A inflação subiu mais do que o esperado em setembro. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), divulgado pelo IBGE (Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística), avançou 0,53% no nono mês do ano, enquanto as estimativas apontavam para uma alta de 0,50%.
Com aumento dos preços, você já parou para pensar que seus investimentos acabam tendo um “ganho real” (rentabilidade descontada a inflação) menor? Por isso, neste contexto econômico atual, quais são as melhores alternativas de investimentos?
De acordo com o professor do Ibmec-RJ, Mauro Rochlin, o investidor deve sempre se atentar para o ganho real do investimento, ou seja, o quanto ele está remunerando acima da inflação. “O investidor muitas vezes não se atenta para este ponto, que é muito importante”, diz Rochlin.
De acordo com ele, investir em títulos atrelados à inflação é uma maneira de se “proteger” do aumento de preços. Isso porque, os títulos públicos atrelados ao IPCA remuneram com base na inflação mais uma taxa fixa. Ou seja, se a inflação subir, o ganho real do investidor permanece o mesmo. Entretanto, ele ressalta que mesmo com a inflação elevada, podem haver outras aplicações que ofereçam bom rendimento.
Quais as melhores alternativas?
Segundo Rochlin, o investidor não deve se basear apenas pela inflação de setembro para decidir comprar um título atrelado ao índice de preços. “Para os próximos meses, a expectativa é que a inflação seja menor e termine o ano dentro do teto da meta, de 6,5%“, afirma Rochlin.
Já o cenário em relação às taxas de juros está mais claro, de acordo com o professor. Ele ressalta que, além de ter reduzido a Selic em 0,5 ponto percentual na última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o Banco Central também sinalizou, por meio da Ata, que os juros devem continuar caindo nas próximas reuniões.
“Por conta disso, acho que o ideal é investir em títulos prefixados, pois assim o investidor aproveita a taxa de juros neste patamar elevado”, afirma.
Já o gerente de renda fixa da Um Investimentos, André Mallet, afirma que nas curvas de juros futuros na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) já estão “precificadas” mais duas quedas de 0,5 ponto percentual até o final do ano (totalizando uma redução de 1 ponto percentual na Selic até o término de 2011).
Por isso, ele não recomenda a compra de títulos prefixados de curto prazo neste momento. “No curto prazo, o prefixado não é uma boa opção, pois na taxa já está embutida esta redução”, diz.
No médio e longo prazo, porém, os títulos prefixados podem ser uma alternativa rentável. “Se governo continuar com esta política de redução de juros no próximo ano, quem comprar estes títulos pode ter uma boa rentabilidade”, diz Mallet.
Entretanto, esta é uma estratégia mais arriscada. “Não há como saber se realmente a taxa de juros vai continuar caindo ou não em 2012, então o investidor que optar por títulos pré de longo prazo tem que ser um pouco mais arrojado”, diz.
Já para aqueles que querem arriscar menos, uma boa alternativa, segundo ele, é ficar mesmo com os títulos pós-fixados, vinculados tanto aos juros quanto à própria inflação. “Se inflação ficar na meta, o investidor não perde nada. Por outro lado, se governo errar a mão, e a inflação subir acima do previsto, ele está mais resguardado. Com estes títulos, portanto, ele tem menos para perder e mais a ganhar”, diz Mallet.
Para o gestor de investimentos da Lecca, Georges Catalão, os títulos atrelados à inflação são mesmo a melhor opção neste momento. “Optamos por reduzir exposição à estratégia de juros pós-fixado e aumentar em inflação. É provável que a inflação não volte ao centro da meta antes de 2013”, acredita.
Investimento em ações
Com a redução dos juros, o investimento em ações poderia voltar a ser uma boa alternativa. Entretanto, o professor do Ibmec-RJ afirma que, com todas as incertezas internacionais, o investidor deve ficar muito atento ao mercado de renda variável.
“Em um cenário mais tranquilo, sem esta perspectiva de crise e com menos turbulência internacional, juros menores favoreceriam investimentos em renda variável. Agora, do jeito que o mercado está, investir em ações é risco puro”, diz.
Já para Catalão, o investidor pode adotar uma estratégia de aplicar em ações que pagam bons dividendos, que têm um caráter defensivo e protegem a carteira da volatilidade do mercado.
Além disso, ele ressalta que a economia brasileira continua com bons fundamentos e a perspectiva para ações no longo prazo continua favorável. Por isso, o ideal é investir nas estratégias de Large Caps, ações de companhias de grande porte que apresentam alta percepção de qualidade, liquidez e ganhos.



