As gigantes do ensino superior Anhanguera e Kroton poderão unir suas operações, mas terão de vender ativos, congelar vendas em alguns mercados e cumprir metas de qualidade até 2017, decidiu hoje o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).
A fusão entre as duas empresas, anunciada em abril do ano passado, criou a maior companhia de ensino superior do mundo com mais de um milhão de alunos.
Para aprovar a operação, foram estabelecidas quatro condições, entre elas a venda do grupo Uniasselve, adquirido pela Kroton em 2012 por R$ 510 milhões, e de unidades de ensino presencial nos municípios de Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso.
As empresas também terão de suspender a oferta de novas matrículas em ensino a distância nos municípios onde há pouca concorrência, permitindo, assim, o crescimento de rivais.
Além disso, terão de se comprometer a não aumentar a sobreposição das operações no país.
Por último, a nova empresa criada precisará cumprir metas de qualidade até 2017. Entre elas, alcançar o percentual de 80% de professores com mestrado e doutorado.
As medidas foram negociadas com as companhias e é fruto de um ACC (Acordo de Controle em Concentrações).
A venda da Uniasselve tem como objetivo criar uma concorrente nacional para Kroton e Anhanguera no segmento de ensino a distância, onde foram detectados os maiores riscos à concorrência.
As demais medidas foram desenhadas para solucionar os problemas de concorrência locais, que ainda restarão mesmo com a alienação da companhia, segundo o Cade.
Segundo Vinicius Carvalho, presidente do órgão, haverá um prazo para que a venda da Uniasselve seja feita. E, caso não seja possível cumpri-lo, Cade e as empresas poderão voltar a negociar.


