Economia

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Importação de gás da Bolívia para MS deve acabar até 2030

Produção em queda reduz envio de gás natural pelo Gasbol, corta arrecadação de ICMS e pressiona Mato Grosso do Sul a buscar alternativas energéticas

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O gás natural, que sustentou parte essencial da arrecadação de Mato Grosso do Sul nas últimas décadas, está deixando de cumprir esse papel. O encolhimento das importações do produto vindo da Bolívia pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) reduziu drasticamente a entrada do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nos cofres públicos, gerando pressão fiscal e obrigando o governo a cortar despesas. A mudança escancara uma situação que deve piorar até 2030.

A consultoria Wood Mackenzie projeta que a Bolívia se tornará importadora líquida de gás até 2030, encerrando gradualmente as exportações para Brasil. A redução das reservas, o esgotamento de campos maduros e a ausência de novas descobertas relevantes fazem com que o cenário não seja apenas conjuntural, mas definitivo. 

A produção boliviana já caiu 17% nos últimos anos, e o país vizinho chegou a discutir a possibilidade de voltar a importar para atender a demanda interna. 

De janeiro a maio, as compras de gás boliviano que entram no Brasil por Corumbá somaram US$ 363 milhões – US$ 163 milhões a menos que em igual período de 2024. Apenas essa queda representou US$ 19 milhões a menos de ICMS (mais de R$ 100 milhões na cotação da época) para Mato Grosso do Sul, como mostrou o Correio do Estado. 

Trata-se de uma perda direta no caixa estadual, antes equilibrado pela arrecadação robusta do gás. O saldo da balança comercial melhorou, mas à custa de uma queda nas importações que secou uma das principais fontes de receita.

Em 2024, o Estado chegou a perder R$ 2 milhões por dia em arrecadação de ICMS em função da queda das importações. No acumulado de apenas seis meses, essa perda superou a marca de R$ 350 milhões, equivalente a quase metade de toda a receita anual da Secretaria de Saúde ou ao orçamento anual de investimentos em infraestrutura. 

Neste ano, a situação levou o governador Eduardo Riedel a anunciar corte de 25% no custeio da máquina pública para compensar a perda de receita. O ICMS proveniente do gás chegava a cifra de bilhões de reais e foi, historicamente, um instrumento para manter a folha de pagamento em dia e financiar investimentos.

Agora, sua redução cria um rombo que pressiona a gestão fiscal e limita a capacidade do Governo de atender novas demandas.

Essa fragilidade já era conhecida. Em 2021, especialistas alertavam que a capacidade de produção da Bolívia havia caído 28% entre 2014 e 2020, com o contrato brasileiro reduzido de 30 milhões de m³ por dia para 20 milhões de m³ por dia. Atualmente o volume diário varia entre 10 milhões de m³ e 12 milhões de m³.

A Companhia de Gás de Mato Grosso do Sul (MSGás), empresa estadual responsável pela distribuição, está no centro desse desafio. A companhia precisa manter competitiva a rede de gasodutos consolidada no Estado, mas sem a mesma previsibilidade de suprimento. 

Na semana passada, em entrevista a uma emissora local de televisão, o governador Eduardo Riedel admitiu a gravidade da situação e citou alternativas que estão em discussão. 

 “Preocupa, com certeza. Nós já estamos trabalhando em alternativas, conversando com as empresas, conversando sobre o fluxo de gás invertido se possível for. A MSGás e o secretário Jaime [Verruck] têm buscado discutir com o mercado de gás toda essa situação. E claro, a rede de gás está consolidada na Estado e em ampliação, e essa rede será utilizada”, disse Riedel sobre a perspectiva do fim do fornecimento do gás boliviano até 2030 e completou. 

“A origem e a matéria prima do gás que nós vamos discutir para atender algo que é muito importante, que é uma matriz energética mais competitiva para indústrias e para o cidadão que usa o gás natural em casa”.

ALTERNATIVAS

O chamado fluxo invertido citado pelo governador – trazer gás de outras origens, como o Gás Natural Liquefeito (GNL) regaseificado do sudeste – é uma possibilidade estudada. Mas a implementação esbarra em limitações de infraestrutura, necessidade de investimentos e negociações regulatórias. Para Mato Grosso do Sul, isso significa custos adicionais que podem se refletir em tarifas mais altas para indústrias e consumidores, corroendo a competitividade do setor produtivo.

A Petrobras e outros agentes têm atuado de forma pontual, ampliando compras da Bolívia quando há sobra de molécula ou ventilando investimentos para garantir o abastecimento. Contudo, nenhuma dessas medidas resolve o vazio estrutural que ameaça as exportações bolivianas. 

Outra alternativa já noticiada pelo Correio do Estado é a construção de um novo gasoduto internacional para trazer o gás da Argentina para o Brasil, via Mato Grosso do Sul. O projeto pode transformar o Estado em um novo ponto de entrada do insumo e impulsionar a sua arrecadação ICMS.

O Paraguai e a Argentina assinaram um memorando de entendimento em julho deste ano e prevê a realização de estudos para transportar o gás da reserva de Vaca Muerta, na Argentina, até o Paraguai. 

Como revelou a reportagem, o plano inclui a possibilidade de que o gasoduto seja estendido até Mato Grosso do Sul, criando uma nova alternativa de suprimento para o mercado energético brasileiro.

A eventual entrada do gás argentino por MS ampliaria significativamente a arrecadação estadual, já que o ICMS incide sobre o ponto de importação do produto. 

Em entrevista ao Correio do Estado, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, explicou que Mato Grosso do Sul e Paraguai firmaram um termo de cooperação técnica para o desenvolvimento de estudos voltados à construção do gasoduto. 

Ele lembra que já existe um gasoduto entre a Bolívia e a Argentina, por onde a Bolívia fornecia cerca de 4 milhões de metros cúbicos por dia. Com a reversão desse fluxo – já efetivada –, a Bolívia deixou de exportar gás à Argentina, abrindo o caminho para que a infraestrutura seja usada no sentido oposto. O trecho revertido pode ser integrado a esse novo projeto.

“Estamos em parceria com o Paraguai para desenvolver esses estudos, com envolvimento do governo Federal e do Ministério de Minas e Energia. É um projeto que passa por Mato Grosso do Sul, e não pelo Rio Grande do Sul que tem outro traçado em discussão”, destacou.

O secretário revelou, ainda, que o Estado já recebe gás natural vindo da Argentina por meio do Gasbol, importado por empresas privadas, o que demonstra a viabilidade dessa alternativa de fornecimento. 

“Hoje, já temos gás argentino entrando no sistema brasileiro, mesmo sem a participação da Petrobras, o que fortalece ainda mais a possibilidade de uma rota pelo Paraguai”, disse.

O modelo em análise prevê um gasoduto com capacidade para 20 milhões de m³ diários, dos quais 10 milhões de m³ diários seriam consumidos pelo Paraguai e os outros 10 milhões de m³ diários seriam destinados ao Brasil, via Mato Grosso do Sul. 

“O Gasbol tem capacidade para 30 milhões de m³ e, hoje, opera com cerca de 10 [milhões de m³] a 12 milhões [de m³]. Ou seja, há espaço para esse volume adicional, sem necessidade de grandes obras complementares no trecho brasileiro”, acrescentou.

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Quebradeira do agro

BNDES aprova R$ 7,5 bilhões para renegociações de dívidas de produtores rurais

Ao todo, segundo o BNDES, 27.796 operações foram contratadas, alcançando produtores de 754 municípios de 22 Estados

16/02/2026 15h45

Divulgação

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 7,5 bilhões em operações de renegociação de dívidas rurais no âmbito do programa BNDES Liquidação de Dívidas Rurais, informou o banco de fomento em nota.

Ao todo, a linha possuía R$ 12 bilhões em recursos do Tesouro a serem desembolsados em prorrogações ou liquidação de dívidas de produtores rurais e cooperativas agropecuárias afetados por eventos climáticos adversos.

O programa foi aberto pelo BNDES em 16 de outubro de 2025 dentro do escopo da Medida Provisória 1.314, que criou uma linha de crédito subsidiada pelo Tesouro e operada pelo BNDES, e teve vigência até 10 de fevereiro.

Ao todo, segundo o BNDES, 27.796 operações foram contratadas, alcançando produtores de 754 municípios de 22 Estados. O tíquete médio dos contratos foi de R$ 270 mil.

“Com esse programa, o governo do presidente Lula permitiu a produtores rurais, pequenos e grandes, reorganizar suas contas, quitar débitos e ter as condições para voltar a produzir. E, ao contribuir para a retomada da produção, o programa também ajudou o país a registrar uma queda no valor da cesta básica no segundo semestre de 2025, com impactos positivos na inflação e na mesa das famílias brasileiras”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, na nota.

Do montante, R$ 4,8 bilhões de operações foram aprovadas para agricultores familiares e produtores de médio porte, enquadrados no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) e no Programa Nacional de Apoio aos Médio Produtores (Pronamp), somando 25.041 operações.

O programa previa reserva de 40% dos recursos para produtores beneficiários do Pronaf e do Pronamp, o equivalente a R$ 4,8 bilhões, valor total alcançado nas operações. Outros R$ 2,7 bilhões foram contratados por demais produtores, totalizando 2 755 operações.

O BNDES Liquidação de Dívidas Rurais dispunha de prazo de pagamento de até nove anos, com um ano de carência.

Os recursos do programa eram direcionados à liquidação ou amortização de operações de crédito rural de custeio e investimento, bem como de Cédulas de Produto Rural - CPR, desde que os produtores tenham sido afetados por eventos climáticos em duas ou mais safras e atendam aos critérios do programa. O programa foi destinado a produtores rurais localizados em municípios com recorrência de eventos climáticos adversos reconhecidos pelo governo federal.

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Direito do Trabalhador

Abono salarial começa a ser pago nesta segunda (16)

O Benefício pode chegar a um salário mínimo e deve alcançar 26,9 milhões de trabalhadores no país em 2026; confira se você tem direito

16/02/2026 13h01

Crédito: Marcelo Casal Jr / Agência Brasil

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O abono salarial começa a ser pago nesta segunda-feira (16). Em 2026, o Governo Federal destinará R$ 33,5 bilhões ao pagamento do benefício, que deve alcançar 26,9 milhões de trabalhadores.

O montante é superior ao registrado em 2025, quando foram investidos R$ 30,7 bilhões no abono salarial.

O benefício sofreu alterações a partir deste ano com a Emenda Constitucional nº 135, de 2024, que modificou o critério de renda para acesso.

A mudança estabelece a diminuição gradual, ano a ano, do limite de renda média mensal dos trabalhadores que têm direito ao benefício, até atingir o patamar de um salário mínimo e meio, o que está previsto para ocorrer em 2035.

Quem pode receber?

O benefício começa a ser pago aos trabalhadores nascidos em janeiro. Para ter direito, a pessoa precisa ter recebido, em média, até R$ 2.766 por mês no ano de referência.

Esse valor foi calculado da seguinte forma: consideraram-se dois salários mínimos de 2023 (R$ 2.640) e aplicou-se a correção da inflação de 2024, que foi de 4,77% (medida pelo INPC). Ou seja, o limite aumentou um pouco devido à inflação.

Além disso, têm direito ao abono salarial os trabalhadores da iniciativa privada e do serviço público que possuam vínculo com empregadores que contribuem para o PIS/Pasep há, pelo menos, cinco anos; que tenham recebido, em 2024, remuneração média mensal de até R$ 2.766; e que tenham exercido atividade remunerada por, no mínimo, 30 dias no ano-base.

Saiba quando será sua vez

Cabe ressaltar que o valor do abono salarial pode variar conforme o número de meses trabalhados no ano-base.

O cálculo é feito à razão de 1/12 do salário mínimo vigente no ano-base para cada mês trabalhado, desde que o trabalhador cumpra os demais requisitos, como:

  • estar inscrito no programa há pelo menos cinco anos;
  • ter as informações corretamente declaradas pelo empregador no eSocial dentro do prazo.

Após a primeira etapa, os pagamentos terão início em 15 de fevereiro e seguirão até 15 de agosto. O trabalhador tem até o último dia útil do calendário bancário, em 29 de dezembro de 2026, para realizar o saque.

Caso não realize o saque até essa data, os recursos retornam aos cofres públicos, mas ainda poderão ser solicitados dentro do prazo de até cinco anos.

Bancos cadastrados

O pagamento do PIS é feito pela Caixa Econômica Federal aos trabalhadores da iniciativa privada. O valor é creditado em conta-corrente, poupança ou na Poupança Social Digital.

Também pode ser depositado automaticamente na poupança social digital por meio do aplicativo CAIXA Tem. Para trabalhadores que não possuem conta, o saque pode ser feito em agências, lotéricas, terminais de autoatendimento, CAIXA Aqui e demais canais disponibilizados pela instituição.

Já o Pasep, destinado aos servidores públicos, é pago pelo Banco do Brasil. O crédito pode ser feito em conta bancária, por meio de transferência via TED ou Pix, ou presencialmente nas agências para trabalhadores que não sejam correntistas e não possuam chave Pix.

Consulta

A partir de 5 de fevereiro, os trabalhadores poderão consultar se têm direito ao abono salarial por meio do aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal Gov.br.

Informações adicionais podem ser obtidas nos canais de atendimento do Ministério do Trabalho e Emprego, nas Superintendências Regionais do Trabalho e pelo telefone 158.

O trabalhador pode consultar a data de recebimento pelo aplicativo Carteira de Trabalho Digital, por meio da conta de acesso à plataforma Gov.br. Para isso, basta seguir os seguintes passos:

1 - Abra o aplicativo Carteira de Trabalho Digital com o número do CPF e a senha cadastrados no site www.gov.br.
2 - Na página principal, selecione o ícone do cifrão localizado acima da mão aberta.

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3 - Em seguida, selecione “Abono Salarial” e verifique a data de recebimento. O sistema também informa caso o trabalhador possua valores a receber ou pagamentos anteriores.

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Calendário de Pagamentos (Por Mês de Nascimento)

MÊS DE NASCIMENTO DATA DE PAGAMENTO
Janeiro 15 de fevereiro
Fevereiro 15 de março
Março e Abril 15 de abril
Maio e Junho 15 de maio
Julho e Agosto 15 de julho
Novembro e Dezembro 15 de agosto

Tabela de Valores (Proporcional aos Meses Trabalhados)

MESES TRABALHADOS ANO BASE VALOR DO ABONO SALARIAL 
1 R$ 136,00
2 R$ 271,00
3 R$ 406,00
R$ 541,00
5 R$ 675,00
6 R$ 811,00
7 R$ 946,00
8 R$ 1.081,00
9 R$ 1.216,00
10 R$ 1.351,00
11 R$ 1,486,00
12 R$ 1.621,00

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