O Conselho de Administração da Petrobras aprovou nesta segunda-feira (13/04) a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), localizada em Três Lagoas (MS).
A decisão ocorreu após a empresa assegurar R$ 1,564 bilhão no Orçamento deste ano para reiniciar os trabalhos de conclusão da fábrica. O custo para reiniciar as obras, contudo, estão estimados em US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões).
A companhia tomou a decisão de retomar as obras após uma reavaliação criteriosa do projeto, que confirmou a viabilidade técnica e econômica do empreendimento, em alinhamento às diretrizes do Plano de Negócios 2026–2030.
As obras, segundo a Petrobras, devem ter início ainda neste semestre, e início das operações comerciais da fábrica de fertilizantes está previsto para 2029. A expectativa é de que sejam gerados cerca de 8 mil empregos durante as obras.
A continuidade da implantação da unidade havia sido aprovada pelo Conselho em outubro de 2024, mas o andamento do processo foi adiado várias vezes.
Histórico
Hibernada desde 2015, a UFN-3 voltou a ser avaliada a partir de 2023, quando a Petrobras decidiu retornar ao segmento de fertilizantes, considerado estratégico para o país.
“Ao retomar os investimentos nesse segmento, fortalecemos a integração com o agronegócio e contribuímos diretamente para a redução da dependência do país em relação à importação de fertilizantes. Esse movimento também gera emprego, renda e desenvolvimento, reforçando o papel da companhia como indutora do crescimento econômico e da segurança do abastecimento nacional”, afirma o diretor de Processos Industriais da companhia, William França.
O diretor destaca, ainda, que a localização da unidade é um diferencial competitivo. “Com o aumento da oferta dos produtos da UFN-3 e sua posição estratégica, próxima aos principais mercados consumidores do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, reforçamos a relevância da unidade para o desenvolvimento regional e para o país”, ressalta.
Segundo a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi, a atratividade econômica do ativo foi confirmada, atestando sua viabilidade em todos os cenários previstos pela sistemática de aprovação de investimentos da companhia e garantindo Valor Presente Líquido (VPL) positivo.
“Todo o processo de aprovação final de investimentos foi submetido às análises requeridas, respeitando rigorosamente as práticas de governança corporativa e os normativos internos vigentes. Trata-se de um projeto tecnicamente robusto, economicamente viável e plenamente aderente às diretrizes de disciplina de capital e governança da companhia”, afirma.
Sobre o projeto
A capacidade nominal da UFN-3 está projetada em cerca de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia, das quais 180 toneladas são excedentes e disponíveis para comercialização. Quando concluída, será a maior fábrica de fertilizantes do hemisfério sul, e uma das maiores do mundo.
A unidade encontra-se em localização estratégica, adjacente aos maiores mercados consumidores desses produtos, destinando sua produção majoritariamente aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo. Esse posicionamento garante maior confiabilidade frente à crescente demanda por ureia fertilizante no país.
O projeto incorpora modernos equipamentos e tecnologias de última geração, resultando em altos índices de eficiência industrial.
A amônia atua como matéria-prima fundamental para os setores de fertilizantes e petroquímico. Por sua vez, a ureia destaca-se como o fertilizante nitrogenado mais demandado no Brasil, com consumo nacional na ordem de 8 milhões de toneladas por ano. O agronegócio absorve esse volume em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e algodão, além de sua aplicação na pecuária como suplemento alimentar para ruminantes.


