Economia

"Facada" no Sistema S

Corte orçamentário pode acabar com 33,5 mil vagas de educação técnica em MS

Medida fecharia cinco escolas do Sesi e Senai no Estado, dizem instituições

Redação

22/12/2018 - 12h00
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 “Facada” prometida pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, nos recursos do Sistema S poderá comprometer até 30% dos recursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Mato Grosso do Sul e acabar com quase 21,7 mil vagas de cursos técnicos profissionais por ano, no Estado. Além disso, o corte orçamentário no Sistema S deve promover o possível fechamento de três escolas da instituição de formação profissional dos sul-mato-grossenses.

Segundo informações da Agência do Rádio Mais, no Serviço Social da Indústria (Sesi), mais de 11,8 mil estudantes do ensino básico e de educação de jovens e adultos podem perder a oportunidade de estudar no Estado por que outras duas escolas da educação básica da instituição seriam fechadas.

Além disso, o desemprego deve aumentar em Mato Grosso do Sul por que os cortes orçamentários no Sistema S, prometidos pelo próximo governo, vão influenciar diretamente na demissão de 290 funcionários do Senai e Sesi estaduais.

“A formação profissional e a capacitação técnica de qualidade aumentam a empregabilidade do trabalhador e, para o jovem, é um importante diferencial para conquistar o primeiro emprego, numa faixa etária em que o desemprego é ainda mais grave que na média. O Senai prepara uma parcela importante da população para que tenha uma profissão, e alcança e beneficia jovens e trabalhadores que não teriam as mesmas oportunidades pelo sistema educacional”, lembra o diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi, Rafael Lucchesi. 

CENTRO-OESTE
Na região Centro-Oeste, mais de 157,6 mil estudantes ficariam sem opção de cursos de formação profissional com o possível fechamento de 26 escolas e demissões de cerca de 2,1 mil trabalhadores das instituições no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e no Distrito Federal. O próximo governo não divulgou plano para substituir os serviços das entidades para a população, como alternativa aos prováveis cortes orçamentários do Sistema S.

“A proposta de cortes no Sistema S teria efeitos devastadores sobre instituições que funcionam e prestam serviços essenciais para jovens e trabalhadores brasileiros. Além de acabar com empregos de educadores, técnicos, especialistas e pesquisadores, se forem feitos, os cortes prejudicarão a educação, pesarão sobre a saúde e afetarão a economia do país como um todo”, explica Rafael Lucchesi.

IMPACTOS NACIONAIS
Com 2,3 milhões de jovens matriculados, o Senai é o principal responsável pela formação técnica e profissional de jovens e trabalhadores brasileiros para vários setores da indústria. Os cursos, dos quais 70% são gratuitos, são oferecidos em 541 escolas em todos os Estados e no Distrito Federal. Segundo cálculos do Senai, 162 delas fechariam as portas com os eventuais cortes.

Responsável pelos programas de saúde e segurança do trabalhador na indústria, o Sesi também tem uma rede de escolas que beneficia 1,2 milhão de jovens com educação básica, principalmente de famílias de trabalhadores da indústria. Além disso, oferece cursos de reforço educacional para adultos com baixa escolaridade, serviço essencial uma vez que muitos dos trabalhadores da indústria não têm a educação básica completa ou capacitação profissional.

O Sesi calcula que os cortes levariam ao fechamento de 155 escolas, com perda de quase meio milhão de vagas para jovens no ensino básico e no reforço educacional de adultos com baixa escolaridade. Na prestação de serviços de saúde a trabalhadores, que inclui desde a oferta gratuita de vacinas e exames de mamografia para trabalhadoras, a previsão é de que 1,2 milhão de pessoas ficariam sem o atendimento, tendo de buscar os serviços na rede pública ou custeá-los na rede particular.

“São milhões de exames médicos, consultas, vacinas aplicadas, além de atendimento médico e acompanhamento nutricional oferecidos pelo Sesi para os trabalhadores da indústria. Na prática, esse é um trabalho essencial, que tira milhares de pessoas da fila assistencial e contribui para reduzir a pressão sobre os serviços da rede pública, que não tem dado conta de atender a população de forma satisfatória”, ressalta o diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi.

Os serviços prestados pelos dois serviços contam com altas taxas de aprovação entre a população que conhece o seu trabalho. Segundo pesquisa do Ibope, divulgada em dezembro, a excelência na atuação do Senai é reconhecida por 94% dos entrevistados e a do Sesi, por 93% das pessoas ouvidas.

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