As obras da ponte da Rota Bioceânica estão em fase final, com previsão da ligação entre o Brasil e o Paraguai ocorrer em cerca de 60 dias, no mês de maio. Conforme última atualização, a distância entre as extremidades brasileira e paraguaia é de apenas 69 metros. No total, são 350 metros que compõe o vão central sobre o rio.
Com 1.294 metros de comprimento e um vão central elevado para navegação segura, a ponte será um ativo logístico estratégico do Corredor Bioceânico, conectando a Rodovia PY15 à malha rodoviária regional.
Nessa segunda-feira (16), o engenheiro italiano Mario de Miranda, responsável pelo projeto da ponte, esteve no canteiro de obras, junto com uma comitiva internacional, para acompanhar de perto a fase final da construção.
Na ocasião, os técnicos acompanharam o funcionamento do “trem de avance”, equipamento que se desloca sobre a estrutura e permite a instalação dos cabos estaiados e a concretagem do tabuleiro no vão principal sobre o rio.
Mario de Miranda afirmou que a ligação física entre Brasil e Paraguai deve acontecer em cerca de 60 dias, conforme já estava previsto em cronograma.
“Quando a Rota Bioceânica estiver funcionando, será um verdadeiro corredor de prosperidade e oportunidades para toda a região”, afirmou o engenheiro.
No mês passado, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, também destacou a importância da obra para Mato Grosso do Sul.
"Mais do que uma obra de engenharia, trata-se de um projeto estruturante para a integração regional, a competitividade logística, o comércio internacional e o desenvolvimento do Chaco paraguaio e do Centro-Oeste brasileiro", disse Verruck em publicação no Linkedin.
Obras
Os trabalhos de construção da ponte ocorrem entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
Após a junção entre as duas frentes, será iniciada a etapa final da obra, que consiste na construção e implantação de calçadas, pistas, iluminação viária e ornamental, pavimentação e sinalização.
A expectativa é que essa próxima etapa seja finalizada em agosto e, em novembro, seja totalmente concluído o acesso à ponte do lado paraguaio.
A Rota Bioceânica será um corredor rodoviário com extensão de 2.396 quilômetros que liga os dois maiores oceanos do planeta, Atlântico ao Pacífico, pelos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile, passando por Paraguai e Argentina.
A ponte é considerada uma peça central da rota. A passarela terá 1,3 quilômetro de extensão e 21 metros de largura, a 35 metros acima da calha do rio, contando com um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura.
O investimento, de US$ 100 milhões, é totalmente financiado pela Itaipu Binacional, do lado paraguaio.
Ponte
A construção da ponte começou oficialmente no dia 14 de janeiro de 2022 e integra um projeto que soma US$ 1,1 bilhão de investimentos do governo paraguaio, no trecho total de 580 km, entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.
Desse montante são:
- US$ 440 milhões já garantiram a conclusão do trecho Carmelo – Loma Plata;
- US$ 100 milhões foram destinados à ponte internacional;
- US$ 354 milhões financiam a pavimentação da Picada 500 (PY-15);
- Outros US$ 200 milhões serão aplicados no segmento entre Centinela e Mariscal.
A execução da ponte está sob responsabilidade do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, sob coordenação do engenheiro civil paraguaio Renê Gómez.
Alça de acesso
Paralelamente a construção da passarela, estão em andamento os trabalhos nos viadutos que integrarão as cabeceiras da ponte nos dois países.
No Brasil, também estão em andamento as obras da alça de acesso. Orçada em aproximadamente R$ 574 milhões, a alça compreende um trecho de 13,1 quilômetros de rodovia para interligar a BR-267 à ponte sobre o rio em Porto Murtinho.
Apesar de a ponte sobre o Rio Paraguai ter expectativa de ser entregue no primeiro semestre de 2026, as alças de acesso à rodovia só devem ser concluídas e liberadas para o público até 2028.
Rota Bioceânica
A Rota Bioceânica terá início em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, atravessando o Paraguai e a Argentina até chegar aos portos do Chile.
Essa ligação permitirá que exportações brasileiras cheguem à Ásia com até 17 dias de economia no transporte, em comparação com a saída pelo Porto de Santos, segundo dados da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).
O projeto, que começou a ser debatido em 2014 e foi iniciado em 2017, tem a promessa de ampliar a relação comercial do Estado com países asiáticos e sul-americanos.
A Rota Bioceânica, segundo especialistas, terá potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros para os outros países por onde passará.







