O custo de produção da soja em Mato Grosso do Sul deve cair 17,8% na safra 2026/2027, abrindo espaço para uma margem maior aos produtores. Conforme o estudo técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), o gasto estimado para produzir um hectare da oleaginosa passou de R$ 6.115,83 na safra 2025/2026 para R$ 5.024,82 no ciclo atual. A redução significa uma economia de
R$ 1.091,01 por hectare.
Ainda de acordo com o levantamento, as despesas menores despendem menor quantidade de sacas para cobrir os custos da atividade. O estudo da Aprosoja-MS considerou o preço médio de R$ 119,52, ou seja, seriam necessárias 42,04 sacas por hectare para cobrir o custo médio.
Considerando a produtividade média projetada de 52,4 sacas por hectare para a safra 2026/2027, a margem líquida projetada para o produtor proprietário da terra é de R$ 1.238,03 por hectare.
Apesar da perspectiva mais favorável, o planejamento da safra continua sendo um desafio diante do endividamento dos produtores, das condições climáticas e do ritmo de aquisição de fertilizantes. Além disso, a produtividade esperada para 2026/2027 é 13,2% menor que a registrada na safra anterior, conforme estimativa do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS).
“O produtor vem de um período de maior endividamento, o clima continua sendo uma variável importante e também observamos uma compra menor de fertilizantes. Tudo isso precisa ser considerado no planejamento da safra, porque pode impactar tanto os custos quanto o resultado final da produção”, explica o coordenador técnico da Aprosoja-MS, Gabriel Balta.
O estudo técnico denominado Custo de Produção da Soja – Safra 2026/2027 considera uma produtividade de referência de 52,4 sacas por hectare, correspondente à média das últimas cinco safras. O resultado financeiro, entretanto, dependerá do rendimento efetivo das lavouras, do preço de comercialização e do comportamento dos custos ao longo do ciclo.

ARRENDAMENTO
Quando analisado o recorte específico dos produtores que arrendam terras, a situação é mais delicada. O levantamento considera um pagamento médio de 15 sacas por hectare arrendado, equivalente a R$ 1.792,80.
Com essa despesa adicional, o custo total sobe para R$ 6.817,62 por hectare, aumento de 35,7% em relação ao custo estimado para o produtor proprietário.
O ponto de equilíbrio para esses produtores chega a 57,04 sacas por hectare, acima da produtividade de referência de 52,4 sacas. Isso significa que o arrendatário precisa produzir mais do que a média considerada no estudo para cobrir integralmente os custos da atividade.
A diferença reforça a importância de negociar contratos de arrendamento compatíveis com a capacidade produtiva da área e de considerar essa despesa no planejamento financeiro da safra.
Os principais componentes do custo de produção seguem sendo os insumos, que equivalem a R$ 3.078,63 por hectare, o equivalente a 61,27% do total. Os fertilizantes respondem por R$ 1.367,31 por hectare, enquanto os defensivos somam R$ 1.071,42 e as sementes, R$ 542,50.
“Isso significa que mais de R$ 6 de cada R$ 10 gastos para produzir um hectare de soja estão concentrados nos insumos”, explica o analista de Economia da Aprosoja-MS, Linneu Borges Filho.
Uma das estratégias apontadas no levantamento para reduzir a pressão sobre as despesas é antecipar a compra de insumos, aproveitando períodos de preços mais favoráveis. O produtor também precisa acompanhar os gastos com combustível, financiamento e transporte da produção.
Para o analista de Economia da entidade, Raphael Gimenes, além dos insumos, o produtor precisa acompanhar despesas como combustível, crédito e frete. “No levantamento, o diesel foi considerado a R$ 6,45 por litro, os juros de financiamento em 14,25% ao ano e o frete com uma distância de referência de 80 quilômetros”.
CLIMA
Além dos custos, as condições climáticas continuam entre os fatores de atenção para o setor. A previsão do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) para o trimestre que termina em novembro indica chuvas próximas ou acima da média, mas com possibilidade de irregularidade na distribuição das precipitações.
Conforme já publicado pelo Correio do Estado, os modelos também apontam temperaturas acima da média e risco de períodos de calor intenso e ondas de calor. A previsão indica a permanência do El Niño, fenômeno que pode influenciar as condições climáticas no Estado.

