Economia

REFLEXOS

Preço da carne aumenta e picanha chega a custar R$ 71 na Capital

Altas ocorrem de forma expressiva e começam a afugentar consumidores dos açougues

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A alta no preço da arroba do boi chegou aos consumidores de forma expressiva. 

Em Campo Grande, a carne bovina apresentou alta de 30% nos últimos 30 dias. 

Nos açougues da Capital é possível encontrar o quilo do coxão mole custando R$ 30, em média. Há um mês, o quilo era comercializado a R$ 20.

Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) indicam que a arroba da vaca subiu 32% desde o dia 28 de outubro. 

Cortes mais nobres, como a picanha, chegam a variar mais de 80% nos estabelecimentos de Campo Grande. Conforme apurado pelo Correio do Estado, na sexta-feira (29) o quilo da carne era vendido a R$ 39,90 em um supermercado e a R$ 71,98 em um açougue. 

De acordo com a comerciante da Casa de Carnes Dib, Najla Machado Dib, já diminuiu o movimento de clientes. 

“Está muito mais caro para comprarmos, diminuiu um pouco o movimento. A maior mudança que percebemos foi a redução da compra. Por exemplo, a pessoa vinha e comprava três quilos. Hoje, ela só está levando um quilo. Não perdemos em número de clientes, mas na quantidade que esses clientes compram. Não há previsão de baixa, essa é a maior alta repentina e nós que revende não tem o que fazer”, disse Najla.

Outro que apontou retração foi o empresário Ronald Kanashiro, que está há mais de 20 anos no ramo. 

“O aumento foi muito expressivo, está muito mais caro para nós comprarmos. Penso que foi uma junção de fatores: primeiro a questão da estiagem, depois o aumento da exportação para a China. Sentimos que o consumidor está mais cauteloso. Acredito que, nesses 20 anos, é a alta mais impactante, mas não acredito que vai subir mais. Com essa retração do consumo, os valores vão ter de se manter”, afirmou.

Para o presidente da Associação de Matadouros, Frigoríficos e Distribuidores de Carne (Assocarnes-MS), Sérgio Capuci, a formação do preço da arroba está tanto ligada à falta de animais no País quanto à exportação para a China. 

“Se formos calcular os impactos na formação do preço da arroba e, consequentemente, do aumento da carne para o consumidor, a exportação para a China representaria uns 30%. Os outros 70%, por causa da baixa oferta de animais. Principalmente por conta do período de estiagem”, explicou. 

CONSUMIDORES

Entre os preços repassados ao consumidor, a variação é grande nos locais visitados. 

O quilo de músculo custava, na sexta-feira, entre R$19,80 e R$22,20. O patinho ficou entre R$ 27,90 e R$ 31,98. O quilo da ponta de peito foi de R$ 20,90 a R$ 24,40. 

Entre os cortes mais caros, o quilo do filé-mignon variou 57,84%, custando R$ 39,90 no local mais barato e R$ 62,98 no mais caro. 

O contrafilé foi de R$ 29,80 a R$ 35,90. E o coxão duro estava cotado entre R$ 25,90 e R$ 31,99.

O comerciante José Sebastião de Oliveira, 70 anos, disse que é um absurdo o valor atual da carne bovina. 

“É a carne mais cara de Natal. Não está nada bom, é um absurdo esse valor. Agora vamos esperar para ver como vai ser daqui para a frente, temos de aguardar”, afirmou.

A dona de casa Sara Pereira da Silva, 43, já optou pelas substituições. 

“Tá bem difícil comprar carne, nós precisamos inventar. Faz um picadinho com bastante legumes e outros pratos que levem menos carne. Já comecei a comprar mais frango, ovos e verduras porque tá muito caro comprar carne vermelha”, lamentou.

Quem também já optou pelas substituições é a contabilista Irene Fernandes, 47 anos. 

“Está péssimo! Estou pesquisando e comprando o que está mais em conta, que geralmente é o frango”.

A empresária Lidiane Lima, 34, tem um food truck de lanches e disse que a solução foi reduzir a margem de lucro.

“Eu pagava R$ 12,99 no quilo da carne para produzir os hambúrgueres. Em uma semana, subiu três vezes valor. Não tivemos como repassar isso para os nossos clientes. A solução foi reduzir a margem de lucro”.

INFLAÇÃO

Depois de duas deflações seguidas (agosto e setembro), a inflação da Capital em outubro voltou a ficar positiva e fechou a 0,26%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. 

A taxa do Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande é a mais baixa para o mês de outubro desde o ano de 2006, quando ficou em -0,08%.

Para o coordenador do Nepes, Celso Correia de Souza, o preço da carne foi o elemento-chave para o resultado. 

“Essa baixa inflação, precedida por duas deflações, deu um alívio financeiro aos consumidores, principalmente para aquele que prioriza a cesta básica em suas compras, ou seja, o consumidor de menor renda. Mas os preços da carne bovina não ajudaram muito”, contextualizou. 

 

Benefício

Governo Federal paga R$ 124,1 milhões em Bolsa Família a beneficiários de MS; veja o calendário

O benefício é pago a mais de 179 mil famílias em todos os municípios do Estado

16/04/2026 14h45

Benefício referente ao mês de abril começa a ser pago nesta quinta (16)

Benefício referente ao mês de abril começa a ser pago nesta quinta (16) Lyon Santos / MDS

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O Governo Federal inicia nesta quinta-feira (16) o pagamento de R$ 124,1 milhões a 179,1 mil famílias de Mato Grosso do Sul beneficiárias do Bolsa Família. 

Famílias de todos os 79 municípios do Estado são contempladas com o benefício que garante o pagamento de um valor médio de R$ 695,05. 

O calendário de pagamento tem início nesta quinta e vai até o dia 30 de abril, segundo o final do Número de Identificação Social – NIS. 

Veja o calendário:

Benefício referente ao mês de abril começa a ser pago nesta quinta (16)Fonte: Governo do Brasil

Além disso, o programa também garante benefícios adicionais desde sua retomada em 2023, como o Benefício Primeira Infância em Mato Grosso do Sul, que atende 106,4 mil crianças de zero a seis anos. 

Com isso, cada integrante de famílias nessa faixa etária recebem um adicional de R$ 150, o que significa um investimento de R$ 14,7 milhões a mais no Estado. 

Para crianças e adolescentes de sete a 18 anos, o Bolsa Família assegura um valor adicional de R$ 50, repassados a 162,8 mil indivíduos dessa idade, além de 7,3 mil gestantes e 3,7 mil mulheres que amamentam no Estado. Para estes pagamentos, o repasse ao Estado supera os R$ 7,8 milhões. 

O benefício também é estendido a outros grupos prioritários, sendo 2,3 mil famílias com pessoas em situação de rua, 22,3 mil com pessoas indígenas, 540 com quilombolas, 31 com crianças em situação de trabalho infantil, 542 com pessoas resgatadas de trabalho análogo ao escravo e 1,8 mil com catadores de material reciclável. 

Entre os municípios, a capital Campo Grande é onde estão a maior parte dos beneficiários do Estado no mês de abril, com 45.181 mil famílias atendidas. Na sequência, estão as cidades de Dourados (12.479), Corumbá (8.858), Ponta Porã (8.347) e Três Lagoas (6.847). 

O valor médio do benefício pago no Estado supera o valor médio nacional e da região Centro-Oeste. Paranhos é o município sul-mato-grossense com maior valor médio do repasse, de R$ 804,58 neste mês. Em seguida, aparecem Ladário (R$ 747,27), Corumbá (R$ 735,73), Miranda (R$ 727,90) e Jardim (R$ 725,86). 

Nacional

Em todo o País, no mês de abril, o número de famílias atendidas pelo Bolsa Família aumentou de 18,73 milhões para 18,9 milhões distribuídas nos 5.570 municípios brasileiros. 

O valor médio pago aos beneficiários é de R$ 678,22, vindos de um investimento de R$ 12,79 bilhões no Governo Federal neste mês. 

Famílias que vivem em cidades em estado de emergência ou calamidade pública reconhecidas pelo Governo do Brasil recebem o benefício no primeiro dia do calendário. Essas ações estão previstas no programa de transferência de renda para situações como secas, enchentes, inundações e eventos climáticos extremos. Ao todo, 173 municípios recebem o benefício. 

Como costuma ocorrer, 84% dos beneficiários são mulheres responsáveis pelas famílias, um total de 15,8 milhões. Também predominam pessoas de cor preta/parda, somando 36 milhões. 

Roraima é o estado com maior valor médio de repasse aos beneficiários em abril: R$ 741,02. Amazonas (R$ 728,74), Acre (R$ 724,50), Amapá (R$ 721,32) e Pará (R$ 700,30) completam a lista das cinco maiores médias.

 

DESENVOLVIMENTO RURAL

Extra Leite deve pagar até R$ 0,30 por litro e impulsionar produtividade em MS

Programa do governo estadual entra em fase de implantação ainda neste mês e deve aumentar a renda de produtores rurais no Estado

16/04/2026 14h15

Governador Eduardo Riedel durante coletiva na Acrissul, onde apresentou resultados de programas do setor produtivo e detalhou o impacto do Extra Leite

Governador Eduardo Riedel durante coletiva na Acrissul, onde apresentou resultados de programas do setor produtivo e detalhou o impacto do Extra Leite Marcelo Victor

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O governo de Mato Grosso do Sul deve iniciar, ainda neste mês, a operacionalização do Subprograma Extra Leite, iniciativa que promete impulsionar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e aumentar a renda de produtores rurais no Estado. Durante coletiva de imprensa na Acrissul, o governador Eduardo Riedel destacou que o incentivo financeiro pode variar entre R$ 0,20 e R$ 0,30 por litro produzido.

Segundo o governador, o impacto do programa será medido a partir da adesão dos produtores e do cumprimento dos critérios estabelecidos. “A gente vai mensurar isso a partir do início do programa, em termos de volume de produtores, de cooperativas cadastradas e do atendimento das demandas”, afirmou.

Riedel ressaltou que o Extra Leite integra uma estratégia mais ampla de transformação da produção agropecuária em Mato Grosso do Sul. “Os incentivos servem justamente para transformar a cultura, sistemas e modelos produtivos. A gente já vê os resultados aparecendo e a mobilização dos sistemas produtivos em torno dessa melhoria”, disse.

O programa também está alinhado a metas ambientais do Estado. De acordo com o governador, a adoção de sistemas mais eficientes contribui diretamente para a redução de emissões. “É uma somatória em torno de eficiência, produtividade e sustentabilidade, impactando inclusive na nossa meta de carbono neutro até 2030”, pontuou.

Cadeia leiteira em foco

O Extra Leite é desenvolvido em parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), com o objetivo de fortalecer e modernizar a bovinocultura leiteira.

A proposta prevê incentivo financeiro aos produtores que adotarem boas práticas de produção, cumprirem exigências sanitárias, ambientais e trabalhistas e alcançarem padrões de qualidade do leite.

Entre os principais objetivos estão o aumento da produção e da produtividade, a melhoria da qualidade do produto e o estímulo à eficiência nas propriedades rurais.

Regras para participação

Podem participar produtores que atendam às normas sanitárias e forneçam leite para indústrias no Estado. Para acessar o incentivo, é necessário cumprir critérios obrigatórios, como:

  • Cadastro Ambiental Rural (CAR);
  • Assistência técnica regular;
  • Produção mínima de 100 litros por dia;
  • Conformidade com normas do Ministério da Agricultura;
  • Regularidade fiscal, trabalhista, sanitária e ambiental.

Também há critérios complementares, como índices de qualidade do leite, incluindo gordura, proteína, contagem bacteriana e células somáticas e adoção de práticas sustentáveis.

Caso o produtor não atenda a algum requisito, perde o acesso ao benefício naquele período, podendo retornar após se adequar.

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