Economia

Recuperação Judicial

Grupo Tecnomaac entra em recuperação judicial com dívida de R$ 276 milhões em MS

Justiça concedeu proteção contra execuções por 180 dias ao grupo ligado à venda de máquinas agrícolas; empresas apontam retração do agronegócio, quebras de safra e queda no preço das commodities entre os fatores que agravaram a crise.

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Um dos grupos ligados ao comércio de máquinas agrícolas e à produção rural em Mato Grosso do Sul entrou em recuperação judicial após acumular um passivo que supera R$ 276 milhões. O processo envolve empresas da família controladora do Grupo Tecnomaac, com sede empresarial em Maracaju, além de produtores rurais com atividades em diferentes municípios do Estado.

A recuperação judicial é um mecanismo previsto em lei para empresas e produtores que enfrentam uma crise financeira, mas ainda têm condições de continuar funcionando.

Na prática, o processo permite a reorganização das dívidas e a negociação de um plano de pagamento com os credores, sob acompanhamento da Justiça, evitando que cobranças individuais inviabilizem imediatamente as atividades. A medida não significa perdão das dívidas nem falência.

O processamento da recuperação judicial foi deferido pela 5ª Vara Cível e Regional de Falências e Recuperações de Dourados, sob responsabilidade do juiz César de Souza Lima.

O pedido havia sido apresentado no fim de agosto e a decisão que autorizou o prosseguimento da recuperação foi proferida em 17 de setembro. 

A medida alcança as empresas Tecnomaac Tecnologia, Serviços, Comércio de Peças e Implementos Agrícolas Ltda.; MAAC Máquinas Serviços e Implementos Agrícolas Ltda.; MAAC Tratores, Peças e Implementos Agrícolas Ltda.; e Agropecuária Sanches Ltda. Também integram o processo os produtores rurais Joares Aparecido Sanches, Joselene Ortiz de Lima Sanches, Murillo Henrique Sanches e Camilla Sanches Zemolin.

Dados estruturados a partir da relação de credores apontam atualmente cerca de R$ 276 milhões em créditos relacionados ao grupo, distribuídos entre 352 registros de credores.

O montante é diferente dos R$ 172,3 milhões mencionados na decisão publicada no Diário da Justiça desta segunda-feira (21).

A diferença ocorre porque os R$ 172,3 milhões correspondem ao valor considerado sujeito à recuperação e utilizado como referência processual, enquanto a relação mais ampla de créditos inclui obrigações classificadas fora dos efeitos da recuperação.

Levantamento anterior feito a partir dos autos apontava cerca de R$ 105 milhões em créditos extraconcursais, elevando o passivo então relacionado para aproximadamente R$ 277 milhões.

Na decisão publicada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o magistrado registra expressamente que os requerentes apresentam dívidas superiores a R$ 172,3 milhões e enfrentam um descompasso no fluxo financeiro, com dificuldades para cumprir obrigações e risco à continuidade das atividades.

Crise no agronegócio

Segundo as justificativas apresentadas pelo próprio grupo no processo, a crise financeira não teria sido provocada por um único fator.

Os requerentes relacionam a situação a um período de expansão financiada por endividamento, à concentração de receitas na comercialização de equipamentos da Stara e, posteriormente, à deterioração das condições enfrentadas pelo agronegócio.

Entre os fatores citados estão quebras de safra, redução da produtividade e queda nos preços das commodities agrícolas, produtos do campo negociados em grande escala e com preços influenciados pelo mercado nacional e internacional, como soja, milho, café e algodão.

Informações extraídas dos autos também apontam que o grupo expandiu suas operações utilizando linhas de crédito, em um cenário que posteriormente se tornou menos favorável para a atividade.

A dimensão das operações ajuda a explicar o impacto da crise. Documentos apresentados no processo indicam que as atividades rurais ligadas à família abrangem mais de 4,5 mil hectares, entre lavoura e pecuária, em propriedades localizadas em Ponta Porã, Maracaju e Rio Negro. 

Além da produção rural, uma das principais frentes do grupo é justamente o comércio de máquinas e implementos agrícolas.

Contrato com a Stara é considerado essencial

Um dos pontos centrais do processo envolve a relação comercial mantida com a fabricante de máquinas agrícolas Stara.

A Tecnomaac atua como concessionária da marca em Mato Grosso do Sul. Informações apresentadas quando a recuperação foi requerida apontam atendimento em 26 municípios do Estado. 

Ao recorrer à Justiça, o grupo pediu que o contrato de concessão de vendas celebrado com a fabricante fosse considerado essencial para a manutenção de suas atividades.

A decisão judicial reconheceu, neste momento do processo, a importância da relação comercial. De acordo com os documentos analisados pelo juízo, o contrato é fundamental para MAAC Máquinas, MAAC Tratores e Tecnomaac e representa aproximadamente 43% do faturamento considerado para o grupo autor. 

O magistrado avaliou que uma eventual rescisão do contrato poderia prejudicar a tentativa de recuperação das empresas e até comprometer a continuidade das operações. Por isso, reconheceu sua essencialidade nesta etapa do processo. 

Há uma diferença entre esse percentual registrado na decisão e dados apresentados anteriormente sobre a composição das receitas das empresas.

Informações extraídas da petição inicial apontavam que as empresas haviam faturado aproximadamente R$ 83,67 milhões entre julho de 2025 e julho de 2026, com mais de 80% vinculados à concessionária Stara.

Os percentuais se referem a bases de cálculo distintas, razão pela qual não devem ser tratados como equivalentes. 

Justiça suspende execuções por 180 dias

Além da manutenção da relação comercial considerada essencial, a decisão concedeu ao grupo o chamado stay period, período de proteção previsto na legislação de recuperação judicial.

Na prática, a Justiça determinou a suspensão, por 180 dias, das ações e execuções contra os requerentes abrangidas pela recuperação judicial.

Durante esse período, também ficam vedadas, nos limites previstos na legislação, medidas como retenção, arresto, penhora, sequestro, busca e apreensão e outras formas de constrição judicial ou extrajudicial sobre bens relacionados aos créditos sujeitos à recuperação. 

A finalidade é impedir que a retirada individual de bens por credores inviabilize a atividade enquanto a situação econômico-financeira é reorganizada.

Na decisão, o magistrado considerou que a continuidade de medidas de busca e apreensão, arrestos ou penhoras poderia comprometer as atividades das empresas e dos produtores rurais e até impedir uma tentativa de recuperação. 

Isso não significa, porém, que os R$ 276 milhões em dívidas foram suspensos ou perdoados. A recuperação judicial estabelece um processo coletivo de reorganização das obrigações e de negociação com os credores.

Também existem créditos que, por sua natureza jurídica, podem não se submeter aos efeitos do procedimento.

Fazendas também entraram na discussão

O processo alcança ainda um dos principais patrimônios utilizados nas atividades do grupo: as propriedades rurais.

Durante a tramitação, os envolvidos no processo apresentaram novo pedido para que fazendas ligadas ao grupo fossem reconhecidas como bens essenciais à manutenção das atividades, além de solicitarem a liberação de valores bloqueados pelos bancos.

A existência desses pedidos consta da decisão, mas o trecho publicado no Diário da Justiça consultado não permite afirmar que todos tenham sido definitivamente aceitos pela Justiça.

Esse ponto é especialmente relevante porque parte dos integrantes da recuperação atua diretamente na agricultura e pecuária, enquanto outra parcela do grupo trabalha na comercialização de máquinas, peças, implementos e serviços voltados ao setor.

Ao analisar o pedido de proteção inicial, a Justiça considerou demonstrado, nesta fase, que os requerentes exercem atividades agrícolas e comerciais há mais de dois anos. 

Quem está na recuperação

O processo reúne oito envolvidos no pedido de recuperação judicial e evidencia a integração entre a atividade empresarial e a produção rural da família Sanches.

As quatro empresas são Tecnomaac, MAAC Máquinas, MAAC Tratores e Agropecuária Sanches. As pessoas físicas vinculadas ao pedido são Joares Aparecido Sanches, Joselene Ortiz de Lima Sanches, Murillo Henrique Sanches e Camilla Sanches Zemolin.

Bases que acompanham o processo apontam as empresas em Maracaju e os registros empresariais dos produtores rurais em Ponta Porã. 

O caso tramita em Dourados porque a comarca concentra a Vara Regional de Falências e Recuperações responsável pelo processo.

Recuperação ainda está no começo

A autorização da Justiça para o início da recuperação judicial não significa que as empresas tenham sido declaradas insolventes, ou seja, sem condições de pagar suas dívidas, nem representa a aprovação definitiva de um plano para quitar os débitos.

O grupo entrou agora em uma etapa na qual credores, administrador judicial e Justiça passam a acompanhar a reorganização das obrigações.

A recuperação deverá avançar pela verificação dos créditos, apresentação e análise do plano e, conforme o desenvolvimento do processo, deliberação dos credores.

A recuperação judicial busca permitir que uma empresa economicamente viável atravesse uma crise financeira sem interromper imediatamente suas atividades, preservando a produção, empregos e a possibilidade de pagamento dos credores.

No caso do Grupo Tecnomaac, o desafio será reorganizar um passivo que atualmente aparece na relação de credores na casa dos R$ 276 milhões, ao mesmo tempo em que as empresas tentam preservar a produção rural e a operação comercial ligada ao mercado de máquinas agrícolas.

CENSO IMOBILIÁRIO

Na Capital, 60% pretendem comprar um imóvel, mas 11% realmente compram

Baixo percentual de compra pode estar relacionado à alta taxa de juros, aponta o Sinduscon-MS

20/09/2026 15h00

Casa para vender em Campo Grande

Casa para vender em Campo Grande MARCELO VICTOR

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Dados divulgados pelo Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção de Mato Grosso do Sul (Sinduscon-MS) apontam que 60% dos campo-grandenses pretendem comprar um imóvel atualmente.

Mas, apenas 11% realmente compram. De acordo com o vice-presidente da Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, este baixo percentual pode estar relacionado à alta taxa de juros.

“Os altos juros sempre atrapalham e tiram o aquecimento das vendas, mas a gente tem notado que está saindo negócio sim. Se o juros baixar um pouco, com certeza aquece um pouco mais”, explicou.

Casa para vender em Campo GrandePresidente do Sinduscon-MS, Rafael Tenuta, em coletiva de imprensa realizada em 28 de agosto. Foto: Marcelo Victor

Mesmo assim, o sonho saiu do papel para muitos: de janeiro a julho de 2026, 872 unidades foram vendidas em Campo Grande, sendo 464 no primeiro trimestre e 408 no segundo trimestre.

Do padrão Minha Casa Minha Vida, foram comercializados 272 imóveis no primeiro trimestre e 80 imóveis no segundo trimestre.

Casas de padrão médio (80%) tiveram um boom nas vendas no último trimestre, enquanto imóveis Minha Casa Minha Vida (20%) aparecem em segundo lugar e compactos (2%) em terceiro. Imóveis luxuosos tiveram retração (-1%).

No segundo trimestre, o m² custava R$ 9.857,00 em Campo Grande. No primeiro trimestre, custava R$ 10.477, portanto, o valor baixou de um período para o outro.

Confira o valor médio por tipo de residência:

  • Residência com um dormitório – R$ 707.604,00
  • Residência Minha Casa Minha Vida com dois dormitórios – R$ 293.682,00
  • Residência com três dormitórios – R$ 1.141.120,00
  • Residência com quatro ou mais dormitórios – R$ 3.406.840,00
  • Geral – R$ 688.283,00

Fonte: Sinduscon-MS

BRASIL

De acordo com o head da Brain Inteligência Estratégica, Anderson Gonçalves, a intenção de comprar um imóvel é de 52% no Brasil – o percentual é o maior desde 2019 e atingiu a máxima histórica.

Mas dos que pretendem, 11% realmente compram. Nas regiões Centro-Oeste/Norte, 53% pretendem comprar um imóvel e 47% não pretendem.

A compra pode se concretizar em até 6 meses (8%), em até 1 ano (23%), em até 1 ano e meio (13%), em até 2 anos (24%) e acima de 2 anos (32%).

Os imóveis mais desejados pelos brasileiros são apartamento (40%), casa em rua (38%), casa em condomínio fechado (17%), terreno em condomínio aberto (3%), terreno em condomínio fechado (2%).

Os imóveis preferidos são residência para moradia (86%), residência para lazer (8%) e comercial (6%).

As motivações para compra são sair do aluguel (37%), sair da casa dos pais (15%), mudar de endereço (9%), casamento (2%), separação (1%), mais espaço (14%), mais benefícios (3%), imóvel mais novo (3%), locação (12%), revenda (1%), imóvel para familiar (2%) e residência menor (1%).

AJUDA PARA COMPRAR O PRIMEIRO IMÓVEL

Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha) está com 400 vagas abertas para famílias de Campo Grande que querem comprar o primeiro imóvel.

Cada beneficiário poderá receber R$ 4 mil para ajudar a pagar a entrada do financiamento.

O benefício faz parte do programa Bônus Sonho de Morar, dentro do ViraCG Habitação e é destinado a famílias com renda mensal bruta de um a cinco salários mínimos.

Os interessados têm até 30 de novembro de 2026 para solicitar o benefício. O atendimento será feito de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h, na sede da Emha, localizada na Rua Iria Loureiro Viana, nº 415, Vila Oriente.

As 400 cotas serão distribuídas por ordem cronológica de solicitação. Caso o número de interessados ultrapasse a quantidade disponível, será formada uma lista de suplentes.

LOTERIA

Resultado da + Milionária de hoje, concurso 391, domingo (20/09): veja o rateio

A + Milionária tem dois sorteios semanais, às quartas e sábados, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso.

20/09/2026 13h56

Confira o resultado da +Milionária

Confira o resultado da +Milionária Foto: Divulgação

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 391 da + Milionária na manhã deste domingo, 20  de setembro de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorre no Espaço da Sorte, em São Paulo.

Veja os detalhes das apostas ganhadoras:

6 acertos + 2 trevos
Não houve acertador

6 acertos + 1 ou nenhum trevo
Não houve acertador

5 acertos + 2 trevos
3 apostas ganhadoras, R$ (131.152,70)

5 acertos + 1 ou nenhum trevo
36 apostas ganhadoras, (R$ 4.857,51)

4 acertos + 2 trevos
116 apostas ganhadoras, (R$ 1.615,18)

4 acertos + 1 ou nenhum trevo
1576 apostas ganhadoras, (R$ 118,88)

3 acertos + 2 trevos
2318 apostas ganhadoras, (R$ 50,00)

3 acertos + 1 trevo
15900 apostas ganhadoras, (R$ 24,00)

2 acertos + 2 trevos
17668 apostas ganhadoras, (R$ 12,00)

2 acertos + 1 trevo
125020 apostas ganhadoras, (R$ 6,00)

Confira o resultado da + Milionária de hoje!

Os números da + Milionária 392 são:

  • 04 - 10 - 27 - 40 - 44 - 47 
  • Trevos sorteados: 3 - 5

O sorteio da + Milionária é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal ofical da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: + Milionária 392

Como a + Milionária tem dois sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre na quarta-feira, 23 de setembro, a partir das 20 horas, pelo concurso 392. O valor da premiação vai depender se no sorteio atual o prêmio será acumulado ou não.

Para participar dos sorteios da + Milionária é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 6,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher de 6 a 12 números dentre as 50 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar de 4 a 6 números.

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