Economia

NEGÓCIOS

Negócios de atendimento
remoto na área de saúde crescem

Legislação restringe consultas por telefone ou por internet sem que haja um médico nas duas pontas da comunicação

FOLHAPRESS

18/11/2018 - 06h00
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A legislação brasileira restringe consultas médicas por telefone ou por internet sem que haja um profissional de saúde nas duas pontas da comunicação. Mas negócios ligados ao atendimento remoto na área de saúde para acompanhamento de tratamentos ou auxílio a diagnósticos ganham espaço.

A empresa Portal Telemedicina, especializada em telediagnósticos, atua no mercado desde janeiro de 2014. Com um quadro de 35 médicos, oferece diagnósticos complementares, por videoconferência, para qualquer ponto do país com acesso à internet.

Os pacientes dão entrada no sistema da empresa acompanhados por um médico, que fez um atendimento presencial. Por videoconferência, recebe uma segunda opinião de um médico especialista do Portal Telemedicina, e paga por essa análise a distância.

Por meio de uma base de dados de 30 milhões de imagens de exames, a empresa desenvolveu um algoritmo que auxilia em diagnósticos. Há, por exemplo, 500 mil imagens de exames realizados para tuberculose: o algoritmo compara o exame do cliente com a base e, se considerar que é um caso grave, aciona médicos e recomenda outros exames.

Seus clientes são principalmente clínicas em locais remotos, hospitais e empresas. "São locais onde em geral existe um clínico geral, mas que não possuem um cardiologista ou um neurologista", diz Rafael Figueroa, presidente da empresa que hoje faz em média 3.000 diagnósticos ao dia.

O foco para crescer foi o interior paulista e a região Nordeste do país, onde, segundo Rafael, a demanda reprimida seria muito elevada.

A empresa já obteve R$ 10 milhões em financiamentos para pesquisa e desenvolvimento -de Fapesp, CNPq, Finep, Amazon, Microsoft, IBM e Google. No início do ano, vendeu por R$ 8,5 milhões uma participação no capital.

Desde 2014, o tamanho do Portal triplicou -Rafael não divulga o faturamento. "Neste ano crescemos em volume de laudos em torno de 15% ao mês", diz Figueroa.

A Proxismed, por sua vez, acompanha a distância tratamentos prescritos por médicos, lembrando os pacientes, por exemplo, de tomar sua medicação. A empresa também oferece visitas presenciais para os clientes.

O empresário Jimmy Cygler, sócio e presidente da Proxismed, iniciou em 1998 no ramo do call center médico. Sua empresa possui cerca de 250 profissionais que fazem acompanhamento de pacientes.

Com o uso de inteligência artificial e atendimento automatizado, a Proxismed tem capacidade, segundo Cygler, de se relacionar com 10 milhões de clientes.

"Com a explosão dos canais digitais e remotos e com explosão dos aparelhos eletrônicos e a vinda do 5G, conseguimos dar um suporte em tempo real para o ribeirinho do Amazonas, por celular", diz.

O executivo destaca o alto nível de especialização requerido de quem atua no segmento, que, afirma, é mais estável do que a média da economia e menos sujeito às variações da demanda em períodos de crise.

"Fomos deixando de ser commodity e nos embrenhando no mato cada vez mais cerrado da especialização e do relacionamento com os clientes, cuidando cada vez mais da saúde deles", diz Cygler.

A empresa não divulga números de faturamento, mas deve crescer 12% em relação ao ano passado e, para 2019, a meta é um aumento de 50%.

Câmara

Hugo Motta defende fim da escala 6x1 e fala em texto de convergência sobre o tema

Segundo o presidente da Câmara, a ideia é que o texto vá a votação ainda em maio - isto é, esta semana

17/05/2026 13h50

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados Agência Câmara

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu neste domingo, 17, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a 6x1. Depois de participar de uma corrida pelos 200 anos da Casa, o parlamentar disse que a ideia é construir um “texto de convergência” sobre o tema, que opõe o governo e a oposição.

“Vamos sentar para tentar fazer um texto de convergência”, disse Motta.

“Essa matéria não pertence à oposição ou ao governo, ela pertence ao País. Se pudermos dar uma demonstração de unidade em torno desse tema, é mais uma demonstração que a Câmara dará de estar ligada ao que a população brasileira espera de nós.”

Segundo o presidente da Câmara, a ideia é que o texto vá a votação ainda em maio - isto é, esta semana. Uma comissão especial da Casa debate duas PECs sobre o tema. O setor privado tem defendido que haja um período de transição para o fim da escala 6x1, e a oposição já apresentou emendas para tentar criar esse prazo ou manter a jornada de 44 horas semanais em alguns casos.

O relator da comissão especial, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar o parecer sobre a redução da jornada na próxima quarta-feira, dia 20.

economia

Novo Desenrola pode retomar relação entre renda e consumo e impulsionar inflação

Novo Desenrola pode restabelecer a relação entre alívio no orçamento das famílias e aumento da demanda por bens e serviços, com potencial de pressionar a inflação no curto prazo e voltar a exigir atenção do Banco Central

17/05/2026 10h45

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Em meio à inadimplência recorde, os bancos têm adotado postura mais conservadora na concessão de crédito, o que contribuiu para um descasamento entre o crescimento da renda e do consumo. Especialistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) avaliam, porém, que o Novo Desenrola pode restabelecer a relação entre alívio no orçamento das famílias e aumento da demanda por bens e serviços, com potencial de pressionar a inflação no curto prazo e voltar a exigir atenção do Banco Central (BC).

O programa reduz o comprometimento da renda com o serviço da dívida, ampliando a capacidade de pagamento e a renda disponível "Isso pode se traduzir em maior consumo ou na contratação de novos empréstimos, a depender do conservadorismo dos bancos", afirma Alexandre Albuquerque, vice-presidente e analista sênior da Moody’s Ratings.

Segundo ele, considerando a dinâmica dos últimos 18 a 24 meses, a tendência é que as instituições financeiras mantenham cautela, sobretudo em linhas de maior risco, como crédito pessoal. Albuquerque ressalta que, embora o tomador deixe de constar como negativado, a dívida não desaparece: "Ela diminui, mas continua existindo".

Na mesma direção, Luis Otavio Leal, economista-chefe da G5 Partners, observa que o crescimento da renda já aponta para aumento do consumo e avalia que o programa é desfavorável ao BC. "Acho o Desenrola ruim para o Banco Central, pois impacta a inflação", resume.

Antes mesmo do início do Novo Desenrola, a renda disponível bruta das famílias - renda do trabalho somada a transferências fiscais e benefícios, líquida de impostos - cresceu 11,1% em março, após alta de 9,5% em fevereiro, segundo cálculos do Goldman Sachs. Em relatório, Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para a América Latina do banco, atribui o resultado a uma postura creditícia e fiscal/parafiscal "altamente ativista", que manteria o hiato do produto em território positivo, pressionaria a inflação (especialmente a de serviços) e reduziria a eficácia da política monetária.

No comunicado da reunião de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) também destacou como risco de alta "uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada, em função de um hiato do produto mais positivo".

Para Roberto Padovani, economista-chefe do Banco BV, como o programa ainda não opera plenamente, os efeitos inflacionários permanecem mais teóricos. Ele aponta, contudo, um conflito de objetivos: o governo busca estimular a economia por instrumentos fiscais e parafiscais, enquanto o BC tenta conter a inflação e as expectativas. "No fim, acho que teremos juros elevados por mais tempo, o que contraria o objetivo do Novo Desenrola", diz.

Ainda assim, Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, considera que, no curto prazo, fatores como o conflito no Irã, o câmbio e os preços de commodities - especialmente alimentos e petróleo - devem ter peso maior na condução da política monetária do que o programa. "O Banco Central vai acompanhar e estimar os impactos, mas acreditamos que esse efeito tende a ser muito baixo", afirma.

Enquanto isso, a inadimplência vem batendo recordes desde janeiro de 2025. O número de pessoas com o CPF registrado em cadastros de inadimplência atingiu 82,8 milhões em março, segundo a Serasa Experian.

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