Um grupo de 60 produtores de Campo Grande, fundou, na última quinta-feira, a Cooperativa de Produtores Orgânicos da Agricultura Familiar de Campo Grande/MS (Organocoop), para oferecer frutas, legumes e verduras, sem utilização de agrotóxicos. Uma das novidades é a entrega domiciliar de uma cesta com os produtos. De oito a dez itens, por exemplo, o custo fica entre R$ 20 e R$ 30, dependendo do que for encomendado.
Osmar Schossler, presidente da nova entidade, destaca que haverá planejamento de produção entre os associados. “Vamos reunir todo mundo e formar um plano de comercialização, separar o que cada um vai plantar e montar um escalonamento para que nós sempre tenhamos produtos para fornecer”, diz. São dois dias de feira orgânica por semana: na quarta-feira, na Praça do Rádio Clube e aos sábados, no estacionamento da prefeitura municipal, no período da manhã.
Atualmente, nenhum produtor rural de Mato Grosso do Sul possui a certificação orgânica. No entanto, alguns grupos estão se organizando para facilitar esse processo. É que 2011 vai trazer grandes mudanças para os produtores rurais de todo o País. Por determinação de lei, a partir do ano que vem, nenhum produto poderá ser comercializado sob o rótulo de orgânico, natural ou agroecológico sem que esteja devidamente certificado.
O grupo integra o projeto Pais (Produção Agroecológica Integrada e Sustentável) – que na Capital é desenvolvido pela parceria entre Sebrae/MS, prefeitura, Fundação Banco do Brasil e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – e vai receber, a partir de outubro um trabalho de consultorias para a certificação orgânica, por meio do Programa Sebrae de Consultoria (Sebraetec). O projeto, voltado para o incentivo à inovação, vai custear 90% do valor da certificação. Além disso, também vai oferecer serviços de orientação para que o produtor rural se adapte a cada uma das exigências legais.
Negociação
O gerente de agronegócios do Sebrae/MS, Marcus Rodrigo de Faria, comenta que o principal canal de comercialização para estes produtores é a venda direta, sendo que alguns poucos conseguiram acessar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). “Uma vez unidos, como cooperativa, eles terão maior quantidade de produto para fornecer. Isso vai possibilitar um maior poder de barganha”, relata. “É muito mais fácil para o poder público realizar a compra de alimentos para merenda escolar diretamente com um grupo do que individualmente. O mesmo acontece com supermercados e sacolões”, finaliza.


