Correio B

Evento beneficente

Augusto Cury faz palestra sobre saúde mental, com música e solidariedade na Capital

Evento no Bosque Expo une reflexão sobre saúde mental, música e solidariedade, com 100% da arrecadação revertida em apoio ao Hospital São Julião

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Mais de 574 mil atendimentos realizados em apenas um ano. O número impressiona, mas por trás dele existem histórias silenciosas de pacientes que encontraram acolhimento, tratamento e esperança em um dos hospitais mais tradicionais de Mato Grosso do Sul.

É para ajudar a manter essa estrutura funcionando que Campo Grande recebe, nesta sexta-feira, uma palestra beneficente do psiquiatra, escritor e conferencista Augusto Cury.

O evento será realizado às 19h, no Bosque Expo, espaço localizado no Shopping Bosque dos Ipês, e terá toda a renda líquida revertida ao Hospital São Julião.

O encontro une reflexão sobre saúde emocional, cultura e solidariedade em um momento em que a instituição reforça a necessidade de apoio da sociedade para continuar oferecendo atendimento quase integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Reconhecido nacional e internacionalmente pelos livros voltados à inteligência emocional, ansiedade e desenvolvimento humano, Augusto Cury apresentará a palestra “Gestão da Emoção na Era da Intoxicação Digital”, tema que dialoga diretamente com questões contemporâneas relacionadas ao excesso de estímulos, hiperconectividade, ansiedade e impactos das redes sociais na saúde mental.

Antes da palestra, o público acompanhará uma apresentação especial da Sinfônica de Campo Grande em conjunto com a Orquestra Indígena, sob regência do maestro Eduardo Martinelli.

Hospital São Julião

Hospital São Julião oferece atendimento quase integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)Hospital São Julião oferece atendimento quase integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

Com mais de 80 anos de história, o Hospital São Julião é referência em Mato Grosso do Sul em diversas áreas da saúde e atende pacientes de diferentes regiões do Estado. A instituição funciona praticamente de forma integral pelo SUS, com cerca de 99% dos atendimentos realizados destinados à rede pública.

Manter uma estrutura hospitalar desse porte exige investimentos constantes em equipamentos, profissionais, manutenção e melhorias. Por isso, a organização destaca que os recursos arrecadados com a palestra terão impacto direto na manutenção dos atendimentos realizados diariamente pela instituição.

“Cada atendimento que realizamos carrega uma história, uma família inteira por trás. Quando a gente fala em manter o hospital funcionando, estamos falando de garantir que essas pessoas continuem sendo acolhidas”, afirma Cátia Almeida, das Relações Institucionais do Hospital São Julião.

A direção do hospital destaca que, além de ampliar a capacidade de atendimento, os investimentos também têm sido direcionados à modernização dos serviços e à melhoria contínua do acolhimento aos pacientes.

A PALESTRA

A escolha do tema da palestra acompanha uma preocupação crescente de especialistas em saúde mental ao redor do mundo: os efeitos do uso excessivo de telas, redes sociais e hiperestimulação digital sobre o comportamento humano.

Nos últimos anos, questões como ansiedade, dificuldade de concentração, exaustão emocional e dependência tecnológica passaram a ocupar espaço central em debates sobre qualidade de vida. Nesse contexto, Augusto Cury pretende abordar formas de lidar com o excesso de informações e a aceleração da rotina contemporânea.

Autor de dezenas de livros sobre emoção, inteligência e comportamento humano, Cury popularizou conceitos relacionados ao gerenciamento da ansiedade e ao desenvolvimento emocional. Entre os temas frequentemente abordados em suas obras estão autocontrole, relações humanas, educação emocional e saúde psicológica.

A expressão “intoxicação digital”, utilizada no título da palestra, aparece também em uma de suas obras mais recentes e se refere ao impacto da hiperconectividade sobre o funcionamento emocional das pessoas.

O assunto ganha relevância especialmente diante do aumento de diagnósticos relacionados à ansiedade e ao estresse, principalmente entre jovens e adultos que convivem diariamente com excesso de estímulos digitais.

Segundo especialistas da área da saúde, o uso constante de redes sociais, notificações e dispositivos eletrônicos pode contribuir para alterações no sono, queda de produtividade, dificuldade de concentração e aumento da sensação de esgotamento mental.

Quem é Augusto Cury

Nascido em Colina, no interior de São Paulo, Augusto Jorge Cury construiu uma trajetória marcada pelo sucesso editorial e pela popularização de temas relacionados à inteligência emocional.

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto, o escritor dedicou parte de sua carreira ao estudo das emoções, comportamento humano e funcionamento da mente. Ao longo das últimas décadas, tornou-se um dos autores brasileiros mais vendidos no País.

Com uma carreira marcada por best-sellers, Augusto Cury construiu um catálogo extenso de livros voltados principalmente ao desenvolvimento emocional.

Segundo dados divulgados por suas editoras, seus livros foram publicados em mais de 70 países e venderam mais de 25 milhões de exemplares apenas no Brasil. Suas obras transitam entre ficção, autoajuda, desenvolvimento pessoal, educação emocional e espiritualidade.

Na área da ficção, um de seus maiores sucessos é a série “O Vendedor de Sonhos”, iniciada em 2008. A obra acompanha um personagem misterioso que desafia padrões sociais e provoca reflexões sobre felicidade, consumismo e sentido da vida.

Já no segmento de não ficção, Cury alcançou grande repercussão com títulos direcionados à educação e à saúde mental. “Pais Brilhantes, Professores Fascinantes” tornou-se um fenômeno editorial ao discutir o papel da inteligência emocional na formação de crianças e adolescentes.

Outro destaque é a série “Ansiedade”, que aborda estratégias para lidar com estresse, excesso de pensamentos e desequilíbrios emocionais em uma sociedade marcada pela aceleração constante.
Além da carreira literária, Cury também atua como conferencista e palestrante em eventos nacionais e internacionais voltados à educação, à saúde emocional e ao desenvolvimento humano.

Ao longo dos anos, desenvolveu a chamada Teoria da Inteligência Multifocal, apresentada como uma forma de compreender os processos de construção do pensamento e das emoções humanas.

A teoria inspirou projetos educacionais e programas voltados ao desenvolvimento socioemocional, como a Escola da Inteligência e o Programa Freemind.

EVENTO SOLIDÁRIO

A expectativa da organização é que a palestra reúna pessoas interessadas tanto no conteúdo apresentado por Augusto Cury quanto na possibilidade de colaborar com o Hospital São Julião.

Os ingressos já estão disponíveis para venda e podem ser adquiridos pela internet.

Segundo os organizadores, a arrecadação será integralmente destinada à instituição hospitalar.

O evento integra o calendário de ações solidárias promovidas pelo hospital ao longo do ano e busca ampliar o engajamento da comunidade em iniciativas de apoio à saúde pública.

>> SERVIÇO

Palestra solidária: Gestão da Emoção na Era da Intoxicação Digital, com Augusto Cury

Data: nesta sexta-feira.
Horário: às 19h.
Local: Bosque Expo – Shopping Bosque dos Ipês.
Ingressos: www.saojuliao.org.br.

Diálogo

Doze mil e duzentas autuações por descumprimento de horários, outras... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (9)

09/06/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Davi Roballo - escritor brasileiro

"Quem quiser encontrar o sentido da vida, deve preparar-se para nunca o encontrar, pois ele tem mil faces e muda constantemente".

 

FELPUDA

Doze mil e duzentas autuações por descumprimento de horários, outras 3,4 mil por omissão de viagens e 197 ônibus circulando acima da idade permitida pelo contrato. Os números ajudam a explicar a crise enfrentada pelo Consórcio Guaicurus. Durante audiência pública, foram reforçadas as conclusões já apontadas pela CPI da Câmara. O relatório dos vereadores recomendou a substituição imediata dos veículos irregulares e até intervenção na empresa. Os levantamentos da comissão confirmaram falhas operacionais recorrentes e outros problemas.Mas nadica de nada foi feito!...

Ampliando

A Câmara dos Deputados aprovou projeto que amplia direitos de pessoas com diabetes tipo1, além de reforçar o acesso a medicamentos pelo SUS. O texto passou pelo Senado, sem alterações.

Mais

O enquadramento como pessoa deficiente irá dependerdos critérios do Estatuto da Pessoa com Deficiência. Concessão do Benefício de Prestação Continuada também exigirá avaliação. 

DiálogoFoto: Divulgação/Alems

O maior tatu do mundo poderá ganhar uma data especial em Mato Grosso do Sul. Tramita na Assembleia Legislativa projeto de lei que institui o Dia Estadual do Tatu-Canastra, a ser celebrado em 13 de agosto. A proposta busca fortalecer ações de preservação da espécie, considerada vulnerável devido à perda de habitat, incêndios florestais e degradação ambiental. O tatu-canastra pode atingir até 1,5 metro de comprimento, pesar cerca de 50 quilos. Ele tem hábitos noturnos, baixa população e reprodução lenta, fatores que aumentam seu risco de extinção. A data escolhida coincide com o Dia Internacional do Tatu e conta com respaldo técnico do Instituto de Conservação de Animais Silvestres. A proposta é do deputado Rinaldo Modesto.

Diálogo Geraldo Maiolino - Foto: Arquivo Pessoal 

 

DiálogoDra. Fabiane Parizotto - Foto: Arquivo Pessoal

Mexidão

Ainda repercute o vídeo de Fábio Trad, pré-candidato ao governo, no qual dispara críticas contra lideranças evangélicas e senadores alinhados ao bolsonarismo. Na defesa de Lula e da indicação (rejeitada) de Jorge Messias ao STF, misturou religião, política e até referências bíblicas. Sobrou para os parlamentares, chamados de "fariseus". Nem as Escrituras escaparam da sua artilharia verbal. Quando alhos, bugalhos e ideologia dividem o mesmo discurso...

Vitrine

A audiência pública promovida pelo deputado Pedro Kemp, em Corumbá, transformou-se numa vitrine de críticas ao projeto de concessão da Hidrovia do Rio Paraguai. Foi feito o alerta que dragagens permanentes e até explosões de formações rochosas podem alterar a dinâmica natural do rio. O receio é que o ciclo  de cheias e vazantes do Pantanal seja afetado diretamente. Para os participantes, falta transparência e sobram dúvidas. 

Questionando

Outro ponto que provocou reação foi o avanço dos investimentos antes mesmo da conclusão do licenciamento ambiental. Durante o debate, lembraram que bilhões de reais já foram destinados à estrutura logística ligada à hidrovia, enquanto estudos seguem em discussão. Também surgiram questionamentos sobre a baixa geração de empregos do modelo proposto e a ausência de representantes da sociedade civil nos órgãos de acompanhamento. Kemp defendeu mais estudos e pediu a suspensão da obra até que os impactos sejam esclarecidos. 

ANIVERSARIANTES 

Geraldo Palhano Maiolino;
Paulo Roberto Álvares Ferreira;
Rejane Amorim Monteiro Mishima;
Fabiana Martins Jallad;
Ludmila Guimarães de Almeida;
Aluízio de Albuquerque;
Nicolas Godoy;
Valentina Toshiko Nomura Oyadomari;
Adão Nerez Marques;
Ieda de Oliveira Freitas;
João Carlos Nocera;
Dra. Maristela Harume Ogatha;
Armando Eijo Oshiro;
Roger Azevedo Introvini;
Sergio Romero Bezerra Sampaio;
Sivalte Carvalho da Silva;
Ricardo Arguelho de Queiroz;
Raulindo dos Santos;
Roney Hudson Valentim Fagundes Moreira;
Nilza Batista Siqueira;
Emilio Chehade Ibrahim Elosta;
Dr. Waldemar Casuo Abe;
Eduardo Rafael Fregatto;
Ademir Dias;
Thais Alfonso Matos;
Lauro Takeshi Miyasato;
Manoel Barbosa;
Antonio Claudio Duarte Mendes;
João Batista da Silva;
Roberta Somensi;
Eulina Espíndola;
André Luiz de Souza Anzoategui;
Maria Rodrigues Correa;
Marcos Assunção de Freitas;
Henrique Pires de Freitas;
Marina Giacomini;
Regis Lamas de Morais;
Generoso Pereira de Arruda;
Elcy Figueiredo Nunes de Barros;
Paulo Batista;
Antonio Lucas Brito Lustosa;
Jair da Conceição;
Valeria Alves Leão;
Wilson Rosilho;
Dr. Claudio Vinicius Sorrilha;
Luiza Kanashiro;
Gilson Perrupato de Souza;
Joaquim Olegário Almeida;
Antonio Firmino Ferreira Melo;
Cícero Gomes Coimbra;
Jessé Duarte Passos;
Nilda Rodrigues Cubel;
Alexandra Vilalba Duarte;
Maria Tagliari;
Oldemar Sanches;
Erone Amaral Chaves;
Meire Takimoto;
Regina de Souza;
Jofeli Paes de Carvalho;
Márcia do Vale Fernandes;
Wanderley Barros de Almeida;
Noemia Barbosa Navas;
Dr. Patrick Costa Vieira;
Vera Rute Pereira;
Maria Antonia Oliveira de Souza;
Varlene Rodrigues da Silva;
Paulo Márcio Silveira;
Paolla Menezes Moreira;
Neide Furquim de Oliveira;
Fábio Portela Machinsky;
Ademar Trelha;
João Henrique Maia;
Helena Florípedes Assunção;
Mário Sérgio da Costa;
Dra. Luciana Ramires;
João Vieira de Almeida Neto;
Reynaldo Passanezi;
Cleide Aparecida de Souza Leão;
Mariana Bernardy;
Carlos Alberto Avalos Cabanha;
Suzy Margareth Guilherme Rosalino;
Silvio Bueno Pereira;
Neuzinete Aparecida Montalvão;
Elton de Campos Galindo;
Carla Roa de Medeiros Guimarães;
Aleixo Fernandes Brugeff;
Eduardo Humberto Fernandes Brugeff;
Paula Barcellos Rodrigues;
Dra. Cibelle Olarte Dittimar;
Dr. Lucio Rogério Costa de Paula;
Hélio Sacht;
Márcia Cristina Chita do Espirito Santo;
Luiz Aranha de Albuquerque Júnior;
Cleide Barbosa de Araujo Adania;
Eduardo Cação;
Daniel Hidalgo Dantas;
Karla Danielle de Albuquerque Arruda;
Wolney Sandim Borges;
Délcio Ruiz Barbosa;
Márcia Mariko Asano;
Eusa Helena Medina Yano;
Guilherme Kaiper Cruz de Faria;
Anapaula Souza Moreira Stagliano;
João Marcos Arruda Dassoler;
Mário Massahide Goto Junior;
Rosana Paradeira Satti Donega. 

Colaborou com Tatyane Gameiro

Lançamento literário

Suicídio indígena é tema do novo livro do poeta e teatrólogo Américo Calheiros

Obra do poeta e teatrólogo transforma em versos a dor provocada pelos altos índices de suicídio entre os povos originários e propõe reflexão sobre uma das mais graves questões sociais de Mato Grosso do Sul

08/06/2026 08h30

O título

O título "Suicígena" é um neologismo criado por Américo Calheiros que traduz a essência da obra Foto: RAQUEL DE SOUZA

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Amanhã será lançada uma obra que promete provocar reflexão e ampliar o debate sobre uma das mais delicadas questões sociais do Estado. O poeta, escritor e teatrólogo Américo Calheiros lança o livro “Suicígena”, publicação que reúne poemas inspirados na realidade enfrentada pelos povos indígenas de Mato Grosso do Sul, especialmente diante dos elevados índices de suicídio registrados entre essas populações.

O evento acontece a partir das 19h, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande, com entrada gratuita e aberta ao público.

Publicado pela Life Editora, o livro surge como um manifesto poético diante de uma realidade que há décadas desafia autoridades, pesquisadores, lideranças indígenas e organizações de direitos humanos.

A motivação para a criação da obra nasceu do impacto causado pelos números divulgados pelo Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, elaborado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Conforme os dados referentes a 2022, Mato Grosso do Sul registrou, em média, 24 casos de suicídio para cada 100 mil habitantes indígenas.

O índice é três vezes superior à taxa observada na população brasileira em geral, que no mesmo período foi de 8 casos a cada 100 mil habitantes, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Foi diante dessa realidade que Américo Calheiros encontrou na poesia uma forma de expressar sua inquietação e contribuir para que a temática alcance novos espaços de discussão.

O próprio título do livro sintetiza essa proposta. “Suicígena” é um neologismo criado pelo autor a partir da fusão parcial das palavras “suicídio” e “indígena”, dando origem a um conceito que traduz a essência da obra.

“É a síntese perfeita do espírito do livro, cuja ideia surgiu sob a égide dos suicídios indígenas em Mato Grosso do Sul, à medida que fui tomando contato, pela imprensa, desse fato e também das precárias condições de vida dos indígenas, que são o imediato pano de fundo dessa situação e fator determinante para a perda da vontade de viver das populações indígenas”, resume o autor.

Embora o tema central seja o suicídio indígena, Calheiros explica que o livro também se debruça sobre elementos que envolvem a cultura, a identidade e a resistência dos povos originários. Segundo ele, trata-se da primeira vez que sua produção literária aborda diretamente essa temática, motivada pela necessidade de ampliar a conscientização da sociedade.

“Foco de preconceitos dos mais diversos, de assoladora discriminação, do desinteresse e da desconsideração dos poderes constituídos, a população indígena foi, no decorrer da história, alvo dos maiores genocídios, que quase a exterminaram. Movido pelo sentimento que tudo isso me provocou, recorri à manifestação poética para tocar mentes e corações alheios à essa questão”, afirma.

CONSCIENTIZAÇÃO

Em “Suicígena”, a poesia assume o papel de transformar estatísticas em experiências humanas, revelando as consequências do preconceito, da exclusão social e dos conflitos por terra que marcam a realidade de diversas comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul.

O Estado concentra uma das maiores populações indígenas do País, reunindo povos como guarani, kaiowá, terena, kadiwéu, kinikinau, ofaié e atikum, entre outros.

Nas últimas décadas, a disputa por territórios tradicionais e as dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à educação, ao trabalho e à preservação cultural se tornaram fatores frequentemente apontados por especialistas como elementos que contribuem para o agravamento de doenças mentais.

A obra de Américo Calheiros não pretende oferecer respostas definitivas acerca desse problema, mas provocar reflexão e incentivar o diálogo sobre a necessidade de políticas públicas mais efetivas.

“A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. Claro que as vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, que seja um pouco, com essa causa, fico feliz”, detalha Calheiros.

A apresentação do livro ficou a cargo da escritora e ensaísta Ana Maria Bernadelli, integrante da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, que define a obra como um exercício de sensibilidade e compromisso social.

“A poesia contida na obra não busca o consolo fácil nem a metáfora ornamental. Ela é lâmina afiada e brasa sobre a pele da indiferença. O poeta Américo Calheiros, ciente da responsabilidade de sua voz, transforma em palavra o luto e a dor dos indígenas que, despojados de suas terras, de seus deuses e de sua dignidade, veem na morte seu último refúgio”, define.

O AUTOR

Professor e teatrólogo, Américo Calheiros é formado em Letras pela antiga Faculdade Dom Aquino de Filosofia, Ciências e Letras (FUCMT) e realizou especialização na Escola Martins Pena de Teatro, no Rio de Janeiro. Há décadas radicado em Campo Grande, dedicou 18 anos ao magistério em escolas de primeiro e segundo graus da Capital.

Sua atuação, entretanto, extrapola a sala de aula e a literatura. Ao longo da carreira, participou ativamente da formulação de políticas culturais e do fortalecimento das artes no Estado.

Entre suas contribuições está a coordenação da comissão executiva responsável pelos festejos do primeiro centenário de Campo Grande.

Também criou o Grupo Teatral Amador Campo-Grandense (Gutac), iniciativa que ajudou a implantar o teatro como ferramenta educativa na Rede Municipal de Ensino, despertando em inúmeros estudantes o interesse pelas artes cênicas.

Américo ainda presidiu a Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer de Campo Grande (Funcesp) e a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), além de desenvolver diversos projetos culturais, entre eles, o programa Cesta Básica da Cultura, voltado à democratização do acesso às manifestações artísticas.

Sua produção literária reúne diferentes gêneros e temas, passando por poesia, contos e crônicas.

Entre os títulos publicados estão “Sem Versos”, “Memória de Jornal”, “Da Cor da Sua Pele”, “A Nuvem que Choveu”, “Poesia pra que Te Quero”, “Na Virada da Esquina” e “Campo Grande Aquarela de Luz – Patrimônio Vivo”.

O reconhecimento por sua contribuição à cultura sul-mato-grossense também veio por meio de homenagens institucionais.

Em setembro de 2010, recebeu da Assembleia Legislativa o título honorífico de cidadão sul-mato-grossense.

Em 2015, passou a integrar o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e, atualmente, ocupa a Cadeira nº 7 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, anteriormente pertencente ao saudoso acadêmico padre Félix Zavattaro.

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