Economia

PECUÁRIA EM MS

Arroba do boi recua 14,5% e seca deve pressionar mais os preços

Especialistas apontam aumento nos custos da produção com persistência da falta de chuvas

Continue lendo...

A arroba do boi que já vem sendo cotada com tendência baixista nos últimos meses em Mato Grosso do Sul pode sofrer uma nova interferência negativa. O avanço do período de estiagem, que chegou mais cedo neste ano, já reflete nas condições das pastagens e pode forçar produtores rurais a vender o gado para não arcar com gastos elevados na manutenção da criação, ou até mesmo a perda de animais.

Especialistas do setor indicam aumento do custo devido às condições climáticas. “Estamos em um período de poucas chuvas e muita estiagem no Estado, quadro que é sazonal e faz com que os criadores optem pelas vendas dos animais aos frigoríficos, buscando evitar a perda de peso e os custos adicionais com a nutrição animal”, destaca o economista do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Staney Barbosa Melo.

Melo pontua ainda que durante o período há uma oferta maior de animais disponíveis de abate, e consequentemente, preços menores nos frigoríficos. “Dessa forma, para fugir de custos maiores, o produtor acaba cedendo à cotações que estão abaixo do que espera receber no mercado, é uma forma de mitigar custos e riscos”, acrescenta.

O doutor em Ciências e pesquisador da Embrapa Pantanal, Carlos Padovani explica que até outubro, os produtores rurais vão enfrentar desafios tendo em vista que esse é o período que deve voltar a chover em MS. “O risco é que a gente pode ver novamente o que aconteceu em 2020, quando o preço da arroba teve uma alarmante queda e vários pecuaristas acabaram descartando o gado de uma só vez”.

Padovani reforça que essa é uma alternativa para o produtor fugir do prejuízo, porém, ressalta que essa movimentação interfere diretamente no panorama de preços, pois a oferta de animais para a venda faz com que preço diminua.

RESTRIÇÕES

Para o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Gilson Araújo a seca traz restrições alimentares muito grande para o gado. “Em algumas situações é possível fazer uma suplementação de baixo consumo, mas isso requer investimento”, afirma.

Araújo reitera que em caso da persistência da seca, muitos vão ter que desfazer de parte do rebanho ou mandar para o leilão, alguma alternativa para reduzir a carga de pastejo.
O economista do Sindicato Rural de Campo Grande destaca que para aqueles que tem uma condição melhor existe a opção do confinamento, que demanda mais investimento de capital por arroba produzida, mas sendo essa uma prática ainda muito incipiente em Mato Grosso do Sul. “Aqui ainda prevalece a pecuária extensiva”, relata Melo.

PREÇO

O boi gordo foi cotado ao valor médio de R$ 209,93 por arroba ontem, refletindo em queda de 14,49% no período de 12 meses no mercado físico de Mato Grosso do Sul, conforme cotação da Granos Corretora. 
Na mesma data do ano passado o preço da arroba foi cotado em R$245,50 – perda de R$ 35,57.

Já a arroba da vaca apresentou desvalorização ainda maior, atingindo 29,90% sendo cotada a R$ 192,08. A queda no preço ocorreu ao se considerar o valor de comercialização na mesma data do ano passado, quando a arroba da vaca estava em R$ 274.

A semana que iniciou com a arroba sendo cotada em R$ 207,10 na praça de Mato Grosso do Sul vem apresentando pequena tendência de alta na terça-feira (2), com R$ 207,10 e mantendo estabilidade na quarta-feira (R$209,93). 

ESTIAGEM

Com efeito sobre a pecuária de Mato Grosso do Sul a falta de chuva já interfere na escassez de pastagens de pastagem em boas condições para o gado. Conforme o Agrometeorologista e pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Danilton Flumignan, o El Niño já se dissipou em meados de maio e passa por um momento de neutralidade dos fenômenos.

Contudo, a atividade de pecuária deve ver os desafios se intensificarem devido as condições climáticas que se apresentarão nos próximos meses. Como já divulgado pelo Correio do Estado em junho, segundo previsão de agrometeorologistas da Embrapa, há grande probabilidade de ocorrência do La Niña no Estado.

“Durante a transição entre eles [El Niño e La Niña], há uma fase de neutralidade, com 83% de probabilidade, caracterizada por temperaturas oceânicas dentro da normalidade”.

Para o próximo mês, agosto e setembro, o pesquisador indica que a probabilidade de ocorrência do La Niña seja superior a 49%. 

“Isso ainda pode impactar as pastagens em razão das adversidades climáticas, como chuvas abaixo da média histórica, granizo, geadas e baixas temperaturas”, explica.

O pesquisador e agrometeorologista da Embrapa Agropecuária Oeste, Éder Comunello acrescenta que nos últimos anos, o clima tem desafiado sobremaneira os produtores rurais brasileiros.

“Entre junho de 2023 e abril de 2024, tivemos a ocorrência do fenômeno El Niño. Embora esse fenômeno seja geralmente associado ao aumento das chuvas no sul e em MS, desta vez foi marcado por bloqueios atmosféricos e ondas de calor, ocasionando vários episódios de escassez hídrica e impactando fortemente a atividade agropecuária no Estado”.

Ainda de acordo com Comunello, apesar de atualmente Mato Grosso do Sul estar sob condição de neutralidade, as cheias vivenciadas no sul do Brasil em maio podem ser consideradas um efeito residual do El Niño.

Para Comunello o cenário de neutralidade não deve perdurar, pois diversas projeções apontam para o estabelecimento de La Niña já a partir de julho.

“Isso implica que há grandes chances de que as nossas produções sejam cultivadas sob essas condições. Durante La Niña, espera-se uma maior ocorrência de secas na região sul”.

Em Mato Grosso do Sul, o pesquisador alerta que haverá uma versão atenuada do que ocorre no sul do Brasil, o que ainda é desafiador, especialmente em um cenário onde há registro recorde de altas temperaturas por vários meses consecutivos. 

“Os impactos de La Niña na agricultura podem ser severos”, afirma.

Negativa

Petrobras nega impacto socioambiental na Foz do Amazonas; MPF pede suspensão da perfuração

MPF afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento, com embarcações saindo do porto de Belém

20/09/2026 21h00

Sede da Petrobrás

Sede da Petrobrás Imagem: Agência Petrobras

Continue Lendo...

A Petrobras informou hoje, em nota à Broadcast, que as atividades na Margem Equatorial estão em fase de pesquisa exploratória e que os estudos realizados não identificaram impactos socioambientais diretos sobre comunidades ou terras indígenas em razão da atividade no bloco FZA-M-59, na bacia do Foz do Amazonas. O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) a suspensão imediata da licença de perfuração de petróleo concedida à estatal para o bloco, que fica na Margem Equatorial. A Petrobras anunciou, em 14 de agosto, a descoberta de petróleo de boa qualidade no poço de Morpho.

No recurso apresentado na última quinta-feira (17), o MPF afirma que 17 municípios do Pará estão na área de influência do empreendimento, com embarcações saindo do porto de Belém e cruzando rotas tradicionais de grande sensibilidade ambiental, onde famílias indígenas, quilombolas e pescadores artesanais relatam prejuízos, como redes destruídas, peixes afugentados e risco de acidentes. O MPF pede a suspensão das atividades até que uma consulta prévia seja feita a todas as comunidades tradicionais da costa do Pará, além da realização de estudos pesqueiros, da apresentação de um plano de compensação e da redelimitação da área de influência.

Em nota, a estatal alegou que, embora a consulta prévia não seja aplicável a esse licenciamento, "realizou um amplo processo de comunicação e diálogo com a sociedade e as comunidades da região antes do início da perfuração, com mais de 80 reuniões e audiências públicas em 22 municípios dos estados do Amapá e do Pará".

No último dia 3, o Ibama atendeu a pedido da Petrobras e retificou a licença de perfuração do poço Morpho, localizado a cerca de 175 km da costa do estado do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros, incluindo a autorização para perfurar mais três poços (Manga, Crotalus e extensão de Morpho). As operações na área do poço Morpho seguem em andamento na fase de conclusão da perfuração, enquanto a companhia planeja as ações para as atividades exploratórias nos três poços contingentes.

"A Petrobras cumpre rigorosamente a legislação e as exigências dos órgãos competentes no processo de licenciamento ambiental", diz a nota.

O MPF quer ainda que o caso permaneça na Justiça Federal do Pará, alegando que a competência deve ser definida pelo local onde os danos acontecem, já que a logística de navios, resíduos e suporte opera a partir do Estado. A Justiça Federal no Pará havia remetido o processo ao Amapá para evitar decisões conflitantes.

Especificamente em relação ao sobrevoo de aeronaves, a Petrobras sustenta que o aeroporto de Oiapoque (PA) opera há décadas e está sendo utilizado pela Petrobras dentro de sua capacidade licenciada. O uso da estrutura aeroportuária reflete ainda ajustes operacionais realizados a partir de 2023, quando foram realizadas reuniões com o Conselho de Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) para revisão de rotas e ampliação da altitude das aeronaves.

"A Petrobras permanece à disposição para prestar os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a segurança, a proteção socioambiental, o diálogo com as comunidades e o cumprimento dos procedimentos estabelecidos pelas autoridades", diz a estatal.

CENSO IMOBILIÁRIO

Na Capital, 60% pretendem comprar um imóvel, mas 11% realmente compram

Baixo percentual de compra pode estar relacionado à alta taxa de juros, aponta o Sinduscon-MS

20/09/2026 15h00

Casa para vender em Campo Grande

Casa para vender em Campo Grande MARCELO VICTOR

Continue Lendo...

Dados divulgados pelo Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS) apontam que 60% dos campo-grandenses pretendem comprar um imóvel atualmente.

Mas, apenas 11% realmente compram. De acordo com o vice-presidente da Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, este baixo percentual pode estar relacionado à alta taxa de juros.

“Os altos juros sempre atrapalham e tiram o aquecimento das vendas, mas a gente tem notado que está saindo negócio sim. Se o juros baixar um pouco, com certeza aquece um pouco mais”, explicou.

Casa para vender em Campo GrandePresidente do Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, em coletiva de imprensa realizada em 28 de agosto. Foto: Marcelo Victor

Mesmo assim, o sonho saiu do papel para muitos: de janeiro a julho de 2026, 872 unidades foram vendidas em Campo Grande, sendo 464 no primeiro trimestre e 408 no segundo trimestre.

Do padrão Minha Casa Minha Vida, foram comercializados 272 imóveis no primeiro trimestre e 80 imóveis no segundo trimestre.

Casas de padrão médio (80%) tiveram um boom nas vendas no último trimestre, enquanto imóveis Minha Casa Minha Vida (20%) aparecem em segundo lugar e compactos (2%) em terceiro. Imóveis luxuosos tiveram retração (-1%).

No segundo trimestre, o m² custava R$ 9.857,00 em Campo Grande. No primeiro trimestre, custava R$ 10.477, portanto, o valor baixou de um período para o outro.

Confira o valor médio por tipo de residência:

  • Residência com um dormitório – R$ 707.604,00
  • Residência Minha Casa Minha Vida com dois dormitórios – R$ 293.682,00
  • Residência com três dormitórios – R$ 1.141.120,00
  • Residência com quatro ou mais dormitórios – R$ 3.406.840,00
  • Geral – R$ 688.283,00

Fonte: Sinduscon-MS

BRASIL

De acordo com o head da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, a intenção de comprar um imóvel é de 52% no Brasil – o percentual é o maior desde 2019 e atingiu a máxima histórica.

Mas dos que pretendem, 11% realmente compram. Nas regiões Centro-Oeste/Norte, 53% pretendem comprar um imóvel e 47% não pretendem.

A compra pode se concretizar em até 6 meses (8%), em até 1 ano (23%), em até 1 ano e meio (13%), em até 2 anos (24%) e acima de 2 anos (32%).

Os imóveis mais desejados pelos brasileiros são apartamento (40%), casa em rua (38%), casa em condomínio fechado (17%), terreno em condomínio aberto (3%), terreno em condomínio fechado (2%).

Os imóveis preferidos são residência para moradia (86%), residência para lazer (8%) e comercial (6%).

As motivações para compra são sair do aluguel (37%), sair da casa dos pais (15%), mudar de endereço (9%), casamento (2%), separação (1%), mais espaço (14%), mais benefícios (3%), imóvel mais novo (3%), locação (12%), revenda (1%), imóvel para familiar (2%) e residência menor (1%).

AJUDA PARA COMPRAR O PRIMEIRO IMÓVEL

Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) está com 400 vagas abertas para famílias de Campo Grande que querem comprar o primeiro imóvel.

Cada beneficiário poderá receber R$ 4 mil para ajudar a pagar a entrada do financiamento.

O benefício faz parte do programa Bônus Sonho de Morar, dentro do ViraCG Habitação e é destinado a famílias com renda mensal bruta de um a cinco salários mínimos.

Os interessados têm até 30 de novembro de 2026 para solicitar o benefício. O atendimento será feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h, na sede da Emha, localizada na Rua Iria Loureiro Viana, nº 415, Vila Oriente.

As 400 cotas serão distribuídas por ordem cronológica de solicitação. Caso o número de interessados ultrapasse a quantidade disponível, será formada uma lista de suplentes.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).