Correio B

Fim de semana

Releitura de "Medeia", filme sobre Napoleão e peça sobre menina que adora dançar são os destaques

Releitura de tragédia grega, filme sobre imperador francês e peça sobre uma menina que adora dançar são alguns dos destaques da programação deste fim de semana

Continue lendo...

“A peça passou por muitas modificações e novos experimentos, tanto textuais, de visualidade e de movimentação. Então a estreia, muito mais do que um momento de apresentar essa etapa do trabalho, serviu para experimentar a troca com o público. E foi muito gratificante me deparar com uma plateia tão calorosa e aberta para o diálogo que foi proposto. Ao fim da apresentação, vieram pessoas que me falaram suas histórias e como a peça as fez pensar sobre o lugar e a situação de quem as criou”.

Quem fala é a atriz Karine Araújo, após a primeira apresentação do monólogo “Groselha”, que estreou anteontem (22), no Sesc Cultura. Baseada em um dos maiores clássicos da tragédia grega, “Medeia”, de Eurípedes, a peça, segundo o diretor Nill Amaral, é um estudo performativo sobre a condição da mulher e a fluidez de suas identidades em uma sociedade que a reverencia e a restringe simultaneamente.

A última apresentação da temporada de estreia será hoje, a partir das 19h, com ingressos gratuitos mediante reserva via plataforma Sympla. Quem não conseguir reservar pode tentar a fila de espera um tempinho antes do início do espetáculo, já que é comum muitos interessados acabarem desistindo de última hora.
“‘Medeia’, em síntese, é uma força, um acontecimento. Mas, quando vemos as mulheres e seus filhos no dia a dia se identificando com essa força, vejo que esse é o caminho que deve ser seguido com o projeto”, completa Karine. O Sesc Cultura se localiza na Avenida Afonso Pena, nº 2.270, Centro. 

MENOS ELA

No mesmo espaço cultural, neste sábado, às 16h, também com acesso gratuito, Liz Nátali está, uma vez mais, sozinha em cena em “Aquele, Aquela, Menos Ela”, do grupo teatral Brecha Cia. A montagem convida as crianças a “navegarem” pelo espírito infantil, “onde a criação e o movimento corporal e vocal pulsam e têm lugar. De forma lúdica e sensível, o espetáculo promove uma reflexão sobre algumas limitações da sociedade em relação ao impulso de vida do ser criança em sua dimensão criativa”.

Confira a sinopse: “A menina Ela gosta de dançar e de cantar desde a barriga da mãe. O tempo vai passando e, durante seu crescimento, a garota enfrenta desafios para fazer com que suas inspirações tenham lugar nos vários espaços da vida. Até que uma duvidosa solução para seus conflitos a faz escorregar para um outro tempo e espaço. Lá, Ela encontra uma centopeia que apresenta um mundo onde a atitude inventiva de ser criança é parte fundamental da vida”.

O espetáculo tem a proposta de conversar com diferentes fases da infância e também com os adultos, já que perpassa vários espaços do cotidiano, tais como a escola e o trabalho. A narrativa se estende ainda a um espaço imaginário e onírico apresentado por uma centopeia cantante que brinca e dança, contrastando com o mundo que conhecemos. A corporalidade e a narratividade delicadas exploradas pela atuação de Liz Nátali, que também assina a direção e a dramaturgia, são enfatizadas a partir das parcerias firmadas na construção do espetáculo.

O arranjador e sonoplasta Vitor Zan dá vida a um dos pilares do espetáculo: a música. Cada uma das cenas tem uma canção autoral que dialoga com a trajetória da personagem Ela e que dá movimento e ritmo à encenação. A cenografia e o figurino são da artista Cristiane Lima, que, a partir da materialidade do bambu, construiu com engenhosidade uma estrutura leve que se movimenta de forma épica e lúdica ao longo das cenas.

A partir da combinação de elementos cênicos e musicais, “Aquele, Aquela, Menos Ela” constrói, de maneira leve, um imaginário que busca fortalecer a relação de toda a sociedade com a infância e com as indagações formuladas pelas crianças. 

O espetáculo mostra-se uma vivência guiada com muita sensibilidade para toda a família, que pode desfrutar e refletir conjuntamente sobre os movimentos da personagem ao longo dos vários espaços da vida. 
A Brecha Cia. tem como idealizadora a atriz, artista-educadora e compositora Liz Nátali Sória. Formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo, Liz tem mais de 20 anos de experiência artística e pedagógica. A encenadora fundou também a companhia paulistana Madeirite Rosa, onde atuou por 10 anos.
Ao mudar-se para Campo Grande, ao longo da pandemia, Liz realizou projetos solo, escreveu a dramaturgia e compôs as músicas do espetáculo “Aquele, Aquela, Menos Ela”. 

Após tornar-se mãe, em 2022, o espetáculo estreou em 2023, no Teatro do Mundo, com a parceria do músico Vitor Zan e o acompanhamento artístico de Luciana de Bem. Pedro Paes (cenário e figurino) e Maria Chiang (arte gráfica) completam a equipe do espetáculo.

ACABA EM DOURADOS

O Grupo Acaba é a atração de encerramento do 1º Encontro História do Panambi, que movimento Dourados de hoje até domingo, quando, antes da apresentação do grupo que “canta as dores do Pantanal”, programada para as19h, está previsto um churrasco (12h) e uma cápsula do tempo + plantio de árvore, às 15h. Mais informações: (67) 99929-9086.

FALANGE NA TEVÊ

O show que o grupo de rap Falange da Rima realizou no Festival de Inverno de Bonito (FIB) 2023, no dia 26 de agosto, ganha exibição nesta sexta-feira, às 21h, pela TV Educativa (canal 4.1). Pioneira da cultura hip hop no Estado, a banda tem 22 anos de estrada. Mais de cinco mil pessoas conferiram a apresentação, realizada no Palco das Águas do FIB.

O Falange é o destaque do segundo programa da quarta temporada de “Dona Música”, atração apresentada por Mariana Lima. “O Falange da Rima preparou um show forte e nostálgico para essa comemoração, mas, ao mesmo tempo, fizeram [sic] singelas homenagens a ícones da cultura sul-mato-grossense”, adianta Mariana.

CINEMA

“Napoleão”, de Ridley Scott, com Joaquin Phoenix no papel principal, e o brasileiro “Ó Paí, Ó 2”, dirigido por Viviane Ferreira e estrelado por Lázaro Ramos, mais uma vez no papel de Roque, estão entre os destaques da semana no circuito de salas de shopping centers.

cinema

Seis filmes seguem na disputa para representar o Brasil no Oscar

Decisão sobre o título deverá ser tomada em 16 de setembro

09/09/2026 22h00

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027

sSeis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027 Foto: Divulgação

Continue Lendo...

A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (9) os seis filmes brasileiros que continuam em disputa pela vaga de representante do Brasil no Oscar 2027.  A decisão sobre o longa que vai tentar uma vaga na categoria de melhor filme internacional será tomada em 16 de setembro.

Os títulos que continuam em disputa são:

  • 100 Dias, de Carlos Saldanha;
  • A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai;
  • A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo;
  • Feito Pipa, de Allan Deberton;
  • Nosso Segredo, de Grace Passô;
  • Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins.

A lista dos finalistas saiu de uma pré-lista de 15 filmes,  divulgada pela Academia Brasileira de Cinema no mês de agosto.

Oscar

Ter sido escolhido como o representante brasileiro ao Oscar não significa que o filme já terá garantida uma indicação ao prêmio. Cada país indica um filme como representante para a disputa. O Oscar analisa essas indicações e faz uma seleção dos filmes que, de fato, vão concorrer ao principal prêmio do cinema mundial.

A cerimônia que premiará os melhores filmes do Oscar está marcada para 14 de março de 2027.

Em 2025, o Brasil conquistou o primeiro Oscar com o filme Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, na categoria de melhor filme internacional. Neste ano, o Brasil voltou a ser indicado com o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, que acabou perdendo o prêmio para o norueguês Valor Sentimental.

 

Preservação da fauna

Projeto monitora bugios e macacos-prego no corredor do Rio Sucuriú

Nove grupos de primatas já foram identificados na região; entre eles, a família formada por Baru, Pequi e o filhote Bacuri, acompanhada ao longo das campanhas de campo

09/09/2026 08h30

Mãe e filhote bugio-preto

Mãe e filhote bugio-preto Foto: Divulgação

Continue Lendo...

No alto das árvores que formam o corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, no leste de Mato Grosso do Sul, famílias de bugios e macacos-prego vêm sendo acompanhadas de perto por pesquisadores do projeto Sucuriú, da Arauco.

O trabalho busca entender como esses animais vivem, se deslocam e utilizam a paisagem, reunindo informações que podem contribuir para a conservação das espécies e para a manutenção da conectividade entre áreas de vegetação.

Ao todo, nove grupos de primatas já foram identificados na área monitorada pelo projeto Sucuriú. O acompanhamento é direcionado principalmente ao bugio-preto (Alouatta caraya) e ao macaco-prego-do-papo-amarelo (Sapajus cay), espécies classificadas como Vulneráveis (VU) no Brasil, categoria que indica alto risco de extinção na natureza.

“Esse é um trabalho construído ao longo do tempo. Não se trata apenas de saber se determinada espécie está presente, mas de reunir informações sobre os grupos, seus deslocamentos e as áreas que utilizam. A combinação das metodologias permite ampliar esse conhecimento e criar uma base cada vez mais consistente para as ações de conservação”, afirma Gonzalo Flores, Especialista de Biodiversidade da Arauco.

Entre os grupos que passaram a ser reconhecidos pelas equipes está uma família de bugios formada por Baru (pai), Pequi (mãe) e Bacuri (filho).

O filhote nasceu durante o período de monitoramento e recebeu o nome após uma votação que reuniu mais de 270 participantes, entre trabalhadores da obra e integrantes da comunidade externa.

Desde então, a família continua sendo reencontrada durante as campanhas. Nos registros mais recentes, Bacuri apareceu interagindo com os pais, enquanto outros filhotes do grupo foram observados em momentos de brincadeira.

As imagens ajudam os pesquisadores a acompanhar o desenvolvimento dos animais e compreender melhor a dinâmica das famílias ao longo do tempo.

“A possibilidade de reencontrar os mesmos grupos ao longo das campanhas é muito importante porque permite acompanhar essas famílias no tempo. No caso de Baru, Pequi e Bacuri, seguimos registrando o grupo e reunindo informações que ajudam a compreender sua composição, o uso da paisagem e seus deslocamentos pelo corredor do Rio Sucuriú”, explica Carolina Garcia, bióloga e responsável técnica da Sauá Consultoria Ambiental.

HABITANTES DA MATA

A vida dos bugios e macacos-prego está diretamente ligada à continuidade da vegetação. Como vivem e se deslocam predominantemente pelas árvores, essas espécies dependem da conexão entre as copas para alcançar alimento, abrigo e outras áreas utilizadas pelos grupos.

Mãe e filhote bugio-pretoPai bugio-preto - Foto: Divulgação

Por isso, saber onde os animais estão e como circulam pelo território é uma informação importante para compreender a conectividade dos ambientes ao longo do corredor do Rio Sucuriú.

Além de sua importância como parte da fauna local, os primatas exercem funções fundamentais nos ecossistemas. Ao consumirem frutos e se deslocarem entre diferentes áreas, transportam e dispersam sementes, contribuindo para a regeneração da vegetação e para a diversidade das florestas.

A dependência que possuem de ambientes florestais também faz com que sejam considerados bioindicadores, já que a presença e a dinâmica desses animais podem ajudar a revelar as condições de conservação e conectividade das áreas onde vivem.

TECNOLOGIA ALIADA

Para acompanhar os animais, as equipes combinam diferentes métodos. O trabalho inclui observação direta em campo, armadilhas fotográficas – as chamadas câmeras-trap – e drones equipados com sensores termais.

Cada ferramenta oferece uma possibilidade diferente de observação. Enquanto o acompanhamento em solo permite registrar mais detalhes sobre o comportamento e a composição dos grupos, os drones ajudam a localizar animais em regiões onde a vegetação fechada dificulta a visualização.

Os números mostram a diferença no alcance das metodologias. Em aproximadamente 25 horas de busca ativa em campo, dois grupos foram identificados. Já em cerca de 24 horas de voo, os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos na área monitorada: seis de bugios e um de macacos-prego.

A tecnologia, no entanto, não substitui o trabalho realizado diretamente na mata. A combinação dos métodos permite ampliar a capacidade de localizar e reencontrar os animais durante as campanhas.

Nas próximas etapas, também está previsto o uso de GPS – telemetria em macacos-prego, recurso que poderá fornecer novas informações sobre os deslocamentos da espécie.

O trabalho técnico é desenvolvido pela Sauá Consultoria Ambiental, parceira do projeto Sucuriú e integrante do Grupo de Assessoramento Técnico (GAT) do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção da Ictiofauna, Herpetofauna e Primatas do Cerrado, Pantanal e Amazônia (PAN CERPAM), coordenado pelo ICMBio.

FAUNA DIVERSA

Embora os primatas sejam um dos principais focos do acompanhamento, o monitoramento também vem revelando a diversidade de outros animais presentes na região.

As câmeras instaladas no território já registraram espécies como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Um grupo de queixadas com mais de 10 indivíduos também foi identificado.

A construção dessa base de informações permite acompanhar a fauna antes, durante e depois das intervenções previstas na região. Parte dos dados será utilizada para avaliar medidas de mitigação relacionadas às obras de captação de água e do emissário de efluentes tratados.

As intervenções exigirão alterações em trechos de vegetação próximos ao rio e podem criar descontinuidades no dossel – a camada formada pelas copas das árvores –, afetando especialmente espécies arborícolas.

Para reduzir esse impacto, estão previstas duas passagens superiores de fauna, estruturas suspensas com aproximadamente 180 metros de vão livre. A expectativa é de que elas ajudem a restabelecer a conexão entre os trechos de vegetação.

O monitoramento atual permitirá entender como os primatas utilizam a paisagem antes da implantação das estruturas, prevista para o primeiro semestre de 2027. Depois, as campanhas continuarão para verificar se os animais passam a utilizar as travessias e se elas cumprem a função de reconectar os ambientes.

Ao todo, estão previstas 20 campanhas de monitoramento ao longo de cinco anos, com quatro etapas realizadas anualmente.

RECONHECIMENTO

O uso de drones termais para localizar primatas em áreas de vegetação fechada também rendeu reconhecimento ao trabalho realizado no corredor do Rio Sucuriú. A iniciativa conquistou o Prêmio Destaques do Setor ABTCP 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia.

Entre os pontos destacados estão o caráter não invasivo do monitoramento, o desenvolvimento de parâmetros específicos para detectar primatas e a combinação de diferentes metodologias para acompanhar os grupos e avaliar a conectividade da paisagem.

A entrega do prêmio está marcada para o dia 6 de outubro.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).