O Teatral Grupo de Risco (TGR) está de casa nova. O novo espaço, localizado no Jardim Paulista, será inaugurado com diversas apresentações teatrais.
Na quarta-feira e na quinta-feira, o TGR reapresenta “Guardiões”, espetáculo que integra o repertório do grupo. A estreia da nova montagem, “Tesoura”, que marca os 35 anos de existência da trupe, será nos dias 5 e 6 de maio. As quatro apresentações começam às 19h30min.
A mudança de endereço – da Rua José Antônio Pereira, no Bairro São Francisco, para o número 401 da Rua Trindade – e a produção inédita que entra em cartaz depois de amanhã fazem parte do projeto Depois do Fim do Mundo, pelo qual o TGR busca a manutenção de suas atividades em 2023, ano em que o grupo completa 35 anos de atividades ininterruptas.
O projeto foi aprovado no edital de Fomento ao Teatro da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Campo Grande (Fomteatro) e sua execução teve início no mês de fevereiro. Além da montagem e da estreia de “Tesoura”, o projeto prevê doze apresentações teatrais e diversas oficinas de formação.
“TESOURA”
O espetáculo “Tesoura” é de autoria de Yago Garcia, tem direção de Ewerton Goulart e em cena estão Fábio Umeda e Yago Garcia.
A história gira em torno dos personagens Mauro e Sebastian, que vivem uma relação cheia de desejo, repulsa e violência. A trama desenrola situações em torno de “uma ferida exposta, um estranho magnetismo colérico e uma cruel realidade”.
O personagem Mauro tem tanto medo de envelhecer sozinho que se submete a um relacionamento de abuso. Já Sebastian, que trabalha como michê, vai lutar até as últimas consequências para não assumir a sua sexualidade.
“Tesoura” tem uma linguagem dura, crua e livremente inspirada no trabalho do dramaturgo paulista, nascido em Santos, Plínio Marcos (1935-1999), que marcou com a contundência de seus personagens do submundo.
Yago Garcia, autor do espetáculo, afirma que os personagens não são heróis nem vilões, mas apenas seres humanos, que vivem seus conflitos internos e sociais.
“Trazemos para a cena temas importantes que ficam escondidos entre quatro paredes e pouca gente tem coragem de abordar”, afirma. E faz um alerta ao informar: a peça é proibida para menores de 16 anos.
“GUARDIÕES”
O espetáculo “Guardiões” faz parte do repertório do Teatral Grupo de Risco e está em cartaz há quase dez anos.
A peça retrata um pantanal com os impactos e consequências da ocupação humana, em que os habitantes possuem uma relação simbiótica com o território que habitam ao tempo em que, gradativamente, vão sendo expulsos da região.
Os personagens sentem-se em desequilíbrio, assim como todo o ambiente, e enfrentam dificuldades com o novo sistema que se estabelece.
“A nova realidade que se impõe no território fere as estruturas econômicas e sociais: o pantaneiro pressente a falência do seu mundo”, informa o material de divulgação do TGR.
O elenco é composto por Fernanda Kunzler, Yago Garcia e João Bosco Echeverria. A direção é de Roma Román, a dramaturgia é de Lú Bigatão Rios e a cenografia é de Márcia Gomes.
CIRCULAÇÃO
A proposta do projeto Depois do Fim do Mundo é descentralizar a produção cultural e, para isso, além das apresentações no próprio espaço do grupo, o TGR está levando apresentações para várias regiões de Campo Grande, alguns na periferia da Capital, possibilitando, assim, o acesso do público que mora em bairros distantes.
Além do Bairro Buriti, onde o projeto teve início, estão sendo contemplados os seguintes bairros: São Francisco, Coophavila II, Coophatrabalho, Nascente do Segredo e Oliveira II.
Serão, ao todo, doze apresentações teatrais gratuitas em espaços públicos, de diversos espetáculos. “A Princesa Engasgada”, “Guardiões”, “Revolução”, “Do Jeito que É Hoje em Dia” e a inédita “Tesoura”.
OFICINAS
Uma outra atividade do projeto é a Oficina com Mulheres, em parceria com a Central Única das Favelas (Cufa).
Estão sendo atendidas duas comunidades, na região do Buriti, em que já está em desenvolvimento um trabalho com mulheres na Associação de Moradores. O outro local é a Favela Vitória, na região do Noroeste.
A ideia é trabalhar a partir da realidade dessas mulheres por meio de exercícios teatrais na busca de uma reflexão e autoconhecimento para superação e enfrentamento da situação de vulnerabilidade social.
A oficina de formação é gratuita, tem a duração de dois meses e é coordenada por Romilda Pizani.
Serão 16 encontros, totalizando 64 horas de formação teatral, cuja abordagem das atividades visam ao empoderamento da mulher, à autonomia de corpo, à autoestima e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
NOVA SEDE
O Teatral Grupo de Risco mantém sua própria sede desde 2002. O espaço sempre foi utilizado por diversos artistas, grupos e coletivos na realização de atividades múltiplas associadas a arte e cultura.
Durante muito tempo, o Espaço TGR foi um dos poucos teatros de estrutura mínima e acessível que permaneceu aberto e em funcionamento na capital.
Depois de 21 anos no mesmo local, no São Francisco, o TGR mudou de endereço. Um novo salão, no Jardim Paulista, foi alugado e preparado para se tornar mais um ponto de encontros e apresentações culturais.
35 ANOS
O Teatral Grupo de Risco tem muito para contar nos 35 anos de atividades que completa em 2023. Foram quase 50 trabalhos realizados nessa caminhada, entre montagens teatrais, filmes, projetos sociais, campanhas educativas e oficinas de formação.
O grupo é referência, no Estado, em estudos da identidade cultural e em pesquisas de linguagem aliadas ao compromisso com as questões sociais.
O TGR participa, incentiva e realiza de debates sobre as políticas públicas locais e nacionais voltadas à cultura e mantém uma relação colaborativa com outros produtores e grupos teatrais por meio da disponibilização de sua sede para ensaios, oficinas, rodas de conversa, seminários e workshops abertos a intérpretes, diretores e toda a comunidade artística e acadêmica, além do público em geral.
A preocupação com os debates ocorridos dentro da classe artística voltados à formação de público e à democratização da arte foi o que levou o grupo a propor Depois do Fim do Mundo.
O projeto visa ampliar as possibilidades de participação das comunidades periféricas ao teatro e bancar a manutenção das atividades do TGR.
Serviço
Teatral Grupo de Risco“Guardiões”
Nesta quarta e quinta-feira, às 19h30min.
“Tesoura”
Nos dias 5 e 6 de maio, às 19h30min.
Endereço: Rua Trindade, nº 401, Jardim Paulista.
Mais informações: (67) 99241-6227.



Nádia Bana Povh e Miguel Povh Filho, que hoje comemoram 63 anos de casamento (Bodas de Sândalo). Foto: Arquivo Pessoal
Maisa Monseff. Foto: Arquivo Pessoal


