Economia

Fábrica em MS

Acordo bilionário deve encerrar disputa de oito anos pelo controle da Eldorado Celulose

J&F, dos Irmãos Batista, e Paper Excellence, de Jackson Wijaia, costuraram acordo para asiático vender sua parte em gigante da celulose

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A J&F, holding que controla as empresas dos irmãos Joesley e Wesley Batista, tem um acordo para recomprar a parte da Paper Excellence na Eldorado Brasil Celulose e pôr fim à uma disputa que já dura oito anos. 

A planta processadora de celulose localizada em Três Lagoas (MS) - cidade distante 340 km de Campo Grande -, controlada pelos irmãos Batista (donos de 50,5% da empresa) e que tem como sócia a Paper Excellence, do empresário sino-indonésio Jackson Wijaya, é alvo de disputa pelo controle desde que a venda da totalidade da empresa a Wijaya, celebrada em 2017, não foi concretizada pela falta de depósito das garantias pela empresa do bilionário asiático.

A negociação sobre o acordo que sela a paz na disputa pelo controle da Eldorado foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Correio do Estado.

O próximo passo é a efetivação da transação até o fim desta semana. Os irmãos Batista comprariam as ações de Wijaya na empresa.

A disputa pelo controle da empresa se aproximou de uma solução depois de decisão da Justiça Federal de Três Lagoas validar decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que aceitou recurso para suspender a aquisição de imóveis rurais em território brasileiro pela Eldorado e pela Paper Excellence até que as empresas apresentassem autorizações fornecidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Tal decisão, baseada na legislação brasileira, que impede a aquisição de terras por estrangeiros, inviabilizaria a compra da Eldorado pela Paper Excellence.

O acordo estaria selado entre advogados. Os intermediários de Wijaya teriam concordado em receber US$ 2,7 bilhões pela venda das ações na Eldorado.

O valor seria praticamente a metade do que a Eldorado pretende investir na construção da segunda linha de produção: US$ 5 bilhões (aproximadamente R$ 26 bilhões). O projeto está paralisado desde o fim da década passada, por causa da disputa pelo controle da empresa.

A longa disputa entre J&F e Paper Excellence pelo controle da Eldorado Celulose

A venda da Eldorado Celulose, um dos maiores ativos industriais do setor no Brasil, marcou o início de uma das disputas societárias mais complexas dos últimos anos. O negócio foi anunciado em setembro de 2017 por R$ 15 bilhões, valor que incluía cerca de R$ 7,4 bilhões em dívidas. Desde então, a transação se arrastou por tribunais, arbitragens internacionais e embates regulatórios que duraram quase oito anos.

Na primeira etapa do acordo, a Paper Excellence — braço do conglomerado asiático pertencente à família Widjaja — adquiriu 49,41% das ações da Eldorado, desembolsando R$ 3,9 bilhões (cerca de US$ 1,24 bilhão à época).

O valor restante para a aquisição total foi depositado em uma conta vinculada, a ser liberado após o cumprimento de determinadas condições contratuais. Isso, no entanto, nunca aconteceu.

Em menos de um ano, o negócio passou a ser alvo de litígios. As partes discordaram sobre a conclusão da segunda fase do acordo, iniciando uma disputa que se estenderia por instâncias judiciais e cortes arbitrais.

Ainda assim, a Paper Excellence continuou demonstrando interesse estratégico no Brasil, analisando outras oportunidades de aquisição no setor de celulose.

Durante esse período, a disputa tomou contornos complexos, envolvendo desde acusações mútuas de quebra de contrato até debates sobre a legalidade da aquisição de terras por empresas estrangeiras.

Com inúmeras reviravoltas jurídicas, o caso se tornou um emaranhado de decisões contraditórias, recursos e embates regulatórios.

Linha do tempo da disputa entre J&F e Paper Excellence

  • Set.17: J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, conclui a primeira fase da venda da Eldorado Celulose para a Paper Excellence, prevendo a conclusão total da operação em até 12 meses. O valor total da empresa foi estimado em R$ 15 bilhões.

  • Jun.18: O China Development Bank, que financiaria a segunda parte da compra, desiste do financiamento, tensionando a relação entre as partes.

  • Ago.18: A Paper Excellence aciona a Justiça para forçar a conclusão do negócio antes do vencimento do contrato, previsto para 3 de setembro daquele ano.

  • Set.18: A Justiça concede liminar apenas parcialmente, negando o pedido da Paper Excellence para prorrogar o contrato. A disputa é levada à arbitragem.

  • Abr.19: Cláudio Cotrim, CEO da Paper no Brasil, acusa a J&F de exigir R$ 6 bilhões adicionais para concluir a venda.

    Em julho de 2019, Eduardo Bolsonaro mostrou "checão" bilionário de Wijaya, que lutava por controle da empresa
  • Jul.19: Eduardo Bolsonaro publica foto ao lado de Jackson Widjaja segurando um “checão” simbólico de R$ 31 bilhões, representando investimentos planejados em Três Lagoas (MS).

  • Mai.20: A Justiça condena a J&F por litigância de má-fé em ação contra Cotrim, na qual a holding pedia indenização de R$ 300 mil por danos morais após declarações do executivo.

  • Fev.21: A Paper Excellence vence a arbitragem contra a J&F por 3 a 0, em decisão que a autorizaria a concluir a aquisição.

  • Mar.21: A J&F recorre à Justiça e consegue suspender a transferência do controle da Eldorado, alegando parcialidade do árbitro escolhido pela Paper.

  • Jul.21: Após nova decisão, a transferência é novamente autorizada, mas, em poucos dias, volta a ser suspensa por nova liminar obtida pela J&F.

  • Jul.22: A juíza Renata Mota Maciel decide a favor da Paper Excellence e determina que a empresa assuma o controle da Eldorado.

  • Jul.23: O TRF-4 aceita recurso que impede a aquisição de imóveis rurais pela Eldorado até que haja autorização do Incra e do Congresso Nacional, travando novamente a conclusão do negócio.

  • Nov.24: Cláudio Cotrim declara à Folha de S.Paulo que a Paper não tem interesse em manter posse de terras e que, caso assuma o controle da Eldorado, se compromete a vender os 14 mil hectares atualmente sob gestão da companhia.

  • Jan.25: A Paper Excellence inicia novo processo arbitral na CCI (Câmara de Comércio Internacional), em Paris, pedindo US$ 3 bilhões em indenização da J&F.

  • Mar.25: O TJ-SP decide que o litígio deve retornar à 1ª instância, anulando decisão anterior que havia determinado a transferência das ações da Eldorado à Paper.

  • Mai.25: Após anos de embate, a J&F anuncia um acordo para recomprar a fatia da Paper Excellence na Eldorado Celulose, encerrando a disputa.

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Preço nas bombas

Governo anuncia nova subvenção para reduzir preço dos combustíveis

Intenção da medida é baixar ainda mais preço do diesel, e também da gasolina

13/05/2026 16h31

Medida visa conter aumento do preço dos combustíveis nos postos

Medida visa conter aumento do preço dos combustíveis nos postos Gerson Oliveira

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O governo Lula anunciou nesta quarta-feira, 13, uma Medida Provisória (MP) para reduzir o preço da gasolina com uma subvenção - espécie de subsídio - de até R$ 0,8925 por litro, diante de um iminente aumento nos preços pela Petrobras. Também foi anunciado novo subsídio para o diesel, desta vez em até R$ 0,3515 por litro.

A ação será regulamentada via portaria do Ministério da Fazenda, que estabelecerá os valores subvencionados. No caso da gasolina, o subsídio será pago diretamente aos produtores e importadores, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O governo federal detalhou que está estimada uma despesa mensal de R$ 272 milhões para cada R$ 0,10 de subvenção no litro de gasolina. No caso do litro do diesel, o custo por mês foi calculado em R$ 492 milhões para cada R$ 0,10 de subvenção.

O dispêndio será compensado pela receita da União por meio de dividendos, royalties e participação tem crescido com o aumento da cotação do petróleo no mercado internacional. O Executivo alega que haverá neutralidade fiscal.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que a nova subvenção terá início pela gasolina, que ainda não teve nenhum tipo de subsídio ou corte de tributos desde a eclosão da guerra no Irã. A nova subvenção também pode valer para o diesel após fim dos subsídios já em vigor.

O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, declarou que os preços do diesel se estabilizaram, mas ainda estão em nível acima do pré-guerra, em referência ao conflito no Oriente Médio. Os preços dos combustíveis vêm sendo pressionados pela alta no preço do petróleo.

Medidas anteriores

No primeiro pacote de medidas, na primeira quinzena de março, o governo federal zerou a tributação de PIS/Cofins sobre o óleo diesel, autorizou a subvenção aos produtores domésticos e aumentou a tributação sobre as exportações do combustível.

Na segunda leva de ações para conter os impactos da alta da cotação do petróleo, associada à guerra no Irã, houve anúncios também nos setor de óleo diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP) e no setor aéreo. Foram criadas duas novas subvenções ao óleo diesel, ambas complementares à de R$ 0,32 por litro instituída pela MP de março.

Já na segunda quinzena de abril, o governo Lula enviou um projeto de lei complementar ao Congresso Nacional para permitir que as receitas extraordinárias com petróleo possam ser usadas para reduzir tributos sobre combustíveis. A redução, se o texto for aprovado, poderá ocorrer na PIS/Cofins e Cide aplicada para diesel, etanol, gasolina e biodiesel.

Como mostrou, o governo esperava aprovar esse projeto só na próxima semana. Enquanto isso, via a pressão de um possível aumento na gasolina da Petrobras subir.
 

Comércio

Projeção para o Dia dos Namorados em MS indica queda de 7,1% nas vendas

Mesmo com retração, movimentação esperada é de quase R$ 358 milhões

13/05/2026 15h30

Principais opções de presentes são cosméticos, roupas e calçados

Principais opções de presentes são cosméticos, roupas e calçados FOTO: Bruno Henrique/Correio do Estado

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O Dia dos Namorados, comemorado no Brasil no dia 12 de junho, deve movimentar R$ 356,8 milhões na economia de Mato Grosso do Sul. A estimativa projeta uma redução de 7,1% em relação ao ano passado, quando o movimento foi de R$ 384,4 milhões. 

É o que aponta a Pesquisa de Intenção de Consumo realizada pelo ebrae/MS, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio-MS (IPF-MS), divulgada nesta terça-feira (13). 

Do total, R$ 192,14 milhões serão gastos em compras de presentes e R$ 164,66 milhões em comemorações, como viagens, passeios e jantares. Em média, o gasto total médio por consumidor ficou em R$ 543,47, valor maior que o projetado em 2025, que foi de R$ 510,85. 

Em relação aos presentes, o gasto médio deve ser de R$ 287,85, com preferência para as compras presenciais. Segundo o levantamento, 75,5% dos consumidores preferem comprar os presentes em lojas físicas. Os centros das cidades continuam sendo os principais destinos de compras, citado por 66,10% dos entrevistados. 

Os itens mais procurados para presentear são perfumes e cosméticos (20%), roupas (9%) e calçados (9%), além de experiências como passeios e viagens. 

Cenário 

Para o analista-técnico do Sebrae/MS, Paulo Maciel, o cenário indica oportunidades tanto para o comércio físico como online, mesmo com uma preferência do consumidor pela loja física. 

"A pesquisa deixou muito claro que o consumidor quer ir até a loja. Quase 76% das pessoas que pretendem presentear no Dia dos Namorados querem comprar presencialmente. Isso mostra a importância de investir em vitrine, atendimento e estoque preparado para receber esse público", afirmou. 

Para ele, é um ótimo momento para o pequeno comércio se aproximar com o consumidor através de recursos como a internet, que ajudam a facilitar a compra. 

"O consumidor valoriza proximidade e comodidade, principalmente nas lojas de bairro. Ao mesmo tempo, outros 13% pretendem comprar pela internet diretamente de uma loja física, usando site, Instagram ou WhatsApp. Por isso, o empresário que conseguir unir presença física forte com canais digitais ativos terá mais chances de ampliar as vendas nesta data". 

A projeção indica que menos da metade dos entrevistados pretende comemorar a data (44,33%) ou presentear na ocasião (42,7%). Para a economista do IPF-MS, Regiane Dedé de Oliveira, isso demonstra cautela no comportamento do consumidor. 

"Percebemos uma maior racionalidade nas decisões de compra, com concentração dos gastos em faixas de até R$ 300. Ainda assim, o consumidor continua priorizando a celebração, seja com presentes ou comemorações, o que mantém o comércio e o setor de serviços aquecidos neste período", avalia.

Sobre fatores decisivos para a compra, descontos e promoções para os pagamentos à vista são os principais(64,13%), seguidos pelo parcelamento no cartão de crédito (29,78%) e atendimento oferecido pela loja (17,04%). 

As comemorações em restaurantes ou bares aparecem em 62,27% das intenções dos entrevistados. Somente em Campo Grande, a previsão é de movimentação de R$ 134 milhões em consumo total. 

A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 17 de abril em nove municípios de Mato Grosso do Sul. 
 

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