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CINEMA

Wagner Moura lança filme sobre Marighella; guerrilheiro assassinado há exatamente 52 anos

Em entrevista, Wagner fala sobre sua estreia na direção, o trabalho em frente e atrás das câmeras e a vontade de conhecer Mato Grosso do Sul

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Oito anos depois de iniciar o projeto, o ator Wagner Moura finalmente estreia, hoje, em mais de 200 salas de todo o País, o seu primeiro longa-metragem como diretor, “Marighella”. 

O filme narra o cerco que levou à morte o político e guerrilheiro Carlos Marighella (1911-1969), baiano como o diretor, que, por enquanto, ainda é mais conhecido por estrelar sucessos do cinema, como “Tropa de Elite” e “Deus É Brasileiro”, da TV aberta, como a novela “Celebridade”, e do streaming, como a série “Narcos”.  

De olho na carreira internacional, Moura se mudou para Los Angeles em 2018, mas anuncia projetos que podem trazê-lo de volta ao Brasil no próximo ano. 

Por enquanto, ele está por aqui para a temporada de lançamento de “Marighella” e, depois de dois anos, para férias brasileiras com a família. Mas se mantém alerta. 

Além da crítica, às vésperas da estreia, Marighella ganha destaque também por ter se tornado um emblema de resistência ao atual governo federal.  

O ataque ao assentamento na Bahia, onde haverá uma sessão especial no sábado, e o vazamento do filme na internet aguçam ainda mais a polêmica. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista que o diretor concedeu ao Correio do Estado na terça-feira, em meio ao corre-corre de sua agenda em São Paulo.  

Correio do Estado – por que decidiu fazer o filme ao ler a biografia de Carlos Marighella?

Wagner Moura – eu era marighellista antes de o Mário [Magalhães, autor de “Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”] lançar o livro [em 2012]. O meu fascínio pelas histórias de resistência no Brasil e o ambiente universitário de esquerda e de DCE [Diretório Central dos Estudantes] me impregnavam. 

Marighella sempre foi um nome que permeou o meu imaginário como alguém que lutou por democracia e liberdade. E [a atriz] Maria Marighella, nossa contemporânea ali do lado na Escola de Teatro, era e é minha amiga. Eu convivia com a neta de Marighella. Quando Mário lançou o livro, foi a deixa para dar vazão ao nosso marighelismo. 

Só não achei que fosse dirigir um filme tão complicado. Certamente, se eu fosse parar para escrever um filme, teria escolhido um roteiro em que eu tivesse mais controle sobre os personagens, um valor de produção mais barato. Mas veio “Marighella”.

Lembro que, quando fez “Hamlet” no teatro, você se envolveu bastante com a etapa de adaptação e tradução do texto. Como foi essa etapa com “Marighella”?

A mais difícil de todas. Passamos muito tempo trabalhando o roteiro. “Marighella” é um filme que nasce da minha admiração pelos que resistiram na ditadura, mas a porta de entrada no filme são os personagens e as contradições dos personagens. Não fiz um filme cujos personagens são vetores para dizeres políticos. 

É um filme em que você se conecta com a luta de Marighella porque você se conecta com o drama dele, com quem ele é. Dar complexidade em personagens históricos, ter responsabilidade sobre o contexto real e, ao mesmo tempo, fazer com que aquilo funcione como cinema de ficção é muito difícil. 

Eu tinha sempre muito claro que eu não estava fazendo um documentário, mas ao mesmo tempo eu precisava ter responsabilidade, sobretudo com esse período, que é tão controverso na história do Brasil.

Para fazer um filme sobre resistência política você mergulhou em grandes referências do cinema que possuem alguma convergência, como o neorrealismo italiano?

Exatamente. O neorrealismo italiano é uma referência, o cinema que mais me diz, me norteia. Influenciou o cinema novo. Essa coisa do pós-guerra na Itália, de você fazer cinema em um campo destruído, em uma situação precária, distópica, de usar não atores, fazer cinema com pouco dinheiro. 

E, sobretudo, um cinema de esquerda, um cinema de esquerda que eu digo que quer olhar para as classes trabalhadoras. Eu acho que o cinema brasileiro bebeu muito disso, e influenciou também nós que fazemos cinema hoje no Brasil. 

Essa estética está no meu filme de forma muito clara. Engraçado você ter falado sobre neorrealismo porque ali está a base de tudo o que eu gosto no cinema que me levou até “Marighella”. 

Sobretudo o cinema novo, que é muito devedor do neorrealismo italiano. E eu vejo isso nos filmes políticos brasileiros, no “Tropa de Elite”, no “Cidade de Deus”. Talvez essa seja a matriz de uma corrente estética e ideológica da qual o meu filme é, de alguma maneira, devedor também.

Você se envolveu, especialmente, com algum dos departamentos criativos?

Como ator, sempre gostei muito de entender o que cada pessoa fazia no set. Como diretor, terminei aprendendo muito mais sobre figurino, arte, elétrica, maquinaria, fotografia, produção. Como é que tudo aquilo junto funciona no set. 

Mas uma coisa que eu sabia muito pouco e que me fascinou foi o som, o trabalho que eu fiz com o Alessandro Laroca na pós-produção do filme. O som é um departamento sempre visto como mais técnico e, na minha opinião, é um departamento artístico muito poderoso.

E quanto à escolha de Seu Jorge para viver o protagonista? A conhecida e esfuziante presença do cantor em cena não rouba algo na projeção do próprio personagem?

O que você está dizendo é que Seu Jorge tem muito carisma, ele tem, e isso é muito importante para o filme porque Marighella tinha muito carisma. Seu Jorge é movie star, mesmo, talentoso pacas. 

Uma presença em cena que você não consegue parar de olhar, isso é uma coisa importante para um protagonista. Ao assistir ao filme, você vê que rapidamente vai esquecer a persona e se conectar com o carisma de Seu Jorge, mas não com a figura pública. É aí que entra o meu trabalho como diretor.

Você foi se tornando persona non grata para o governo federal, por conta de seu posicionamento político-ideológico, e o filme sofreu boicotes da Ancine, além de anticampanha pública do presidente e seus familiares. Marighella já tem um vulto histórico cercado de polêmicas. Quem atrapalhou mais? O diretor ou o personagem retratado?

Os dois. É incrível como essa gente que hoje está no poder, que são saudosistas da ditadura, amantes de torturadores e de censores, tem medo de Marighella. 

Como o fantasma de Marighella apavora esses caras, hoje ainda mais do que, talvez, na época em que ele estava vivo. Todos esses ataques que aconteceram ao filme dizem muito mais sobre o estado das coisas no Brasil hoje do que o filme que eu fiz. 

Em qualquer país democrático, um filme está aí: você vai discute, debate, você não é obrigado a gostar de nada. Agora você ter o governo federal de um país tentando destruir um filme, isso tem muito mais a ver com o Brasil de hoje do que com Marighella e comigo.

Você tem dito que o filme mostra faces contraditórias de Marighella. Quais defeitos apontaria na figura mítica do guerrilheiro revolucionário?

Vários defeitos. Não me interesso pelo mítico. Me interesso pelo homem, e o homem que ele foi tinha vários defeitos. Não vou ficar aqui enumerando os defeitos nem as qualidades de Marighella. Não preciso defender Marighella. Ele não precisa de defesa. 

O que digo é que o meu filme mostra um Marighella contraditório, que toma tapa na cara e é colocado em cheque o tempo inteiro. Quem for assistir ao filme vai ver isso. Nem o personagem do Bruno Gagliasso [que faz o delegado Fleury, carrasco de Marighella] admiti que fosse monolítico.

E quanto aos novos projetos como ator, produtor, diretor?

A primeira coisa que já fiz e que vai estrear é um filme chamado “The Grey Man”, da Netflix, dirigido pelos irmãos [Joe e Anthony] Russo. Faço uma participação, um personagem pontual na história, mas muito legal. Fiquei muito feliz de ter feito. E logo depois, ou antes talvez, uma série da Apple TV Plus, que protagonizei com Elizabeth Moss, chamada “Shining Girls”. 

Fazemos dois jornalistas que investigam um serial killer feito pelo Jamie Bell. São duas coisas que vão sair ano que vem. E vou filmar no Brasil com o Cléber Mendonça Filho, no segundo semestre, para a Amazon. No primeiro semestre, tem um projeto fora do País, mas ainda não posso falar nada sobre ele. 

E estou produzindo uma série para a Disney sobre Maria Bonita, escrita e dirigida por Sérgio Machado. Tem vários projetos que não têm ainda uma data, como um projeto com o Karin Ainouz.

Como anda a sua rotina em Los Angeles?

A pandemia teve momentos deliciosos e profundos, porque passei com os meus filhos e a minha mulher. Mas foi difícil porque a gente estava preso em uma cidade que não era nossa, sem poder sair de casa, sem poder trabalhar. 

Fiquei um ano sem trabalhar como ator, não tinha projeto, ficaram todos mais para frente. Foi um ano em que eu dirigi “Narcos”. É massa morar lá, mas não é a minha cidade. Quando o avião pousa em L.A., eu não digo “ah, estou chegando em casa”.  

Sente vontade de dizer algo para o público de Mato Grosso do Sul?

Acho uma pena eu não conhecer essa parte do Brasil. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de Santa Catarina, talvez sejam os três estados do Brasil que eu não conheço ainda. Isso é uma questão para mim, mesmo, porque é uma parte do País rica em diversidade. 

O Brasil do futuro é o Brasil que aliará a cultura à biodiversidade ambiental única do Brasil. Você não pode falar disso sem falar nesta região. Tenho muita curiosidade de conhecer a relação fronteiriça com outros países na região, quais são as influências culturais. 

O bioma que vocês têm aí é único no Brasil, e eu não conheço. Isso me dá muita pena. Preciso conhecer, preciso ir aí.

Por que temos tanta dificuldade em aceitar o ponto de vista ou a condição dos povos indígenas?

É cultural. Fomos adestrados. Eu estudei na minha escola coisas sobre os índios. Não temos informação nenhuma sobre os povos indígenas. A nossa informação é estigmatizada, e toda a forma de controle social começa com a estigmatização. 

Você estigmatiza um povo para controlá-lo. Mesmo que nós sejamos progressistas, a nossa construção cultural do que é o povo indígena é ridícula. É difícil. 

Mas acredito profundamente que a geração dos nossos filhos e dos que venham em diante se conectarão e aprenderão com os índios que eles têm um saber de relação com o meio ambiente, sobretudo, e de outras coisas que podem transformar e levar o Brasil a esse lugar de país do futuro.

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Felpuda

Cartões do programa Mais Social, do governo do Estado, utilizados de forma...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (24)

24/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Martha Medeiros - escritora brasileira

"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada. o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções”.

 

FELPUDA

Cartões do programa Mais Social, do governo do Estado, utilizados de forma indevida estão sendo bloqueados. Uma série de medidas nesse sentido já foi tomada, diante da identificação de compras irregulares de itens como bebidas alcoólicas, jogos on-line e pernoite em motel. Vale lembrar que uma servidora suspeita de fraudar cartões está respondendo a processo administrativo e o caso já foi encaminhado ao Ministério Público de MS. A Polícia Civil iniciou diligências de investigação para apuração dos desvios. Pelos corredores dos Poderes, dizem que haverá choro e ranger de dentes. Afe!

Cadeira

A próxima vaga a ser aberta no Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul deverá movimentar a classe política e a guerra se intensificará depois das eleições de outubro.

Mais

Quem vai se aposentar compulsoriamente será o conselheiro Iran Coelho das Neves. Ele completará 75 anos em 14 de dezembro de 2027, mas as articulações se iniciarão desde já.

DiálogoDe amanhã até sábado, acontecerá a segunda edição da Prosa – mostra Sesc de teatro e Circo, no Sesc teatro Prosa, em Campo Grande. A abertura, às 19h, fica por conta de “mentis Prodigium”, espetáculo de mentalismo idealizado e apresentado por rick thibau (MS). Na quinta-feira, também às 19h, será encenado “idade É Um Sentimento”, com Gabriela munhoz e Paola Kirst, sob direção de Camila Bauer (RS). A programação segue no dia 27, às 19h, com “Eyja: Primeira Parte, a ilha”, da multifoco Cia. de teatro (RJ). Encerrando a mostra, no sábado, às 16h, a companhia apresenta “alma” (foto), espetáculo que acompanha a trajetória de uma mulher em busca de reconexão consigo mesma. Os ingressos são gratuitos e disponíveis no site www.sympla.com.br.

 

DiálogoDr. Álvaro Hilgert, Dra. Carol Hilgert, Antonio Coelho e Dra. Chris Hilgert

 

DiálogoDra. Gabrielle Borges Schunke

No tabuleiro

As pré-candidaturas ao governo de MS começam a ser postas no tabuleiro das eleições deste ano. Lá estão os nomes de Eduardo Riedel (PP), que tentará a reeleição, e Fábio Trad (PT), bem como os de João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (Psol) e Jaime Valler (Democracia Cristã). Há ainda expectativa com relação ao Partido Renovação Democrática (PRD), presidido em MS pelo ex-senador Delcídio do Amaral, que ainda não definiu se terá candidato próprio.

Como assim?

Três operadoras – Oi, Claro e Tim – podem ter de demonstrar documentalmente como ocorre o procedimento de contratação de serviços de valores adicionados, como plataforma de streaming, antivírus, banca digital e serviços de saúde. O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou pedido neste sentido à Justiça. Ele faz parte do cumprimento de sentença dada em ação civil pública do MPF, que determina o bloqueio gratuito prévio do valor cobrado por esses “penduricalhos”.

Valendo

Dois participantes de um grupo de “moai” terão de pagar valores atrasados depois de não cumprirem o compromisso assumido. A decisão foi dada pela 16ª Vara Cível de Campo Grande, e a sentença reconheceu a validade da cobrança no total de R$ 32 mil, referente às parcelas em aberto, com correção monetária e juros. O responsável pela administração dos grupos afirmou no processo que os participantes aderiram ao acordo de forma verbal, passaram a dar lances e receberam valores. Se a moda pega...

Aniversariantes

Dra. Mariana Raslan Paes Barbosa,
Leandro Figueiredo Gameiro,
Umarla Menezes Ishii,
Antonio Manuel Cordeiro Leal,
Maria Inez Garcia Bunning,
Susie Davalos Guibu,
Adair Fidelis,
Ilza Vieira de Brito,
Luciano Ribeiro da Costa,
Eudes Maria do Espirito Santo Cruz,
Walter Hypolit Maria Vandevijver,
Dra. Margareth Ferreira da Silva Fernandes,
Akira Basho,
Luciene Reis de Freitas,
Fabiane Cristina Boniatti,
Luzinele Daud dos Santos,
Mauricio Pires Rosa,
Amelia Cetsuko Tsutsumi de Almeida,
Dra. Lidamar Marques de Jesus,
Andriva Maia Valente Puccio,
Luiz Perez Melo,
Olga Maria Lemos Siufi,
Ludmila dos Santos Russi de Lacerda,
Maria Aparecida Maia,
Mateus Palma de Farias,
Michela Margarida da Silva,
Andreia Cristina dos Santos,
Tiomi Suguiura Makino,
Fernando Carlana,
João Henrique da Silva Neri,
Carmem Bergotini Giordano,
Dr. Ronei Alves Azambuja,
Edson Gianotti,
Vanilde Batista Saito,
Laiza Salomoni Oliveira,
Dr. Odir Antônio de Campos Leite,
Renato Proença Brum,
Nilson Aparecido Diniz Sales,
Izabel Elias Pereira,
Waldomiro Luiz de Carvalho,
Carlos de Barros Rodrigues Leite,
Raquel Rodrigues Modesto,
Ailton Pinheiro Ferreira,
Leila Pettengill Galvão,
José Carlos Farinha Martins,
Noelia Silvia Pistori,
Francisco Alves Corrêa Neto,
Iracy Rezende Villela,
Luiz Alberto Nakazone,
Jorge Saito,
Dr. Mauro Luiz de Britto Ribeiro,
Anderson Arce Silva,
Flávia de Brito Lopes,
Geraldo Ronei Barbosa,
Juarez Vasconcelos,
Anderson Nogueira Souto,
Germano Furini Netto,
Heloisa Andréa Leão Veras Galante,
Elton Basmage,
Jorge Douglas Gomes,
Márcio Luiz Ribas Mateus,
Suely Maria Carcano Canavarros,
Elisangela Leão,
Luiz Carlos Rolin Abelha,
Tereza Akiko Kambara Kinashi,
Nilton Pael Barbosa,
Neyde Bissoli,
Roberto Emiliani,
Luiz Eduardo Simões,
Dalva Aparecida de Castro Jara,
Lucilia Matheus Freire,
Plinio Rubert Gardin,
Cleverson Luiz Moreira,
Valter Ribeiro de Araújo,
Paulo Aristoni Nogara,
Gilmar Eni Cardoso,
Geovani Portilho Fernandes,
Johnny Vilalba de Matos,
Reinaldo da Rocha Nunes,
Aurea Bueno Barbosa,
Cyro Kikyo Uechi,
Vidal Santana Romeiro,
Fátima Freitas Caetano de Oliveira,
Maria Fernanda Ametlla de Barros Oliveira,
Adélia Maura Monteiro Perdomo,
Lidia Debora de Oliveira,
Alex Pedro da Silva Rodrigues,
Carla Cristiane Santos da Silva,
Renata Tramontini Fernandes,
Salim Moises Sayar,
Lourdes Jacobina Honório,
Maria Iracema Lopes Boeira Santos,
Rangel Augusto da Fonseca,
Clebson Marcondes de Lima,
Edson Ernesto Ricardo Portes,
Carlos Alexandre Bordão,
Emerson de Oliveira Mello,
Rubens Francisco Carneiro,
Viviane da Silva Fernandes,
Fernanda Garcia Martins Andrade,
Herika Cristina dos Santos Ratto,
Reinaldo Pascualote Junior,
José Antonio da Silva,
Kelly Canhete Alce,
Laís Massuda Albuquerque,
Maria Gabriela Rivelos Monteiro Salgado,
Tatiana Debona

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

PREPARATIVOS

Campo Grande monta estrutura inédita para receber show histórico do Guns N' Roses

Com 70% do público vindo de fora do Estado, estrutura montada do zero e desafios logísticos, Capital se mobiliza para receber o maior show de sua história

23/03/2026 08h30

Com mais de três horas de apresentação, turnê mundial do Guns N' Roses abraça hits históricos da banda

Com mais de três horas de apresentação, turnê mundial do Guns N' Roses abraça hits históricos da banda Divulgação

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A poucos dias de entrar definitivamente no circuito das grandes turnês internacionais, Campo Grande vive uma corrida contra o tempo para receber o aguardado show do Guns N’ Roses.

Marcada para o dia 9 de abril, no Autódromo Internacional Orlando Moura, a apresentação deve reunir entre 35 mil e 40 mil pessoas e já ultrapassou a marca de 30 mil ingressos vendidos, consolidando-se como o maior evento musical da história de Mato Grosso do Sul.

Mas, por trás da expectativa dos fãs, existe uma complexa operação logística para garantir um espaço adequado para um evento tão grande. Sem estádio ou arena à altura, foi preciso construir toda uma estrutura do zero, bem no meio da pista do Autódromo Internacional Orlando Moura.

A montagem do evento teve início na terça-feira, com a instalação de estruturas iniciais, como camarim, bangalôs e delimitação do espaço. No entanto, o palco, que faz parte da própria turnê mundial da banda, só será montado nos dias finais, com previsão de conclusão na véspera do show.

Enquanto isso, uma equipe com cerca de 40 pessoas trabalha intensamente para preparar o terreno onde toda a infraestrutura básica será instalada do zero: rede elétrica, sistema hidráulico, piso especial, áreas de circulação, camarotes e espaços de apoio.

Segundo o produtor local Valter Júnior, da Santo Show, o maior desafio é a construção de um grande evento do zero, sem nenhuma base prévia. “Aqui não tem nada. A gente está literalmente montando tudo: energia, água, piso. É um investimento alto e uma operação muito complexa”, explica.

PÚBLICO RECORDE

A expectativa de público também impõe desafios adicionais. A organização trabalha com um limite de até 40 mil pessoas, número que não será ultrapassado, para garantir conforto e segurança.

Um dado que chama atenção é a origem dos fãs: cerca de 70% do público vem de fora de Campo Grande. Há caravanas organizadas de diversas regiões do Brasil, além de presença confirmada de fãs de países vizinhos, como Argentina, Paraguai e Bolívia.

Com mais de três horas de apresentação, turnê mundial do Guns NPara receber público com conforto, gramado do autódromo dará lugar a um piso especial - Foto: Gerson Oliveira/Arquivo Correio do Estado

Esse fluxo intenso deve transformar a cidade nos dias que antecedem o evento, com aumento significativo na circulação de pessoas e na demanda por serviços.

A alta procura já impacta diretamente a rede hoteleira. Segundo a organização, praticamente não há mais vagas disponíveis na cidade, o que tem gerado preocupação para quem ainda não garantiu hospedagem.

Ao mesmo tempo, esse cenário evidencia o impacto econômico positivo do evento. Com milhares de visitantes, setores como hotelaria, gastronomia, transporte e comércio devem registrar crescimento expressivo.

“Se a gente considerar 70% de um público de até 40 mil pessoas consumindo na cidade, o impacto é enorme. É restaurante cheio, salão, comércio, tudo aquecido”, destaca o produtor.

OPERAÇÃO

Uma das maiores preocupações da organização é a logística de chegada do público. Para evitar congestionamentos e tumultos, a estratégia será fracionar o fluxo de entrada ao longo de horas e até dias.

A expectativa é de que cerca de 3 mil pessoas cheguem à cidade um dia antes do evento. Pensando nisso, será montada uma área de recepção com capacidade para até 10 mil pessoas antes da abertura oficial dos portões.

A saída do público também está sendo planejada com atenção, embora a chegada seja considerada o momento mais crítico. Uma grande operação da Polícia Rodoviária Federal foi estruturada para auxiliar na organização do trânsito e garantir maior fluidez na BR-262.

A segurança do evento também contará com uma operação integrada envolvendo diferentes forças: Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal e equipes privadas. O trabalho será contínuo, com atuação antes, durante e após o show.

A proposta é garantir não apenas a segurança dentro do espaço, mas também nos arredores e nas principais vias de acesso, considerando o grande volume de pessoas esperado.

CONFORTO

Com temperaturas elevadas e grande concentração de público, a organização também tem direcionado esforços para garantir o conforto dos participantes.

Entre as medidas previstas está a criação de uma área de hidratação dentro do evento, além da limitação rigorosa da capacidade de público. A ideia é evitar superlotação e proporcionar uma experiência mais segura e agradável.

“O nosso foco é que as pessoas tenham uma experiência positiva, desde a chegada até a saída”, reforça Valter Júnior.

ABRIDOR DE PORTAS

A apresentação do Guns N’ Roses pode representar um divisor de águas para Campo Grande. A expectativa da organização é de que o sucesso do evento ajude a consolidar a cidade como destino viável para grandes turnês internacionais.

Segundo Valter Júnior, já existem conversas em andamento com outras bandas, inclusive com possibilidade de atrações ainda maiores. No entanto, ele reforça que a falta de infraestrutura continua sendo um obstáculo.

“Se a gente tivesse um estádio, já teríamos vários outros shows confirmados. A cidade perde muito por não ter um espaço adequado”, afirma.

Ele também defende que o poder público passe a olhar com mais atenção para essa demanda, especialmente considerando o impacto econômico gerado por eventos desse porte.

NOITE HISTÓRICA

Integrando a turnê mundial “Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things”, o show promete mais de três horas de duração, reunindo clássicos que atravessam gerações.

Hits como “Sweet Child O’ Mine”, “Welcome to the Jungle”, “Paradise City” e “November Rain” devem embalar o público em uma noite que promete entrar para a história da cidade.

Antes da atração principal, o palco será ocupado pela banda Raimundos, que durante 40 minutos ficará responsável por aquecer o público com seu repertório energético.

>> Serviço

Show – Guns N’ Roses

Data: 9 de abril.
Local: Autódromo Internacional Orlando Moura.
Ingressos: on-line, pela Bilheteria Digital, e no ponto físico, no Shopping Bosque dos Ipês (terça a domingo, das 14h às 20h).

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