Economia

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Entenda o pacote de medidas para compensar a desoneração da folha de pagamento

Propostas foram incluídas pelo relator do projeto, senador Jaques Wagner (PT-BA).

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O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou na quarta-feira (14) o projeto de lei que mantém a desoneração da folha de pagamentos das empresas de 17 setores e dos municípios, prevendo uma série de medidas de compensação. Wagner é relator do texto de autoria do senador Efraim Filho (União-PB).

O relator não detalhou até agora a previsão de arrecadação e corte de despesas com as medidas. A votação do projeto foi adiada para a semana que vem por falta de acordo.
Veja, abaixo, as medidas em discussão no Senado:

AUMENTO NA TRIBUTAÇÃO DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO

Elevação da alíquota do JCP (Juros sobre Capital Próprio) de 15% para 20%. O JCP é um mecanismo criado logo após o Plano Real com o fim da correção monetária sobre os balanços, mesma época em que se optou por isentar a distribuição de dividendos aos acionistas. Ele é usado por grandes empresas e permite que a remuneração (distribuição de lucros) aos acionistas seja enquadrada como despesa -e, assim, abatida do Imposto de Renda.

Dessa forma, o pagamento de JCP estimula o uso de capital próprio das empresas, em vez da busca por empréstimos. Como se trata de uma mudança nas regras do Imposto de Renda, a alta só poderá começar a valer em janeiro de 2025.

DESENROLA DAS AGÊNCIAS REGULADORAS
Programa de renegociação de multas cobradas pelas agências reguladoras. A Procuradoria-Geral Federal poderá, em juízo de oportunidade e conveniência, propor a transação de forma individual ou por adesão. Os prazos ou os descontos na transação de acordo com o grau de recuperabilidade do crédito. Os descontos poderão ser concedidos sobre o valor total, desde que o valor da transação não seja inferior ao montante principal (originário) do crédito.

REPATRIAÇÃO DE ATIVOS MANTIDOS NO EXTERIOR 
Será criado o RERCT (Regime Especial de Regularização Cambial Tributária). O programa permite ao contribuinte declarar de forma voluntária recursos, bens ou direitos de origem lícita não declarados ou declarados com omissão ou incorreção em relação a dados essenciais, mantidos no Brasil ou no exterior, ou repatriados por residentes ou domiciliados no Brasil.

O prazo para adesão é de 90 dias, a partir da data de publicação desta lei. A data de corte para a situação patrimonial é 31 de dezembro de 2023. O programa vale para empresas e pessoas físicas. O contribuinte que aderir deverá identificar a origem dos bens e declarar que eles são provenientes de atividade econômica lícita, sem obrigatoriedade de comprovação. Sobre o montante declarado, será cobrada alíquota de 15% de Imposto de Renda a título de ganho de capital.

ATUALIZAÇÃO DE BENS IMÓVEIS 
A pessoa física residente no país poderá optar por atualizar o valor dos bens imóveis já informado à Receita Federal para o valor de mercado e tributar a diferença com uma alíquota de 4% do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física). O pagamento do imposto deve ser pago em até 90 dias contados a partir da publicação da lei.

Já as empresas poderão optar por atualizar o valor dos bens imóveis constantes no ativo permanente de seu balanço patrimonial e tributar com uma alíquota de 6% do IRPJ (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica) e de 4% da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). O pagamento do imposto deve ser pago em até 90 dias contados a partir da publicação da lei.

MEDIDAS DE COMBATE À FRAUDE PARA FORTALECER O PENTE-FINO NOS BENEFÍCIOS DO INSS
Pelo lado das despesas, o projeto prevê como medida compensatória da desoneração a redução de gastos com benefícios sociais. O parecer dá força ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) para adotar medidas cautelares para bloquear o benefício.

As medidas cautelares serão adotadas nos casos de o monitoramento dos benefícios apontar irregularidades, como fraudes relacionadas à pessoa física "criada" a partir de documentos falsos ou ideologicamente falsos. Identificada a fraude, o INSS poderá fazer o bloqueio imediato do pagamento e suspensão do benefício.

O relatório contém medidas de aperto nas regras BPC (Benefício de Prestação Continuada), concedido a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, que já foram baixadas em duas portarias recentes do governo.

A intenção é dar força legal ao pente-fino nos benefícios já anunciado pelo governo Lula. Entre eles, a exigência do registro biométrico, a partir de 1º de setembro. O INSS terá obrigação de informar anualmente os resultados da perícia do BPC antes da elaboração da cada PLOA (Projeto de Lei Orçamentária).

O pescador profissional artesanal que recebe o seguro-defeso também terá que fazer o registro biométrico a partir de 1º de setembro. É exigida, ainda, a checagem prévia de dados em outros cadastros, como o Cadastro Único para concessão do seguro-defeso.

SIMPLIFICAÇÃO DE TRANSFERÊNCIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS PARA O TESOURO 
A medida viabiliza puxar mais rapidamente para a Conta Única do Tesouro Nacional os depósitos judiciais e extrajudiciais que estão na Caixa Econômica Federal. O parecer estabelece regras de simplificação dos procedimentos para a transferência dos depósitos judiciais. Hoje, existe toda uma burocracia que amarra a transferência imediata à Conta Única. A simplificação liberaria uma quantidade grande de valores retidos, que entram como receita.

A Caixa terá de fazer o depósito diretamente na Conta Única do Tesouro e comunicar eletronicamente à Receita. A Conta Única é onde está depositado o dinheiro da União.

RESGATE DE DEPÓSITOS JUDICIAIS ESQUECIDOS, INCLUSIVE PRECATÓRIOS
A pedido da equipe econômica, o relator também alterou prazo de resgate de valores abandonados em contas judiciais, entre eles garantias e precatórios. O prazo para a União caiu de 25 anos para dois anos. Após esse prazo, se o recurso não for sacado, a União poderá reclamar o retorno desses recursos para o seu caixa. O credor original terá mais cinco anos para pedir a restituição. É uma forma de entrar mais receitas para o caixa do governo.

DELEGAÇÃO DE COBRANÇA DO ITR AOS MUNICÍPIOS 
A proposta permite a Receita Federal assinar convênio com os municípios para fiscalizar e cobrar o ITR (Imposto Territorial Rural). Os municípios poderão, inclusive, fazer o lançamento dos créditos tributários, cobrança e instrução e julgamento dos processos administrativos relacionados ao ITR, que é um imposto federal.

A medida não tem fim de compensação da desoneração, mas foi incluída no projeto. É uma demanda que atende pleito dos municípios apresentando na Marcha dos Prefeitos, que ocorreu em Brasília neste ano. Pela proposta, o julgamento de disputas judiciais relativas ao ITR será delegado aos municípios que já fiscalizam o imposto. Esses municípios que fazem a fiscalização e gestão do ITR já recebem hoje 100% da arrecadação do imposto, mas o julgamento dos recursos contra a cobrança não era feito por eles. O mesmo dispositivo já estava na polêmica MP que restringiu o crédito do PIS/Cofins e foi parcialmente devolvida pelo presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

 

*Informações da Folhapress 
 

em ms

"Isso de empresa quebrar é piada", diz ministro do trabalho sobre fim da escala 6x1

Durante agenda em MS, ministro disse que a discussão sobre a PEC é semelhante a que houve quando foram instuídas férias e 13º salário

08/09/2026 11h34

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho

Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, defendeu o fim da escala 6x1 na manhã desta terça-feira (8), durante agenda em Campo Grande, e criticou o argumento de empresários e outros setores de que a proposta elevaria custos e prejudicaria a economia, supostamente levando ao fechamento de empresas.

"Essa coisa de empresa quebrar, isso é piada. Tem um monte de empresas que quebra por problemas, por fraude, se tem um mau gestor na empresa e comete uma fraude, pode levar a empresa a quebrar. Por briga de sucessão, que é o caso das Casas Bahia, então nós precisamos separar as coisas. Eu não conheço na história, no Brasil e no mundo, uma empresa que tenha quebrado por redução de jornal de trabalho", disse o ministro.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que põe fim à jornada de seis dias de trabalho por um de descanso (6x1) foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no dia 2 de setembro, mas deve passar por dois turnos de votação no plenário da Casa apenas após as eleições.

Marinho acrescentou que sempre que há uma mudança nas leis trabalhistas, há discussão sobre a possibilidade de prejudicar a economia, mas que muitas delas tiveram resultados positivos.

"Quando criou-se o décimo terceiro foi a mesma discussão, de que iria quebrar a empresa, quando criou a licença maternidade nem se fala, de que não contratariam mais mulheres, teria demissão de mulheres, e não foi o que aconteceu. Isso [discussão] aconteceu com as férias, aconteceu quando reduziu de 48 para 44 [a jornada] na Constituinte 88. Os debates foram os mesmos, 'as empresas vão quebrar, vão gerar desemprego', e na verdade foi ao contrário", avaliou o Marinho.

"O que vai acontecer é fortalecer a relação do trabalhador com a empresa, e o trabalhador, a trabalhadora, tendo melhor condição física, psíquica, ele poderá se dedicar melhor ao seu trabalho, o teu produto, da tua qualidade, da tua produtividade", acrescentou.

Apesar disso, o ministro disse que é importante entender a preocupação dos empresários e dialogar com eles, para escutar as demandas e encontrar na legislação um formato para organizar as escalas de trabalho.

O ministro esclareceu ainda que há muitas informações desencontradas sobre a PEC, como o supostamento fechamento no fim de semana, o que não corresponde ao projeto.

"Uma coisa é o debate da redução do jornal de trabalho, de 44 para 40 horas semanais sem redução de salário, e outra é o direito da pessoa, do trabalhador, ter duas folgas na semana. E você pode, ouvindo os trabalhadores e empregadores, organizar, porque muitos empresários falam assim: 'mas eu preciso trabalhar o sábado'. Não está proibido trabalhar o sábado, não está proibido trabalhar domingo, não é essa a lógica do debate sobre a escala 6x1. O que está proibido, se aprovado, é que o trabalhador trabalhe 6 dias sem uma remuneração extraordinária", explicou.

Marinho ressaltou que além da escala 5x2, há outros tipos de escala, como a 12x36, e outras possibilidades que podem ser determinadas em acordo coletivo de trabalho.

Por fim, o ministro disse estar confiante de que a PEC será aprovada no Senado.

Votação no Senado

Na última quinta-feira (3), o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a PEC que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais será votada após as eleições.

A declaração ocorreu durante sessão deliberativa no plenário da Casa, em resposta a um apelo feito pelo senador Paulo Paim (PT-RS), que anunciou a aposentadoria e cumpre o último mandato parlamentar no Congresso Nacional.

Um dia antes, sem ter garantia sobre os votos necessários para aprovar a PEC, e sob obstrução da oposição, a base do governo no Senado decidiu não arriscar apreciação do texto em plenário, processo que exige 49 votos em dois turnos.

O texto passou apenas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A previsão é que o novo esforço concentrado de votação legislativa ocorra na segunda semana de outubro.

O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno, para 25 de outubro.

Panorama

Venda de veículos cresce 3,5% e elétricos disparam no Estado

Crescimento é sustentado por carros e comerciais leves, enquanto motos recuam; mercado premium aposta em eletrificados para manter expansão em Mato Grosso do Sul

08/09/2026 08h15

Divulgação

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O mercado de veículos novos de Mato Grosso do Sul acumula alta de 3,46% nos oito primeiros meses deste ano. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que foram 44.140 emplacamentos entre janeiro e agosto, contra 42.664 no mesmo período de 2025.

O avanço, porém, não ocorre de forma uniforme entre os segmentos. Os automóveis respondem pela maior parcela das vendas e acumulam crescimento de 12,48%, passando de 13.361 unidades nos oito primeiros meses de 2025 para 15.028 neste ano. Os veículos comerciais leves também avançaram, com alta de 8,71%, de 6.108 para 6.640 unidades.

Na contramão, as motocicletas recuaram 4,73%, de 18.263 para 17.399 unidades, enquanto ônibus tiveram queda ainda mais acentuada, de 44,88%, embora representem uma fatia pequena do mercado estadual.

O desempenho mais recente também indica uma desaceleração. Em agosto, foram 5.441 veículos emplacados, queda de 6,69% em relação às 5.831 unidades registradas em julho. 

Na comparação com agosto de 2025, entretanto, houve leve alta de 0,70%, quando foram emplacados 5.403 veículos.

Dentro desse cenário de crescimento moderado, o segmento de veículos premium mantém uma dinâmica diferente, segundo avaliação do mercado.

Para o diretor regional do Grupo Raviera, Rogério Branquinho, responsável pela operação da BMW em Mato Grosso do Sul, as vendas de veículos de luxo apresentam menor influência de períodos tradicionais de maior consumo.

“O mercado premium não tem a sazonalidade do varejo. É uma realização de sonho: o sonho não tem data, a pessoa realiza quando quer e quando pode”, afirma.

Segundo ele, a expectativa para este ano é de manutenção do volume registrado no ano passado, apesar do ambiente econômico e das incertezas relacionadas ao calendário eleitoral.

“Esse mercado não tem grandes variações há cerca de 10 anos. A expectativa é de fechar o ano com o mesmo número do ano passado e, mesmo assim, terminar em primeiro lugar no mercado premium de Mato Grosso do Sul”, diz.

Branquinho avalia que fatores externos podem influenciar o comportamento dos consumidores neste ano.
“Estamos num ano com alguma sazonalidade diferente, temos eleições, entre outras coisas, que têm reflexo independentemente do mercado premium ir bem ou não”, afirma.

A avaliação ocorre em um momento em que o mercado estadual também passa por uma mudança tecnológica, com a expansão dos veículos eletrificados.

ELÉTRICOS

Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), com base em informações nacionais da Bright Consulting, apontam que os carros 100% elétricos emplacados no Estado mais que dobraram.

No período entre janeiro e agosto de 2025 foram 408 registros,  saltando para 997 unidades no mesmo período deste ano, alta de 144,4%.

Considerando elétricos e híbridos, a participação dos veículos eletrificados no total de carros novos emplacados em Mato Grosso do Sul passou de 4,3% para 7,8% no período.

O avanço ocorre mesmo com o mercado total apresentando crescimento mais contido. Um levantamento da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), referente ao período de janeiro a maio, já apontava alta de 67,75% nos emplacamentos de eletrificados leves em Mato Grosso do Sul.

Para Branquinho, a expansão dos elétricos não representa, necessariamente, o fim dos veículos movidos a combustão.

“O elétrico é uma realidade em todas as marcas, no mundo inteiro. A BMW é hoje uma das marcas premium mais atualizadas em capacidade de bateria, o que garante mais autonomia. Mas mantemos nosso DNA de esportividade: a linha segue com motores a combustão e entra na inovação, com carros 100% elétricos”, afirma.

INVESTIMENTOS

O movimento também tem sido acompanhado por investimentos no segmento premium em Campo Grande.

A concessionária localizada na Avenida Ceará passou por reformulação e foi reaberta em um novo conceito de showroom.

Para o executivo, a aposta está relacionada ao crescimento econômico do Estado e à expansão do mercado de maior poder aquisitivo.

“Mato Grosso do Sul é um dos estados de maior performance e crescimento do Centro-Oeste. Não tem por que não ser aqui”, considera.

Embora o segmento de luxo tenha peso menor no conjunto dos emplacamentos estaduais, a movimentação acompanha uma transformação mais ampla do mercado automotivo, marcada pela entrada de novas tecnologias e pelo crescimento dos veículos eletrificados.

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