Economia

Revisão de despesas

Corte de gastos no governo de MS pode chegar a R$ 800 milhões até o fim do ano

Plano vai se concentrar em despesas de custeio e deve ser anunciado no início de agosto; aumento de impostos é descartado

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O governo de Mato Grosso do Sul espera economizar de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões até o fim do ano com o corte de gastos que deve ser anunciado a partir do próximo mês. O secretário de Estado de Governo e Gestão Estratégica, Rodrigo Perez, informa que os gastos a serem revistos estão, sobretudo, no custeio. 

O motivo de o corte de gastos ser apresentado no próximo mês é que o governo ainda está fazendo a revisão nos contratos de todas as secretarias, para saber de onde o corte de gastos virá. Segundo a administração estadual, a meta é visar o que o governador Eduardo Riedel (PSDB) chama de “qualidade do gasto”. 

“O corte é de agora para dezembro. A gente ainda está fechando esse desenho, que não está pronto”, afirmou Rodrigo Perez em entrevista ao Correio do Estado. “A gente projeta algo em torno de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões de redução de custeio no orçamento anual”, revelou Perez.

No fim de semana, em entrevista publicada pelo Correio do Estado, Perez já havia mencionado um plano de gastos mais incisivo.

“Cortar gastos é uma prática recorrente nossa, algo que nós sempre olhamos. Mas, agora, estamos pensando em uma medida mais restritiva, em que a gente possa continuar equilibrando as contas públicas”, disse o secretário. Na ocasião da entrevista, Perez usou uma frase constantemente usada pelo governador Eduardo Riedel (PSDB) nas reuniões, a de que “gasto cresce igual a unha, tem de cortar sempre”. 

E a redução de despesas também é chamada de qualidade do gasto, é o que explica o governador Eduardo Riedel. “Mato Grosso do Sul passa por um momento em que precisamos discutir a qualidade do gasto. Existem outros mecanismos  para garantir o crescimento e o desenvolvimento econômico, rubricas que podem ser discutidas para reduzir e melhorar os gastos que não o aumento de impostos, e penso que a sociedade não admite isso como a única solução do equilíbrio fiscal”, lembra o governador. 

A justificativa de Riedel é de que o equilíbrio fiscal deve ajudar o Estado a continuar investindo. “É fato que o estado tem recebido um grande volume de investimento em diferentes cadeias produtivas, e precisa atuar para estruturar a logística e a infraestrutura como indutores desse ambiente competitivo”, acrescentou.

Necessidade 

A revisão de gastos pelo governo também é necessária por outros motivos, um deles é  o de equilibrar as contas, como, por exemplo, fazer com que o Estado volte a ficar abaixo do limite prudencial para gastos com pessoal, rompido no primeiro quadrimestre do ano. 

O relatório resumido de gestão fiscal mais recente indica que Mato Grosso do Sul tem uma receita corrente líquida ajustada – conforme os critérios da Lei de Responsabilidade fiscal (LRF) – de R$ 20,63 bilhões, e despesas com pessoal de R$ 9,68 bilhões, o que corresponde a 46,92% da receita corrente líquida.

O limite prudencial de gastos com pessoal previsto pela LRF é de 46,55%, o equivalente, segundo as contas da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), a R$ 9,6 bilhões.

Ou seja, por R$ 80 milhões a mais em gastos com pessoal, considerando uma média ponderada de 12 meses, Mato Grosso do Sul ultrapassou o limite prudencial da LRF.

Contigenciamento

A própria Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026, aprovada na semana passada, já prevê um aperto nas despesas por causa de um otimismo menor com o aumento de arrecadação e, também, de uma possível adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que pode resultar em contingenciamento em pleno ano eleitoral.

“A referida adesão poderá acarretar o contingenciamento de gastos”, afirma Riedel, ao citar a limitação do crescimento de despesas na mensagem enviada à Alems.

Para 2026, o governo estadual estima uma receita total de R$ 23,86 bilhões, enquanto as despesas previstas no projeto da LDO chegariam a R$ 24,2 bilhões. Os valores não consideram as fontes de receita do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS).

Enquanto, para este ano, o Estado ainda prevê encerrar o exercício orçamentário com um superavit primário de R$ 366,2 milhões, para 2026, a estimativa é de que as contas fiquem no vermelho, com um deficit primário de R$ 207,2 milhões. A variação negativa seria de 156,6%, caso a previsão contábil enviada à Alems se concretize.

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Fundo de Financiamento

Comissão aprova mais R$ 192 milhões em investimentos nos setores rural e empresarial

Desde o mês passado, já foram aprovados 113 pedidos de financiamento

12/02/2026 15h30

Em 2026 já foram aprovados 113 cartas-consulta

Em 2026 já foram aprovados 113 cartas-consulta FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Os membros do Conselho Estadual de Investimentos Financiáveis pelo Fundo Constitucional de Financiamento do Centro Oeste (CEIF/FCO) aprovaram, nesta quinta-feira (12) 40 cartas-consultas de projetos de 23 municípios do Estado. 

O maior investimento requerido foi para o financiamento de uma fábrica de ração para porcos no município de Sidrolândia, no valor de R$99,97 milhões. O valor total do projeto está orçado em R$ 133,89 milhões. 

Durante a reunião, a Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) anunciou o montante de R$ 500 milhões pelo Fundo de Desenvolvimento do Centro Oeste (FDCO) exclusivo para o financiamento de projetos de infraestrutura, logística, serviços públicos e grandes empreendimentos produtivos. 

Segundo o secretário Jaime Verruck, ainda há a expectativa de injeção de mais R$ 700 milhões para a mesma finalidade através do Banco do BRICS, grupo de países emergentes formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Aprovações

Das 40 cartas-consultas aprovadas, 33 foram destinadas à linha FCO Rural em valores que totalizam R$ 170.948.222,59. As outras 7 foram para a linha FCO Empresarial, no valor de R$ 21.284.926,36, com a maior demanda para o setor de Comércio e Serviços, com 5 cartas aprovadas. A Indústria e a Ciência e Tecnologia tiveram uma carta consulta aprovada cada. 

No setor Rural, a maior demanda foi para a compra de máquinas agrícolas, com 12 cartas aprovadas. Em seguida, vem a reforma de pastagem e aquisição de matrizes bovinas, com cinco cartas cada; correção de solo e benfeitorias rurais, com três cada consultas cada; projetos de irrigação teve duas cartas aprovadas e projetos de suinocultura, indústria cooperativa e energia fotovoltaica, um financiamento cada. 

Ao todo, já foram aprovados 113 pedidos de financiamento ao CEIF/FCO no valor total de R$ 321.533.685,24, sendo 88 na linha FCO Rural e 25 na linha FCO Empresarial. 

“Importante ponderar que 75% desses financiamentos foram para investimentos na área rural, o que é positivo pois mostra a demanda aquecida no campo, considerando que Mato Grosso do Sul tem nesse setor a base forte de sua economia. Entretanto, continuamos os esforços para divulgar a linha do FCO Empresarial, que por enquanto só detém 25% do montante aprovado”, completou Verruck.

Em 2025 foram injetados R$ 3,240 bilhões pelo Fundo no Estado, um valor recorde, tendo forte demanda do setor rural, que concentrou 75% dos recursos disponibilizados, índice acima da média verificada em anos anteriores, quando a distribuição ficava em torno de 60% para o FCO Rural e 40% para o FCO Empresarial. 

Inicialmente, o repasse da Sudeco para Mato Grosso do Sul foi de R$ 2,7 bilhões, mas o aumento da demanda levou ao reajuste do valor até atingir R$ 3,2 bilhões. 

Para 2026

O volume já aprovado do FCO para Mato Grosso do Sul em 2026 é de R$ 3,1 bilhões. Metade será aplicado no setor empresarial, voltado à indústria, comércio, serviços e turismo, enquanto a outra metade, será destinada às atividades do setor rural. 

O valor representa um aumento de 14% em relação ao volume inicial de 2025, já que o Estado foi o único da região que precisou de novos aportes porque o valor disponibilizado inicialmente foi insuficiente para atender às demandas, como afirmou o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Rogério Beretta.

“Fomos o único Estado da região que precisou de novos aportes de recursos porque o valor disponibilizado foi insuficiente para atender a demanda”, ponderou, já prevendo que o valor reservado para 2026 seja reajustado no segundo semestre para atender a demanda.

Como ter acesso ao FCO

Para solicitar o financiamento por meio do FCO, é necessário ser produtor rural ou empresário (de micro a grande porte) e desenvolver suas atividades nos estados da região Centro-Oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás ou no Distrito Federal). 

Os interessados em obter financiamento com recursos do Fundo devem procurar o Banco do Brasil S/A ou uma das Instituições Credenciadas: 

  • Banco Cooperativo do Brasil S.A – BANCOOB; 
  • Banco de Brasília S.A – BRB; 
  • Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE; 
  • Cooperativa de Crédito Rural – CREDICOAMO; 
  • Cooperativa Central de Crédito Rural com Interação Solidária – CENTRAL CRESOL SICOPER; 
  • Agência de Fomento de Goiás S.A – GOIÁSFOMENTO; 
  • Agência de Fomento de Estado de Mato Grosso S.A – MT FOMENTO; e 
  • Banco Cooperativo SICREDI S.A. 
  • UNICRED-MT (Cooperativa De Crédito dos Médicos, Profissionais Da Saúde e Empresários de Mato Grosso)
  • Caixa Econômica Federal

Desde 2023, todas as cartas-consultas com propostas de empreendimentos tanto no setor Rural quanto no setor Empresarial podem ser preenchidas e enviadas de modo digital no site da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco). 


 

PMS | IBGE

Volume de serviços em MS fecha 2025 com números preocupantes

Apesar da estabilidade se comparado com igual período do ano anterior, dois últimos meses apresentaram tendência de queda em Mato Grosso do Sul

12/02/2026 12h30

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%)

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%) Marcelo Victor/Correio do Estado

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Nesta quinta-feira (12) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trouxe os resultados de dezembro da chamada Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicando que esse índice em Mato Grosso do Sul fechou o ano de 2025 com números preocupantes em uma tendência de queda no setor nos dois últimos meses. 

Ainda que o próprio índice nacional tenha fechado dezembro com recuo, menos 0,4% frente a novembro no País, a queda para Mato Grosso do Sul foi de -5,2% no setor no último mês de 2025, com o segundo indicador, do comparativo com o mesmo período do ano anterior mostrando certa estabilidade. 

Enquanto na série sem ajuste sazonal, comparado com dezembro de 2024, Mato Grosso do Sul anota uma alta de 2,2%, esse índice nacional fechou mais de um ponto percentual acima (3,4%), segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. 

Nacionalmente, o recuo de 0,4% da Pesquisa Mensal de Serviços prestados entre novembro e dezembro, foi sentido em três das cinco atividades, principalmente influenciado pela queda nos de 3,1% nos transportes. 

Nessa atividade específica, segundo dados da PMS, os recuos foram registrados em todos os segmentos investigados, sendo: 

  • (-5,5%) - Aéreo; 
  • (-4,9%) - Armazenagem, serviços auxiliares aos transportes e correio; 
  • (-1,7%) - Terrestre e
  • (-1,4%) - Aquaviário.

O índice do volume de serviços foi também influenciado pelas quedas em: outros serviços (-3,4%) e de serviços profissionais e administrativos (-0,3%), com as taxas positivas ficando a cargo apenas do setor de informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%). 

PMS em números

Para além do recuo de 5,2% entre novembro e dezembro do ano passado, e da alta de 2,2% no comparativo do último mês de 2024 e 2025, os dados mais recentes divulgados pela Pesquisa Mensal de Serviços mostram uma dura realidade para Mato Grosso do Sul. 

Nesse quesito, o último resultado "positivo" mês a mês para Mato Grosso do Sul foi registrado na passagem de setembro para outubro do ano passado, quando a PMS local teve alta de 6,3%, conforme divulgado pelo IBGE ainda em 2025. 

Esse número, além de ter sido a maior alta do ano passado - como bem acompanha o Correio do Estado -, ainda foi o primeiro índice a interromper uma tendência de queda observada mensalmente desde julho de 2025.

Isso porque, conforme a PMS de dezembro, na série com ajuste sazonal, regionalmente foi registrado recuo no volume de serviços em 16 das 27 Unidades da Federação entre novembro e dezembro de 2025. 

Entretanto, além de figurar entre as 16 das 27 UFs que registraram recuo, o índice negativo de Mato Grosso do Sul (-5,2%) aparece atrás apenas do volume de serviços anotado pelo Estado do Pará (-7,3%). 

Com pouco mais da metade das Unidades da Federação pesquisadas apresentando recuo, entre os bons resultados aparecem, por exemplo, Rio de Janeiro (1,3%), Paraná (1,5%) e também o vizinho direto ao norte de MS, Mato Grosso (4,3%).

Índice foi fortemente influenciado por queda nos transportes, setor com recuos em todos os segmentos, como, por exemplo, no Aéreo (-5,5%) e Terrestre (-1,7%)Reprodução/SDI-MS/IBGE

Através da PMS, como bem frisa a Seção de Disseminação de Informações de Mato Grosso do Sul (SDI-MS) do IBGE, é possível acompanhar a evolução do setor de serviços empresariais não financeiros, bem como dos seus principais segmentos.

 

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