Após acumular leve alta em dezembro de 2025, os combustíveis ficaram mais caros já nos primeiros dias deste ano. Os governos dos estados e do Distrito Federal anunciaram um aumento da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para gasolina, diesel e gás de cozinha.
A alta deve refletir em R$ 0,10 por litro de gasolina, de R$ 0,05 no óleo diesel e de R$ 1,04 no botijão com 13 kg de gás de cozinha.
De acordo com o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), a medida atende à legislação que simplificou a cobrança de um valor fixo por litro ou por quilo válido para todo o Brasil, que deve ser atualizado anualmente.
As alíquotas do ICMS vigentes a partir do dia 1º deste mês são de R$ 1,57 por litro de gasolina, R$ 1,17 por litro de diesel e R$ 1,47 por quilo do gás liquefeito de petroleo (GLP ou gás de cozinha), ou seja, o aumento do imposto foi de R$ 0,10 por litro de gasolina, de R$ 0,05 por litro de diesel e de R$ 0,08 por quilo de gás de cozinha.
Ainda segundo o Comsefaz, o modelo de alíquota atual representa perdas de arrecadação para estados e municípios em um cenário de elevação de preços.
O comitê também diz que a lei aprovada pelo Congresso em 2022 restringe a autonomia dos estados, além de incentivar o consumo de combustíveis fósseis. Segundo o comitê, no primeiro ano de aplicação da lei, os estados tiveram perdas fiscais superiores a R$ 100 bilhões por ano.
Em Campo Grande, o litro da gasolina varia de R$ 5,53 a R$ 5,99 - Foto: Gerson Oliveira/Correio do EstadoDe acordo com o diretor-executivo do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro-MS), Edson Lazarotto, o impacto nas bombas acompanha o definido pela alíquota e é imediato.
“Esse reajuste é exclusivamente tributário e tende a ser refletido no preço final dos combustíveis, independente de outros fatores como preços da Petrobras, margens, fretes ou adicionamento do biocombustível”, ressalta.
Além de já estar em vigor a oneração do tributo, a tendência, conforme especialistas, é de que haja novos reajustes ainda neste início de ano, tanto por aumento da demanda quanto pela defasagem em relação ao mercado internacional.
ALTA
Mesmo sem nenhuma alteração de preços nas refinarias da Petrobras, os combústíveis registraram alta no último mês do ano. Conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no mês de dezembro do ano passado, o litro de gasolina ficou até R$ 0,06 mais caro em Mato Grosso do Sul.
O preço mínimo do litro da gasolina saiu de R$ 5,47 na última semana de novembro do ano passado para R$ 5,53 na última semana de dezembro do mesmo ano. Na média, o aumento foi de R$ 0,02 saindo de R$ 5,93 para R$ 5,95. No valor máximo houve uma leve redução, de R$ 6,87 para R$ 6,85.
No mesmo período, conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol apresentou aumento de R$ 0,04 no preço médio, saindo de R$ 3,96 em novembro para R$ 4,00 em dezembro de 2025.
O valor mínimo para a comercialização do biocombustível saltou R$ 0,05, de R$ 3,73 para R$ 3,78, enquanto o valor máximo praticado no Estado se manteve em R$ 4,97.
O óleo diesel comum ficou em média R$ 0,01 mais barato no mesmo período, saindo de R$ 5,93 para R$ 5,92. No preço mínimo a redução foi de R$ 0,05, saindo de R$ 5,69 para R$ 5,64, enquanto o valor mais alto se manteve em R$ 7,17.

Dados da mais recente análise do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), levantamento que consolida o comportamento de preços das transações nos postos de combustível, trazendo uma média precisa, apontaram que, em dezembro do ano passado, o Centro-Oeste apresentou altas nos preços do etanol, da gasolina e do diesel comum na comparação com novembro do mesmo ano.
O etanol registrou aumento de 2,21%, chegando ao preço médio de R$ 4,62. A gasolina também ficou mais cara, com alta de 0,15%, sendo comercializada, em média, a R$ 6,47.
O diesel comum teve leve elevação de 0,48%, alcançando o valor médio de R$ 6,26, enquanto o diesel S-10 manteve estabilidade, com preço médio de R$ 6,34 na região.
“Em dezembro [de 2025], o Centro-Oeste apresentou um movimento de reajustes moderados nos preços dos combustíveis, com destaque para as altas do etanol e da gasolina, que refletem fatores como variações na oferta e maior demanda típica do fim de ano. O diesel comum também teve um leve aumento, enquanto o S-10 permaneceu estável, indicando um cenário geral de ajustes pontuais. Mesmo com a alta, o etanol continuou sendo a alternativa economicamente mais vantajosa em todos os estados da região. Além do aspecto financeiro, é importante reforçar o papel do biocombustível na transição para uma mobilidade mais sustentável, já que o etanol é renovável e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa”, analisa Renato Mascarenhas, Diretor de Rede de Abastecimento da Edenred Mobilidade.
PARIDADE
Outro fator que pode pesar no bolso do consumidor neste início de ano é a defasagem dos preços nacionais no comparativo com o valor internacional dos combustíveis fósseis. A defasagem de preços em relação ao mercado internacional pressiona a Petrobras por um reajuste no óleo diesel e na gasolina.
Conforme o relatório da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgado nesta sexta-feira, o preço da gasolina comercializada pela Petrobras está 9% abaixo das cotações do preço de paridade internacional (PPI) e o óleo diesel, 2%.



