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Hidrovia Paraguai-Paraná entra no radar de disputas de poder entre EUA e China

MS detém 18% de trecho economicamente navegável e exporta em torno de 12% do volume de carga

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O modal de transporte aquaviário no Rio Paraguai, que se conecta ao Rio Paraná e, mais adiante, ao Rio da Prata, próximo ao Oceano Atlântico, liga Bolívia, Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai e passou a integrar, neste ano, um contexto econômico marcado por monitoramento e disputas de influência entre Estados Unidos e China.

As iniciativas de infraestrutura para garantir a navegabilidade permanente da hidrovia no trecho que passa por Mato Grosso do Sul se conectam a obras em andamento nos demais países, viabilizando um corredor estratégico para o transporte de commodities. 

Neste ano, enquanto avançam as discussões sobre a concessão do trecho sul-mato-grossense da hidrovia no Pantanal, EUA e China passaram a concentrar suas atenções em áreas da Argentina, na região de Rosário, e do Paraguai, nas proximidades de Villeta, município a cerca de 30 quilômetros de Assunção.

Com 3,2 mil km de extensão, sendo aproximadamente 600 km no trecho entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, foco do projeto de concessão, a hidrovia conecta mais de 100 portos, 5 deles em Mato Grosso do Sul. O volume transportado supera 100 milhões de toneladas por ano, envolvendo minério de ferro e manganês, extraídos em Corumbá e Ladário, e soja brasileira, além de milho, minerais, como lítio e cobre, e gás natural de diferentes regiões da Argentina, incluindo Vaca Muerta.

O corredor entrou definitivamente no radar dos negócios globais por seu potencial de escoar até 40% da demanda mundial de grãos em cinco anos, segundo estudos da Bolsa de Comércio de Rosário. Além disso, há projeção de ampliação do transporte de minério de ferro para até 25 milhões de toneladas anuais até 2030. A matéria-prima extraída em Corumbá apresenta teor superior a 65% de ferro, o que agrega valor no mercado internacional.

Nesse contexto, a LHG Mining, responsável pelo maior volume de exportação do minério, estuda a incorporação de um sócio estrangeiro. Neste ano, a produção deve ser fechada em 12 milhões de toneladas. Do lado boliviano, a exploração mineral na região de Mutum, na fronteira com o Brasil, também depende fortemente da hidrovia, especialmente por meio do porto de Puerto Quijarro.

O aumento progressivo da oferta de commodities exportáveis e as previsões de obras para assegurar navegação contínua em trechos do Brasil, do Paraguai e do Argentina fortaleceram a imagem do eixo Paraguai-Paraná como área de interesse global.

 O analista internacional Gregory Ross, especializado em comércio no Cone Sul, avalia que a hidrovia já está no centro de uma disputa de poder entre Estados Unidos e China, com vantagem, no momento, para a presença chinesa na América do Sul.

“No ano passado, o Rio Paraguai atingiu recorde de nível baixo, o que causou um prejuízo estimado em US$ 300 milhões [cerca de R$ 1,65 bilhão] na economia do Paraguai. A combinação de vulnerabilidades e valor estratégico está atraindo atores externos. Beijing segue expandindo seu acesso na América do Sul para a agricultura e recursos minerais. As empresas chinesas estão buscando espaço, como a inauguração do Porto Chancay, no Peru, investimento de US$ 3,5 bilhões [em torno de R$ 19,3 bilhões], e o plano de ligar essa estrutura ao Brasil por trilhos”, analisou Ross, em artigo publicado na Americas Quarterly.

Segundo o analista, essa disputa global também abre espaço para rearranjos de poder entre países da região, o que pode reduzir o protagonismo brasileiro. 

“Hoje, toda essa demanda depende de diplomacia, conhecimento técnico e investimentos direcionados. O Paraguai, por exemplo, ofereceu aos EUA um porto no modelo ganha-ganha, para elevar a influência regional paraguaia”, acrescentou Ross.

Enquanto a China atua na Argentina por meio da Shanghai Dredging Co., subsidiária da China Communications Construction Company, empresas norte-americanas com experiência no Rio Mississippi realizam estudos entre Concepción e Assunção para dragagem e ampliação do canal. O U.S. Army Corps of Engineers já apresentou propostas técnicas ao Paraguai para garantir navegação durante todo o ano.

LADO BRASILEIRO 

No Brasil, em meio à disputa internacional, os interesses permanecem concentrados no território nacional. O governo federal atua para viabilizar a transferência à iniciativa privada do trecho da hidrovia em Mato Grosso do Sul. A concessão, inicialmente cogitada para este ano pelo Ministério de Portos e Aeroportos, deve ser debatida apenas em 2026.

A etapa atual depende da análise do Tribunal de Contas da União (TCU), que entrou em recesso no dia 15 e retoma os trabalhos em 16 de janeiro. O processo está sob relatoria do ministro Benjamin Zymler e não tem prazo definido para conclusão. 

Trata-se da primeira concessão hidroviária do País, ainda sem referências consolidadas nos campos jurídico, tarifário, técnico e ambiental.

Como 2026 será ano eleitoral, a expectativa nos bastidores é de que, mesmo se aprovada, a concessão só avance efetivamente a partir de 2027.

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jornada de trabalho

Se aprovado, fim da 6x1 deve afetar preços relativos num primeiro momento, dizem analistas

Os impactos seriam consequência do aumento dos custos das empresas à medida que as horas trabalhadas diminuíssem, sem alteração dos salários

22/03/2026 08h00

O fim da 6x1 deve afetar preços relativos num primeiro momento, dizem analistas

O fim da 6x1 deve afetar preços relativos num primeiro momento, dizem analistas Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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O fim da jornada de 6 dias de trabalho por 1 de folga, se aprovado, terá impacto nos preços relativos da economia, pelo menos em um primeiro momento, preveem especialistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

De imediato, os custos das empresas subirão na medida em que as horas trabalhadas diminuírem e considerando que os salários não poderão ser reduzidos.

No médio prazo, segundo os especialistas, o mercado se ajustará e as empresas se adequarão à nova realidade, como aconteceu em 1988, quando, na esteira da nova Constituição, a jornada de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas semanais.

A inflação, num primeiro momento, deve subir também porque, segundo o sociólogo, professor e coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz Lúcio, com um dia a mais de folga o trabalhador passará a consumir mais.

Na outra ponta, para atender ao aumento da demanda, o setor produtivo terá que produzir mais. Para isso terá que contratar mais funcionários, fazendo com que a roda da economia passe a girar mais rápido. "O resultado será de um saldo positivo para a economia", defende Ganz Lúcio.

Daniel Teles Barbosa, sócio da Valor Investimentos, também vê o fim da jornada 6x1 alterando os preços relativos da economia por meio de uma inevitável melhora na massa salarial. Setores que não podem interromper suas atividades aos fins de semana vão ter de buscar reposição nos seus dias de folga dos seus empregados ou pagar horas extras.

Para o executivo, num cenário de mercado de trabalho superaquecido, com escassez de mão de obra e plataformas e aplicativos levando vantagem na disputa de trabalhadores com rendas mais atrativas, o setor formal terá que melhorar salários e benefícios para conseguir atrair o trabalhador informal para um ambiente em que terá de cumprir horários, estar sujeito a regras e normas.

"Um motorista de aplicativo hoje consegue movimentar no mês de R$ 6 mil a R$ 9 mil", disse Teles.

De acordo com o coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Ganz Lúcio, num primeiro momento, será inevitável alguma pressão sobre custos das empresas, sobretudo nos das micro e pequenas, que são mais intensivas em mão de obra e carentes de condições para se automatizarem e inovarem.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quantifica o impacto que o fim da jornada 6x1 exercerá sobre custos.

O efeito será diferente para cada setor e porte, indo de 0,5% a 6,5%, sendo que as empresas maiores e mais automatizadas sofrerão menos pressão que as micros e pequenas.

Tendência Mundial Inevitável

Para o presidente do Sindicato das Micro e Pequenas Indústrias do Estado de São Paulo (Simpi), Joseph Couri, a redução da jornada trabalho é uma tendência mundial, inevitável e bem-vinda Defende a melhora da qualidade de vida do trabalhador, mas também algum incentivo para que as micro e pequenas empresas possam se automatizar.

Enquanto grandes associações entendem que o debate sobre o fim da jornada 6x1 não cabe em um país com baixo ganho de produtividade e escassez de mão de obra, Couri diz que é só pagar o que o trabalhador pede e merece que a mão de obra aparece.

Ainda, de acordo com ele, o impacto não será generalizado porque muitas empresas já cumprem uma jornada de 40 horas semanais.

"Quanto menos mecanizado for um segmento, maior será o impacto do fim da jornada 6x1 sobre seus custos. Quanto mais mecanizado, menos impacto terá", avalia o presidente do Simpi, para quem alguma contrapartida para os micros e pequenos deveria acompanhar a mudança.

LOTERIA

Resultado da + Milionária de hoje, concurso 339, sábado (21/03); veja o rateio

A + Milionária tem dois sorteios semanais, às quartas e sábados, sempre às 20h; veja quais os números sorteados no último concurso

22/03/2026 07h33

Confira o resultado da +Milionária

Confira o resultado da +Milionária Foto: Divulgação

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A Caixa Econômica Federal realizou o sorteio do concurso 339 da + Milionária na noite deste sábado, 21 de março de 2026, a partir das 21h (de Brasília). A extração dos números ocorre no Espaço da Sorte, em São Paulo, com um prêmio estimado em R$ 31,5 milhões.

Premiação

  • 6 acertos + 2 trevos - Não houve acertador
  • 6 acertos + 1 ou nenhum trevo - Não houve acertador
  • 5 acertos + 2 trevos - 2 apostas ganhadoras, (R$ 126.348,60)
  • 5 acertos + 1 ou nenhum trevo - 5 apostas ganhadoras, (R$ 22.461,98)
  • 4 acertos + 2 trevos - 42 apostas ganhadoras, (R$ 2.005,53)
  • 4 acertos + 1 ou nenhum trevo - 751 apostas ganhadoras, (R$ 160,22)
  • 3 acertos + 2 trevos - 836 apostas ganhadoras, (R$ 50,00)
  • 3 acertos + 1 trevo - 8117 apostas ganhadoras, (R$ 24,00)
  • 2 acertos + 2 trevos - 6810 apostas ganhadoras, (R$ 12,00)
  • 2 acertos + 1 trevo - 65812 apostas ganhadoras, (R$ 6,00)

Confira o resultado da + Milionária de ontem!

Os números da + Milionária 339 são:

  • 40 - 32 - 27 - 41 - 42 - 15
  • Trevos sorteados: 6 - 4

O sorteio da + Milionária é transmitido ao vivo pela Caixa Econômica Federal e pode ser assistido no canal ofical da Caixa no Youtube.

Próximo sorteio: + Milionária 340

Como a + Milionária tem dois sorteios regulares semanais, o próximo sorteio ocorre na quarta-feira, 25 de março, a partir das 20 horas, pelo concurso 340. O valor da premiação vai depender se no sorteio atual o prêmio será acumulado ou não.

Para participar dos sorteios da + Milionária é necessário fazer um jogo nas casas lotéricas ou canais eletrônicos.

A aposta mínima custa R$ 6,00 para um jogo simples, em que o apostador pode escolher de 6 a 12 números dentre as 50 dezenas disponíveis, e fatura prêmio se acertar de 4 a 6 números.

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