A classe média, que aproveitou o dólar barato nos últimos anos para viajar, comprar aparelhos eletrônicos mais modernos e trocar o carro por um modelo melhor, deve sentir mais os efeitos da elevação da moeda americana, que mudou de patamar em setembro.
Segundo Rafael Costa Lima, coordenador do IPC da Fipe, alguns setores devem responder mais rapidamente à mudança da taxa câmbio que outros. E um deles são os produtos eletrônicos, como computadores, celulares e televisores. Mesmos os aparelhos feitos no Brasil utilizam componentes importados, como chips, que são cotados em dólar.
Neste ano, os preços dos produtos de informática e de telefonia caíram 8,5%. Os aparelhos de imagem e som, como televisores, ficaram 3,8% mais baratos. E os preços dos produtos de linha branca, como microondas e geladeiras, caíram 3%.
Com a alta do dólar, esses produtos deverão ficar mais caros daqui para frente. Os preços dos automóveis também devem subir devido à elevação do IPI para montadoras que não têm fábricas no País. Se a concorrência dos chineses, é esperado que as montadoras aumentem os preços.
Esses produtos, porém, não têm um peso importante no IPC, Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fipe. “O índice está concentrado no consumo da população com renda de até 10 salários mínimos”, afirma Lima.
A população de renda mais alta é quem consome mais produtos de tecnologia, gasta mais com lazer e entretenimento e pode trocar o carro.
Os alimentos, por exemplo, têm muito mais impacto no índice de inflação. Mas, no caso das commodities, o dólar mais alto deve ser neutralizado, em parte, pela queda dos preços internacionais. Os preços das matérias-primas entraram em trajetória de queda devido ao desaquecimento das economias mundiais.
O pior virá em 2012
Segundo Lima, o impacto da elevação do câmbio não será imediato. As empresas ao longo das cadeias de abastecimento têm estoques, e isso deverá fazer com que os reajustes ainda demorem alguns meses para chegar ao consumidor final. O impacto maior deverá ocorrer em 2012.
Ele estima que, em o IPC vai acelerar um pouco em outubro, novembro e dezembro, para 0,5% ao mês. Em setembro, o índice subiu 0,3%. Mas, ainda assim, a inflação deve ficar um patamar mais baixo do que outubro de 2010, quando os preços subiram 1,04%.