Economia

RECURSOS

MS pode "quebrar" sem arrecadação do ICMS dos combustíveis, diz Azambuja

Receita obtida com a alíquota chegou a R$ 266 milhões em janeiro, aumento de 11% em relação a 2020

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Em meio à polêmica sobre mudanças na cobrança de impostos estaduais e federais dos combustíveis, o governador de Mato Grosso do Sul disse que perder a arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) quebraria o Estado.

 O governo federal apresentou um projeto de lei para fixar o porcentual da alíquota dos combustíveis sob a justificativa de reduzir os preços.  

“Não tem como discutir reforma tributária fatiada, vamos discutir o todo, e eu não tenho dúvida de que os estados serão parceiros para acharmos uma alternativa factível que simplifique a questão tributária e que modernize essas legislações. Agora não dá para você, do dia para a noite tirar, recursos dos estados, porque se tirar o Estado pode quebrar e nós temos as nossas responsabilidades”, afirmou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB).  

O ICMS representa a maior fatia da arrecadação estadual. Conforme o boletim de arrecadação do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), enquanto a receita com a alíquota dos combustíveis registrou queda de 26,16% no cenário nacional, o Estado teve aumento de 10,98% nas receitas em janeiro.

Segundo o relatório, em janeiro de 2020, o Estado arrecadou R$ 240,422 milhões de ICMS dos combustíveis, já no primeiro mês deste ano a receita foi a R$ 266,812 milhões. 

Últimas notícias

No Brasil, os recursos saíram de R$ 3,459 bilhões no ano passado para R$ 2,554 bilhões no mês passado.  

Ainda conforme o relatório, somente com o ICMS de todas as fontes, Mato Grosso do Sul angariou R$ 803,937 milhões em janeiro de 2021, ante os R$ 695,100 milhões no mesmo período do ano passado.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Apesar de apontar que o recurso é de extrema importância para os cofres do Estado, o governador acredita que com o avanço da reforma tributária no Congresso os entes federados e a União entrarão em consonância.

“Sempre fui defensor de discutir o todo, é na reforma tributária, que está no Congresso Nacional, que tem de ser feita a mudança. Você não pode ficar fazendo em partes, dar uma diferença de 60 dias e voltar". 

"Os governadores são favoráveis a uma reforma ampla no País, o que não dá é para ficar discutindo remendo. Temos de discutir uma reforma ampla que simplifique, diminua tributos e melhore a arrecadação, para que a gente possa continuar fazendo o dever de casa”, destaca Azambuja.  

“Inclusive, já fomos defensores de acabar o ICMS e ter o Imposto sobre Valor Agregado [IVA], que é cobrado no destino final. Mato Grosso do Sul perde muito com isso? Perde, mas se tivermos um fundo de compensação já demos o aval que a gente topa". 

"O governo federal acaba com o PIS/Cofins, os municípios acabariam com ISS e os estados brasileiros acabariam com o ICMS. Passaria para um imposto no consumo final, simplificando a matriz tributária”, completou o governador de MS.

Ainda de acordo com Azambuja, os estados necessitam de uma contrapartida para aceitar a redução do ICMS.

 “A única coisa que nós pedimos é um fundo de compensação por emenda constitucional, para não ocorrer o mesmo que ocorreu com a Lei Kandir, que o governo parou de compensar e os estados ficaram 20 anos brigando [pelos recursos]”.  

COMBUSTÍVEIS

A Petrobras anunciou na semana passada o quarto reajuste para a gasolina, que já acumula aumento de 34,8%, e o terceiro para o diesel, que subiu 27,5% em 2021. 

Na prática, a gasolina sai das refinarias da estatal a R$ 2,48 e já ultrapassa R$ 5,50 no Estado, enquanto o diesel custa R$ 2,58 às distribuidoras e R$ 4,14 nos postos de combustíveis.

O Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 16/21, do Poder Executivo, unifica em todo o País as alíquotas do ICMS incidentes sobre combustíveis. 

A lista inclui gasolina, diesel, biodiesel, etanol e gás natural e de cozinha, além de vários outros derivados de petróleo. A proposta em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que a cobrança seja no local de consumo final.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem (22) a apoiadores que é possível reduzir em 10% o preço dos combustíveis intervindo na bitributação e em mudanças no ICMS.

“Os impostos [no preço dos combustíveis] são bitributados, incidem sobre o preço na refinaria, nos postos e em cima do próprio ICMS. Se jogar só em cima disso, reduz 10% o preço dos combustíveis e vários organismos do governo não fazem nada. No fundo, ninguém fazia nada. Eu descobri tudo isso sozinho”, criticou Bolsonaro em conversa com apoiadores ao deixar o Palácio da Alvorada.

Doutor em economia, Michel Constantino acredita que a mudança pode ser benéfica, mas não garante a queda dos preços. 

“A proposta reduz os custos do combustível, mas somente ela não garante que os preços vão baixar para o consumidor. É importante garantir o aumento da concorrência, com mais concorrência, mais briga por preços baixos e consumidor ganhar com isso”, explica.

Segundo o secretário-geral adjunto da OAB Nacional e advogado tributarista, Ary Raghiant Neto, o fim da bitributação pode levar à queda nos preços.

“A incidência será monofásica, ou seja, uma vez só, cabendo o ICMS ao estado de destino. O preço não será igual porque tem frete, etc., mas não haverá mais alíquotas diferentes. Depende da alíquota que o Confaz fixar, mas a tendência é de que o preço caia”, explicou.

Sobre a proposta do presidente de reduzir os impostos estaduais, o governador afirmou que, em vez de prometer, já mudou a alíquota no Estado.  

“Tem gente que faz discurso fácil, eu nunca fiz discurso fácil. Eu fiz aqui o dever de casa, baixei a alíquota do diesel e do álcool e aumentamos a da gasolina, porque nós queríamos aumentar o consumo do álcool". 

"Deu certo porque, se você olhar o aumento [do consumo] do ano passado, já foi significativo. E neste ano não tenho dúvida de que vai aumentar mais o consumo”, considerou Azambuja.

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Economia

BRB firma acordo para transferir ativos comprados do Banco Master

Banco público vai criar fundo de investimento com Quadra Capital

21/04/2026 22h00

Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

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O Banco de Brasília (BRB), instituição pública controlada pelo Governo do Distrito Federal (GDF), anunciou a criação de um fundo para a transferência de ativos comprados do Banco Master.

O anúncio foi feito por meio de um comunicado do BRB a acionistas, clientes e mercado financeiro, divulgado na última segunda-feira (20), após aprovação do negócio pelo Conselho de Administração da companhia.

A operação busca vender ativos recebidos do Banco Master, após a liquidação da instituição então controlada por Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraude e crimes financeiros.  

Quadra Capital
Para estruturar a criação do fundo de investimentos, o BRB assinou um memorando de entendimento com a Quadra Capital, com valor de referência de R$ 15 bilhões.

A Quadra Capital é uma gestora de fundos de investimento, especializada em ativos de baixa liquidez e com forte atuação em infraestrutura e logística. Nos últimos anos, investiu na aquisição de concessões portuárias no Espírito Santo e no Paraná.

Segundo o BRB, a operação será composta por uma parcela financeira à vista, de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. Já a parcela remanescente, estimada entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões, será realizada por meio de cotas subordinadas do fundo de investimento a ser estruturado para a gestão e monetização dos ativos.

A conclusão do negócio ainda vai depender do cumprimento das condições previstas em um memorando de entendimento. 

Executivo preso

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) prendeu o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, durante a 4ª fase da Operação Compliance Zero.

Costa é suspeito de ter descumprido práticas de governança e facilitar negócios sem lastro entre o banco público e o Banco Master. Ele também é suspeito do recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões, pagas por Vorcaro para facilitar a compra do Master pelo BRB, transação que foi vetada pelo Banco Central (BC).

Ao estruturar um novo fundo, o BRB espera "fortalecer sua estrutura de capital e sua liquidez, bem como aprimorar a gestão de seu portfólio, sendo a transação etapa relevante no processo de readequação da companhia, com expectativa de efeitos positivos sobre a liquidez, a gestão de ativos e a racionalização patrimonial".

regularização

Com 30% das declarações enviadas em MS, veja como evitar erros no IR

Mais de 200 mil contribuintes já transmitiram as informações ao Fisco; são esperadas 650 mil declarações

21/04/2026 10h00

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Com 30% das declarações do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) já entregues em Mato Grosso do Sul, especialistas reforçam a importância de atenção ao preenchimento dos dados para evitar pendências com a Receita Federal. A expectativa é de que 650 mil contribuintes prestem contas neste ano no Estado. Mais de 200 mil declarações já foram enviadas até o momento.

O envio antecipado, além de reduzir o risco de imprevistos de última hora, também amplia as chances de o contribuinte receber a restituição mais cedo. Ainda assim, dúvidas sobre quem deve declarar, quais documentos reunir e como preencher corretamente os campos continuam comuns.

Com o objetivo de esclarecer essas questões, a Estácio Campo Grande promove, na quinta-feira, às 19h, a palestra "Descomplicando o Imposto de Renda 2026", aberta à comunidade. A iniciativa pretende orientar contribuintes sobre as principais exigências da Receita Federal e apresentar, de forma prática, como evitar erros que podem levar o contribuinte a cair na malha fina.

Segundo a docente dos cursos de Ciências Contábeis e Administração, Alessandra de Almeida Silva, a proposta é tornar o processo mais acessível. "Muitas vezes, o contribuinte deixa de fazer a própria declaração por insegurança ou falta de informação. A ideia da palestra é mostrar, de forma clara e acessível, como preencher cada etapa e entender quais são as suas obrigações, evitando erros e possíveis problemas com a Receita Federal", afirma.

Durante o encontro, serão apresentados os campos obrigatórios do formulário, além de orientações detalhadas sobre o preenchimento correto. Entre os pontos abordados estão a identificação de quem está obrigado a declarar, a faixa de renda anual exigida, os documentos necessários e a possibilidade de parcelamento do imposto devido.

ERROS

Além das dúvidas iniciais, especialistas alertam que erros aparentemente simples podem trazer impactos financeiros ao contribuinte ao longo do tempo. Um dos equívocos recorrentes envolve a forma de declarar imóveis no Imposto de Renda.

O advogado tributarista Eduardo Rodrigues, sócio da área tributária do Duarte Tonetti Advogados, explica que os imóveis devem ser informados pelo valor histórico de aquisição, ou seja, o valor efetivamente pago no momento da compra, e não pelo preço de mercado atualizado.

"O imóvel deve ser declarado pelo valor de aquisição, que corresponde ao montante efetivamente pago na compra. Um erro relativamente comum ocorre quando o contribuinte tenta atualizar esse valor com base no preço de mercado ou em estimativas de valorização do imóvel. Esse tipo de atualização não é permitido pela legislação e pode gerar inconsistências na declaração", afirma.

Outro ponto que costuma gerar dúvidas diz respeito às reformas realizadas no imóvel ao longo dos anos. Segundo o especialista, despesas com benfeitorias, como ampliações ou melhorias estruturais, podem ser incorporadas ao custo do bem, desde que haja documentação comprobatória.

"Esse registro é importante, porque reduz o ganho de capital apurado no momento da venda e, consequentemente, o imposto devido", explica Rodrigues.

Ele ressalta ainda que a Receita Federal possui capacidade crescente de cruzamento de dados, incluindo registros de cartórios e tributos pagos na transferência de propriedade. Inconsistências entre essas informações podem aumentar o risco do contribuinte cair na malha fina.

NOVIDADES

Neste ano, o Imposto de Renda traz novidades, como a possibilidade de uso do nome social na declaração e a inclusão de um campo opcional de diversidade (raça/cor). Também passa a ser obrigatória a informação de rendimentos provenientes de apostas esportivas, além da declaração de saldos em contas desse tipo quando superiores a R$ 5 mil.

Outra novidade é a criação de um programa de cashback voltado a contribuintes que não são obrigados a declarar, mas possuem valores a restituir, funcionando como incentivo ao envio do documento mesmo em situações facultativas.

Devem declarar o IRPF deste ano pessoas que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 ao longo de 2025, obtiveram rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, realizaram operações na bolsa de valores, tiveram ganho de capital na venda de bens ou possuíam patrimônio superior a R$ 800 mil até 31 de dezembro de 2025, entre outros critérios.

A Receita mantém ainda a opção da declaração pré-preenchida para contribuintes com conta nível Prata ou Ouro no gov.br. Quem utilizar esse modelo e optar por restituição via Pix, com chave CPF, terá prioridade no pagamento.

Especialistas recomendam que o contribuinte organize a documentação com antecedência e revise atentamente os dados antes do envio. O atraso na entrega da declaração gera multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido, além de possíveis restrições no CPF.

Entre as principais recomendações para evitar pendências estão não deixar o envio para a última hora, conferir informações de dependentes, declarar corretamente rendimentos no exterior e guardar comprovantes por, pelo menos, cinco anos.

A orientação geral é tratar a declaração do Imposto de Renda como um histórico patrimonial contínuo.
O cuidado no preenchimento anual reduz o risco de inconsistências futuras e evita custos tributários desnecessários.

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