Economia

LEVANTAMENTO

MS tem inadimplência rural maior que a de estados do Sul e Sudeste

Avanço reflete custos elevados, crédito mais seletivo e margens pressionadas no agronegócio

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A inadimplência entre produtores rurais (pessoa física) em Mato Grosso do Sul chegou a 8,3% no terceiro trimestre de 2025, índice que coloca o Estado na média nacional, que também ficou em 8,3%, segundo levantamento da Serasa Experian.

O porcentual posiciona MS no grupo intermediário do ranking nacional, mas reforça um cenário de pressão contínua sobre o crédito rural, especialmente em uma região em que o agronegócio sustenta grande parte da atividade econômica.

Os dados fazem parte do estudo Inadimplência no Agro, que considera produtores com dívidas vencidas há mais de 180 dias.

No recorte por unidades da Federação, Mato Grosso do Sul aparece à frente de estados com forte produção agropecuária, como São Paulo (6,8%), Paraná (5,8%) e Rio Grande do Sul (5,1%), e abaixo de outros estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso (10,5%) e Goiás (8,8%).

O índice avançou 0,4 ponto porcentual entre o segundo e o terceiro trimestres do ano passado. Conforme publicado pelo Correio do Estado em novembro do ano passado, no segundo trimestre do ano passado a inadimplência dos produtores rurais chegou a 7,9% em MS.

O avanço da inadimplência em MS acompanha o movimento observado em todo o País. No Brasil, a taxa de produtores rurais inadimplentes subiu 0,9 ponto porcentual em relação ao terceiro trimestre de 2024 e 0,2 ponto porcentual na comparação com o segundo trimestre de 2025, indicando que, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado, o endividamento segue em trajetória de alta.

“A inadimplência segue avançando de forma gradual e, mesmo com alguma estabilização em partes do setor, muitos produtores continuam operando com margens apertadas e um fluxo de caixa pressionado dentro do contexto, que mantém custos elevados, preços voláteis e uma concessão de crédito mais seletiva”, diz Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.

“Esse é um cenário que reforça ainda mais a necessidade de uma gestão de risco apoiada por dados que contribuam para um setor mais saudável”, avalia o head da datatech.

REGIÃO

O estudo mostra ainda que a região Centro-Oeste registrou inadimplência média de 9,4%, acima do índice nacional.

Inserido nesse contexto regional, Mato Grosso do Sul reflete um ambiente de crédito mais restritivo, marcado por custos elevados de produção, maior seletividade dos bancos e dificuldade de recomposição financeira após safras pressionadas por fatores climáticos e de mercado.

“Os indicadores apontam uma piora lenta, porém contínua, na capacidade da população rural de manter-se adimplente. O agronegócio enfrenta desafios de fluxo de caixa e endividamento acumulados nos últimos 3 anos a 4 anos, exigindo atenção e reestruturação. O acompanhamento constante do perfil de crédito é essencial para evitar que produtores se alavanquem além da capacidade operacional, considerando seus perfis de risco”, diz Pimenta.

Mesmo sem figurar entre os estados com maiores porcentuais de inadimplência, Mato Grosso do Sul permanece em uma zona de alerta, especialmente diante do peso do crédito rural na sustentação da produção agrícola e pecuária.

De acordo com a Serasa Experian, a inadimplência no campo está fortemente concentrada em dívidas com instituições financeiras, que respondem por 7,3% dos casos registrados.

Já os débitos com credores ligados diretamente à cadeia do agronegócio representam apenas 0,3%, indicando que o maior gargalo está no relacionamento com o sistema financeiro.

Esse perfil é relevante para estados como Mato Grosso do Sul, no qual operações de custeio, investimento e comercialização costumam envolver valores elevados e prazos longos. Mesmo um porcentual considerado moderado de inadimplência pode significar impacto expressivo de volume financeiro, aumentando a cautela na concessão de novos créditos.

“O perfil do crédito rural, com tíquetes mais altos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes relevantes de dívida”, reforça Pimenta.

PERFIL

O levantamento também traça o perfil dos produtores mais afetados. Aqueles classificados como sem registro rural formal, grupo que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares, lideram a inadimplência, com 10,8%.

Na sequência aparecem os grandes proprietários, com 9,6%, seguidos pelos produtores médios (8,1%) e pequenos (7,8%).

Outro dado que chama atenção é o recorte etário. Produtores com idade entre 30 anos e 39 anos registraram a maior taxa de inadimplência, 12,7%, enquanto os produtores com 80 anos ou mais apresentaram os menores índices.

A leitura da Serasa é de que produtores mais jovens tendem a assumir maior alavancagem financeira, o que amplia o risco em períodos de aperto.

No ranking nacional, os menores índices de inadimplência foram registrados em Rio Grande do Sul (5,1%), Paraná (5,8%) e Santa Catarina (5,8%). Na outra ponta, aparecem Amapá (19,8%), Amazonas (14,3%) e Roraima (13,3%).

Mato Grosso do Sul, com 8,3%, ocupa posição intermediária, mas acima de estados com economias mais diversificadas.

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VISITA

Presidente do INSS vem a Campo Grande nesta terça-feira

Ana Cristina Viana Silveira visita agência na Rua 26 de Agosto para conhecer a estrutura e o funcionamento da unidade

12/10/2026 15h06

Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência do INSS em abril deste ano

Ana Cristina Viana Silveira assumiu a presidência do INSS em abril deste ano Foto: Reprodução/GOV

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Ana Cristina Viana Silveira, presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), vem à Campo Grande nesta terça-feira (13) para visitar uma das agências da Capital, conhecer a estrutura e ver de perto o atendimento prestado à população local.

De acordo com a agenda enviada à reportagem, ela estará na agência da Rua 26 de Agosto, no Centro da cidade, a partir das 10h30, ao lado do superintendente Regional Norte/Centro-Oeste, Iracemo Coelho, e do gerente-executivo Raimundo Ruiz (Campo Grande) e de Feliciana Pereira (Dourados).

Durante a visita, ela conhecerá a estrutura e o funcionamento da unidade, acompanhará os atendimentos prestados à população e conversará com gestores, servidores e segurados. Logo depois, ela estará em um encontro reservado com os servidores da gerência de Campo Grande para apresentar suas propostas e também conhecer as ações desenvolvidas pela gerência, que, segundo a nota afirma, "tem alcançado bons desempenhos".

Ana Cristina assumiu a Presidência do INSS em 13 de abril deste ano, após Gilberto Waller ter sido demitido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes de ser promovida, ela era secretária-adjunta do instituto e teria sido escolhida para "acelerar a análise de benefícios e simplificar os processos internos do Instituto", de acordo com o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz.

Mesmo que tenha assumido a direção do órgão recentemente, Ana é servidora do INSS desde 2003, quando ingressou como analista do Seguro Social. Entre abril de 2023 e fevereiro de 2026, ocupou o cargo de presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS).

"A escolha de uma servidora com visão sistêmica que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados", destacou o ministério em comunicado à imprensa no dia do anúncio da nova presidente.

Vale destacar que ela é a segunda presidente do INSS desde a Operação Sem Desconto da Polícia Federal, que revelou a existência de um esquema de fraudes no órgão entre 2019 e 2024, que descontou indevidamente contribuições de aposentados e pensionistas a entidades e organizações sociais. Como resultado, Alessandro Stefanutto foi demitido e Gilberto Waller entrou no lugar.

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agricultura

El Niño pode contribuir para derrubar produções no sul de Mato Grosso do Sul

Por causa do período de maior impacto do fenômeno, que vai de setembro a dezembro, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

12/10/2026 08h48

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão FOTO: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está com um acompanhamento técnico para tentar identificar possíveis impactos do El Niño nos setores do agronegócio e a análise elaborada pela Embrapa apontou que as regiões do Estado mais sensíveis para ter danos negativos estão na parte sul, principalmente no recorte que observa as produções que são feitas em Maracaju e Aral Moreira. Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão.

Com dados anteriores aos efeitos que vem alterando a intensidade e condições da chuva no Estado, algo que passou a ser sentido diretamente com o início da primavera, o boletim Casa Rural da Agricultura deste mês, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), já identificou perdas.

A análise divulgou que a safra da soja 2026/2027 tem projeção de produção de 15,3 milhões de toneladas, com produtividade média de 52,4 sacas por hectare. Nesses termos, já foi identificada uma redução de 13,2% em relação ao ciclo anterior. 

A redução da safra não é acompanhada na mesma proporção que a área de lavoura. A área destinada ao cultivo de soja é estimada em 4,87 milhões de hectares, um aumento de 5,5% com relação à safra passada.
Os estudos do Mapa consideraram analisar recorte do Centro-Oeste, colocando lupa em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

“O atraso do início da estação chuvosa poderá inviabilizar a semeadura na época mais adequada, impactando a produtividade física e a qualidade do produto. Isto é válido para a região sul de Mato Grosso do Sul e Sul de Mato Grosso. No Sul de Mato Grosso do Sul, especialmente para Maracaju e Aral Moreira, poderá haver dificuldades no processo de colheita e apodrecimento de frutos e perda da qualidade. Para a região nordeste de MS, onde a semeadura deve ser realizada em dezembro, o efeito do atraso do início da estação chuvosa deverá ser menor”, apontou a avaliação, que também sinalizou para os efeitos de altas temperaturas com ondas de calor, que gera impacto no crescimento da lavoura.

Por conta do período de maior impacto do fenômeno, que começou no fim de setembro e prossegue pelos próximos três meses, o maior risco é para lavouras de soja e algodão

PLANTIO

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS) divulgou neste começo de outubro que o plantio da cultura alcançou 18% da área que é monitorada. No Sul, o avanço é maior (25,3%) e na região Norte, o plantio representa menos de 0,4% da área. Somente se houver uma regularização de chuvas é que esse cenário vai ser alterado.

“No Centro-Sul, a condição de umidade tem permitido uma evolução mais rápida das operações, enquanto a região Norte ainda depende de uma regularização das chuvas. Para o produtor, o acompanhamento das condições de solo e das previsões climáticas continua sendo fundamental para definir o ritmo das operações e reduzir os riscos durante a implantação da lavoura”, explicou o analista técnico da Aprosoja-MS, Lucas Santana.

De acordo com a associação, já houve identificação de excesso de precipitação de curto período nessa etapa de semeadura. Quando há essa situação, um efeito sentido é o selamento superficial do solo que causa prejuízo para a emergência das plântulas.

ALGODÃO

A Associação Sul-mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampasul) tem acompanhado o cenário dos efeitos do El Niño desde o período do inverno. 

“A gente já tem sentido algumas diferenças climáticas já no decorrer deste ano. O inverno, por exemplo, foi mais chuvoso”, comentou o diretor executivo da entidade, Adão Hoffmann.

Para a safra 2026/2027 do algodão, o plantio está previsto para começar em dezembro e o que os produtores estão atentos é para a ocorrência ou não de um veranico em novembro, etapa pré-plantio, e o corte de chuvas prematuro a partir de março de 2027, quando poderia ocorrer um maior impacto na lavoura. 

“Caso isso ocorra, o final do ciclo do algodão pode ser impactado. Mas ainda é precoce e são todas projeções. Não temos como ainda falar em possíveis danos. Contudo, o produtor vem tomando os devidos cuidados para correr menos risco”, completou o representante da Ampasul.

O estudo alertou que pecuaristas devem ter atenção com relação ao uso do solo por conta de excesso de chuvas em áreas do Pantanal e região central. Além disso, territórios com drenagem natural devem ser priorizados na conservação para garantir o escoamento da chuva.

“Em períodos de excesso de chuva, restringir o pastejo e o trânsito de máquinas em solos saturados. Também devem ser protegidas áreas de drenagem natural, nascentes, margens de cursos d’água e locais suscetíveis à erosão, observando-se a legislação ambiental aplicável”, contextualizou o estudo.

Como orientação, a Embrapa apontou que pecuaristas devem manter registros de chuva, produção de forragem, lotação, consumo de suplemento, peso e condição corporal para subsidiar decisões e considerar revisões do planejamento. 

MILHO

O atual período está sendo de colheita do milho na segunda safra 2025/2026, com alcance de 99,96% da área plantada. Esses dados são do Projeto Siga-MS até o dia 2 deste mês. Nesse contexto, a estimativa de produtividade passou de 122,79 sacas por hectare (aumento de 13,3% com relação ao ciclo anterior), com produção em 16,253 milhões de toneladas, o que equivale a 16,7% de crescimento na comparação com a safra 2024/2025.

“Na maior parte do Estado, a operação está encerrada. Restam apenas áreas pontuais nas regiões Sul-Fronteira e Sudoeste, que ainda seguem em processo de colheita”, informou a Aprosoja-MS.

Nas projeções para a safra 2026/2027, a Famasul avalia que pode ocorrer uma redução de 13,2% na produção em razão de diferentes fatores ambientais e também com relação ao ciclo.

 

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