principalmente por fatores não materiais.

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE, MAS AJUDA

Se por um lado a felicidade está ligada a aspectos emocionais e relacionais, a infelicidade tem uma origem mais concreta. No Brasil, a situação financeira é o principal fator de insatisfação, citado por 54% dos entrevistados.

Na sequência, aparecem a saúde mental e o bem-estar (37%) e as condições de moradia (27%). O padrão é semelhante ao observado globalmente, em que a situação financeira também lidera como principal causa de infelicidade, com 57% das menções.

O impacto das finanças é transversal e atinge todas as gerações. Entre os baby boomers, 68% apontam esse fator como a principal causa de infelicidade. O índice cai para 62% na geração X e para 49% entre millennials e geração Z, mas ainda se mantém como o principal motivo em todos os grupos.

A pesquisa também evidencia uma relação direta entre renda e felicidade. Pessoas com maior poder aquisitivo tendem a ser mais felizes (79%) do que aquelas com renda mais baixa (67%), o que reforça a importância das condições materiais na qualidade de vida.

Apesar do peso das finanças na infelicidade, a percepção sobre a economia apresentou melhora este ano. Em 18 dos 29 países analisados, mais pessoas passaram a acreditar que a economia nacional está mais forte do que no ano anterior.

Essa mudança pode ter contribuído para o aumento geral da felicidade, visto que reduz a insegurança e melhora as expectativas em relação ao futuro.

O estudo sugere que, embora fatores econômicos não sejam os principais responsáveis pela felicidade, eles exercem forte influência quando se trata de insatisfação, especialmente em contextos de instabilidade.

METODOLOGIA

O Ipsos Happiness Report 2026 foi realizado entre 24 de dezembro de 2025 e 9 de janeiro de 2026, com a participação de 23.268 adultos em 29 países. As entrevistas foram conduzidas por meio de plataformas on-line, com exceção da Índia, onde parte da coleta foi feita presencialmente.

No Brasil, a amostra contou com cerca de mil entrevistados, com margem de erro estimada em 3,5 pontos porcentuais. Os dados foram ajustados para refletir o perfil demográfico da população adulta, com base nos censos mais recentes.

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