A suinocultura de Mato Grosso do Sul tem potencial para ampliar a capacidade produtiva em mais de 500 mil animais, enquanto três em cada quatro produtores demonstram interesse em expandir a atividade nos próximos anos. Os dados fazem parte do primeiro Censo da Suinocultura de MS 2026, divulgado nesta quinta-feira (2), durante o Fórum Desenvolvimento da Suinocultura de MS, realizado em Dourados.
O levantamento ouviu 130 produtores, contingente que representa aproximadamente 40% dos suinocultores do Estado. Foram aplicadas cerca de 70 perguntas envolvendo estrutura das propriedades, capacidade produtiva, tecnologia, sustentabilidade, mão de obra, sucessão familiar, acesso ao crédito e perspectivas de investimentos.
A pesquisa foi realizada pela Hilles Consultoria em Agronegócio a pedido da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas), com entrevistas feitas diretamente com produtores.
Entre os principais resultados está a disposição do setor para continuar crescendo. Conforme o estudo, 75% dos entrevistados disseram ter interesse em ampliar a produção.
Somadas as diferentes modalidades produtivas analisadas, o potencial de expansão ultrapassa meio milhão de animais. Somente as unidades de terminação, responsáveis pela fase final de criação dos suínos antes do abate, apresentam capacidade de crescimento estimada em 346.258 animais.
Nas propriedades que trabalham em ciclo completo, reunindo diferentes etapas da criação, o potencial adicional chega a 124.550 animais.
Expansão esbarra em gargalos
Apesar da disposição dos produtores em aumentar a produção, o levantamento aponta obstáculos capazes de limitar novos projetos.
Entre aqueles que pretendem crescer, 57,28% apontaram a disponibilidade de empresas integradoras como principal dificuldade.
Essas companhias são responsáveis por coordenar etapas da cadeia e, dependendo do modelo adotado, fornecer animais, alimentação, assistência técnica e garantir o recebimento da produção.
A falta de mão de obra aparece em segundo lugar, citada por 16,50% dos produtores, enquanto outros 12,62% mencionaram dificuldades relacionadas ao crédito rural.
Os resultados indicam que há capacidade física e interesse dos produtores para ampliar a atividade, mas a expansão depende também de condições econômicas, financiamento e estrutura de integração entre propriedades e empresas do setor.
Investimentos podem chegar a R$ 286,5 milhões
O censo identificou ainda uma carteira expressiva de investimentos planejados pelos produtores. Os projetos de ampliação e modernização somam aproximadamente R$ 286,5 milhões.
Os recursos incluem investimentos em máquinas e equipamentos, automação das propriedades, energia solar, biodigestores e projetos envolvendo produção de biometano, além da ampliação das próprias estruturas das granjas.
Segundo o levantamento, 75% dos produtores entrevistados utilizam crédito rural para financiar as atividades, enquanto 25% afirmaram não recorrer à modalidade.
Para o presidente da Asumas, Renato Spera, que conversou com o Correio do Estado, os dados permitem identificar com maior precisão os caminhos e as necessidades da atividade no Estado.
Renato Spera, presidente da Asumas, afirma que o censo ajuda a identificar gargalos, oportunidades e prioridades para o avanço da suinocultura em Mato Grosso do Sul. Foto: Agro Agência.
“A suinocultura de Mato Grosso do Sul precisava transformar a experiência de quem produz em informação organizada, capaz de mostrar não apenas onde estamos, mas principalmente para onde podemos avançar. O censo nos entrega esse retrato e, a partir dele, conseguimos enxergar oportunidades, gargalos e prioridades com muito mais clareza. É uma ferramenta estratégica para o produtor, para a cadeia produtiva e também para o diálogo com instituições e poder público”, afirmou.
Tecnologia já alcança maioria das propriedades
Outro ponto levantado pelo estudo é o avanço tecnológico nas propriedades rurais. De acordo com o censo, 51,75% das unidades pesquisadas foram classificadas com nível tecnológico alto, enquanto 42,11% aparecem em nível médio e apenas 6,14% foram enquadradas em nível baixo.
Entre as tecnologias e estruturas avaliadas estão sistemas automatizados de alimentação, climatização, energia solar, biodigestores, fertirrigação, tratamento dos dejetos e ferramentas digitais de gestão.
O tratamento dos resíduos produzidos pelos animais está presente em 100% das propriedades pesquisadas. A alimentação automatizada aparece em 97,37% das unidades, enquanto 96,49% utilizam fertirrigação, técnica que aproveita nutrientes dos dejetos tratados na adubação de áreas agrícolas.
O levantamento também identificou disponibilidade de áreas para aplicação desses resíduos e apontou que parte desse potencial ainda não é plenamente aproveitada.
Produtores envelhecem, mas maioria planeja sucessão
O perfil dos responsáveis pelas propriedades também entrou no diagnóstico. A maior parcela dos entrevistados, equivalente a 34,21%, possui entre 51 e 60 anos. Outros 24,56% têm mais de 60 anos e 20,18% estão na faixa entre 41 e 50 anos.
Mesmo diante do envelhecimento de parte dos produtores, a maioria afirma já ter algum planejamento para continuidade da atividade dentro da família.
Conforme o censo, 66,67% possuem sucessão familiar planejada, enquanto 15,32% disseram que o processo está parcialmente definido.
Outros 18,02% ainda não possuem planejamento para transferência da atividade às próximas gerações.
A mão de obra formal também predomina nas propriedades pesquisadas. Trabalhadores contratados sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) representam 89,47% da força de trabalho, enquanto a participação de familiares corresponde a 10,53%.
Para a representante da Hilles Consultoria, Gabriela Hillesheim, a adesão dos produtores ao levantamento demonstra interesse do setor em compreender os próprios desafios e planejar novos investimentos.
“Percebemos um grande engajamento durante a pesquisa e uma compreensão clara da importância de construir esse diagnóstico para a suinocultura de Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Com os resultados, a expectativa da Asumas é utilizar os dados como instrumento para orientar decisões dos produtores, atrair investimentos e subsidiar discussões com empresas, instituições financeiras e poder público sobre os próximos passos da cadeia produtiva no Estado.
Renato Spera, presidente da Asumas, afirma que o censo ajuda a identificar gargalos, oportunidades e prioridades para o avanço da suinocultura em Mato Grosso do Sul. Foto: Agro Agência.


