O cooperativismo vem ampliando o espaço na pecuária de Mato Grosso do Sul como estratégia para reduzir custos e melhorar a margem de quem produz. Em 2026, a NovilhoCOOP, cooperativa ligada à cadeia do Novilho Precoce, calcula ter proporcionado mais de R$ 10 milhões em economia aos seus mais de 170 cooperados. Para 2027, a meta é movimentar R$ 100 milhões em negociações de insumos.
Na Fazenda Saltinho, em Camapuã, o produtor rural Elinaldo Ferreira Paniago é um dos exemplos de como a compra coletiva pode ajudar no bom resultado da propriedade. Com criação de bovinos Nelore e Angus nas etapas de recria e engorda, ele estima que a aquisição de DDG (Dried Distillers Grains), suplemento alimentar para gado, pela cooperativa reduza em R$ 4,50 o custo de cada arroba produzida. Em um lote de mil animais durante 100 dias de confinamento, a economia calculada chega a R$ 33 mil.

“Na nossa experiência, a compra pela cooperativa permite uma economia de 8% a 10% no preço do DDG. Como utilizamos uma quantidade significativa desse ingrediente na dieta, essa diferença representa uma redução importante no custo da alimentação e melhora o resultado final do negócio”, afirma Elinaldo em entrevista ao Correio do Estado.
Como a nutrição representa uma parte muito importante dos custos do confinamento, conseguir melhores condições de compra pode fazer diferença na conta final da produção. Segundo o pecuarista, além de reduzir despesas, a negociação antecipada permite aproveitar períodos de maior oferta e garantir o fornecimento por pelo menos seis meses, trazendo mais previsibilidade ao planejamento.
A atuação da NovilhoCOOP não se limita à aquisição de ingredientes para ração. A cooperativa organiza campanhas temáticas para reunir demandas dos produtores e negociar com fornecedores em diferentes áreas da atividade rural, como reprodução, identificação animal, sanidade, infraestrutura e manejo do solo.
Entre os produtos negociados estão DDG, torta de algodão e farelo, sementes, fertilizantes, herbicidas, sêmen, materiais para inseminação artificial em tempo fixo (IATF), brincos e chips para identificação do rebanho, vermífugos, cochos e bebedouros.
O supervisor da cooperativa, Igor Simmer, explica que o processo começa com o levantamento das necessidades dos cooperados. A equipe consulta fornecedores e reúne as condições comerciais para avaliação de uma comissão interna formada por diretores que também são produtores rurais.
“Não prezamos apenas pelo preço, mas também pelos benefícios, pela qualidade do serviço e pela assistência. Levamos as condições para a comissão de diretoria, que determina qual empresa será parceira da campanha”, explica Simmer.
A proposta é avaliar o conjunto das condições oferecidas, e não apenas o menor valor. A concentração da demanda também pode tornar a negociação mais atrativa para os fornecedores, que passam a atender um volume maior de compras.
Para Elinaldo, o impacto da cooperativa vai além da economia obtida com o DDG. As campanhas de sementes de capim, produtos para reprodução, suplementos e rações ampliam as possibilidades de negociação em diferentes etapas da produção. Os encontros com outros pecuaristas e fornecedores também permitem trocar experiências e buscar conhecimento técnico para melhorar a gestão da propriedade.
“Essa economia melhora nossa margem e abre espaço para investir e crescer com mais segurança”, afirma o produtor.
Associativismo
Para o diretor-tesoureiro da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Frederico Stella, a NovilhoCOOP representa um avanço em iniciativas de associativismo que já vinham sendo desenvolvidas pela Associação dos Produtores de Novilho Precoce.
Segundo ele, a entidade já trabalhava com programas de melhores preços e bonificações em frigoríficos, além de ações de compra. A criação da cooperativa amplia esse movimento ao organizar as negociações de insumos em uma estrutura própria.
“A NovilhoCOOP vem para coroar ações que a própria Associação do Novilho Precoce já vinha fazendo crescentemente nos últimos anos, tentando trazer os benefícios que o associativismo proporciona. A cooperativa transforma essa ideia em uma estrutura capaz de trazer benefícios econômicos para quem participa, com reduções significativas de preços em alguns produtos”, afirma Stella.
Na análise do presidente da Novilho Precoce, Rafael Nunes Gratão, a organização dos produtores em torno de compras coletivas é um passo para tornar a pecuária mais competitiva e fortalecer a atividade no Estado. “A ideia é fazer na pecuária o que a agricultura já desenvolveu há muito tempo: fortalecer o produtor por meio da união. Quando negociamos volumes maiores, conseguimos reduzir custos e melhorar as condições de compra. Isso torna a produção mais competitiva e contribui para uma pecuária mais forte e organizada em MS", finaliza Gratão.


