Carlos Henrique Braga
Produtores rurais de cinco municípios abriram fogo contra javalis, que causaram R$ 1,450 milhão em prejuízos às lavouras de milho e ameaçam as exportações de carne suína. Em audiência na Assembleia Legislativa, ontem, representantes do setor produtivo defenderam a liberação da caça aos cerca de 50 mil animais no Estado, como forma de controlar a “praga”. Até o Exército foi escalado para estudar formas de conter a invasão.
O ataque aos suínos pode colocar em risco a exportação da carne suína, que rendeu R$ 17 milhões a Mato Grosso do Sul no primeiro semestre deste ano, segundo o Ministério da Agricultura. União Europeia e Rússia, principais compradores, têm regras rígidas para impedir que animais contaminados cheguem ao seu mercado. No início deste ano, os russos suspenderam por seis meses a compra de carne suína de Dourados por causa da contaminação pela doença aujeszky (conhecida como pseudorraiva), transmitida pelo javali. Os animais foram sacrificados e enterrados.
A doença não contamina humanos, mas pode afetar o bolso dos produtores se o Estado perder o status de área livre da doença sem vacinação. Mesmo barrados, criadores de Dourados continuam cruzando porcos domésticos com javalis, segundo o presidente da Associação de Suinocultores (Asumas), Arão Antonio Moraes. Presa fácil, o suíno pode ser morto no confronto ou reproduzir-se, dando origem ao javaporco.
Cativeiro
Os javalis se tornaram praga após serem soltos de um cativeiro, que acabou desativado em Rio Brilhante. Sem alimentação, passaram a invadir plantações de milho. Dos 70 mil hectares de lavoura de milho, 4 mil ha foram destruídos, segundo o diretor do Sindicato Rural da cidade, Sidenei Tambosi.
Os ataques são comuns no fim da tarde. “Os machos são muito ferozes, depois de destruir a plantação e colocar medo nas pessoas, voltam para o refúrgio na mata fechada”, conta Tambosi.
A caça de javalis deixou de ser permitida em agosto passado no Brasil. No entanto, o Código Nacional de Caça possibilita a morte de animais que ofereçam risco à economia e à saúde. Mas a medida depende de regulamentação.

