O governo espera que o sistema de crédito para compras de produtos brasileiros por empresas argentinas esteja em funcionamento a partir do mês que vem.
Segundo o ministro Mauro Borges (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), a expectativa é que Brasil e Argentina assinem no dia 27 de abril um memorando de entendimentos fixando qual será o sistema de garantias aos bancos que desejem entrar na operação de crédito.
"O governo deseja criar um sistema que reduza as incertezas e garanta que o fluxo privado [crédito às importadoras argentinas] vai ter fluidez. Essa é a questão", afirmou hoje durante encontro com jornalistas em Brasília.
Ele afirmou que a linha de crédito será totalmente privada, sem desembolsos diretos do governo brasileiro ou participação do BNDES.
Questionado sobre a eventual participação de instituições como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal na operação, Borges afirmou que elas só concederão crédito se considerarem a operação interessante financeiramente.
"É uma facilitação para que o sistema de crédito comercial de curto prazo funcione. É um esforço para dar liquidez ao comércio bilateral", disse, sem dar detalhes de quais serão as garantias oferecidas pelos governos e como o sistema funcionará.
O governo brasileiro começou a estudar um auxílio às empresas argentinas diante da deterioração da crise no país vizinho.
Com reservas cambiais em baixa, o governo de Cristina Kirchner começou a dificultar o acesso de empresas ao dólar, o que passou a prejudicar as exportações brasileiras ao país.
A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos, e responde por quase 20% das vendas brasileiras de manufaturados.
Num ano em que o Brasil enfrenta dificuldades em sua balança comercial, com deficit recorde de US$ 6,2 bilhões no primeiro bimestre, a manutenção da capacidade de compra da Argentina ganhou ainda mais importância.


