Economia

COMÉRCIO E SERVIÇOS

Mudança na legislação fomenta a atração de empresas para Mato Grosso do Sul

Espaços de escritórios virtuais poderão abrigar endereço fiscal de diferentes CNPJs

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O Decreto nº 15.540, publicado na terça-feira (3) no Diário Oficial do Estado, abre a possibilidade para que empresas ou filiais de qualquer porte se instalem em Mato Grosso do Sul em espaços compartilhados.

 Antes da publicação, a legislação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) impedia que mais de uma empresa se estabelecesse no mesmo endereço fiscal.  

A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) acredita que Mato Grosso do Sul pode se tornar um importante polo tecnológico no País, permitindo que empresas do universo virtual, de comércio e engenharia, por exemplo, se estabeleçam em coworkings.  

“O decreto altera a parte do cadastro de empresas no governo. Quem compra ou vende mercadorias precisa ter uma inscrição estadual e antes não poderia abrir mais de uma empresa em um endereço. A mudança permite que em um mesmo endereço diversas empresas estabeleçam o domicílio fiscal. É um marco porque muitos estados ainda não têm esse tipo de regulamentação. É um salto para atrair mais empresas. O Estado ganha com a geração de emprego e renda e a arrecadação de impostos aumenta com a atração de novas empresas”, afirma o diretor da ACICG, Gilberto Félix.

O diretor explica que há três anos a associação batalhava no poder público para que coworkings (escritórios compartilhados) pudessem ser regulamentados para oferecer o serviço de domicílio fiscal.

 “Isso significa que empresas que necessitam de inscrição estadual para operar – que trabalham com compra e venda de produtos, por exemplo – agora tenham sua sede dentro de um espaço com aluguel mais barato e com estrutura própria para ambientes corporativos”, explicou Félix.

Modernização

A Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) informou que o decreto moderniza a relação comercial. Segundo a gestão estadual, a pauta já estava sendo trabalhada pelo governo seguindo a tendência do mercado mundial.  

De acordo com o secretário de Fazenda, Felipe Mattos, o decreto foi editado para atender uma gama variada de pequenas empresas.

 “Essa é uma necessidade de modernização. No regulamento anterior não se previa, até porque é um novo modelo de negócios. A ressalva é que não pode haver circulação ou armazenamento de mercadoria. Vamos atender, em grande parte, empresas que atuem com compra e venda pela internet, para que possam ter uma infraestrutura mínima de trabalho”, explica Mattos.

Para o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, a regulamentação é um avanço e vai incentivar os setores do comércio e serviços no Estado.  

“Essa é uma tendência mundial, na qual muitas empresas têm utilizado espaços comuns em vez da estrutura da sede própria. Um avanço por parte do Estado, que se adéqua a mais uma necessidade de mercado, com novos modelos de estabelecimentos, gerando emprego e renda”, finaliza Verruck.

Empresas

Não há restrições quanto ao porte da empresa para se instalar em espaços compartilhados. A única restrição, de acordo com o decreto, é referente a indústrias e empresas do agronegócio.

 Atualmente, os escritórios compartilhados (ou coworkings) podem ser alugados por contrato de sala, estação de trabalho, etc. 

Com a mudança na legislação, eles podem oferecer somente o domicílio fiscal, ou seja, a empresa não funciona necessariamente naquele local. Desde prestadores de serviços, e-commerces e transportadoras até empresas de engenharia ou de qualquer natureza podem se utilizar do benefício.  

“A pessoa trabalha em casa, por exemplo, mas mora em um condomínio que não permite comércio. Essa pessoa não trabalha com estoque, ela compra e vende virtualmente, mas precisa de um endereço de registro para emitir nota, ela pode contratar um coworking para usar esse endereço fiscal”, completa Félix.

Coworking

Proprietário de uma rede de coworkings, Josué Sanches conta que a mudança oficial do decreto de ICMS do Estado é pioneira.

 “Conseguimos fazer com que o Estado entenda nosso papel como fomentadores de negócios e a mudança nos modelos de negócios atuais, ajudando todos aqueles que precisam abrir um negócio com baixo custo de forma legal. Isso significa maior ambiência para negócios no nosso Estado. Esse ato é um marco especial para o movimento de coworking, para o ambiente de negócios e a economia do Estado, já que todos os dias negamos o serviço de endereço fiscal para empresas de fora e outras daqui”, conclui.

A empresária Roberta Holsbach tem um escritório de coworking com oito salas e 17 espaços para trabalho. Ela diz que muitas empresas de outros estados procuram o escritório.  

“A inscrição estadual era um empecilho. Com o decreto, a gente consegue registrar muitas outras empresas. Somos procurados por muitas empresas de fora que querem montar filiais, como de engenharia, por exemplo, só precisam de um local para emitir nota fiscal. Com o decreto, podemos receber mais empresas de médio e grande porte. É bom para o Estado, pois aumenta a atração de empresas e a arrecadação de impostos. Vai ampliar a procura de empresas no Estado. Hoje, a maioria dos nossos clientes são da área de tecnologia”, considera Roberta.

Empresas começam a se instalar em escritórios compartilhados

Para os empresários, a mudança é muito apreciada. Proprietário de uma pequena transportadora, David Ferreira é de Araraquara (SP) e vai economizar 85% nos gastos com a regularização da empresa em Campo Grande.  

“Tínhamos algumas pessoas da família que já trabalhavam terceirizadas no ramo de fretamento. Este ano conseguimos um contrato de 12 meses na região de MS. Só ficamos barrados pelo custo, para abrir um escritório gastaríamos R$ 4 mil mensais com custo fixo operacional. Com a opção do coworking, nossa economia será de 85%, possibilitando uma maior margem para a empresa crescer”, disse.

O advogado e empresário Carlos Santana é dono de uma empresa de consultoria tributária instalada em um coworking e tem clientes que adotarão a nova legislação para se instalar no Estado.  

“Tenho um cliente, uma empresa de engenharia, que está vindo para MS. Como a operação ainda está em fase inicial, ele quis se instalar em um coworking até que o negócio fique mais bem estabelecido”

Sistema Interligado Nacional

ONS estuda necessidade de acionar plano emergencial no feriado

Operador Nacional do Sistema Elétrico diz que medida pode ser adotada para assegurar o equilíbrio entre geração e carga, preservando a estabilidade

05/09/2026 20h00

"equipes técnicas seguem monitorando o cenário para garantir a adequada operação durante os períodos de carga reduzida" Paulo Ribas

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Através do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi informado que, após análise das condições operativas, identificou-se como "média" a probabilidade de acionamento do Plano de Gestão de Excedentes de Energia já neste domingo (6), e como "baixa" no feriado de segunda-feira, 7.

A medida pode ser adotada em situações nas quais, após a redução da geração coordenada pelo ONS, permanece a necessidade de restringir a produção de energia das distribuidoras para assegurar o equilíbrio entre geração e carga, preservando a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

"Assim, as equipes técnicas seguem monitorando o cenário para garantir a adequada operação durante os períodos de carga reduzida", informou o ONS. "Sendo assim, no sábado e no domingo, dias 5 e 6, serão realizadas as programações para os dias seguintes, quando será confirmada ou não a necessidade de acionamento do plano", informa o ONS.

ECONOMIA

Cartões avançam na corrida para manter relevância em era de pagamentos por robôs

Na corrida pela vanguarda do comércio agêntico, operadoras de cartão querem ser mais que apenas "plásticos no bolso" e lutam para se firmar como camada invisível onde as "máquinas" vão efetuar transações

05/09/2026 15h30

Esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação

Esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação Divulgação

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Sendo necessárias algumas décadas para os cartões paulatinamente derrubarem a hegemonia do papel-moeda na carteira do consumidor, nesse processo, as bandeiras se firmaram como uma espécie de "ponte" segura conveniente entre o comprador, o banco e o comerciante. Porém, na próxima era dos pagamentos digitais, um quarto elo entrará na jogada e promete revolucionar o modelo de negócios do setor: os agentes de inteligência artificial.

Na corrida por essa vanguarda do comércio agêntico, as operadoras de cartão querem ser mais que apenas "plásticos no bolso" e trabalham para se firmar como a camada invisível onde as "máquinas" vão efetuar transações.

No futuro, um assistente de IA vai comparar preços, escolher a melhor opção e concluir a compra de forma completamente autônoma.

Nos últimos meses, Mastercard, Visa e Elo avançaram nos primeiros passos concretos na disputa para intermediar a nova cadeia. No entanto, executivos da indústria consultados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) admitem incerteza sobre o cronograma para retirar o modelo agêntico da fase experimental e torná-lo tão trivial e difundido quanto fazer um Pix.

"Acredito que a autonomia total - do tipo em que você só percebe a compra quando o produto chega à sua casa - ainda vai levar um tempo. Isso se deve a uma questão cultural, à necessidade de construir confiança e aos próprios desafios de segurança", reconhece o vice-presidente de tecnologia da Elo, Eduardo Merighi, em entrevista ao Broadcast.

Os desafios já começam antes da decisão de compra. Depois da resistência nos primeiros anos do e-commerce, o varejo finalmente conseguiu acostumar o consumidor a seguir etapas muito particulares para obter produtos na internet: entrar em um buscador, encontrar a melhor loja, clicar no botão "comprar", autorizar a transação e receber o item em casa. Delegar todo esse processo a um robô exige um rompimento do paradigma cultural que demanda tempo.

Historicamente, grandes mudanças no segmento da adquirência demoram cerca de uma década para atingir escala global, lembra o diretor digital da Mastercard, Pablo Fourez. A tarja magnética só substituiu de vez o velho "clack-clack" das maquinas manuais em meados dos anos 80, embora a tecnologia tenha sido desenvolvida cerca dez anos antes. Do chip ao pagamento por aproximação no celular, a dinâmica de adoção foi semelhante.

A era da IA, por outro lado, parece encurtar os prazos. ChatGPT, Gemini e Claude nem existiam há cerca de quatro anos e já transformaram a experiência digital de pessoas e empresas. No caso da tecnologia agêntica, a velocidade da disseminação deve ficar no meio entre os dois extremos, projeta Fourez. "As ferramentas estão aprendendo muito rápido e o momento de investir é agora", argumenta.

Investimentos

Os esforços das bandeiras nessa frente buscam garantir a manutenção da competitividade em uma economia em transformação. O comércio por agentes de IA para consumidores (B2C) deve movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões globalmente até 2030, de acordo com estudo da consultoria McKinsey & Company. O sucesso do Pix, que ajudou na digitalização dos pagamentos, posiciona o Brasil como um dos mercados mais promissores para a nova tecnologia, avaliam executivos.

Por isso, as principais bandeiras em operação no Brasil têm ampliado investimentos em iniciativas voltadas para a IA. A Elo, coontrolada por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal, recentemente expandiu para 5 mil clientes um agente de IA em parceria com a agência de viagens digital Decolar. A ferramenta realiza toda a jornada de compra de passagens áreas, da busca à transação, e é integrada ao outros canais, como o WhatsApp. Apenas na etapa de concluir a aquisição, o usuário ainda precisa intervir para dar a palavra final.

As rivais Visa e Mastercard, por sua vez, fizeram os primeiros testes no Brasil de transações em tempo real de pagamentos agênticos, em março. A Visa trouxe ao País um programa para certificar emissores e credenciadores para a condução de operações feitas por agentes de IA. Em vez de criar uma rede do zero, a estrutura atualiza sistemas já existentes (como APIS de tokenização e autenticação biométrica) para viabilizar essas transações.

Em junho, a Visa anunciou uma parceria com a OpenAI para habilitar o comércio agêntico, primeiramente nos EUA. "Ainda não sabemos quando [essa solução] virá para o Brasil, mas estamos nos preparado tecnologicamente para recebê-la", afirma o diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, Leandro Garcia.

Já a Mastercard tem concentrado os esforços no chamado Agent Pay, uma infraestrutura que promete trazer segurança, autenticação e confiança ao comércio agêntico. Para além do foco no consumidor final, a credencidadora estendeu o conceito para automação entre empresas, com o Agent Pay For Machines, que permite que agentes de IA executem pagamentos corporativos de forma autônoma conforme orçamentos pré-definidos. Na semana passada, a bandeira anunciou ainda uma solução que adapta sites de lojistas para serem lidos por agentes.

 

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