O município de Aquidauana, a 140 km de Campo Grande, está sendo agraciado com uma experiência rara e enriquecedora envolvendo o universo da dança por meio do projeto Aquidança Aquidauana, que rendeu o espetáculo “É o Amor”.
Com a participação da coreógrafa paulistana Adriana Assaf, uma das mais renomadas maître de ballet do País, o projeto é uma iniciativa da artista Mayara Martins e surgiu como forma de celebrar o 15º aniversário de sua escola de dança.
As apresentações acontecem hoje e amanhã, a partir das 20h, na Concha Acústica da Praça dos Estudantes, em Aquidauana. Na quarta-feira, sempre com acesso gratuito, está programada uma terceira apresentação de “É o Amor”, no distrito de Piraputanga.
Um dos pontos altos do projeto foi a realização da oficina Imersão Ballet Clássico, ministrada por Adriana Assaf.
Reconhecida por seu talento e suas contribuições significativas para o cenário da dança no Brasil, Adriana, que tem 500 prêmios no currículo, compartilhou seu conhecimento, técnicas e paixão pela dança com os participantes da oficina.
Eles tiveram a oportunidade de aprimorar suas habilidades sob a orientação de uma das maiores referências do balé no País.
Idealizado por Mayara Martins, o projeto Aquidança Aquidauana tem como objetivo principal promover a apreciação e a prática da dança na comunidade local. Mayara busca inspirar jovens talentos e proporcionar oportunidades para que eles expressem sua criatividade e energia por meio da dança.
AVES PANTANEIRAS
“Queríamos escoar esse tipo de projeto, que praticamente só acontece na capital, trazer para o interior esses tipos de fomentos e ações. Na oficina foram mais de 70 bailarinos, tínhamos 50 vagas e tivemos de abrir mais para suprir a demanda”, contou Mayara.
Adriana ficou muito feliz com o convite para ir a Aquidauana ministrar a oficina e fazer parte do projeto.
“Primeiro, porque era uma cidade que ainda não conhecia e, segundo, porque eu já conhecia a Mayara, sei da batalha dela pela dança na cidade e tenho um carinho muito grande por ela. E, claro, por também ter a oportunidade de levar meus ensinamentos a um lugar tão distante, que muitas vezes não tem tanta estrutura. Tudo isso pesou”, afirmou a artista da dança.
Nas oficinas de dança eram três turmas: Ararinhas (infantojuvenil); Garças (intermediário avançado); e Carcarás (professores, arte-educadores e ouvintes).
Cada um dos nomes das turmas foi cuidadosamente escolhido pela idealizadora do projeto: Ararinhas por remeter à ave colorida e “alegre”; Garça pelo porte e estampa da ave majestosa que leva esse nome; e Carcará por conta da característica de ser uma ave mais observadora. E mais: são três espécies que vivem no Pantanal.
“Os alunos estavam 100% disponíveis a aprender. Isso engrandece totalmente o trabalho, você entra na sala de aula e sente aquela energia de quem está querendo descobrir coisas novas, aprender coisas novas. Dei aula de pas-de-deux, de variação de repertório, de técnica masculina, e todas foram incríveis. A receptividade das pessoas, dos bailarinos, de todo mundo foi inesquecível para mim. Senti um carinho muito grande das pessoas que estavam fazendo o workshop”, declarou Adriana.
IMERSÃO DIFERENTE
Dos alunos só partiram elogios. Para a professora de balé clássico Karolayne Carvalho Silva Duarte, foi uma experiência enriquecedora e maravilhosa.
“Foram horas de aprendizado com uma profissional que transmitia todo seu conhecimento e paixão pelo que faz. Nos prendia a cada ensinamento com sua dedicação indescritível. Creio que será só o começo, Mayara é a prova que o lugar – uma cidade do interior de certo isolamento cultural – não é empecilho para realizar grandes sonhos, só basta ter força de vontade, e isso não falta a ela”, agradeceu.
O estudante José Roberto Amarilha Guerra, que dança desde criança, também achou que esta foi uma oportunidade única.
“Sendo de MS – e, ainda, do interior –, é muito difícil fazer uma oficina com alguém de tão grande renome. Temos de nos virar nos 30 para conseguir alguma evolução. Essa imersão foi muito boa e totalmente diferente. Saí inspirado e motivado para continuar na dança”, frisou.
JORNADA DE PAIXÃO
O projeto será apresentado em espaços públicos de Aquidauana, transformando praças e pontos turísticos em palcos emocionantes, levando a magia da dança para todos os cantos da cidade.
“É a realização de um sonho. Já é difícil fazer produções nos grandes centros, imagina trazer tudo isso para uma cidadezinha do interior. E, ainda, vamos beneficiar a comunidade, já que os espetáculos serão abertos. Sairemos da caixa cênica para toda a comunidade assistir, é gratuito e não há limite de público. O pano de fundo serão os pontos turísticos, Aquidauana será nosso palco”, prometeu Mayara.
O projeto Aquidança Aquidauana representa uma jornada de paixão pela dança, enriquecimento cultural e celebração da expressão artística.
“Com o apoio de talentos locais e inspiração de alguém de renome nacional, a cidade se torna palco de uma experiência artística verdadeiramente memorável”, exaltou a idealizadora da iniciativa, que foi contemplada pelo Fundo de Investimentos Culturais (FIC-MS) do governo do Estado.
10 MIL PESSOAS
Fazer dança na capital de Mato Grosso do Sul, Campo Grande, já tem suas complexidades e dificuldades. Quando se trata de cidades do interior, especialmente Aquidauana, onde o incentivo financeiro e a valorização da cultura são ainda mais escassos, com a falta de editais e políticas públicas para as artes, é ainda mais difícil.
Apesar das adversidades, o Studio Mayara Martins já criou 14 espetáculos, apresentou-se para um público de mais de 10 mil pessoas, participou de importantes festivais de dança do Estado, como o Festival Onça-Pintada e o Festival Dança Três, além de também ter marcado presença em um dos maiores festivais de dança do mundo, o Festival Internacional de Dança de Joinville, representando Mato Grosso do Sul inúmeras vezes,.
A realização do trabalho diário – aulas, ensaios, oficinas, criação de espetáculos – e essas participações ao longo de 15 anos reverberaram no tempo, tendo auxiliado na formação crítica, cultural, artística e cidadã de crianças, jovens e adultos que vivem em Aquidauana e região. Um impacto substancial em toda a comunidade.


Na coleção Spring 2027 apresentada em Nova York, Ralph Lauren definiu sua proposta como uma visão irreverente do romance - Divulgação
Entre Costuraa & CuLtura: O novo romantismo de Ralph Lauren não é tão romântico assim - Divulgação



