Economia

ECONOMIA

Preço da cesta básica de janeiro bateu R$783 em Campo Grande

Aumento foi observado em 24 capitais, com a Cidade Morena entre as três menores altas e abaixo de um ponto percentual neste começo de 2026

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Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a análise mensal dos alimentos divulgada hoje (09) mostra que Campo Grande está entre as 24 capitais que registraram aumento no valor da cesta básica, porém, com uma alta menor que um ponto percentual, ficando em R$ 783,41 em janeiro deste ano.

Conforme balanço repassado pelo escritório regional do Dieese em Mato Grosso do Sul, enquanto a alta de Campo Grande ficou em 0,97%, de dezembro de 2025 a janeiro de 2026 as principais altas ocorreram em: 

  1. (4,44%) - Manaus
  2. (3,37%) - Palmas
  3. (3,22%) - Rio de Janeiro 
  4. (2,52%) - Fortaleza
  5. (2,47%) - Cuiabá
  6. (2,44%) - Aracaju
  7. (2,15%) - Vitória
  8. (2,02%) - Belo Horizonte

Cabe lembrar que, a partir de agosto de 2025, a parceria entre o Dieese e a Conab ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, em contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.

Cenário local

Segundo o balanço divulgado, essa variação menor que um ponto percentual levou a cesta básica de Campo Grande ao valor de R$783,41, comprometendo mais da metade (52,25%) do salário mínimo do campo-grandense. 

Com isso, para custear uma cesta básica em janeiro, foi necessário que o campo-grandense trabalhasse pelo menos 106h19m. No acumulado de 12 meses, a elevação para a Capital do MS foi de 2,51%.

Lançado olhar sobre os itens que compõe a cesta básica, pelo menos 13 produtos subiram os preços, com o principal "vilão" neste início de ano sendo o tomate, que apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025, quando já comprometia mais da metade do salário mínimo na Capital.

Além desses, entre o último mês do ano passado e janeiro de 2025 o campo-grandense pôde sentir mais levemente no bolso o peso da variação da manteiga (1,42%) e da batata (0,49%), com queda no preço dos outros 10 itens que compõe a cesta básica, sendo: 

  • Leite integral (-8,00%),
  • Óleo de soja (-7,97%),
  • Arroz agulhinha (-6,50%),
  • Feijão carioca (-5,01%),
  • Farinha de trigo (-4,10%),
  • Café em pó (-3,81%),
  • Açúcar cristal (-3,37%),
  • Banana (-2,31%),
  • Pão francês (-0,78%) e
  • Carne bovina de primeira (-0,22%)

Se comparado com o início do ano passado, porém, o campo-grandense sente que pelo menos metade desses produtos ficaram mais caros, como bem mostra a variação percentual no acumulado dos últimos 12 meses. 

Nesse recorte anual, itens diários ainda tiveram um aumento "tímido", abaixo dos quatro pontos percentuais, como a carne bovina de primeira (3,95%) e farinha de trigo (3,74%). 

Enquanto o pão francês ficou 5,61% mais caro entre janeiro de 2025 e o primeiro mês deste ano, os principais vilões nesse acumulado dos últimos doze meses foram: o café em pó (31,47%) e o tomate (24,32%). 

E se o valor mais caro foi sentido até no preço da batata (5,67%) nesse intervalo de um ano, há aqueles produtos que ficaram, sim, mais baratos de um ano para cá, com destaque para as quedas observadas nos seguintes itens no acumulado de 12 meses: 

  • Arroz agulhinha (-39,87%),
  • Açúcar cristal (-16,30%),
  • Feijão carioca (-9,30%),
  • Leite integral (-9,26%),
  • Banana (-3,23%),
  • Manteiga (-2,06%) e
  • Óleo de soja (-0,67%)

Por fim, cabe também apontar que o tempo médio na jornada de trabalho para arcar com a cesta básica caiu de um ano para cá, de 110 horas e 46 minutos para 106 horas e 19 minutos.  

 

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temor

Com preço menor, fábricas de celulose de MS freiam exportações

Volume das exportações de celulose de MS caiu 26% em janeiro deste ano na comparação com igual mês de 2025. Faturamento, porém, despencou 46%

09/02/2026 13h10

Em janeiro 2025, a fábrica de Ribas do Rio Pardo respondeu pela exportação de 345 mil toneladas. Agora, apenas 180 mil

Em janeiro 2025, a fábrica de Ribas do Rio Pardo respondeu pela exportação de 345 mil toneladas. Agora, apenas 180 mil

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Principal produto da balança comercial de Mato Grosso do Sul, a exportação de celulose rendeu 46,2% a menos no primeiro mês de 2026 na comparação com igual período do ano passado, recuando US$ 394,1 milhões para US$ 212 milhões. 

E por conta deste recuo, os dados da balança comercial como um todo apresentaram recuo de quase 6,4% na comparação com janeiro do ano passado, caindo de  US$ 755 milhões  para US$ 636,9 milhões. Se a comparação for com dezembro de 2025, o recuo é ainda mais significativo, de 28,3%. Naquele mês, as vendas externas somaram US$ 869 milhões. 

O principal motivo da queda significativa no faturamento das três indústrias de celulose que exportam a partir de Mato Grosso do Sul é a redução no preço, já que o volume exportado foi apenas 26% menor que no começo de 2025.  

No primeiro mês do ano passado, conforme mostram os dados da Carta da Conjuntura do Comércio Exeterior, divulgada pela secretaria de Meio Ambente e Desenvolvimento Sustentável (Semadesc) a tonelada de celulose rendeu  US$ 538 por tonelada. Agora, o valor médio foi de apenas US$ 394. 

Esta queda na cotação vem ocorrendo desde meados do ano passado e por conta disso as indústrias estão colocando o pé no freio da produção e das ofertas ao mercado externo. As vendas caíram principalmente para China. 

No primeiro mês do ano passado, as vendas totais ao país asiático, incluindo soja, carnes e outros produtos, significaram 41,5% de tudo aquilo que Mato Grosso do Sul exportou. Agora, o principal parceiro comercial foi responsável por apenas 30,6% das vendas externas.

Os números da balança comercial em janeiro somente não tiveram baque maior porque a venda de soja e carnes começou o ano com números bem melhoras que  em 2025. O faturamento com carne bovina fresca aumentou em 41%, passando de US$ 102 milhões para US$ 145 milhões. 

E, ao contrário da celulose, os preços tiveram significativo aumento. O volume exportado subiu 25%, passando de 20 mil para 25 mil toneladas. Porém, o preço médio da tonelada saiu de US$ 5,1 mil para US$ 5,8 mil por tonelada. 

No caso da soja, os embarques dispararam, passando de 53 mil toneladas para 163 mil toneladas. Assim, o faturamento aumentou em quase 240%. No caso do milho, o cenário foi parecido. O volume saltou de 38 mil toneladas para 170 mil. 

PREOCUPAÇÃO

Embora as exportações normalmente signifiquem motivo de comemoração do setor econômico. Em Mato Grosso do Sul a importação de gás boliviano é motivo de festa, já que rende ICMS para os cofres locais. 

E, assim como já vinha acontecendo ao longo de todo o ano passado, 2026 começou com mais uma significativa retração, da ordem de 40%. Em janeiro do ano passado as importações foram da ordem de US$ 97,6 milhões. Agora, este valor ficou em apenas US$ 58 milhões. 

Para os cofres estaduais isso siguifico uma perda de cerca de R$ 1 milhão por dia. Em janeiro do ano passado o gás importado da Bolívia garantiu em torno de R$ 80 milhões aos cofres estaduais. Agora, este valor recuou para cercad e R$ 50 milhões.

 

AGRICULTURA

Produção do milho safrinha 2025/2026 deve ter queda de 21%

O cereal que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja deve responder agora por 46% dessa área

09/02/2026 08h40

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Mesmo com expansão da área cultivada, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul deve registrar uma forte retração na produção em 2025/2026.

A estimativa mais recente do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), aponta que o Estado deve colher 11,139 milhões de toneladas, volume 21,6% inferior ao registrado no ciclo anterior, que registrou recorde com 14,226 milhões de toneladas.

A queda é atribuída principalmente à redução expressiva da produtividade média, reflexo de fatores climáticos e do próprio efeito estatístico da supersafra passada.

Segundo os dados técnicos, a área destinada ao milho da segunda safra deve alcançar 2,206 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 3% em relação à safra 2024/2025.

Ainda assim, a produtividade média projetada é de 84,2 sacas por hectare, número 22,4% menor do que o obtido no ciclo anterior, quando o rendimento chegou a 108,42 sacas por hectare.

De acordo com o assessor técnico da Aprosoja-MS, Flávio Aguena, a metodologia utilizada para a projeção da safra explica, em parte, a magnitude dessa diferença.

“A expectativa inicial para a segunda safra de milho 2025/2026 considera uma área de 2,206 milhões de hectares, uma produtividade de 84,2 sacas por hectare, o que corresponde a um volume de produção de 11,139 milhões de toneladas”, explica.

Ele detalha que a estimativa de área leva em conta o comportamento médio das últimas safras. “A metodologia utilizada considera a média de aumento de área das últimas cinco safras, que foi de 3%. Por isso, projetamos esse crescimento em comparação ao ciclo passado”, afirma.

Já a produtividade, segundo Aguena, segue uma lógica mais conservadora. “Ela é estimada com base na média das últimas cinco safras. Quando comparamos com a safra 2024/2025, que teve produtividade de 108,42 sacas por hectare, há uma redução de 22,4%. Ou seja, a média histórica é bem inferior à produtividade excepcional do ciclo passado”, pontua.

Além da base de comparação elevada, o milho safrinha deste ano enfrenta um cenário climático mais adverso. O plantio avança em ritmo mais lento do que o observado na temporada passada.

Até o fim de janeiro, apenas 2% da área prevista havia sido semeada, 5,6 pontos porcentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra 2024/2025.

O atraso reduz a janela ideal de desenvolvimento da cultura e aumenta a exposição das lavouras ao período de estiagem que costuma se intensificar a partir de março, sobretudo na região sul do Estado.

Outro fator estrutural destacado pelos técnicos é a mudança no uso das áreas agrícolas. O milho da segunda safra, que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul, deve responder agora por 46% dessa área.

A redução indica maior cautela dos produtores, que têm direcionado parte das áreas para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens, consideradas menos arriscadas do ponto de vista climático.

SOJA

Embora o milho concentre as maiores revisões negativas, a soja também deixou de sustentar o cenário de otimismo que marcou o início do ciclo.

A expectativa inicial para a safra 2025/2026 da oleaginosa aponta uma área de 4,794 milhões de hectares, produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção estimada em 15,195 milhões de toneladas.

Segundo Flávio Aguena, o panorama mudou significativamente desde janeiro. “Havia um otimismo até dezembro de 2025, devido ao bom volume de chuvas, principalmente na região sul do Estado, onde está a maior área plantada de soja”, afirma.

No entanto, a situação climática se deteriorou rapidamente. “O mês de janeiro de 2026 foi marcado por uma seca severa nas regiões centro e sul, com algumas áreas ficando mais de 20 dias sem chuvas”, relata.

Na safra 2024/2025 foram colhidas 14,2 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso do Sul - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

O problema se agravou porque a estiagem coincidiu com uma fase crítica da cultura. “Essa situação é ainda mais preocupante porque ocorreu durante o período reprodutivo da soja, quando a planta precisa, em média, de 5 a 7 milímetros de água por dia para expressar todo o seu potencial produtivo”, explica o assessor técnico.

Diante desse cenário, a Aprosoja-MS já descarta a manutenção do discurso de supersafra. “Hoje, o cenário para a soja em Mato Grosso do Sul não é mais de otimismo. O impacto da seca só será mensurado com a evolução da colheita”, ressalta Aguena.

A associação realiza atualmente levantamentos de campo para avaliar os danos efetivos. “Nossa equipe está fazendo o levantamento de produtividade e, após uma amostragem mínima de 10% das áreas, será feita uma nova estimativa para a safra de soja no Estado”, conclui.

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