O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Romeu Rufino, disse ontem que mesmo que chova acima da média nos próximos dias "isso não será capaz de reverter de maneira relevante o nível dos reservatórios". De acordo com dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a região Sudeste/Centro-Oeste, estratégica para o fornecimento de energia, acumula cerca de 36,7% de água nos reservatórios.
O volume ainda está abaixo da meta revisada do governo, que previa fechar o mês acima de 40%. Por causa da seca no país, que desde o início prejudica o restabelecimento do nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas e intensifica o uso de usinas térmicas (mais caras e poluentes), o custo da energia chegou ao teto, R$ 822 por megawatt hora.
"Temos uma dependência muito grande do próximo período úmido", disse Rufino.
O reflexo direto desse preço mais alto está no futuro aumento das tarifas, já que os gastos extras terão de ser repassados ao consumidor. Ao mesmo tempo, a condição dos reservatórios influencia na segurança energética e pode motivar uma campanha do governo para racionalização do uso de energia. Até agora, o assunto vem sendo tratado com cautela, pelo possível prejuízo político que uma medida como essas possa causar ao desempenho da presidente Dilma Rousseff em sua campanha eleitoral. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, no entanto, já mencionou em algumas ocasiões que incentiva o uso consciente de energia por parte dos consumidores.


