Características do inverno resultam em diminuição tanto da quantidade como da qualidade do pasto fornecido aos animais, que precisam de alimentação reformulada para evitar desnutrição
Com o espaço de tempo entre maio e setembro apresentando características específicas do inverno, ano a ano no campo nota-se uma tendência de baixa umidade relativa do ar, falta de chuvas, aliada a uma alta amplitude térmica nesse período, dias quentes e noites frias essas que o produtor precisa estar atento para evitar prejuízos e manter o rebanho saudável, onde toda ajuda é bem-vinda e, por isso, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revela estratégias que precisam estar no planejamento do pecuarista.
Como bem esclarece o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Luiz Orcírio Fialho de Oliveira, todas essas características do inverno resultam em uma diminuição tanto da quantidade como da qualidade do pasto fornecido aos animais, que precisam de uma alimentação reformulada para evitar a desnutrição e a perda de peso dos bovinos.
O primeiro passo do pecuarista, segundo o pesquisador, é justamente avaliar a quantidade de forragem armazenada. "Nesse período, as pastagens produzem, em média, até 40% para as cultivares de Brachiaria e até 20% para as cultivares de Panicum do estimado da produção anual", cita Luiz Orcírio.
Depois dessa avaliação, é necessário ter ciência da quantidade estimada de animais na fazenda para o período da seca, uma vez que inclusive a chamada "capacidade de suporte das pastagens" também é reduzida significativamente.
Segundo o pesquisador, a própria Embrapa já conduziu estudos que apontam para a necessidade de redução da carga animal de 30 a 50%, para manter o ganho de peso com desempenhos positivos.
Importante destacar que, caso o produtor escolha manter ou até reduzir essa carga, é "necessário agregar a possibilidade de produção e armazenagem de volumosos e/ou compra de insumos concentrados", complementa a Empresa Brasileira.
Inverno chegando
Como indica o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão para a região Centro-Oeste durante este mês, por exemplo, já aponta para índices abaixo da média no centro-sul do Estado.
Aliado a isso, o prognóstico já indica que o período de início do inverno já indica temperaturas médias até 1 °C acima da climatologia do mês, que, associada aos baixos índices de chuva tende a reduzir os níveis de umidade do solo no longo prazo.
De acordo com o Inmet, essa combinação pode resultar em condições de déficit hídrico, diminuição progressiva da umidade do solo que pode deixar as pastagens menos vigorosas.
"Impactando a taxa de crescimento das forrageiras e a disponibilidade de alimento para os rebanhos", complementa a previsão do Instituto Nacional para este quinto mês de 2026.
Porém, antes que a situação aperte, o pecuarista já pode investir na vedação de parte (entre 20 a 30%) das pastagens, aproveitando ainda o fim das chuvas de verão, "armazenando" assim o capim necessário para o rebanho durante os períodos de seca.
"Essa alternativa apresenta menores custos, pois a forragem é praticamente armazenada no campo e não demanda nenhuma ação adicional", afirma Orcírio.
Para isso é necessário o planejamento de estoque de rebanho, uma vez que vedar uma área da fazenda sem essa redução, as demais podem ficar "super pastejadas e comprometidas".
Em nome da Embrapa, ele revela ainda a alternativa de optar pelo uso de forrageiras de safrinha, fruto de uma integração ou de um plantio para aproveitamento durante a seca.
Há aqueles cultivares de forrageiras mais comuns, como a popular Brachiaria e Panicum, mas existem ainda opções como milheto, leguminosas e até aveia em algumas regiões mais ao Sul do Brasil.
De acordo com a Empresa Brasileira, a preparação de volumosos para armazenagem na forma de silagens, ou de feno, também é uma escolha viável, sendo que, para essa primeira alternativa feita a partir de milho e/ou sorgo, a opção deve ser por lavouras plantadas em safrinha, com colheita a partir de maio, dependendo da região.
Orcírio faz questão de reforçar, porém, que o uso desse material só é possível depois do período de 30 dias de fechamento do silo, ou seja, "se feita entre maio e junho”, completa o pesquisador.
Para a silagem de capim, ou de capineiras, é preciso acompanhar o desenvolvimento do campo, fazendo o corte antes do capim perder seu valor nutricional. Nessa opção há a perda do controle do período de corte, porém também é possível buscar a fabricação da silagem fora do período de muitas chuvas. Nesse caso, evita-se perdas de qualidade do material.
Luiz explica que “o importante é que a silagem esteja pronta para ser utilizada antes do período da seca, a fim de não prejudicar a oferta de alimento aos animais”.
Por fim, ele também lista o feno como uma ótima opção para a alimentação dos animais na seca. Entretanto, esse é um processo de fabricação mais criterioso, onde é preciso o emprego de equipamentos mais sofisticados, que por sua vez podem deixar tudo mais caro.
“Além disso, o período ideal de corte das gramíneas para se ter melhor qualidade nutricional, coincide com o período chuvoso, deixando arriscada a operação”, conclui.
**(Com assessoria)
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