A indústria deve iniciar a oferta de ureia em 2027, dois anos antes da operação plena, prevista para 2029
A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) deve permitir que o mercado brasileiro comece a receber ureia a partir de 2027, dois anos antes da entrada em operação plena da fábrica, prevista para o primeiro semestre de 2029.
A informação é do gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, em entrevista ao Correio do Estado.
Segundo o executivo, a estratégia prevê a implantação de um “balcão de ureia” ainda durante a fase final de construção da unidade, permitindo que o fertilizante seja comercializado antes da conclusão integral do complexo industrial.
“Em 2027 já vai ser possível comercializar a ureia através da UFN3, mas a operação completa da unidade está prevista para o primeiro semestre de 2029”, explicou.
A antecipação da oferta é vista como medida importante para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e garantir maior estabilidade no abastecimento do agronegócio.
Ainda de acordo com o gerente-executivo, o insumo pode ser tanto da produção própria da estatal, quanto de fertilizante importado.
OBRAS
Conforme informou o Correio do Estado na edição de quinta-feira, a Petrobras trabalha com a expectativa de iniciar a retomada do canteiro de obras entre junho e julho deste ano. O cronograma depende da assinatura dos 11 pacotes de contratação necessários para concluir a planta industrial.
Parte dos contratos já foi finalizada e a estatal prevê concluir as assinaturas restantes ao longo do mês de maio. Como o início das obras acontece em até 60 dias após a formalização dos contratos, a retomada está prevista ainda para o primeiro semestre.
“Uma vez assinados os contratos, as obras começam em até 60 dias. Então, podemos falar em início entre junho e julho, a depender de quando conseguirmos concluir todas as assinaturas”, explicou Magalhães.
A retomada da fábrica ocorre após mais de uma década de paralisação do empreendimento, considerado estratégico para a política nacional de fertilizantes.
As obras da fábrica de fertilizantes foram paralisadas em 2014 - Saul Schramm/Governo de MSO investimento estimado para conclusão da unidade é de aproximadamente US$ 1 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 5 bilhões.
Durante o pico das obras, a expectativa é de que sejam gerados entre 7 mil e 8 mil empregos diretos, além de postos indiretos na economia regional, especialmente em Três Lagoas e nos municípios ao redor.
“A expectativa é de que tenha um bom reflexo na economia local, principalmente nas cidades do entorno”, informou o gerente de Projetos.
DEMANDA
Para atender a demanda por mão de obra especializada, a Petrobras estuda ampliar programas de qualificação profissional em parceria com instituições de ensino, por meio da iniciativa Autonomia e Renda.
Quando estiver em operação, a UFN3 terá capacidade de produzir 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas de amônia.
Segundo Magalhães, a unidade sozinha terá potencial para atender cerca de 15% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados.
O mercado brasileiro é dependente de importações, cenário que ganhou relevância após a instabilidade global provocada pela Guerra da Ucrânia, que afetou a oferta internacional de insumos agrícolas.
“A UFN3 sozinha é capaz de deslocar 15% das importações. Somada ao parque de fertilizantes da Petrobras, podemos chegar a até 30% da demanda nacional”, afirmou Magalhães.
A UFN3 terá como principal produto a ureia, fertilizante nitrogenado essencial para culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.
A produção de fertilizantes nitrogenados depende do fornecimento de gás natural, principal matéria-prima do processo industrial. Segundo a Petrobras, a UFN3 deverá consumir cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
ESTRUTURA
Mesmo após mais de 10 anos de paralisação, a Petrobras afirma que a estrutura física da UFN3 foi preservada e poderá ser utilizada na retomada do empreendimento.
Segundo o gerente de Projetos, será necessária uma etapa de inspeção, recalibração de equipamentos e revisão de instrumentos antes da retomada integral das obras, procedimento comum em projetos que permaneceram hibernados por longos períodos.
“O projeto continua competitivo e eficiente no consumo de gás, mesmo tendo sido concebido há mais de uma década”, destacou.
A conclusão da unidade é considerada estratégica para MS por ampliar a industrialização e fortalecer a cadeia do agronegócio, principal motor da economia regional.
Ainda segundo Magalhães, será necessária uma etapa de inspeção e recalibração de equipamentos antes da retomada plena da construção.
“A unidade foi bem preservada. Naturalmente, será necessário revisar instrumentos e equipamentos, mas a maior parte da estrutura existente será aproveitada”, finalizou.
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