Economia

PÃO DE AÇÚCAR

Fazenda recomenda ao Cade restrições à compra das Casas Bahia

Fazenda recomenda ao Cade restrições à compra das Casas Bahia

infomoney

26/03/2011 - 13h15
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 A Seae (Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda) concluiu na sexta-feira (25) sua análise sobre a aquisição da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar (PCAR5), através da Globex, anunciada em julho do ano passado, recomendando ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a imposição de restrições à operação.

Segundo nota divulgada ao mercado pelo órgão, caso a operação seja aprovada a nova companhia teria uma concentração de mercado prejudicial aos concorrentes em 12 localidades: Ceilândia - DF, Planaltina - DF, Recanto das Emas - DF, Novo Gama - GO, Campos dos Goytacazes - RJ, Nova Iguaçu - RJ, São João do Meriti - RJ, Guarulhos - SP, Jandira - SP, Praia Grande - SP e Taboão da Serra - SP.

"Para a Secretaria, para afastar o risco de prejuízo à concorrência no setor, é necessária a alienação de um pacote de ativos que abranja, em cada um dos 12 mercados apontados, lojas, instalações, carteiras de clientes e cadastros da Casas Bahia ou do Ponto Frio, admitindo-se, no mínimo, a alienação dos ativos correspondentes à requerente que detinha a menor participação naquele mercado em 2009", destacou a Seae em comunicado.

Ainda de acordo com a instituição, dada a relevância dos centros de distribuição para o varejo de bens duráveis, foi recomendado ao Cade que sua decisão final contemple a venda de centros de distribuição ou uma alternativa equivalente a isso para cada um dos estados envolvidos - RJ, SP e DF.
 

Retomada

Venda de fertilizantes da UFN3 vai começar antes da conclusão da obra

A indústria deve iniciar a oferta de ureia em 2027, dois anos antes da operação plena, prevista para 2029

18/04/2026 08h00

Saul Schramm/Governo de MS

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A retomada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN3) deve permitir que o mercado brasileiro comece a receber ureia a partir de 2027, dois anos antes da entrada em operação plena da fábrica, prevista para o primeiro semestre de 2029.

A informação é do gerente-executivo de Projetos de Desenvolvimento da Produção e Descomissionamento da Petrobras, Dimitrios Chalela Magalhães, em entrevista ao Correio do Estado.

Segundo o executivo, a estratégia prevê a implantação de um “balcão de ureia” ainda durante a fase final de construção da unidade, permitindo que o fertilizante seja comercializado antes da conclusão integral do complexo industrial.

“Em 2027 já vai ser possível comercializar a ureia através da UFN3, mas a operação completa da unidade está prevista para o primeiro semestre de 2029”, explicou.

A antecipação da oferta é vista como medida importante para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados e garantir maior estabilidade no abastecimento do agronegócio.

Ainda de acordo com o gerente-executivo, o insumo pode ser tanto da produção própria da estatal, quanto de fertilizante importado. 

OBRAS

Conforme informou o Correio do Estado na edição de quinta-feira, a Petrobras trabalha com a expectativa de iniciar a retomada do canteiro de obras entre junho e julho deste ano. O cronograma depende da assinatura dos 11 pacotes de contratação necessários para concluir a planta industrial.

Parte dos contratos já foi finalizada e a estatal prevê concluir as assinaturas restantes ao longo do mês de maio. Como o início das obras acontece em até 60 dias após a formalização dos contratos, a retomada está prevista ainda para o primeiro semestre.

“Uma vez assinados os contratos, as obras começam em até 60 dias. Então, podemos falar em início entre junho e julho, a depender de quando conseguirmos concluir todas as assinaturas”, explicou Magalhães.

A retomada da fábrica ocorre após mais de uma década de paralisação do empreendimento, considerado estratégico para a política nacional de fertilizantes.

 As obras da fábrica de fertilizantes foram paralisadas em 2014 - Saul Schramm/Governo de MS

O investimento estimado para conclusão da unidade é de aproximadamente US$ 1 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 5 bilhões.

Durante o pico das obras, a expectativa é de que sejam gerados entre 7 mil e 8 mil empregos diretos, além de postos indiretos na economia regional, especialmente em Três Lagoas e nos municípios ao redor.

“A expectativa é de que tenha um bom reflexo na economia local, principalmente nas cidades do entorno”, informou o gerente de Projetos.

DEMANDA

Para atender a demanda por mão de obra especializada, a Petrobras estuda ampliar programas de qualificação profissional em parceria com instituições de ensino, por meio da iniciativa Autonomia e Renda.

Quando estiver em operação, a UFN3 terá capacidade de produzir 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas de amônia.

Segundo Magalhães, a unidade sozinha terá potencial para atender cerca de 15% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. 

O mercado brasileiro é dependente de importações, cenário que ganhou relevância após a instabilidade global provocada pela Guerra da Ucrânia, que afetou a oferta internacional de insumos agrícolas.

“A UFN3 sozinha é capaz de deslocar 15% das importações. Somada ao parque de fertilizantes da Petrobras, podemos chegar a até 30% da demanda nacional”, afirmou Magalhães.

A UFN3 terá como principal produto a ureia, fertilizante nitrogenado essencial para culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.

A produção de fertilizantes nitrogenados depende do fornecimento de gás natural, principal matéria-prima do processo industrial. Segundo a Petrobras, a UFN3 deverá consumir cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

ESTRUTURA

Mesmo após mais de 10 anos de paralisação, a Petrobras afirma que a estrutura física da UFN3 foi preservada e poderá ser utilizada na retomada do empreendimento.

Segundo o gerente de Projetos, será necessária uma etapa de inspeção, recalibração de equipamentos e revisão de instrumentos antes da retomada integral das obras, procedimento comum em projetos que permaneceram hibernados por longos períodos.

“O projeto continua competitivo e eficiente no consumo de gás, mesmo tendo sido concebido há mais de uma década”, destacou.

A conclusão da unidade é considerada estratégica para MS por ampliar a industrialização e fortalecer a cadeia do agronegócio, principal motor da economia regional.

Ainda segundo Magalhães, será necessária uma etapa de inspeção e recalibração de equipamentos antes da retomada plena da construção.

 “A unidade foi bem preservada. Naturalmente, será necessário revisar instrumentos e equipamentos, mas a maior parte da estrutura existente será aproveitada”, finalizou.

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Economia

FecomercioSP: escassez de mão de obra nos Serviços pressiona retenção de profissionais

Um dos principais sinais desse quadro é a queda no Tempo Médio de Permanência no emprego (TMP)

17/04/2026 22h00

Tempo de permanência no trabalho vem caindo em todo o Brasil

Tempo de permanência no trabalho vem caindo em todo o Brasil Gerson Oliveira

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O apertado mercado de trabalho brasileiro caminha para reproduzir fenômenos vistos nos Estados Unidos na década de 80 e no Brasil no período que antecedeu e durante o ano de 2008, nos quais as empresas se viram obrigadas a oferecer prêmios salariais (wage premium) para atrair e reter mão de obra qualificada.

Estudo do Conselho de Serviços da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) tomando como base o setor de serviços e a qual o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) teve acesso com exclusividade, confirma para onde caminha o cenário ao afirmar que a escassez de mão de obra nos Serviços tem se agravado em meio ao aquecimento do mercado de trabalho, elevando a dificuldade de retenção de profissionais.

"O setor abrange 57% dos empregos formais no País e responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB), o que amplia os impactos da falta de trabalhadores sobre a atividade econômica. Ao mesmo tempo, indicadores revelam vínculos mais curtos e aumento da rotatividade, mesmo diante do crescimento expressivo das contratações", diz o levantamento.

Um dos principais sinais desse quadro, segundo a entidade, é a queda no Tempo Médio de Permanência no emprego (TMP). Entre fevereiro de 2021 e fevereiro de 2026, o indicador recuou 27% e 27,2%, de 6,8 meses no Brasil e 6,3 meses em São Paulo, respectivamente. Isso evidencia relações de trabalho mais breves e maior dificuldade das empresas para manter seus quadros. "Apesar disso, o volume de admissões avançou em torno de 80% no período analisado, indicando um mercado aquecido, porém mais instável", observa a FecomercioSP.

Na prática, as empresas estão contratando mais, mas estão enfrentando dificuldades para reter trabalhadores, o que eleva custos operacionais, exige investimentos contínuos em treinamento e afeta a produtividade. Segundo o presidente do Conselho de Serviços da FecomercioSP, Marcelo Braga, o momento exige uma mudança de foco por parte dos empresários. "Hoje, mais do que contratar, o empresário precisa pensar em como reter. O mercado está mais dinâmico e o profissional circula mais", afirma.

Mais mobilidade e mudança no perfil da força laboral

De acordo com o estudo, no Brasil, a redução no tempo de permanência nas empresas foi generalizada entre diferentes faixas etárias, mas mais intensa entre trabalhadores de 50 a 64 anos, grupo que apresentou as maiores quedas em termos absolutos e relativos. O movimento reflete mais mobilidade no mercado, em especial entre profissionais mais experientes, que encontram mais oportunidades e passam a trocar de emprego com mais frequência.

Outro aspecto observado é a mudança no perfil das contratações, com aumento da participação relativa de trabalhadores mais velhos. Esse comportamento, que também foi visto no Brasil nos anos que antecederam e o próprio 2008, ocorre em paralelo ao crescimento das admissões e sugere uma reconfiguração da força laboral, com maior valorização da experiência.

Na análise por atividade, alguns segmentos se destacam pelo ritmo de expansão das contratações em São Paulo. Alojamento e alimentação lideram, com alta de 159,4%, seguidos por outros serviços, 112,8%, e transporte e armazenagem, 81,9%. Esses setores, tradicionalmente mais intensivos em mão de obra e com mais rotatividade, tendem a sentir de forma mais acentuada os efeitos da escassez.

Segundo Braga, da FecomercioSP, compreender essas dinâmicas é fundamental para decisões mais estratégicas. Ele destaca no estudo que o empresário deve considerar não apenas o número de vagas abertas, mas também fatores como rotatividade, perfil dos profissionais e características de cada segmento. Dentre os fatores que ajudam a explicar o cenário, destacam-se a normalização das atividades após a pandemia, a maior mobilidade entre trabalhadores e a recomposição dos quadros em setores presenciais.

O resultado é um mercado de trabalho mais aquecido, porém mais volátil, no qual o desafio vai além da contratação e passa, cada vez mais, pela capacidade de retenção e pela estabilidade das equipes.

Em economia, o valor pago acima do padrão em momentos de escassez de mão de obra associado à teoria dos salários de eficiência (efficiency wage theory), que sugere que empresas pagam acima do equilíbrio de mercado para manter a produtividade e reduzir os custos de alta rotatividade (turnover) em tempos de competição acirrada por talentos.

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