Economia

AUMENTO NAS VENDAS

Com Copa e Black Friday, TV's são "campeãs de venda", seguido por eletrodomésticos e celulares

Tamanho de tela e menores preços são itens os itens mais levados em conta pelos consumidores, que demonstram estar primeiro de olho nos jogos

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Preocupados em não perder um lance da seleção - que estreia na quinta-feira (24) -, os campo-grandenses (diante da Black Friday e promoções da Copa) tem priorizado garantir um televisor de qualidade, ao invés de um novo eletrodoméstico, ou até trocar de celular neste fim de ano, segundo análise de diversas lojas do setor em Campo Grande. 

Gerente-adjunto do Magazine Luiza na Capital, Welington Servim explica que a mistura entre a tradicional Black Friday com os jogos da Copa do Mundo neste mês (que fazem borbulhar as promoções), representou para a loja um crescimento de 35% do volume de vendas no período, se comparado com 2021.

"Pode ser que atrapalhou. Poderíamos ter dois meses num ano que iria vender muito, mas estamos crescendo um valor considerável. Teremos essa resposta somente no final do ano", diz o gerente local da Magalu. 

Ele explica que durante os meses de junho e julho - quando tradicionalmente acontece a Copa, há cada quatro anos -, o valor agregado de vendas foi normal. 

"Poderia ter, e esse mês ainda ser bom por causa da Black. Mas acredito que ajudou bastante. E o movimento nessa época já é muito bom", revela ele sobre o volume de vendas com a proximidade do fim de ano. 

Além dessa loja, Carlos Rogério Pereira de Souza é gerente de uma unidade das Casas Bahia na Capital, e explica que a categoria de televisores registrou um aumento de 25% no volume de vendas.  

"Coincidiu a Copa do Mundo com a Black, então pode se ver pelo volume de clientes na loja. Misturar a Copa com Black não atrapalhou", comenta ele.

Everton Oliveira Santos, gerente há quatro anos de uma das Lojas Gazin em Campo Grande, também expõe que houve esse aumento na busca por televisores, e por TV's maiores, inclusive. 

"A gente tinha uma média de 43 a 50 polegadas. Hoje o pessoal está em buscanda de TVs de até 65... e aumentou bem as vendas", afirma.

Tamanho, preço ou marca

Carlos das Casas Bahia explica que, a própria rede, têm apostado muito forte na venda daqueles televisores maiores, mas que para eles esse ainda é o segundo ponto a ser levado em conta. 

"Pessoal está procurando preço. Tem alguns com preferência por marca, mas a maioria o pessoal vem atrás do valor baixo". 

Segundo o gerente, atrás dos televisores, aparecem na corrida dos mais vendidos a categoria dos eletrodomésticos (refrigeradores e lavadoras), sendo seguida pelos celulares. 

"Sempre o celular é top de venda, mas por essa Copa do Mundo, a gente está muito ainda na questão de vender televisão", diz. 

Entretanto, ainda que a Copa e Black Friday impulsionem as vendas, tendo também a época natalina no porvir, há a possibilidade de um esfriamento no comércio antes do fim do ano. 

"A gente tem já uma noção que, sempre depois do black, dá aquela ressaca de compra. Mas temos dezembro e janeiros, meses muito fortes pelas liquidações que tem da sobra de estoque", completa Carlos Rogério. 

Nas lojas Gazin, como ressalta o gerente Everton Oliveira, os consumidores buscam em primeiro lugar o preço baixo mas também a tecnologia que, juntos, tem colaborada para reduzir os estoques.  

"De televisores, por exemplo, nós já tínhamos abastecido aqui, já para black desta semana, no final do mês. Já tive que reforçar mais um caminhão de carga, porque está vendendo muito. Tínhamos pilhas de televisores altas, e tá saindo". 

Também o gerente do Magalu, Servim, aponta para o aumento na busca por eletrodomésticos e televisores, em detrimento dos próprios celulares, que seguem atropelados no ranking pelas geladeiras e lavadoras. 

"Acredito que em todo dezembro é muito bom, há troca do celular, alguns dão de presente. Mas esse ano deu uma parada, porque cresceu demais o eletro. A tecnologia, que é o celular, eu achei que deu uma parada, geladeiras e lavadoras são coisas que estão vendendo mais" 

Por fim, sobre as vendas da loja, ela explica que os tamanhos são preferência, mas as pessoas também não deixam de olhar para as marcas na hora da compra. 

"As conhecidas: LG; Samsung e TCL, que cresceu muito no mercado e tem um custo-benefício muito bom comparado as outras duas. Mas na região vende muita TV de 50 polegadas para cima", finaliza ele. 

 

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crescimento

Empresas do agro puxam alta de recuperações judiciais

Estado registrou 38 pedidos entre produtores e empresas da cadeia, ante 25 no mesmo período de 2025

17/08/2026 07h40

Arquivo

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O agronegócio de Mato Grosso do Sul registrou forte aumento nos pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre deste ano. Foram 38 solicitações entre produtores rurais e empresas relacionadas à cadeia do setor, contra 25 no mesmo período de 2025. O crescimento de 52% em apenas um ano ficou bem acima da alta de 21,9% registrada no País, conforme os dados da Serasa Experian.

O levantamento aponta ainda que no Estado, o maior número de solicitações partiu das empresas relacionadas ao agronegócio, que concentraram 22 pedidos entre janeiro e março. O grupo representa quase 58% do total registrado em MS.

Na sequência aparecem os produtores rurais que atuam como pessoa física, com 13 pedidos, enquanto os produtores constituídos como pessoa jurídica somaram apenas três solicitações no período.

O avanço ocorre em um momento de pressão sobre o caixa do setor, com crédito mais seletivo, custos elevados de produção e maior nível de endividamento. Segundo a Serasa Experian, esses fatores continuam dificultando a capacidade de produtores e empresas de manter o equilíbrio financeiro.

Para o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o aumento dos pedidos no início deste ano reflete problemas que já vinham afetando o setor.

“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado”, disse e completou.

“Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”.

PERFIL

O principal ponto de atenção em Mato Grosso do Sul está nas empresas que integram a cadeia do agronegócio. Dos 38 pedidos contabilizados no primeiro trimestre, 22 foram feitos por esse grupo. O número coloca as empresas relacionadas ao agro como responsáveis pela maior parcela das recuperações judiciais do setor no Estado.

Em todo o Brasil, esse segmento registrou 96 pedidos no primeiro trimestre, crescimento de 18,5% em relação aos 81 registrados no mesmo período de 2025.

Entre as atividades que mais solicitaram recuperação judicial estão as agroindústrias de transformação primária, com 23 pedidos, seguidas pelas indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e pelos serviços de apoio à agropecuária, com 15 pedidos.

No ranking nacional, Paraná, São Paulo e Mato Grosso lideraram os pedidos entre as empresas relacionadas à cadeia do agro.

O cenário mostra que a dificuldade financeira não está concentrada apenas no produtor que trabalha diretamente dentro da propriedade. Empresas responsáveis por processamento, transformação e prestação de serviços também sofrem os efeitos de um ambiente de crédito mais restritivo e de custos elevados.

Os produtores rurais que atuam como pessoa física foram responsáveis por 13 pedidos de recuperação judicial em Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre.

O número chama a atenção porque, no cenário nacional, essa categoria apresentou queda. Foram 182 pedidos no primeiro trimestre deste ano, ante 195 no mesmo período de 2025, redução de 6,7%.

Na avaliação nacional por porte, os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 60 pedidos. A classificação pode incluir arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos ligados à atividade rural.

Na sequência aparecem pequenos proprietários, com 44 solicitações; grandes produtores, com 41 pedidos; e médios, com 37 solicitações.

Mato Grosso liderou a lista nacional de pedidos entre produtores pessoa física, seguido por Paraná e Goiás.
Em Mato Grosso do Sul, porém, o comportamento foi diferente da média brasileira, com 13 solicitações no primeiro trimestre.

Entre os produtores rurais constituídos como pessoa jurídica, MS registrou três pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março. O número representa a menor participação entre os três grupos analisados no Estado.

No País, porém, esse foi o segmento que apresentou o crescimento mais expressivo. Foram 196 pedidos no primeiro trimestre deste ano, contra 113 no mesmo período do ano passado, uma alta de 73,5%.

Conforme já publicado pelo Correio do Estado, no ano passado, foram 216 pedidos de recuperação judicial no setor em MS, volume que é 118% superior ao de 2024 e 756% maior que os pedidos de recuperação judicial de 2023.

Para Frederico Poleto, diretor de ciência de dados agro na Serasa Experian, são vários os fatores que influenciam na disparada dos pedidos de recuperação judicial. Entre os motivos estão o aumento da taxa Selic e também uma mudança de mercado que resultou em queda de preços.

 “No agro, há fatores climáticos e de mercado que impactam de forma bem específica. A soja, por exemplo, teve os preços historicamente mais altos entre os anos de 2020 e 2022, com custos baixos de grãos, fertilizantes, defensivos e operacionais”, explica.

ESTRATÉGIA

A recuperação judicial permite que produtores e empresas em dificuldade financeira reorganizem suas dívidas e busquem condições para manter as atividades. No agronegócio, o mecanismo ganhou espaço diante da combinação de custos elevados, endividamento e oscilações de receita.

Para Marcelo Pimenta, entretanto, o recurso deve ser utilizado somente depois de esgotadas outras alternativas.

A recomendação da Serasa Experian é priorizar a renegociação dos compromissos e o planejamento financeiro, especialmente em períodos de maior pressão sobre o caixa.

tarifaço

Exportadores veem motivação eleitoral e criticam abertura do processo de reciprocidade

Líderes de entidades industriais entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço

16/08/2026 23h00

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A abertura do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço do governo norte-americano sobre produtos brasileiros está sendo lamentada por setores exportadores da indústria. A percepção é de que a medida atende mais ao propósito do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de fortalecer o discurso de soberania nacional, visando à reeleição em outubro, do que aos interesses das empresas que tiveram embarques ao mercado americano atingidos por sobretaxas comerciais.

Líderes de entidades industriais consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) entendem que o acionamento da lei de reciprocidade não deve servir como pressão adicional para forçar o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, a negociar o tarifaço.

Também apontam que os efeitos práticos da iniciativa dificilmente ocorrerão em menos de três meses, devido às etapas do processo - aprovação de relatório, consulta pública e deliberações finais - até a eventual aplicação de contramedidas

Por isso, nos bastidores, exportadores avaliam que a abertura do processo decorreu mais de cálculos políticos do que econômicos. "Estamos em ano eleitoral, e a reciprocidade vem ao encontro do discurso de soberania. Pode ser usada nesse aspecto", comentou, em off, um dirigente da indústria.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, concorda que a medida pode ter sido influenciada pelas eleições. Segundo ele, a decisão do governo tende a gerar mais transtorno do que benefício nas negociações com os Estados Unidos.

"Eu preferiria que essa medida não tivesse sido tomada porque, neste momento, não estamos em condição de igualdade com os Estados Unidos. Pelo contrário, somos coadjuvantes, enquanto o outro lado é protagonista", comenta Castro.

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