A arquitetura conta histórias. No Bairro Amambaí, antes mesmo de haver Avenida Afonso Pena, o bispo de Corumbá, dom Vicente Priante, fundou a Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em 1939, que ficaria sob os cuidados da Congregação do Santíssimo Redentor dos Missionários Redentoristas. No entanto, o prédio que se tornaria um marco arquitetônico da cidade só seria finalizado dois anos depois. Em 3 de agosto de 1941, a igreja foi inaugurada.
Passados 75 anos, a igreja tem muitos motivos a comemorar. Além do prédio ter se tornado um marco histórico da cidade – é a construção católica mais antiga em Campo Grande –, a congregação reúne um grande número de membros. “Quando demoliram antigo prédio da Catedral de Nossa Senhora da Abadia e Santo Antônio para a construção do novo, passamos a ser o prédio mais antigo”, pontua o padre Dirson Gonçalves, reitor da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Como ele explica, nas quartas-feiras, um público de cerca de 25 mil pessoas passa pelo espaço. “É a quarta-feira das novenas. A igreja abre às 6h e fecha às 23h. Durante todo esse período, são milhares de pessoas que passam por aqui”, afirma. Segundo ele, isso fez com que a igreja se tornasse uma referência entre os católicos de Mato Grosso do Sul e, hoje, recebe o título de santuário. No dia 10 de janeiro de 1999, o então arcebispo de Campo Grande, dom Vitório Pavanello, publicou o decreto de elevação da igreja a Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, motivado pelas tradicionais novenas.
Para comemorar as sete décadas e meia da igreja, o santuário realizará uma série de atividades. Serão sete dias de festa, com agenda religiosa e social, que inclui o casamento comunitário de 41 casais no dia 6 de agosto, às 20h30min, com direito a bolo especial para a comemoração.
HISTÓRIA
Como ressalta o padre Dirson, quando se providenciou o terreno para a construção da igreja, não havia nada na região, além dos quartéis e da vila militar que ainda se encontram nas imediações. “Em certa medida, o bairro começou a existir em torno da igreja”, aponta. Segundo ele, isso marcou a arquitetura do local. A fachada da igreja não aponta para o cruzamento da Rua Alexandre Faráh com a Avenida Afonso Pena. “O traçado das ruas era diferente, a Afonso Pena mal chegava à região”, comenta.
Os projetos originais da igreja e da residência dos redentoristas, que se encontra no local, nasceram juntos. Ambos são datados de 9 de novembro de 1939 e têm Joaquim Teodoro de Faria como responsável técnico, como aponta o documento do processo de tombamento do santuário como patrimônio histórico e cultural do município. “Muitos documentos da época estão desaparecidos. Acreditamos que tenham sido levados pela missão de norte-americanos que cuidou dos trâmites à época. Por isso, não sabemos quem foi o arquiteto responsável pelo projeto”, comenta.
Embora não se saiba quem projetou, sabe-se que as cores e as formas ressaltam a inspiração arquitetônica da igreja com a Basílica de Santo Apolinário em Classe, localizada em Ravena, na Itália. De acordo com o arquiteto Rubens da Costa Marques, estudioso e pesquisador, o santuário tem influência das primeiras construções cristãs. “A igreja possui características de uma fase de transição do ecletismo para o historicismo, que buscava reviver a arquitetura do passado”, conta. O arquiteto destaca que a cor avermelhada do prédio tem origem no material utilizado para a alvenaria. O brilho presente na edificação se deve à utilização de pó de mica, um dos três componentes do granito. “Com certeza, a igreja influenciou o urbanismo e a ocupação territorial da região. A Avenida Afonso Pena ainda não tinha o prolongamento até a região. As ruas principais eram em torno da Cabeça de Boi. A construção do santuário foi fator importante no arruamento da região”, garante o arquiteto Rubens Marques.
Hospital São Julião oferece atendimento quase integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

