O minério de ferro expõe um dos principais efeitos da queda das cotações internacionais sobre a pauta de exportações de Mato Grosso do Sul. Embora o Estado tenha aumentado significativamente a quantidade embarcada ao exterior, o faturamento com o item despencou nos oito primeiros meses deste ano.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mostram que Mato Grosso do Sul exportou US$ 153,9 milhões em minério de ferro entre janeiro e agosto deste ano, queda de 44,9% ante os US$ 279,4 milhões registrados no mesmo período de 2025.
A retração não foi provocada por redução dos embarques, já que o volume exportado cresceu 19%, passando de 6,01 milhões de toneladas em 2025 para 7,15 milhões de toneladas neste ano. Com isso, o minério atingiu o maior volume da série apresentada para o acumulado de janeiro a agosto desde 2023.
A diferença entre faturamento e quantidade evidencia a deterioração do preço médio recebido pelo produto. Em 2025, cada tonelada exportada pelo Estado representava, em média, cerca de US$ 46,52. Neste ano, esse valor caiu para US$ 21,53, uma redução de 54%.
Ao comparar os valores e volumes negociados nos últimos quatro anos a retração nos preços fica ainda mais evidente. Em 2023, Mato Grosso do Sul havia exportado 4,5 milhões de toneladas, que renderam US$ 232,6 milhões, com preço médio de US$ 51,68 por tonelada.
No ano seguinte, o volume caiu para 3,01 milhões de toneladas e o faturamento recuou para US$ 204,2 milhões. Já em 2025, houve forte recuperação dos embarques, que chegaram a 6,01 milhões de toneladas, enquanto a receita alcançou US$ 279,4 milhões.
Neste ano, contudo, o aumento do volume não foi o suficiente para compensar a queda das cotações. O Estado chegou a exportar 58,8% mais minério do que nos oito primeiros meses de 2023, mas o faturamento é 33,8% inferior ao daquele ano.
A situação também reduz a participação do minério na pauta estadual. Neste ano, o produto responde por aproximadamente 1,9% das exportações de Mato Grosso do Sul, contra 3,8% no mesmo período de 2025.

INTERNACIONAL
O desempenho estadual ocorre em um ambiente internacional menos favorável para o minério de ferro. A China, principal mercado consumidor mundial, enfrenta dificuldades relacionadas à demanda por aço, enquanto as margens das siderúrgicas estão pressionadas.
Ontem, o minério voltou a recuar nos mercados internacionais. Na Bolsa de Dalian, na China, o contrato mais negociado caiu 0,27%, para US$ 110,03 por tonelada. Em Cingapura, a referência para outubro recuava 0,91%, para US$ 100,10.
Conforme informações das agências internacionais, a pressão veio de preocupações com a demanda chinesa e do aumento das importações, enquanto siderúrgicas reduziram a produção diante de margens menores.
O mercado também convive com a perspectiva de aumento da oferta mundial, com novos projetos de mineração, enquanto a recuperação do setor imobiliário chinês permanece limitada.
Para a Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil), as projeções para este ano apontam para um cenário de preços mais pressionados. A entidade cita estimativa média próxima de US$ 94 por tonelada para o ano, abaixo dos cerca de US$ 102 registrados em 2025.
A entidade também alerta para os efeitos sobre a arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), especialmente em municípios dependentes da mineração.
A situação de Mato Grosso do Sul ajuda a ilustrar esse descompasso. Desde 2023, o Estado aumentou em quase 59% o volume de minério enviado ao exterior, mas o faturamento acumulado de janeiro a agosto caiu quase 34%.
O resultado significa que o crescimento da quantidade exportada não necessariamente se transforma em aumento proporcional de receita. Neste ano, o volume é recorde na série recente, mas o valor médio por tonelada é o menor desde 2023.
BALANÇA
A queda do minério ocorre em meio a um desempenho positivo do comércio exterior de Mato Grosso do Sul como um todo. Entre janeiro e agosto, o Estado exportou US$ 8,2 bilhões, alta de 11,9% sobre os US$ 7,29 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
As importações somaram US$ 1,6 bilhão, recuo de 2,8%, resultando em superavit comercial de US$ 6,6 bilhões.
A soja voltou a liderar a pauta, com US$ 2,7 bilhões em vendas externas e participação de 32,8%. A celulose aparece em segundo lugar, com US$ 2,1 bilhões, enquanto a carne bovina soma cerca de US$ 1,5 bilhão.
Assim, apesar da forte queda de receita do minério, o desempenho das principais commodities agrícolas e da celulose mantém as exportações estaduais em trajetória de crescimento.



