A fila de espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Mato Grosso do Sul apresentou redução após a adoção da fila única nacional, estratégia do governo federal para acelerar a análise de processos em todo o País.
Dados do Ministério da Previdência Social (MPS) mostram que o estoque de requerimentos caiu para 37.131 pedidos em março deste ano, após ter atingido 44.926 solicitações em fevereiro – redução de 17%.
O recuo ocorreu depois de um período de forte crescimento da demanda. Entre novembro de 2024 e abril de 2025, o número de pessoas aguardando por aposentadorias, pensões e auxílios saltou de 16.749 para 41.941, aumento de aproximadamente 150% em Mato Grosso do Sul.
Conforme já publicado pelo Correio do Estado, a nacionalização da fila passou a concentrar os pedidos de todo o País em um sistema unificado, permitindo que processos protocolados no Estado sejam analisados por servidores de qualquer região independentemente da agência onde o pedido foi feito.
A medida busca reduzir desigualdades regionais e acelerar a concessão de benefícios.
A advogada previdenciária Kelly Ferreira do Valle explica que a mudança altera a lógica de tramitação dos pedidos dentro do INSS.
“É como se o governo acabasse com as ‘filinhas’ de cada agência e criasse uma fila única para o Brasil inteiro. Antes, se a agência de Campo Grande estivesse lotada, o seu processo ficava parado lá. Agora, com o sistema unificado, se um funcionário do Rio Grande do Sul ou da Bahia ficar livre, ele consegue puxar e analisar o processo de um morador daqui de Mato Grosso do Sul na hora”, diz ao Correio do Estado.
Segundo ela, o principal impacto esperado era justamente a redução do tempo de espera para os segurados.
“O grande benefício é a agilidade. A ideia é que não exista mais esse azar de morar em uma cidade onde o INSS demora mais.
O tempo de espera agora tende a ser o mesmo para todo mundo”, destaca.
Outra avaliação positiva sobre o modelo foi feita pela advogada previdenciária Juliane Penteado, que ressaltou que a centralização da análise melhora a distribuição da carga de trabalho entre os servidores.
“A ideia central é justamente atacar a grande fila de processos pendentes no INSS, que chegava a milhões de pedidos antes da mudança, e reduzir o tempo de espera dos segurados”, explica.
De acordo com ela, o novo formato também permite priorizar requerimentos mais antigos e benefícios que concentram maior volume de solicitações. “Isso permite um uso mais racional da força de trabalho disponível”, observa.

EVOLUÇÃO
Apesar de o número de pedidos ainda permanecer acima do patamar observado no fim de 2024, os dados indicam melhora no início deste ano, após a implementação da fila única nacional.
A fila de espera por benefícios do INSS em MS apresentou trajetória de alta ao longo de 2025 e início deste ano, atingindo o pico mais recente em fevereiro. Em março de 2025, eram 41.535 pedidos em análise, número que subiu para 41.941 em abril.
Na sequência, houve uma breve redução até julho, quando o estoque caiu para 37.907 requerimentos.
No entanto, a queda foi temporária, e a fila voltou a crescer gradualmente a partir de agosto, passando por 39.617 em setembro e 40.518 em outubro, até chegar a 41.775 em novembro e 42.971 em dezembro de 2025.
O avanço continuou nos primeiros meses deste ano, com 43.569 pedidos em janeiro e o maior volume da série em fevereiro, com 44.926 requerimentos pendentes.
Em março, porém, houve uma inflexão no movimento, com queda significativa para 37.131 processos em análise, segundo o MPS.
A redução interrompe a sequência de altas e indica alívio na fila após meses de crescimento contínuo.
DINÂMICA
Apesar da redução registrada em março deste ano, especialistas apontam que a fila do INSS é dinâmica e depende tanto do volume de novos pedidos quanto da capacidade operacional do órgão.
Entre os principais fatores que ainda impactam o tempo de análise estão a necessidade de perícia médica, inconsistências cadastrais e o volume elevado de requerimentos relacionados a benefícios por incapacidade e ao Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Em publicação oficial, o governo federal informou que a nacionalização da fila já resultou no início da análise de mais de 105 mil processos em todo o País, com 48 mil pedidos concluídos nos primeiros dias da medida.
A força-tarefa mobilizou 2.375 servidores, que atuam de forma complementar às atividades regulares do Instituto.
A expectativa é de que a continuidade da fila única nacional contribua para reduzir o tempo médio de concessão de benefícios ao longo deste ano, evitando novos picos de acúmulo de processos.

