O Governo de Mato Grosso do Sul anunciou a construção de um novo gasoduto que deve ligar desde o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) em Três Lagoas até a fábrica da Arauco Brasil, na cidade de Inocência. O investimento previsto no empreendimento está orçado em R$170 milhões.
A ordem de serviço para início da construção do gasoduto foi assinada pelo governador do Estado, Eduardo Riedel, durante a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental da Ferrovia do Projeto Sucuriú, na última sexta-feira (6), em Inocência.
Também assinaram o documento o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck; a presidente da Companhia de Gás de Mato Grosso do Sul (MSGás), Cristiane Schmidt, e como testemunha, o presidente da Arauco Brasil, empresário Carlos Alberto Altimiras.
O gasoduto terá 125 quilômetros de extensão e o início das obras está previsto para o mês de abril, devendo ser concluído até agosto de 2027.
O transporte de gás para a fábrica será feito de forma escalonada. A partir da inauguração, o gasoduto terá capacidade para fornecer até 130 mil metros cúbicos de gás por dia.
Nos meses posteriores, a capacidade de transporte diário será ampliada para até 280 mil metros cúbicos, o que deve atender a demanda das obras e implantação da fábrica.
Com o fim das obras previsto para julho de 2028, o gasoduto passa a operar de forma estável em 50 mil metros cúbicos diários.
Além da energia transportada para abastecer o processo de construção da fábrica, a expectativa é de que também seja gerada energia a partir da biomasssa criada na fábrica.
De acordo com Leonardo Crociati, gerente executivo de Projetos do Sucuriú, devem ser produzidos 556 MW (megawatts) de energia por dia na fábrica. Destes, 200 MW serão exportados.
“Esse volume é o suficiente para abastecer uma cidade de 800 mil habitantes”, afirmou Crociati.
Riedel ressaltou que esses empreendimentos reforçam o papel de Mato Grosso do Sul na produção e geração de energia limpa, colocando o Estado no caminho para se tornar um estado de carbono neutro.
“Mato Grosso do Sul tem 94% da geração da sua energia em matrizes renováveis. E isso é muito orgulho para nós. Estamos trabalhando, assim como esses empreendimentos, para chegar em 2030 a um estado de carbono neutro, o primeiro do Brasil. E nós vamos monetizar esse carbono para os cidadãos sul-mato-grossenses”, pontuou o governador durante o evento.
Projeto Sucuriú
O canteiro de obras da fábrica de celulose da Arauco tem hoje 9,2 mil trabalhadores, o que supera o número de habitantes de Inocência, município no qual a fábrica está sendo instalada. Antes do início das obras, Inocência tinha em torno de 8,5 mil habitantes.
No pico das obras de construção da fábrica, que deve ocorrer ainda neste ano, a previsão é de que o canteiro de obras abrigue 14 mil trabalhadores ao mesmo tempo.
Conforme o cronograma oficial, a fábrica deve ficar pronta até o fim do próximo ano. De acordo com Crociati, a obra está 42% concluída, operando “dentro do prazo”.
Depois disso, serão em torno de 800 empregos diretos na indústria, sem contabilizar os cerca de seis mil indiretos e no cultivo e extração das florestas de eucaliptos.
Até a conclusão da fábrica também deve estar concluído o ramal ferroviário, pelo qual serão escoadas as 3,5 milhões de celulose anuais daquela que será a maior fábrica do setor do mundo.
No total, serão 9 quilômetros de ferrovia interna, dentro da fábrica, e 45 quilômetros de extensão até se conectar à Malha Rumo Norte, levando celulose até o porto de Santos, em São Paulo.
Com a fábrica de Inocência, o Estado de Mato Grosso do Sul se consolida como maior fabricante de celulose do país, saltando de 7,6 milhões de toneladas por ano para 11 milhões de toneladas.

